(...) Espantoso é também que ninguém fale da Irlanda. Não falam em Bruxelas nem em Berlim os patrões do dinheiro, não falam os jornalistas nos jornais nem nas televisões, apesar de o défice da Irlanda ser o dobro do da Grécia - mais de 32%. E de a dívida ser também colossal para utilizar uma expressão tão cara aos nossos governantes.
A razão é muito simples: é que o défice da Irlanda foi contraído para salvar os bancos em consequência da “borbulha” imobiliária - uma constante da cultura neoliberal - que só se tornou um “pecado” porque rebentou. É essa sua génese que quase o torna virtuoso para a gente de Bruxelas e de Berlim, não obstante o seu extraordinário montante.
Verdadeiramente, o que eles reprovam, o que eles invejam, é o estilo de vida dos gregos. O sol, as praias, as esplanadas, as ilhas, aquela convivência serena com os deuses. O que eles não aceitam é que os próprios deuses tenham sido criados à imagem e semelhança dos homens. Sem imperativos categóricos nem máximas calvinistas. Sem verdades absolutas em nome das quais se combate a religião do outro, se discrimina, se extermina até, se necessário for. É isso que os bárbaros não aceitam. Viva a Grécia!
ICI
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Posts sábios (III)
Os elementos ontem dados a público pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam aquilo que já se sabia, mas que o Governo, ideologicamente dominado pelo neoliberalismo, teimava e teima em não ver: que a sua política económica não resolve, antes agrava, os males estruturais de que sofre a economia portuguesa.
O segundo trimestre do ano apresenta uma quebra do consumo privado como não há registo nas estatísticas nacionais, o mesmo se passando com o consumo público. Tendo, por outro lado, em conta que o investimento caiu igualmente (como não poderia deixar de ser), o destino da economia, no “bom estilo” da ortodoxia neoliberal, ficará exclusivamente entregue à sorte das exportações.
Como, porém, as exportações dependem mais da conjuntura económica internacional do que das “virtudes” de quem exporta, é de prever, face ao afrouxamento da economia dos Estados Unidos e da União Europeia, inclusive de uma provável recessão, o pior para os portugueses.
A brutal carga de impostos infligida aos contribuintes corre o risco de nem sequer, no plano puramente formal, cumprir o objectivo a que em teoria se destinava: reduzir o défice em 2011 para 5,9%, já a quebra das receitas será de tal ordem, por força da diminuição da procura interna (de certeza ainda mais acentuadas nos dois últimos trimestres), que inviabilizará aquele objectivo.
Aliás, os sinais de alarme estão por todo o lado. O BCE que ficará na história por ter subido a taxa de juros quando se desencadeou a maior crise económica depois de 1929, voltou, há pouco tempo, a incorrer no mesmo erro por temer uma pretensa subida dos preços numa conjuntura em que a situação dos países em crise da zona euro exigia uma política exactamente oposta. Ontem, Trichet já veio dizer que os juros não subiriam, decisão que mais não é do que a constatação de um falhanço: a incapacidade de as políticas de austeridade impostas na zona euro conduzirem ao crescimento. Claro que a decisão de BCE não foi tomada para não prejudicar ainda mais os países em crise, mas por nas grandes economias (a começar pela Alemanha) já haver também sinais muito evidentes de desaceleração económica.
Entretanto, a Grécia parece recusar-se a cumprir o estúpido programa de austeridade que a Troika lhe impôs…por já ter chegado à conclusão que ele apenas acrescenta recessão à recessão. As ameaças logo se fizeram sentir, por parte a Alemanha e da Holanda, a ponto de pela primeira vez se ter falado, oficialmente, na saída da Grécia do euro.
Espera-se que a Grécia resista, que não ceda, deixando levar as coisas à beira do precipício, por haver a antecipada certeza de que o “tombo” não será igual para todos: os mais fortes cairão de mais alto…
De facto, ninguém na UE pode impor a expulsão do euro. O que poderia acontecer, se à Grécia não for emprestado dinheiro, é que ela entre em bancarrota. Só que se tal acontecesse, o euro teria também os seus dias contados.
Oxalá a Grécia resista e dê uma lição aos lacaios da alta finança e aos servis “bons alunos” que já tudo perderam. Até o respeito por eles próprios…
O segundo trimestre do ano apresenta uma quebra do consumo privado como não há registo nas estatísticas nacionais, o mesmo se passando com o consumo público. Tendo, por outro lado, em conta que o investimento caiu igualmente (como não poderia deixar de ser), o destino da economia, no “bom estilo” da ortodoxia neoliberal, ficará exclusivamente entregue à sorte das exportações.
Como, porém, as exportações dependem mais da conjuntura económica internacional do que das “virtudes” de quem exporta, é de prever, face ao afrouxamento da economia dos Estados Unidos e da União Europeia, inclusive de uma provável recessão, o pior para os portugueses.
A brutal carga de impostos infligida aos contribuintes corre o risco de nem sequer, no plano puramente formal, cumprir o objectivo a que em teoria se destinava: reduzir o défice em 2011 para 5,9%, já a quebra das receitas será de tal ordem, por força da diminuição da procura interna (de certeza ainda mais acentuadas nos dois últimos trimestres), que inviabilizará aquele objectivo.
Aliás, os sinais de alarme estão por todo o lado. O BCE que ficará na história por ter subido a taxa de juros quando se desencadeou a maior crise económica depois de 1929, voltou, há pouco tempo, a incorrer no mesmo erro por temer uma pretensa subida dos preços numa conjuntura em que a situação dos países em crise da zona euro exigia uma política exactamente oposta. Ontem, Trichet já veio dizer que os juros não subiriam, decisão que mais não é do que a constatação de um falhanço: a incapacidade de as políticas de austeridade impostas na zona euro conduzirem ao crescimento. Claro que a decisão de BCE não foi tomada para não prejudicar ainda mais os países em crise, mas por nas grandes economias (a começar pela Alemanha) já haver também sinais muito evidentes de desaceleração económica.
Entretanto, a Grécia parece recusar-se a cumprir o estúpido programa de austeridade que a Troika lhe impôs…por já ter chegado à conclusão que ele apenas acrescenta recessão à recessão. As ameaças logo se fizeram sentir, por parte a Alemanha e da Holanda, a ponto de pela primeira vez se ter falado, oficialmente, na saída da Grécia do euro.
Espera-se que a Grécia resista, que não ceda, deixando levar as coisas à beira do precipício, por haver a antecipada certeza de que o “tombo” não será igual para todos: os mais fortes cairão de mais alto…
De facto, ninguém na UE pode impor a expulsão do euro. O que poderia acontecer, se à Grécia não for emprestado dinheiro, é que ela entre em bancarrota. Só que se tal acontecesse, o euro teria também os seus dias contados.
Oxalá a Grécia resista e dê uma lição aos lacaios da alta finança e aos servis “bons alunos” que já tudo perderam. Até o respeito por eles próprios…
domingo, 3 de julho de 2011
Grécias do mundo uni-vos
Nas Grécias os mitos vendem-se como ketchup
Desde que são decorativos
E não metem medo
Nem já rendem para a dívida cumprir
O transe agora é um dobrar a cerviz suado
Colorido pirotécnico
Os dentes na pose salarial
E os agiotas dormem menos
Desde que as greves se avizinham do parlamento
Têm medo das vozes do corpo
Já não se fala de Platão
Nem da caverna
Vêem tudo à primeira
Os filhos da crise
E não estão para essas ilusões
Sonhadas de sombras projectadas
Sombras chinesas sim
Pragmáticas mais do que qualquer confusão entre o real e um seu duplo
Enganador
Mundo de aparências quando o mundo real é clandestino
Um duplo como duplo mais que puro sósia
Duplos só uísques
O espectáculo apenas primeiro que a teta não confunde
É alimento desde que Hollywood é Olimpo
E telegenia demagógica
Nem estão eles
Nem estamos nós
Para suportar a poluição ideológica
Filoxera que corrói lá metida em pista falsa as colunas do Partenon
Pelo interior da sua lingerie de ligas ausentes
Pedra papiro pedaços da origem do que a poesia fundou
Em jogo voyeur e bicho do papel mil patas
A instaurar a catástrofe laboratorial
E nisso nos comprazermos
No jornal das nove
A inevitável queda diária
Nas quedas
Os juros não cantam doem
Na Grécia sempre se falou muito do pensamento
Mas agora fala-se a propósito
De vício de esplanadas
Como se os peripatéticos passeios
Não fossem esplanadas andantes
E fala-se de fora
De vocações de ócio sem redenção
De Retsinas de perdição
E que é necessário acabar com elas
Não produzem senão sol
E deslembrar de compromissos
Sorrir a quem quer comer mitos
E fritos
E mostra as coxas
Euro Americanas
Os gregos nisso são bestiais
Lojas de mitos recordações
Trouxas argilas corações
E as tropas do turismo
Nas suas sapatilhas cómodas
Para unhas encravadas e pé de atleta mental
Olham à hora
O à
La Minute que lhes fixa a eternidade
Num ápice
Um fundo calcário
No calendário
Com odor a Heraclito
Porque Heraclito nas suas contradições de fogo
Cheirava a pinhal e ao seu contrário
Mais que Sócrates cheirasse a respeito da lei
Quando para a cicuta o dispusessem
Eutanásia ética um pouco coxa dos tempos clássicos
Para educar efebos do regime dizem
E não sabemos se seria exactamente assim
Porque pintaram o Sócrates
Como quiseram com os pincéis da ordem
Conveniente e só nos resta gramar a verdade que os manuais foram Cobrindo do sarro que não sai
Zenão dobrava o joelho
Na mesma cena panorâmica
Em que Sócrates bebia a cicuta
E Platão olhava a projecção da cena da caverna no seu exterior
Primeiro cinema
Da metade de meio por meio
E a mio de outra metade interminável
Zenão fazia as contas
Ou qualquer porra no género
E era já um tecnocrata
Da geometria absurda
Infinidade da medida deslucro
Do fémur reincidente
E menina do olho desgastando-se
A palma da mão a metro esticada
De polegar a indicador
A dar a referência prática artesanal
Lentamente esculpida pela erosão
Que o vício transporta
Pelas noites inúteis fora
A nossa pachorra
Não se acomoda aos queixumes lacrimejantes
Da nova tragédia
Que todos os dias produz clímaxes
E faz cachas
E não há fígado que resista
Não se aguenta
Um quotidiano sempre de apocalipses
Para alka seltzer consumir
Como quem atura medíocres alcandorados na política a pessoas
E no parlamento a recém chegados à capital e ao capital
Um tornado é um tornado
E nos tornados
Os credores voam
Como qualquer outra merda
Papel por exemplo mesmo que carne
Ou ouro de lei
Esse que paga silêncios
Eis a natureza das coisas
Emílio Navarro Soler
Desde que são decorativos
E não metem medo
Nem já rendem para a dívida cumprir
O transe agora é um dobrar a cerviz suado
Colorido pirotécnico
Os dentes na pose salarial
E os agiotas dormem menos
Desde que as greves se avizinham do parlamento
Têm medo das vozes do corpo
Já não se fala de Platão
Nem da caverna
Vêem tudo à primeira
Os filhos da crise
E não estão para essas ilusões
Sonhadas de sombras projectadas
Sombras chinesas sim
Pragmáticas mais do que qualquer confusão entre o real e um seu duplo
Enganador
Mundo de aparências quando o mundo real é clandestino
Um duplo como duplo mais que puro sósia
Duplos só uísques
O espectáculo apenas primeiro que a teta não confunde
É alimento desde que Hollywood é Olimpo
E telegenia demagógica
Nem estão eles
Nem estamos nós
Para suportar a poluição ideológica
Filoxera que corrói lá metida em pista falsa as colunas do Partenon
Pelo interior da sua lingerie de ligas ausentes
Pedra papiro pedaços da origem do que a poesia fundou
Em jogo voyeur e bicho do papel mil patas
A instaurar a catástrofe laboratorial
E nisso nos comprazermos
No jornal das nove
A inevitável queda diária
Nas quedas
Os juros não cantam doem
Na Grécia sempre se falou muito do pensamento
Mas agora fala-se a propósito
De vício de esplanadas
Como se os peripatéticos passeios
Não fossem esplanadas andantes
E fala-se de fora
De vocações de ócio sem redenção
De Retsinas de perdição
E que é necessário acabar com elas
Não produzem senão sol
E deslembrar de compromissos
Sorrir a quem quer comer mitos
E fritos
E mostra as coxas
Euro Americanas
Os gregos nisso são bestiais
Lojas de mitos recordações
Trouxas argilas corações
E as tropas do turismo
Nas suas sapatilhas cómodas
Para unhas encravadas e pé de atleta mental
Olham à hora
O à
La Minute que lhes fixa a eternidade
Num ápice
Um fundo calcário
No calendário
Com odor a Heraclito
Porque Heraclito nas suas contradições de fogo
Cheirava a pinhal e ao seu contrário
Mais que Sócrates cheirasse a respeito da lei
Quando para a cicuta o dispusessem
Eutanásia ética um pouco coxa dos tempos clássicos
Para educar efebos do regime dizem
E não sabemos se seria exactamente assim
Porque pintaram o Sócrates
Como quiseram com os pincéis da ordem
Conveniente e só nos resta gramar a verdade que os manuais foram Cobrindo do sarro que não sai
Zenão dobrava o joelho
Na mesma cena panorâmica
Em que Sócrates bebia a cicuta
E Platão olhava a projecção da cena da caverna no seu exterior
Primeiro cinema
Da metade de meio por meio
E a mio de outra metade interminável
Zenão fazia as contas
Ou qualquer porra no género
E era já um tecnocrata
Da geometria absurda
Infinidade da medida deslucro
Do fémur reincidente
E menina do olho desgastando-se
A palma da mão a metro esticada
De polegar a indicador
A dar a referência prática artesanal
Lentamente esculpida pela erosão
Que o vício transporta
Pelas noites inúteis fora
A nossa pachorra
Não se acomoda aos queixumes lacrimejantes
Da nova tragédia
Que todos os dias produz clímaxes
E faz cachas
E não há fígado que resista
Não se aguenta
Um quotidiano sempre de apocalipses
Para alka seltzer consumir
Como quem atura medíocres alcandorados na política a pessoas
E no parlamento a recém chegados à capital e ao capital
Um tornado é um tornado
E nos tornados
Os credores voam
Como qualquer outra merda
Papel por exemplo mesmo que carne
Ou ouro de lei
Esse que paga silêncios
Eis a natureza das coisas
Emílio Navarro Soler
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