segunda-feira, 30 de abril de 2012
Florestas
sábado, 25 de dezembro de 2010
Destruindo o Planeta
Em outros textos já mencionei a ação deletéria do Homo sapiens em relação ao Planeta que o acolhe com tanta fartura e segurança. Já comparei o homem a um inquilino desmazelado e egoísta que só vê a si mesmo, e que maltrata a senhoria dadivosa a qual, algum dia, poderá perder a paciência e despejar esse morador incômodo.
O certo é que nosso acelerado crescimento demográfico, nosso desmedido uso de energia, a urbanização desorganizada e o emprego de novos materiais para satisfazer nossos ideais de consumo, estão num curso de colisão que deverá alterar, talvez além de um ponto de retorno, os sistemas naturais de recuperação de nosso Planeta, ameaçando a sobrevivência biológica do Homo e de todas as criaturas vivas. Hoje quando apenas metade da humanidade entrou na era tecnológica, as pressões são monumentais por parte daqueles que querem sua fatia do bolo. Explico. É natural que o ser humano almeje algo que ele chama de progresso, ninguém quer viver sem água encanada, luz elétrica, telefone, urbanização e todas as demais comodidades que a ciência pôs a disposição das pessoas. Contudo, os recursos naturais, quaisquer que sejam, não são permanentes, eles se esgotam. Por exemplo, há consenso entre os cientistas que os peixes e demais seres marinhos que nos servem de alimentos, deixarão de ser viáveis para pesca dentro de quarenta anos, ou seja, em quatro décadas não mais poderemos contar com frutos do mar em nossos cardápios, os pescados estarão virtualmente extintos.
Pois bem, hoje com algo em torno de seis bilhões de habitantes no Planeta, já vislumbramos inúmeras fontes de alimentos e de geração de energia sendo exterminadas. Então vejamos, com metade da população exigindo sua cota de progresso; níveis de consumo cada vez mais altos; e uma população de dez bilhões de seres pensantes daqui algumas décadas, a conta não vai fechar mesmo. Os riscos estão sendo equacionados com metade da população que apenas elevou sua demanda um pouco acima do homem neolítico. Mas suponhamos que dez bilhões tratem de viver como europeus ou japoneses, aliás, a China dá mostras que quer elevar o patamar de consumo daqueles bilhões que lá vivem. Suponhamos que o ideal de consumo seja o padrão americano com quase um automóvel para cada pessoa. Iríamos elevar o nível de monóxido de carbono a algo difícil de equacionar, mas, certamente, acima do suportável pelos nossos pulmões e pela natureza. Suponhamos que dois terços dos menos aquinhoados mudem para as cidades, buscando nelas os níveis de uso energético e consumo materiais do mundo desenvolvido. Não há maneira de solucionar tal equação.
Mas, neste caso, o que irá acontecer? Um aumento de Consumo? Sim, mas de onde tirar esse consumo? Demanda de comodidades urbanas? Sim, mas como? Ou será que existe alguma solução mágica pela qual o maltratado Planeta, tirando um coelho da cartola devolverá à natureza sua condição primeira e saudável? A ninguém é dada a capacidade de responder.
Em conclusão, existem dois mundos que interagem: A biosfera que o homem herdou e tecnosfera que ele criou. Esses dois mundos estão em desequilíbrio, ou melhor, estão em conflito aberto e total, e, até agora, a biosfera está apanhando de cano de ferro. E o incauto Homo sapiens, a exemplo do marisco entre o mar e a rocha, está no meio da briga. Esta é conjuntura da História na qual estamos vivendo. Um vislumbre do futuro abrindo-se para uma crise total e irreversível. Uma crise global maior e mais perversa do que qualquer outra já defrontada pela espécie humana. Que tomará forma decisiva dentro do lapso de vida das crianças que já nasceram. Alguém duvida? JAIR, Canoas, 25/12/10.