Li em algum lugar declaração de um estudioso do mundo de Hipnos (deus do sono. Morfeu, ao contrário do que muita gente pensa, é deus do sonho) a qual dizia que algumas pessoas precisam dormir oito ou nove horas por noite, e outras apenas cinco ou seis horas já seriam suficientes para restaurar suas energias. Me encontro enquadrado na relação dos que dormem pouco, enquanto minha mulher, se não a perturbarem, dorme tranquilamente nove ou dez horas.
Na verdade, os seres humanos passam praticamente um terço da vida dormindo e esse fato já dá a dimensão e a importância do fenômeno sono. O corpo dos animais, e não esqueçamos que o homem é um animal, consome energia nos afazeres comuns do dia-a-dia, vale dizer, no simples ato de viver, portanto, necessita de repouso para que seus sistemas descansem, retornem a um nível ótimo de equilíbrio metabólico, psíquico e emocional para isso o sono se faz necessário. O sono, numa linguagem coloquial, “recarrega a pilha” fisiológica animal.
Experiências em laboratório provaram que um organismo privado de sono deixa de funcionar, isto é, morre. Os sistemas e órgãos de ratos impedidos de dormir por quatro ou cinco dias, entram em colapso e morrem. Em 1962, o radialista Rick Michaelis foi submetido a experiência de privação de sono mais radical que se tem notícia, ele ficou sem dormir durante 213 horas. Supervisionado e monitorado por uma equipe médica que o acompanhou em revezamento, Rick passou períodos de delírios, agressividade, surtos de demência e quase veio a falecer quando sua pressão baixou a níveis incompatíveis com a vida normal. Os médicos colocaram um fim na provação quando perceberam que ele corria risco de bater as botas.
Como escrevi acima, durmo pouco, porém, por alguma razão que desconheço e que mesmo a medicina não soube dar uma explicação satisfatória, passei por um período de meses com uma grave e ruinosa insônia. Minhas noites se resumiam a três ou quatro horas de sono de má qualidade, o que tornava os dias pesados de suportar e pouco produtivos. Sono de má qualidade é quando não conseguimos atingir os níveis mais profundos de inconsciência, o chamado nível quatro, o qual é particularmente restaurador. E também não sonhamos ou sonhamos pouco, o sonho é indispensável para uma vida saudável, ainda que a ciência não saiba por quê.
O médico gaúcho, Denis Martinez, talvez a maior autoridade brasileira em tratamento de problemas referentes à qualidade do sono, escreveu vários livros sobre a matéria, inclusive o “Como vai seu sono?” um verdadeiro tratado sobre esse universo tão necessário e tão pouco conhecido, mas no qual todos mergulhamos pelo menos uma vez por dia durante a vida toda. Assim, me fiz paciente da Clínica do Sono depois de ter lido o livro de Martinez. Na clínica é necessário passar uma noite dormindo monitorado por uma câmera e acoplado a aparelhos de leitura de ondas cerebrais, de movimentos dos olhos e dos membros, através de dezenas de eletrodos colocados em pontos determinados desde as têmporas até as pernas. Onde se realiza um estudo polissonográfico com paciente dormindo numa cama confortável, num quarto escuro e silencioso. Onde são monitorados e registrados em um computador os parâmetros eletrofisiológicos e cardio-respiratórios, fluxo oro nasal, movimento de tórax, movimento do abdômen e movimento dos membros, além de saturação de oxigênio e posição no leito.
O diagnóstico dos distúrbios que estão deteriorando a qualidade de nosso estado repouso repositor de energias será feito pelo médico especializado, que indicará ou não medicamento ou atitudes que deverão melhorar o estado do paciente.
Feito o diagnóstico que pode conter termos como arousals e despertares, bruxismo, terror noturno e apnéia, o paciente passa pela fase de tratamento que pode incluir medicamentos, máscara de oxigênio para casos graves de apnéia e aparelho para facilitar a respiração em caso de roncopatia severa. O livro de Martinez relaciona duas dezenas de síndromes, chamadas distúrbios do sono, que podem perturbar o descanso do ser humano. Dessas tantas fui contemplado com cinco, por causa das quais me encontro em tratamento.
O curioso da busca por tratamento nessas clínicas, é que quem mais as procuram são mulheres porque... seus maridos roncam. Segundo os médicos da área, é normal as mulheres procurarem as clínicas porque não conseguem dormir devido ao ronco de seus maridos. Soluções como, desde dormir em quartos separados até tratamentos clínicos da roncopatia dos maridos, melhoram o sono das mulheres. Cura-se um para o outro dormir.
O fato concreto é que, muito provavelmente, a maioria dos distúrbios do sono está relacionada com a vida moderna. O estresse, as preocupações, os horários, os ruídos, os estímulos visuais, as refeições pouco digeríveis ou em horários inadequados, a televisão no quarto, as muitas informações que devemos “digerir” diariamente e as maneiras de dormir, afetam desfavoravelmente nossa qualidade do sono. Estamos a mercê de dezenas de agentes contrários ao bom dormir. Então, a maioria dos médicos prefere descobrir o que está nos causando os desconfortos e nos aconselha a proceder de modo diferente ou mudar o que está nos atrapalhando. Medicamentos ou aparelhos só em ultimo caso. Seguindo “dicas” profissionais quase sempre fáceis de serem seguidas e cuidando da saúde podemos adentrar o mundo de Hipnos e lá permanecer por algumas horas agradáveis todas as noites. Bom sono para todos! JAIR, Floripa, 26/08/11.
Na verdade, os seres humanos passam praticamente um terço da vida dormindo e esse fato já dá a dimensão e a importância do fenômeno sono. O corpo dos animais, e não esqueçamos que o homem é um animal, consome energia nos afazeres comuns do dia-a-dia, vale dizer, no simples ato de viver, portanto, necessita de repouso para que seus sistemas descansem, retornem a um nível ótimo de equilíbrio metabólico, psíquico e emocional para isso o sono se faz necessário. O sono, numa linguagem coloquial, “recarrega a pilha” fisiológica animal.
Experiências em laboratório provaram que um organismo privado de sono deixa de funcionar, isto é, morre. Os sistemas e órgãos de ratos impedidos de dormir por quatro ou cinco dias, entram em colapso e morrem. Em 1962, o radialista Rick Michaelis foi submetido a experiência de privação de sono mais radical que se tem notícia, ele ficou sem dormir durante 213 horas. Supervisionado e monitorado por uma equipe médica que o acompanhou em revezamento, Rick passou períodos de delírios, agressividade, surtos de demência e quase veio a falecer quando sua pressão baixou a níveis incompatíveis com a vida normal. Os médicos colocaram um fim na provação quando perceberam que ele corria risco de bater as botas.
Como escrevi acima, durmo pouco, porém, por alguma razão que desconheço e que mesmo a medicina não soube dar uma explicação satisfatória, passei por um período de meses com uma grave e ruinosa insônia. Minhas noites se resumiam a três ou quatro horas de sono de má qualidade, o que tornava os dias pesados de suportar e pouco produtivos. Sono de má qualidade é quando não conseguimos atingir os níveis mais profundos de inconsciência, o chamado nível quatro, o qual é particularmente restaurador. E também não sonhamos ou sonhamos pouco, o sonho é indispensável para uma vida saudável, ainda que a ciência não saiba por quê.
O médico gaúcho, Denis Martinez, talvez a maior autoridade brasileira em tratamento de problemas referentes à qualidade do sono, escreveu vários livros sobre a matéria, inclusive o “Como vai seu sono?” um verdadeiro tratado sobre esse universo tão necessário e tão pouco conhecido, mas no qual todos mergulhamos pelo menos uma vez por dia durante a vida toda. Assim, me fiz paciente da Clínica do Sono depois de ter lido o livro de Martinez. Na clínica é necessário passar uma noite dormindo monitorado por uma câmera e acoplado a aparelhos de leitura de ondas cerebrais, de movimentos dos olhos e dos membros, através de dezenas de eletrodos colocados em pontos determinados desde as têmporas até as pernas. Onde se realiza um estudo polissonográfico com paciente dormindo numa cama confortável, num quarto escuro e silencioso. Onde são monitorados e registrados em um computador os parâmetros eletrofisiológicos e cardio-respiratórios, fluxo oro nasal, movimento de tórax, movimento do abdômen e movimento dos membros, além de saturação de oxigênio e posição no leito.
O diagnóstico dos distúrbios que estão deteriorando a qualidade de nosso estado repouso repositor de energias será feito pelo médico especializado, que indicará ou não medicamento ou atitudes que deverão melhorar o estado do paciente.
Feito o diagnóstico que pode conter termos como arousals e despertares, bruxismo, terror noturno e apnéia, o paciente passa pela fase de tratamento que pode incluir medicamentos, máscara de oxigênio para casos graves de apnéia e aparelho para facilitar a respiração em caso de roncopatia severa. O livro de Martinez relaciona duas dezenas de síndromes, chamadas distúrbios do sono, que podem perturbar o descanso do ser humano. Dessas tantas fui contemplado com cinco, por causa das quais me encontro em tratamento.
O curioso da busca por tratamento nessas clínicas, é que quem mais as procuram são mulheres porque... seus maridos roncam. Segundo os médicos da área, é normal as mulheres procurarem as clínicas porque não conseguem dormir devido ao ronco de seus maridos. Soluções como, desde dormir em quartos separados até tratamentos clínicos da roncopatia dos maridos, melhoram o sono das mulheres. Cura-se um para o outro dormir.
O fato concreto é que, muito provavelmente, a maioria dos distúrbios do sono está relacionada com a vida moderna. O estresse, as preocupações, os horários, os ruídos, os estímulos visuais, as refeições pouco digeríveis ou em horários inadequados, a televisão no quarto, as muitas informações que devemos “digerir” diariamente e as maneiras de dormir, afetam desfavoravelmente nossa qualidade do sono. Estamos a mercê de dezenas de agentes contrários ao bom dormir. Então, a maioria dos médicos prefere descobrir o que está nos causando os desconfortos e nos aconselha a proceder de modo diferente ou mudar o que está nos atrapalhando. Medicamentos ou aparelhos só em ultimo caso. Seguindo “dicas” profissionais quase sempre fáceis de serem seguidas e cuidando da saúde podemos adentrar o mundo de Hipnos e lá permanecer por algumas horas agradáveis todas as noites. Bom sono para todos! JAIR, Floripa, 26/08/11.