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Propósitos para o ano de 2014


 

Uma das maiores tragédias da humanidade actual é que vive uma vida sem propósito, sem razão de ser, sem objectivos. Viver sem propósito é caminhar a esmo, sem destino; é trabalhar sem saber o que se está a produzir; é fabricar algo que não sei o que será; é iniciar um discurso onde não sei o que pretendo e nem onde terminarei. Vida sem propósito não é a Vida que Deus nos criou para viver.

Início de um novo ano é um bom momento para avaliar nossos propósitos e afinar nosso caminhar. Serve para auto-exame e correcção de direcção. Isso deve ser feito a título individual e colectivo. E é como igreja que queremos determinar nossos alvos de forma bem clara. Uma definição escrita, clara e directa, ajuda a mentalizar um propósito e é nesse sentido que apresentamos a seguinte. Nosso alvo como Igreja:
 “Queremos ser uma família em Cristo, de servos de Deus, que cresce no conhecimento e prática de seus propósitos, que busca, exalta e reflecte a Glória do Senhor para o mundo, trabalhando para ver vidas Transformadas por Jesus.”

Nessa definição encontramos as bases do propósito de Deus para igreja segundo encontramos no Novo Testamento. Encontramos o alvo da comunhão fraternal marcada pelo amor em Cristo (Queremos ser uma família em Cristo). Encontramos o objetivo do Serviço cristão que se dedica a Deus e ao próximo (servos de Deus… trabalhando). Encontramos o propósito da Adoração a Deus, como único Ser verdadeiramente digno de nosso louvor na Santa Trindade (que busca, exalta e reflecte a Glória do Senhor). Achamos a vocação evangelística de levar o Senhor a todos os que não o conhecem (reflecte a Glória do Senhor para o mundo… ver vidas transformadas por Jesus). E nessa definição temos o alvo do crescimento pelo ensino e edificação mútuos baseados na Palavra (que cresce no conhecimento e prática de seus propósitos).

Desejamos que essa declaração seja levada a sério por cada membro de nossa igreja. Que nos espelhemos nela para os alvos que temos como Igreja neste ano de 2014. Que cada crente individualmente, cada ministério e departamento em particular e a comunidade como um todo se reveja nela e trabalhe para que seja verdade para cada pessoa que entrar em contacto com nossas actividades. Sem nunca perder de vista o alvo maior da Glória do Senhor e da preparação da Noiva de Cristo para o encontro com o Noivo, Jesus.

Neste mundo sem propósito que possamos dar um sinal claro de nosso caminhar e de nossos objectivos. Mantendo em mente a necessidade do crescimento individual e colectivo como expresso na Palavra:
“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.” 2 Pedro 3:18
 

O que diferencia minha Igreja?


          Porque você compra nesta loja e não na outra? Pense um pouco. Pode haver muitas razões. Talvez esta seja mais barata, ou é mais perto de sua casa ou simplesmente se acostumou a encontrar as coisas que quer nesta aqui. Mas o que diferencia as lojas? Pense bem. Basicamente todas têm as mesmas coisas. E se analisarmos bem, veremos que as diferenças de preços nem são tão grandes. Então, porque vamos a esta e não a outra? Na verdade tem a ver com tratamento. Regra geral a diferença entre uma loja e outra é a forma de tratar os clientes e todos sabemos isso implicitamente.
          Pense em seu retrospecto. Já teve experiências más numa loja, ou restaurante? Foi mal atendido, houve falta de interesse em ajudá-lo, demoraram muito para o servir, foram até rudes nas respostas? E o que aconteceu? Você nunca mais voltou e provavelmente contou a várias pessoas sobre o assunto. Falo por mim. Há várias grandes lojas de material electrónico e informático em Lisboa, mas há uma dessas onde nunca vou. Seus preços são bons, sua localização é excelente, sua organização é eficaz, mas fui mal atendido lá por duas vezes. Simplesmente não volto.
          O que diferencia as igrejas? Pense bem antes de responder. Pode ser que fique mais perto de sua casa, ou gosta das pregações do pastor, ou tem um estilo de louvor que o agrada. Mas se meditar bem verá que provavelmente a sua igreja de escolha tem a ver com as pessoas. Provavelmente escolheu sua igreja por causa dos relacionamentos. Encontra ali amigos, parentes, conhecidos de longa data e gosta da relação que tem com eles. Se foi a uma igreja que é até boa, bonita, com bom culto e um bom pregador, mas foi mal recebido, não fez contato com as pessoas e não se sentiu acolhido, dificilmente vai permanecer.
          Por favor, me entenda bem. Não estou dizendo que as igrejas são como lojas e que somos vendedores de produtos religiosos. Não é essa minha convicção ou entendimento. Mas a verdade é que a vida é feita de relacionamentos e as igrejas também. O que de diferencia mais significativamente uma igreja de outra acaba por ser a maneira como a membresia se relaciona. Jesus nos deixou uma regra básica para os relacionamentos em Mateus 7:12, “Aquilo que quereis que os outros vos façam, fazei-lhos vós também a eles”. Desde o século XVII que este texto é conhecido como a regra de ouro. Jesus está dizendo que devemos 1º- pensar em como queremos ser tratados e 2º- começar a tratar os outros assim. Pensemos então em como queremos ser tratado para pensarmos em como devemos começar a tratar os outros.
          Eu quero ser incentivado. Paulo explicava a necessidade de incentivo na igreja da seguinte maneira: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade e assim transmita graça aos que ouvem” Efésios 4:29. Eu preciso de palavras assim. Preciso de incentivo na caminhada, de consolo nas lutas, de ânimo nas dificuldades, de conforto nas perdas. Eu quero receber palavras que me coloquem para cima, que me sirvam de força para continuar. Gosto de estar perto de pessoas que me tratam assim. Naturalmente me aproximo delas e procuro ouvi-las porque sei que sairei animado. Suas palavras são bênção.
          Se preciso de incentivo e quero ser incentivado então devo começar por incentivar os outros. Ser conhecido por uma pessoa que tem sempre uma palavra de reconhecimento e ânimo. Notemos bem que não há aqui incentivo para bajulação ou elogio interesseiro. Devo partir dos princípios que 1º- todos são criados a semelhança de Deus e têm características que devem ser reconhecidas e valorizadas e 2º- dar esse tipo de incentivo e valorização é ensino direto do Senhor. Todos precisam de ser estimados e reconhecidos. Todos temos essa necessidade. Onde as pessoas deveriam encontrar isso? Na família de Deus, na Igreja de Cristo. Uma comunidade onde as pessoas se valorizam, se elogiam e se animam mutuamente.
          Eu quero ser perdoado. Não sou perfeito. Falho por vezes nas palavras, outras vezes nos atos, muitas vezes nas atitudes. Mas quando falho não significa que não tenho valor e ou que sou detestável. Peco porque sou humano e apesar de lutar contra o pecado ainda não estou livre de sua presença. Sou o primeiro a reconhecer minhas fraquezas e a lamentar meus erros, Mas quando falho preciso e desejo ardentemente ser perdoado. Não preciso que me desculpem ou que passem a mão sobre minha cabeça. Pode ser que por vezes precise mesmo de exortação e correção. Mas preciso mesmo é de perdão, primeiro de Deus e depois de meus irmãos.
          O ensino bíblico é claro quando diz “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou” Efésios 4:32. Todos erramos, todos pecamos e todos precisamos de perdão. A falta de perdão é barreira inultrapassável nas relações e tem destruído casamentos, famílias e igrejas sem conta. A falta de perdão pressupõe sempre certa vaidade, orgulho e falta de auto análise, mas a verdade é que é difícil perdoar daí que a Palavra fale tanto disso. Na igreja vivemos em comunidade e é natural que surjam atritos, desentendimentos, diferenças de opinião. Também acontecem coisas menos bonitas e por vezes somos magoados sériamente. O ensino bíblico me diz que devo tratar os outros como quero ser tratado. Eu preciso e quero perdão. Devo então perdoar, de modo rápido e completo. Lançar sobre Deus minhas ansiedades e abrir mão de qualquer sentimento de vingança ou ressentimento. Essa atitude será bênção em primeiro lugar para mim mesmo e depois para a igreja de Jesus.
          Eu quero se Compreendido. Gosto que me ouçam com vontade. Aprecio quando me dão atenção concentrada e posso ver nos olhos do outro um desejo genuíno de me escutar. Fico deliciado quando verifico que alguém que me ouve mostra entender minha situação, compreende meu estado de espírito ou meus dilemas. Pode ser até que essa pessoa nem saiba muito o que me dizer ou como me aconselhar, mas o simples facto de ser ouvido e compreendido me abençoa tremendamente.
          Quem não precisa de um ouvido amigo ou de um ombro para chorar de vez em quando? Paulo incentivava a igreja nesse sentido quando escrevia “alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” Romanos 12:15. Que bênção! Todos temos a experiência terrível de ter que desabafar e não saber com quem. Mas também creio que a maioria já teve a alegria (nem sempre tão frequente quanto gostaríamos) de encontrar alguém que nos ouviu com atenção irrestrita e nos deu momentos preciosos de comunhão. E o que aconteceu? Fui abençoado e passei a ter uma ligação especial com essa pessoa. Ora, se sei o quanto isso é importante porque não começo a praticá-lo? Ouvir é uma arte que está `a disposição de qualquer pessoa que tenha pelo menos um ouvido bom. Se começarmos a ouvir descobriremos que o Senhor pode nos fazer bênção de um modo simples e direto.
          Uma regra de ouro e três simples atitudes que podem fazer toda a diferença. Já imaginou se as pessoas em nossa igreja começarem a praticar de modo consciente e deliberado os atos de reconhecer/incentivar, perdoar e Ouvir/compreender? Faria diferença não? O que diferencia uma igreja de outra realmente? A qualidade da relação entre seus membros. Ser Cristão é seguir a Cristo nas coisas práticas da vida e uma das mais práticas é viver a regra áurea.
A responsabilidade de fazer uma diferença positiva em nossa igreja está em nossas mãos. Vamos parar de acusar os outros de seus erros, de justificar nossa falta de iniciativa e reclamar de que a nossa congregação não é o que devia. Para que ela comece a ser o que deve ser, eu e você temos que começar a viver o que o Senhor nos ensinou. Comecemos já! Tem alguém precisando de nosso incentivo, de nosso perdão e de nosso ouvido hoje mesmo! Ore e peça ao Senhor para saber a quem abençoar e vamos ser uma igreja diferente para a Glória de Deus!

Construção ou Demolição?

Nesta vida há inúmeras maneiras de classificar pessoas. Algumas são bastante elaboradas, como a teoria dos temperamentos (sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático), outras mais simples como a ideia de que somos produtores ou somos consumidores ou ainda a dicotomia fazedores/espectadores. Na sua maioria, essas propostas expressam alguma verdade e têm utilidade para nos fazer pensar. Uma delas é essa: De que equipe fazemos parte? Da equipe de construção ou da de demolição?

No que diz respeito a prédios, temos necessidade de ambos os tipos de equipas. Mas nas relações humanas a figura muda. Precisamos saber claramente a que grupo pertencemos, porque faz e fará grande diferença para nós, nossos amigos e familiares o impacto que deixaremos ao nosso redor.
Membros da equipe de demolição do maligno trabalham na destruição de vidas. Usam seus olhos para descobrir os erros e defeitos, usam seus ouvidos para ouvir a maledicência a qualquer hora e em qualquer lugar, usam seus lábios para desmotivar, criticar, desmoralizar e entristecer os que os rodeiam. No meio de uma casa nova encontram um defeito na parede ou uma rachadura na vidraça. Em meio à alegria de uma festa descobrem o que não está funcionando no serviço ou uma falha nas casas de banho. No fim de um culto abençoado são capazes de referir um erro gramatical da mensagem pastoral ou um desafino do coral. Diante de uma pessoa bonita e bem vestida são capazes de encontrar motivo de crítica, que mais não seja o custo da roupa.
Os membros da equipe de demolição do inimigo não reconhecem que o sejam. Não é como se andassem por aí com uma etiqueta presa em suas camisas ou um boné com a insígnia de demolição. Na verdade, eles em geral se julgam “realistas” e “sinceros” e acham que todos deveriam ser como eles. Gostam de falar bem alto que “dizem a verdade doa a quem doer” e acrescentam “não sou de falinhas mansas” ou ainda “as verdades são para se dizer”. Desse modo se autojustificam para todas as palavras desagradáveis e malignas que vão deixando na sua passagem. E que rastro deixam...
Membros da equipe de construção de Deus trabalham para edificar vidas. Usam seus olhos para perceber potencial e capacidade, usam seus ouvidos para discernir elogios e bênçãos, usam seus lábios para animar, encorajar, alegrar e encaminhar. Em meio a tristeza de uma perda familiar tem uma palavra de consolo que conforta. Em meio a uma apresentação falhada conseguem ver aspectos positivos que prometem um amanhã melhor. No fim de um culto que a muitos pareceu monótono e cansativo encontram razões para louvar a Deus e agradecer ao pastor. Diante de uma pessoa com trajes simples e aspecto banal são capazes de descobrir um traço de beleza que mais ninguém viu.
Muitas vezes os membros da equipe de construção de Deus nem sabem que o são. Na verdade sua alegria flui de uma vida grata de comunhão com um Deus maravilhoso que criou muitas maravilhas. Procuram seguir as palavras do Mestre que dizia que devíamos fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós e por isso não sentem que fazem mais do que sua obrigação.
Todos já sentimos a angústia de estar perto de um demolidor e também a alegria de estar perto de um construtor. Na verdade, nós também fazemos parte de uma dessas duas equipes. Qual será? Avaliemos com sinceridade. É mais fácil demolir que construir. Sempre foi e sempre será. Mas é bem mais glorioso e abençoado fazer parte da equipe de Deus que edifica. Vamos trabalhar meu irmão. Há vidas e construir, ânimos a restaurar, corações a consolar e almas a ganhar. Esta tudo no poder da tua e da minha palavra usadas pelo Senhor da Palavra.

ELE IA ADIANTE

Certa vez, na Guiné, tivemos que ir buscar lenha ao mato para que as mulheres pudessem cozinhar numa festa da igreja.  Recolher lenha não era minha especialidade, por isso limitei-me a seguir os irmãos da igreja que tinham bastante experiência nesse trabalho. O carro ficou na estrada de terra relativamente perto do local onde tirávamos a lenha, mas fora de nosso campo de visão. Três vezes peguei meu fardo de lenha e segui atrás de meu guia, chegando ao carro sem problemas. Na quarta vez achei que já sabia o suficiente para fazer o percurso sozinho e assim segui para o carro.

 À medida que andava comecei a perceber que o caminho parecia mais longo e que as vozes dos irmãos pareciam ficar mais distantes. Tentei mudar de direção e achar meu caminho, mas tudo parecia igual, por onde quer que olhasse só via arvores e caminhos semelhantes. Por fim, tive que reconhecer que estava perdido e gritei por ajuda. Fiquei chocado ao ver o quanto tinha me desviado! Afinal, era fundamental ter alguém que conhecesse bem o caminho, indo adiante de mim.
  Em Marcos 10:32 lemos que "Jesus ia adiante dos discípulos". A expressão simples indica porém muita coisa importante.

Ele ia adiante fisicamente.
Assumia assim de modo claro sua liderança. Ele era o líder e por isso tinha que ir à frente. Jesus nunca fugiu de suas responsabilidades. Ele sabia que o caminho seguia para Jerusalém e para a cruz e mesmo assim ia adiante com resolução e certeza.

Mas ele ia adiante deles intelectualmente.
Os discípulos ainda não tinham entendido que tipo de Messias era Jesus. Em suas mentes ainda esperavam um chefe político/religioso/militar que devolve-se a glória a Israel. Jesus sabia que era o Messias sofredor, o servo humilde que viera para dar sua vida em resgate de muitos. Em seu entendimento da realidade a volta deles estava muito adiante dos discípulos.

Jesus ia adiante emocionalmente também.
Os discípulos oscilavam como ondas ao vento. Por vezes estavam entusiasmados, por vezes deprimidos. Logo seriam capazes de declararem-se prontos a morrer por Cristo para depois fugirem e esconderem-se. Eles não sabiam ainda que a vida emocional tem que estar sob o controle do Espírito e por isso variavam tanto. Mas Jesus era resoluto e seguro. Não deixava de sentir e sofrer, mas não deixava que isso turvasse sua mente e sua comunhão.

 O Mestre ia adiante espiritualmente.
Sua comunhão com o Pai era perfeita. Seu tempo de comunhão era prioridade e sua disciplina o levava a estar em contato permanente com o Pai. Os discípulos ainda estavam longe de entender o que isso significava. Desejavam ter o que viam em Jesus mas não eram capazes de vigiar nem uma hora. Por isso também Jesus ia adiante e estava preparado.

Logo viria os dias terríveis de dor e morte. A crucificação e o sábado de silêncio sepulcral. Mas o domingo da ressurreição traria nova luz e as palavras dos anjos às mulheres em Marcos 16:7 eram as mesmas de antes "ele vai adiante de vós". O Cristo ressurreto continua adiante de vós e hoje está adiante de nós.

 Interessante notar que quando alguém vai adiante de nós apenas vemos suas costas. Essa experiência já era conhecida. Moisés a tivera no deserto. Em Êxodo 33:23 quando ele pediu ao Senhor para ver sua glória a resposta foi: "me verás pelas costas". O Senhor ia adiante, e seu servo o veria pelas costas.

Ele vai adiante de nós! Isso quer dizer que sabe mais, conhece tudo, não pode ser apanhado de surpresa.
Ele vai adiante para preparar o caminho, para antecipar o que é necessário, para deixar tudo pronto. Ele vai adiante o que quer dizer que quando lá chegamos Ele já lá esteve e já fez seu trabalho, já começou sua obra. E nós somos chamados a entender, a olhar e reconhecer onde Ele já agiu, o que já preparou, onde já iniciou atividade e então nos juntarmos a Ele e desfrutarmos de sua bênção. Não há necessidade de nervosismo ou stress, Ele vai adiante e já chegou!

Nesta vida há tantas coisas desconhecidas, tantos becos escuros, tantas voltas que tememos. Fica a palavra breve mas tranquilizante.
Onde vamos hoje, Ele já esteve ontem!
Pode parecer assustador,
mas concentre sua atenção
e lembre-se,
ELE vai sempre adiante!

Conselhos à noiva

Temos refletido sobre a aparente contradição de um mundo que até parece apreciar Jesus, mas que rejeita profundamente sua noiva - a Igreja. Vimos algumas razões para a atual rejeição da Igreja. Pensemos agora em como a noiva pode se tornar a adorável criatura que Deus idealizou e que conquistaria corações.

1) DUPLICIDADE

Se desejamos que o mundo veja refletido na igreja os ensinos do Mestre, temos que passar a levar esses ensinos a sério. A conversão tem se tornado algo banal. As pessoas dizem que se converteram quando na verdade aceitaram participar de certo numero de atividades no intuito de receberem bençãos e beneficios correspondentes. Afinal, nosso mundo vive da oferta e procura. Vive do pragmatismo que pensa no custo-benefício. "Serei desta igreja enquanto for abençoado". Isso não é conversão bíblica, é clientelismo.

Crentes que se converteram de verdade são aqueles que viram em Jesus o salvador e o Senhor. Que entenderam que sua forma de vida estava toda errada e que querem agora em Cristo uma nova vida, marcada por seus ensinos e mandamentos. Cristãos, na plena acepção da palavra, são aqueles que vivem de acordo com o que Jesus ensinou. Isso é viver na contramão da filosofia barata de novelas e filmes, na contramão da psicologia moderna utilitária e egocêntrica. É viver pelo que Jesus mandou, pelo que ELE disse ser o certo e o errado.

Quando o mundo observar cristãos que são discipulos verdadeiros então sentirá o cheiro suave do qual fala a escritura. Muitos poderão até não entender, poderão até não aceitar, mas não poderão dizer que a noiva não tem nada a ver com o noivo.

2) INSTITUCIONALIZAÇÃO

A alergia do homem pós-moderno às instituições não deveria ser problema para a Igreja de Jesus, porque Ele não a idealizou como instituição. A Igreja, antes de tudo, deveria ser uma familia, um grupo de irmãos com um interesse comum na vida de Cristo e em seus ensinos. Jesus deixou discipulos e mandou fazer discipulos. Homens e mulheres que, no cotidiano, buscariam viver de acordo com suas instruções e se reuniriam para recordá-las, apoiarem-se mutuamente e louvá-lo por suas bênçãos.

Quando o homem pós-moderno, sedento de paz, de intimidade, de amor prático e aceitação se defronta com um grupo que vive assim, descobre a boa nova, a salvação, JESUS.  Uma das maneiras de termos isso é valorizando os pequenos grupos de comunhão. Podemos chamá-los de grupos familiares, igrejas nos lares ou qualquer outro nome técnico. O importante é vivermos essa comunhão que se perde na instituição, essa simplicidade que se afoga nas organizações, esse apoio que se esvai nas estruturas pesadas. Quando isso acontecer, a noiva aparecerá em sua beleza.

3) MARGINALIDADE

A dicotomia sagrado-secular é anti-bíblica e nos foi imposta de fora. Está na hora dos crentes a rejeitarem primeiro em suas vidas e depois em seus trabalhos e atividades. O Cristianismo não é uma fé subjetiva e irrealista que serve apenas a um bando de desorientados sem raciocinio. É o único caminho para o homem com as respostas às questões mais importantes da vida e a razão de ser da humanidade. Nossa fé tem sido abraçada e vivida pelas mentes mais brilhantes da história e não é um escape fácil para quem não quer pensar.

Precisamos levar nossa fé e nossa ética conosco para o trabalho, para a escola, no lazer. Precisamos dessa vida de fé e prática nas cidades, nos campos, nas universidades, nas fábricas, nas escolas, nos parlamentos, hospitais, tribunais, empresas e parques de diversão. Precisamos mostrar ao mundo que nossa fé é relevante exatamente vivendo essa fé a cada instante e em cada circunstância. E quando assim fizermos, iremos incomodar, mas a noiva resplandecerá como deveria e mostrará o brilho do noivo.

4) SEPARATISMO

Somente quando começarmos a viver vidas íntegras (e não marcadas pela dicotomia sagrado-secular) começaremos a ver o mundo com outros olhos. Perceberemos o quanto nosso testemunho é necessário e pode ser relevante. Mas temos que parar de ver aqueles que pensam de modo diferente como inimigos. A Igreja de Jesus tem um adversário, mas não são as pessoas por quem Jesus morreu e a quem amou e nos mandou amar. Precisamos parar de olhar para o mundo com raiva e desagrado. Se vivermos como Jesus deseja olharemos o mundo como Ele olhava, com olhos de compaixão, vendo ovelhas desagarradas que precisam de pastor.

Há muito que podemos ver de belo, de verdadeiro, de digno, de valoroso em qualquer lugar que procuremos. A Igreja não tem o monopólio da ação de Deus e não pode negar a atuação do Senhor e seus reflexos em tantos lugares. Temos que desenvolver a capacidade de ver a mão de Deus mesmo nos lugares menos prováveis, porque isso nos devolve um senso de humildade que parece que perdemos. Saber que a verdade é de Deus onde quer que a vejamos nos ajuda a ser mais cuidadosos nas avaliações. A Igreja que levanta a cabeça para isso passa a ser mais compreensiva, menos altiva e mais compassiva, menos dona da verdade e mais compartilhadora desta. Essa noiva conquistará mais corações certamente.

5) DIVISÃO INTERNA

O Senhor nos disse que a união seria nossa marca registrada. Não admira que o inimigo da Igreja tenha trabalhando tanto para destruir essa união. Seu objetivo foi sendo alcançado nas inúmeras denominações e igrejas que surgiram e ainda surgem. Cada novo grupo atesta nossa incapacidade de perdoar, entender, buscar e reconciliar.

Por outro lado, sempre que a Igreja se uniu, o Espirito agiu. Sempre que as igrejas de vários quadrantes deixaram a vaidade denominacional de lado e se juntaram para orar e clamar, o Senhor abençoou tremendamente. Isso se repetiu tantas vezes na história que já deveriamos ter aprendido a lição. Nossa união foi desejada e pedida por Jesus. Quando aprendermos a valorizá-la como ELE a valorizava então a noiva aparecerá  radiante e atraente e não em confusão.

Ainda há tempo. Talvez muito pouco, mas ainda há. O desbarato da Igreja vem crescendo. Provavelmente seremos a minoria se buscarmos aquilo que se falou acima. Mas seremos a noiva em seu esplendor. Então o mundo verá a glória do noivo refletida em nós e cumpriremos a nossa parte na missão redentora de Deus à humanidade.

A IGREJA QUE PRECISAMOS!

Nunca houve tanto por onde escolher em termos de igrejas como em nossos dias. Não creio que isso tenha facilitado a escolha. Na verdade a complicou bastante. Antes tinhamos algumas opções básicas. Hoje as variantes são tantas que dá dor de cabeça só de pensar. Afinal, qual seria a melhor maneira de escolher? Como seria a igreja que realmente precisamos?

Algumas das respostas mais comuns (pelo menos em termos gerais) seria: uma igreja grande (com muitos membros), com umaboa propriedade, espaçosa, com um templo confortável e boas salas para reuniões diversas; bom serviço geral (estacionamento, ar condicionado, local para deixar as crianças, etc) um pastor "famoso" que seja bom pregador, música de qualidade e uma atitude liberal em relação à presença e participação.

Para muitos essa seria a igreja ideal. Mas seria a que precisamos? Seria a que precisamos biblicamente falando? Creio que não... As caracteristicas citadas podem até existir e serem úteis mas, o que realmente precisamos numa igreja é que ela seja:

1) Aberta
Com isso, estamos falando de aceitação e empatia.   A Igreja de Jesus é um lugar de cura, de restauração, de vida nova. Não pode estar fechada aos "pecadores", não pode criticar os que estão "perdidos", pois existe em boa parte para alcançá-los. A Igreja tem que ser aberta no sentido de compassiva, compreensiva, disposta a ajudar, a pagar o preço para que as pessoas encontrem verdadeiramente o caminho de Deus.

Diversas igrejas têm atitude fechada.  Limitam a entrada aos que mostram certas caracteristicas, como classe social "certa",  vestuário aceitável, qualidade de linguagem, ausência de problemas. Ora, a Igreja é um misto de hospital, maternidade e creche.  Trata dos doentes, assiste aos partos e dá apoio às crianças em desenvolvimento. Se os hospitais fecharem as portas aos doentes, as maternidades não quiserem fazer partos e as creches recusarem crianças porque sujam tudo, todos perderão sua razão de ser. A igreja também!

A Igreja que todos precisamos é marcada pela compaixão, pela acessibilidade, pela capacidade de receber e apontar o céu. Essa Igreja será verdadeiramente agência do reino de Deus na terra.

2) Dotada

A Igreja que precisamos é aquela onde os dons do Espirito se fazem presentes de modo ativo. Demasiadas igrejas estão cheias de crentes limpadores de banco e polidores de maçaneta. Estamos já mais que conscientizados que o cristão não pode ser só um assistente, mas na prática pouco se faz para mudar esse quadro.

Na igreja neo testamentária o Espirito distribui dons a TODOS os crentes. Esses dons são fundamentais para a vida do corpo. O fígado não pode deixar de funcionar só porque não é retina, e os rins não podem parar porque não são cérebro. Cada um tem seu dom; cada um precisa saber qual é seu dom; cada um necessita de desenvolver seu dom através da prática viva do mesmo. Desse modo não apenas o que exercita mas todos os demais são abençoados.

Já imaginou uma igreja em que cada um sabe para que foi salvo? Cada crente tem sua função e a desempenha com alegria? Cada um percebe sua utilidade e acha realização em seu ministério? UAU Que Igreja. Essa é a igreja que precisamos!

3) Discipuladora

A Igreja de Jesus tem obrigatoriamente que fazer discipulos. Não apenas convencidos, não apenas convertidos, não apenas informados, não apenas batizados, não apenas membros... discipulos. Só um discipulo pode fazer discipulos. Mas a diferença para o desenvolvimento da igreja é abissal.  Discipulo é aquele cuja vida é uma busca por se tornar como seu Mestre. Cada palavra, ato e intenção burilados à medida do Mestre. Repito, só um discipulo pode fazer discipulos.  Só um discipulo exemplifica o discipulado ao ponto de o tornar desejável e mesmo essencial.

Uma igreja discipuladora é aquela onde a maioria dos crentes iniciou a certa altura o caminho do discipulado. Aqueles que estão mais á frente apoiam aqueles que estão iniciando e desse modo todos caminham na mesma direção. Não perfeitos, não livres de tentação ou falha, mas a cada dia mais perto de Jesus.

Numa comunidade assim a compreensão e uso de dons de que já falamos é algo natural que acontece como parte da vida. Numa igreja assim é possivel sentir a presença viva do Mestre em cada um de seus seguidores. Uma igreja assim é que desperta a expressão "Cristãos". Esses individuos parece que não têm outro alvo a não ser Cristo. São mesmo uns Cristãos.

4) Missionária

Como missionário sempre ouvi os pastores e membros de igrejas me garantindo: nossa igreja é uma igreja missionária!  O que isso significava em geral era que aquela congregação dava boas ofertas para missões no dia especial  ou (e aqui então havia mais convicção) adotava mensalmente missionários. Isso é bom... Boas ofertas e adoção mensal sustenta missões, mas não faz de uma igreja uma verdadeira igreja missionária.

Uma igreja missionária é aquela que entende que a razão de ser da igreja é missões. Existimos para o louvor da Glória de Deus mas isso só acontece com aqueles que o conhecem e amam. Logo, missões é o caminho para a adoração. Sem missões não há conversão e sem essa não há adoração.

Uma igreja missionária é aquela que ora por missões com fervor. Que conhece as realidades do campo e intercede de modo claro e direto. É uma congregação em que tudo relacionado com o trabalho missionário tem prioridade e valor especial. É uma igreja que se envolve tanto no alcance de seu bairro como na evangelização de povos distantes e estranhos. Isso quer dizer que faz missões perto e vê entre os seus se levantarem os que farão missões longe. É uma igreja cujo coração bate ao ritmo do alcance de pessoas e povos para Jesus.

Conclusão:
Da próxima vez que procurar uma igreja talvez possa mudar seus parâmetros. Poderia sugerir vários outros além dos citados como por exemplo: bom ensino bíblico, boa doutrinação, disciplina espiritual... mas creio sinceramente que se a igreja que tivermos for aberta, dominada pelos dons espirituais, discipulando aqueles que alcança em missões, teremos a essencia do que Jesus queria. teremos então a igreja que precisamos. Minha parte (e a sua também) é fazer com que essa realidade aconteça onde estamos pela graça de Deus e no poder do Espirito.
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