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O HOMEM MAIS OCUPADO DE TODOS OS TEMPOS

Ele sentou-se no meu consultório e colocou 3 telefones móveis na mesa. Antes de falar sequer um "bom dia" foi informando que estava esperando um telefonema muito importante e que precisaria atendê-lo, caso tocasse, e foi dizendo: "sou um homem muito ocupado, doutor". Naquele gesto havia falta de polidez. O paciente estava a me informar de antemão que o telefonema era mais importante que eu, porque não se importaria de o atender e interromper o meu trabalho. Mais grave ainda, o paciente me informava que o telefonema era mais importante que a sua saúde, pois prejudicaria seu escasso tempo de consulta para o atender.

Hoje achamos sofisticado ser muito ocupado, ter a agenda cheia e compromissos marcados com muitos meses de antecedência. Isso, em parte, pode mostrar boa organização, mas também podemos ser levados a pensar que isto demonstra o quanto somos importantes. Ter a agenda cheia e mostrar que sou muito solicitado me dá um senso de valor, de importância e transmite aos outros a percepção que devem me tratar com respeito... afinal, sou muito ocupado!

Em princípio, medimos a ocupação de alguém não somente pela agenda lotada e os compromissos em fila, mas pela importância de seu trabalho e agendamentos. Os compromissos de um trabalhador fabril talvez não nos pareçam tão importantes quanto os de um advogado ou de um médico e certamente não tão valiosos quanto os de um ministro. Maior importância nos seus cargos e funções, maior ocupação. Logo, o primeiro-ministro e o presidente serão os mais ocupados. Mas, quem seria o homem mais ocupado de sempre?

O Homem mais ocupado de todos os tempos foi aquele que sabia exatamente quanto tempo tinha (e nenhum de nós sabe) e tinha a maior responsabilidade possível (que nenhum outro homem poderia ter). Foi o Salvador da humanidade, JESUS. Ele tinha apenas três anos para fazer sua obra, salvar o homem, preparar um grupo que continuasse a sua obra e deixar as bases sólidas para que a humanidade encontrasse Deus. Ninguém foi mais ocupado que Jesus! Do nascer o sol ao serão noturno ele era procurado avidamente por multidões. Nenhuma secretária daria conta de uma agenda assim. Ele atendia centenas por dia e por vezes milhares.

Mas nessa agenda completamente lotada podemos verificar , com base nos evangelhos, pormenores que nos fazem tremer e pensar. Notemos o que ELE, o homem mais ocupado de todos os tempos tinha tempo para fazer:

TINHA TEMPO PARA ORAR (Marcos 1:35)

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 Talvez seja até difícil entender porque Jesus precisava dedicar tanto tempo à oração. A agenda era tão cheia e a multidão tão insistente que só restava uma alternativa, levantar de madrugada para orar. Ele nos mostra assim que nunca podemos estar ocupados demais para orar.

TINHA TEMPO PARA OUVIR OS OUTROS
Ao longo de inúmeros episódios vemos Jesus parando, alterando seus planos, mudando sua direção para atender os outros. Podia ser um leproso, um moço rico, uma mulher cananéia, um príncipe do povo com uma dúvida. Jesus ouvia e atendia a questões particulares mesmo no meio de tantos afazeres. Ele está a nos dizer que pessoas são mais importantes que agendas.

TINHA TEMPO PARA COMPROMISSOS SOCIAIS 
Encontramos Jesus "fechando sua agenda" para ir a um casamento em Caná (João 2:1 a 12). E os casamentos de então podiam durar dias a fio! Mas também o vemos parando para um funeral, como o do filho da viúva em Naim (Lucas 7:11 a 17) ou para participar do choro de Lázaro, seu amigo (João 11). Jesus sabia o quanto era importante estar presente nessas ocasiões e o que isso transmitia a seu povo.

TINHA TEMPO PARA AS CRIANÇAS(Mateus 19:13 a 15)

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No meio de tantas coisas "importantes" os discípulos procuravam administrar a agenda complicada do mestre. Sentiam-se na responsabilidade de mostrar ao mestre que havia prioridades e que crianças não faziam parte delas. Jesus os repreendeu duramente. Para Ele sempre haveria tempo para as crianças, cujos corações puros mais facilmente o entendiam e o aceitavam. O Mestre sabia que é delas o reino dos céus, logo, vale a pena passar tempo com elas.

TINHA TEMPO PARA TREINAR SEUS DISCÍPULOS 
Como o maior Mestre de sempre, Jesus sabia que o investimento nos discípulos renderia mais. Gastou cerca de 1/3 de seu tempo com eles em particular. Outros podiam pensar que valia mais a pena investir nas multidões, mas Jesus sabia que aqueles rudes galileus seriam a base de sua Igreja, o fundamento da propagação do evangelho. Precisava dedicar tempo a eles por mais que a agenda fosse cheia. Seu tempo com os discípulos preparou o grupo que ajudou a mudar a história. Aqueles homens, teoricamente incultos, revolucionaram o mundo!

Para nós, homens e mulheres ocupados do século XXI, que temos cada vez mais aparelhos para nos facilitar a vida e poupar tempo, e paradoxalmente cada vez menos espaço na agenda, a vida do homem mais ocupado de todos os tempos traz muitas lições. O tempo é dado a cada um de nós para usá-lo bem. Há tempo para tudo e há tempo certamente para o mais importante: investir em nosso tempo com Deus e com os outros. Ouçamos Jesus, ele tinha tempo para isso e foi o mais ocupado de sempre!

Propósitos para o ano de 2014


 

Uma das maiores tragédias da humanidade actual é que vive uma vida sem propósito, sem razão de ser, sem objectivos. Viver sem propósito é caminhar a esmo, sem destino; é trabalhar sem saber o que se está a produzir; é fabricar algo que não sei o que será; é iniciar um discurso onde não sei o que pretendo e nem onde terminarei. Vida sem propósito não é a Vida que Deus nos criou para viver.

Início de um novo ano é um bom momento para avaliar nossos propósitos e afinar nosso caminhar. Serve para auto-exame e correcção de direcção. Isso deve ser feito a título individual e colectivo. E é como igreja que queremos determinar nossos alvos de forma bem clara. Uma definição escrita, clara e directa, ajuda a mentalizar um propósito e é nesse sentido que apresentamos a seguinte. Nosso alvo como Igreja:
 “Queremos ser uma família em Cristo, de servos de Deus, que cresce no conhecimento e prática de seus propósitos, que busca, exalta e reflecte a Glória do Senhor para o mundo, trabalhando para ver vidas Transformadas por Jesus.”

Nessa definição encontramos as bases do propósito de Deus para igreja segundo encontramos no Novo Testamento. Encontramos o alvo da comunhão fraternal marcada pelo amor em Cristo (Queremos ser uma família em Cristo). Encontramos o objetivo do Serviço cristão que se dedica a Deus e ao próximo (servos de Deus… trabalhando). Encontramos o propósito da Adoração a Deus, como único Ser verdadeiramente digno de nosso louvor na Santa Trindade (que busca, exalta e reflecte a Glória do Senhor). Achamos a vocação evangelística de levar o Senhor a todos os que não o conhecem (reflecte a Glória do Senhor para o mundo… ver vidas transformadas por Jesus). E nessa definição temos o alvo do crescimento pelo ensino e edificação mútuos baseados na Palavra (que cresce no conhecimento e prática de seus propósitos).

Desejamos que essa declaração seja levada a sério por cada membro de nossa igreja. Que nos espelhemos nela para os alvos que temos como Igreja neste ano de 2014. Que cada crente individualmente, cada ministério e departamento em particular e a comunidade como um todo se reveja nela e trabalhe para que seja verdade para cada pessoa que entrar em contacto com nossas actividades. Sem nunca perder de vista o alvo maior da Glória do Senhor e da preparação da Noiva de Cristo para o encontro com o Noivo, Jesus.

Neste mundo sem propósito que possamos dar um sinal claro de nosso caminhar e de nossos objectivos. Mantendo em mente a necessidade do crescimento individual e colectivo como expresso na Palavra:
“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.” 2 Pedro 3:18
 

Há propósito no Sofrimento?


Todos apreciamos uma borboleta. Sobretudo as borboletas grandes e bonitas. Algumas mariposas também se tornam muito belas como as da espécie Cecropia, sobretudo a Hyalophora Cecropia. É a maior das mariposas do hemisfério Norte e quando adulta tem asas belíssimas.

Mas como todas as borboletas e mariposas antes de ter asas passa por uma fase de larva em que é um inseto feio rastejante que causa até certa repulsa. Foi criada para ter asas e voar mas inicialmente se arrasta como lagarta e se enrola num casulo onde sobre muito até sua metamorfose se completar. Por vezes acontece de alguém assistir a sua luta no casulo. Percebe toda a dor da transformação, sofre com a dificuldade da lagarta ali fechada e tenta ajudar. Tenta aliviar o sofrimento e dá “uma mãozinha” no processo com ligeiros cortes que facilitem a vida da lagarta. Sabe o que acontece? Se isso for feito as asas não se chegaram a formar e a lagarta sai do casulo com asas disformes que não se abrem e é condenada a se arrastar o resto de sua vida.

Nós fugimos de todo tipo de sofrimento. Criamos analgésicos para as dores físicas e ansiolíticos e antidepressivos para as dores psicológicas porque não queremos lidar com nenhum tipo de dor que possamos evitar. Criamos mesmo toda uma larga indústria de entretenimento onde milhões se perdem por dia evitando enfrentar a realidade de suas vidas e dificuldades. E o resultado? Muita gente rastejando a vida toda. As lutas, dificuldades e sofrimentos podiam e deviam ter-nos ajudado a abrir asas, mas interrompemos o processo e não crescemos. Mas há propósitos para as dificuldades e eles podem ser bênção para nossas vidas. Notemos biblicamente alguns dos mais notórios:
Poda
Jesus falou acerca disto claramente a seus discípulos quando disse: Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto”. João 15:1-2. A poda é um processo natural que conhecemos bem por termos muitas vinhas em Portugal. Quando uma vinha é podada ficamos com a impressão que nada sobrou. A planta cheia de folhagem luxuriosa fica com as varas aparentemente vazias e sem beleza. Mas a poda visa a frutificação. A folhagem roubaria a força da planta para dar fruto e sem poda não haveria fruto.
Todos temos muita folhagem. Coisas que apreciamos muito em nossas vidas mas que não permitem a frutificação que Deus quer ver. As dificuldades têm a capacidade de nos fazer focar nas essências e perder muito dessas folhas superficiais e vazias que não deixariam o fruto sair. Obviamente não gostamos da poda. Dói, incomoda, parece levar embora coisas tão boas. Mas depois vemos que os frutos aparecem e percebemos que havia uma razão para podar tanto e tão longe.
Santidade
Sabemos que a santidade é importante para a vida cristã. Mas o Senhor expressou de modo direto que havia relação entre a santidade e as adversidades: Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade”. Hebreus 12: 7 e 10. A adversidade serve assim para nos ajudar a ficar mais perto de Deus e do que Ele é. Será que podemos ver exemplos práticos disso?
Por exemplo. Desejamos amar como Deus ama? Pedimos isso a Ele e o Senhor coloca em nosso caminho uma pessoa bem difícil. Logo reclamamos. Que provação. Que adversidade amar essa pessoa. Mas note bem. Amar os bons é fácil, mas amar os pecadores, os perdidos, os inimigos que o odeiam. Queremos ficar mais parecidos com Ele? Então devemos vencer essa adversidade e amar os difíceis.
Outro exemplo. Sabemos que devemos ter paciência. Oramos por ela. Então vem uma tribulação física. Por meio dela ficamos limitados. E logo reclamamos. Isso dói. Isso não serve de nada. Mas na verdade aquela situação pode nos ajudar a crescer em paciência e nos tornar mais próximos do Senhor.
Ainda outra situação. Queremos mais fé. Oramos por isso a Deus. E como Ele responde? Nos apresenta um desafio tremendo no qual trememos. E clamamos então: passa essa dificuldade de mi, dá-me vitória já. E o Senhor deixa a dificuldade, mantém o desafio para que minha fé se fortifique.
Dependência
Todos sabemos o quanto confiamos em nós mesmos. Essa é a verdade. Confiamos em nossa mente, nosso conhecimento, nossa visão, nossa experiência, nossa força, nosso bom senso, nossa capacidade de vencer, etc. E gostamos de nos orgulhar e falar de nossas capacidades para mostrar o quanto somos capazes. Curioso que a maioria dos doentes que me chegam ao consultório em depressão fazem questão de relatar que não percebem o que se passa porque na verdade eles são bastante “fortes”.
Mas o Senhor disse distintamente: “Sem mim nada podeis fazer” João 15:5. Daí que Paulo ao passar por várias lutas tremendas entendeu que tinham servido para confiar e depender mais de Deus: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos. Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos"; 2 Coríntios 1:8-9. Por meio dessa adversidade Paulo se aproximou do Senhor, percebeu toda a limitação das suas muitas capacidades e cresceu em dependência.
Moisés é um exemplo clássico desse princípio. Enquanto príncipe do Egipto ele se achava capacitado para dirigir seu povo. Note bem a reflexão de Estevão sobre o tema: E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras…E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão”. Atos 7:25. Mas enquanto confiou em sua capacidade a única coisa que conseguiu foi se transformar num assassino e exilado político com a cabeça a prémio. Foram precisos 40 anos para perceber que não era nada. Como alguém já disse: Moisés passou 40 anos entendendo que era alguém; mais 40 descobrindo que era um ninguém; e então 40 anos descobrindo o que Deus faz com um ninguém. Mas foi a adversidade que o levou a dependência necessária.
Perseverança
Se há algo que precisamos para vencer nesta vida é de perseverança. Aquela persistência positiva e madura que leva a prosseguir e alcançar as metas valiosas da vida. Mas o homem naturalmente desiste. Prefere a “papinha feita”. Deseja a estrada larga e as coisas facilitadas. E quanto mais evolui tecnologicamente mais acomodado fica. Afinal vivemos na era do controle remoto. Por isso o autor de Hebreus disse: “Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa”. Hebreus 10:36. E onde ganhamos a perseverança? Como ela entra em nossas vidas acomodadas? Por meio das lutas e tribulações: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência” Romanos 5:3 e Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência Tiago 1:3.
Exemplos de perseverança e paciência extraordinários nos são dados exatamente por aqueles que passaram por maiores provas. Willian Carey é considerado o Pai do movimento de Missões modernas. No século XVIII ele deixou a Inglaterra para ministrar na India. O primeiro de uma linhagem de milhares de missionários. Suas tribulações foram tremendas. Lutou com falta de recursos, com línguas dificílimas, com filhos doentes e uma esposa que ficou louca.

A certa altura, depois de anos de trabalho as instalações onde trabalhava arderam queimando anos de trabalho de tradução. O que fez Carey? Voltou ao trabalho e ficou conhecido por ter traduzido porções da Bíblia para várias línguas da India. Amy Carmichael, também missionária na India, lutou com a adversidade de ser obreira solteira no século XIX. Perto do fim de sua vida sofreu de doença debilitante que a lançou numa cama mas continuou a ministrar, escrever e dirigir a missão que estabelecera mesmo no leito.

A vida cristã não é um cruzeiro em direção ao céu com direito a pensão completa. É uma caminhada de perseverança. É algo ativo, não passivo. As tribulações nos fazem mais perseverantes e assim nos ajudam na caminhada.
Serviço
Muitas das tribulações que passamos acabam nos capacitando para o serviço ao Senhor. Paulo percebeu isso e explicou aos Coríntios: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus”. 2 Coríntios 1:3-4. Notemos bem as implicações. Segundo o apóstolo, certas adversidades podem acontecer para nos equipar pois por meio delas aprendemos o bastante para ajudar outros e desse modo nos tornamos mais úteis nas mãos do Senhor. Pensemos em exemplos:
Sofrer uma perda é terrível. Seja um amigo, um pai ou mãe e ainda um filho ou filha. Mas quem melhor preparado para ajudar outros nessa hora de que quem já viveu isso e foi consolado e confortado pelo Senhor. Por meio da dor tremenda de perder minha mãe vivi momentos e tive compreensões que me ajudaram a crescer e que tem-me ajudado a apoiar outros de maneiras que nunca poderia antes. Estou dizendo que o Senhor deu um cancro a minha mãe para que eu aprendesse a lidar com isso? Certamente que não. Não é isso que creio. Mas a verdade é que ao passar por essa prova fui capacitado para o serviço ao Rei.
A Igreja poderia ser um celeiro de ministérios de ajuda desde que os crentes entendessem isso. Aqueles que venceram suas lutas e cresceram em suas adversidades poderiam abençoar muitos outros. Imagine grupos de apoio para lidar com divórcio, perda de parentes, luta com o cancro, desemprego, depressão, doenças debilitantes, idade avançada. E muitas outras áreas. Há no meio dos filhos de Deus um verdadeiro arsenal de possibilidades de bênção esperando para acontecer.
Comunhão
Quero terminar com outro propósito fácil de se perceber e que é tão valioso nas adversidades – a aproximação do Senhor em termos de comunhão. Notemos dois exemplos clássicos. No AT temos Jó: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos”. Jó 42:5. Lembremos que Jó era considerado justo e bom. Mas seu conhecimento de Deus era superficial até que viveu seu sofrimento maior. Não foi nada fácil e ele chegou a desesperar. Mas no fim reconheceu que isso o aproximara de Deus.
Paulo dizia o mesmo em outras palavras: E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo”, Filipenses 3:8. Repare que Paulo precisou passar pelas perdas para ganhar esse conhecimento. Foi por meio de situações dolorosas que ele cresceu em sua comunhão e conhecimento do Senhor.
Infelizmente, a verdade humana é que a prosperidade nos afasta de Deus. Nos traz um falso senso de conforto e segurança e paramos de buscar a Senhor e ansiar por sua presença. É por regra em meio as lutas e dificuldades que acabamos por nos aproximar dele e seu sua verdade. É nas lutas que ansiamos por tê-lo e investimos na oração e na procura do Senhor.
Terminemos então com as palavras do apóstolo inspirado pelo ES: “…nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Romanos 5:3-5

Compromisso! Porque?


Ele levanta-se bem cedo durante 6 dias na semana, come um pequeno-almoço rico em proteínas e vai treinar cerca de 4 horas. São exercícios de aquecimento que levam quase 40 minutos, depois se submete a esforço contínuo na prática de sua especialidade. O almoço, e cada refeição, serão supervisionados por um nutricionista especializado em alta competição. Ele não pode simplesmente comer o que lhe apetece. Tem que manter o peso e a massa muscular. A tarde terá nova sessão de treinos com mais 4 horas de prática, exercícios, ginásio e musculação. Terá que ir dormir cedo para não prejudicar seu descanso. Tudo isso para uma prova que vai durar alguns segundos e uma fama que se vier durará apenas alguns anos. Todo seu esforço dificilmente o manterá no topo, se conseguir lá chegar, por mais de 10 anos.
 
A isso se chama compromisso! Os atletas de alta competição têm que dedicar suas vidas e fazer decisões difíceis. Irão abrir mão de muitas coisas, de vontades, de desejos, de passeios e lazeres, de comida e férias, fins-de-semana e companhias agradáveis. Acham que vale a pena pelo gozo de estar na frente e ganhar medalhas e reconhecimento. Na verdade, de milhares que treinam e lutam apenas uns poucos ficam realmente famosos como Ussain Bolt.
Somos chamados a um compromisso radical por Jesus. Em Mateus 16: 24 e 25 fica claro isso. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e a quem perder a sua vida por amor de mim, salvá-la-á”. Parece muito radical não? Nem deve nos admirar que muitos ao ouvir isso tenham deixado Jesus. Mas valerá a pena esse sacrifício? O que ganhamos com nosso compromisso com o Senhor? Porque deveríamos faze-lo?
Porque Jesus assumiu um compromisso radical para nos salvar
Uma das mais fortes razões para nos comprometermos com Jesus é que Ele se comprometeu conosco. E seu compromisso foi radical ao ponto da morte. Jesus não apenas nos deu parte de seu tempo, um pouco de seu conhecimento, ou um esforço ocasional. Ele nos deu sua vida! A salvação que o Senhor nos ganhou exigiu todo o seu envolvimento. Ele teve que abrir mão do céu. Teve que se limitar a uma vida na terra. Teve que deixar de lado de modo temporário sua Glória e muito de seu poder.  Teve que aceitar a falta de gratidão e desprezo, a humilhação e a traição, a vergonha e a morte. Tudo isso sofreu para que nós pudéssemos ser salvos. Não chama isso a nosso senso de gratidão e dever? Não apela isso ao mais íntimo de nosso coração? Não pede esse compromisso um compromisso igual? E notemos bem, Ele não nos pede para morrer. Teria esse direito. Pede que vivamos. Pede que vivamos vidas cheias e abundantes, mas que a vivamos com Ele, sob sua maravilhosa direcção.
Porque nos é oferecido muito nesse compromisso
Mas além de tudo que já recebemos do Senhor Ele não nos chama para um compromisso apenas pelo infinito que já recebemos mas pelo infinito que esta diante de nós. Não é que a salvação seja pouco porque sabemos que é graça pura e inexplicável. Mas o mais incrível é que além disso Ele ainda nos garante uma graça futura que nos chama a esse compromisso com mais entusiasmo ainda. Não é apenas na gratidão que baseamos nosso compromisso mas na expectativa maravilhosa do que virá e em tudo o que Jesus nos garantiu e sua palavra nos promete de modo infalível. Lembremos que o Senhor nos disse que tínhamos que ser como meninos na aceitação do Reino? Como é que as crianças fazem ao receber uma prenda? Ficam gratos. E depois? Tentam retribuir? Não. A Criança se deleita no que recebe e passa a ter uma afeição especial na expectativa de mais. Não é que nos tornemos egoístas mas tentar retribuir a salvação é tolice. Só a gratidão não chega. Amamos o Pai pelo que fez mas sabemos que mais virá e isso nos impulsiona ao compromisso. Notemos apenas algumas dessas promessas que enchem nossa Bíblia e nos garantem o futuro:
Presença e bênção
O Senhor garantiu que estaria presente em nossas vidas quer por meio do ES quer por outros meios e instrumentos. Ele nos chamou a lançar sobre Ele toda a ansiedade porque Ele cuidaria de nós. O Apóstolo Paulo argumentou que tendo Deus nos dado Jesus, não poderia nos negar outras coisas, já que nos dera  o de mais alto valor. Somos chamados ao compromisso com um Deus que está sempre conosco, que nos acompanha a qualquer lugar em qualquer actividade e que deseja ser parte ativa de nossas decisões e vidas
Propósito a Razão de ser
Fomos criados com propósito. Tudo que trazemos para essa vida em corpo, alma e espírito nos capacita a cumprir esse propósito a ter uma direcção na vida a perceber o cumprimento do plano maior de Deus para a humanidade. Nosso compromisso com Deus tem a ver com abrirmos mão de tentar encontrar uma razão de viver sozinhos e deixarmos o Senhor encher nossa vida de propósito e direcção. Isso não quer dizer que vamos todos ser pastores e missionários, mas que seremos muitas coisas diferentes mas na noção clara de estar na vontade e direcção de Deus.
Galardão
Como se não fosse pouco a salvação e o céu, ainda temos a promessa de galardão. Nosso compromisso é avaliado por um justo juiz que nos promete valorizar cada esforço e cada sacrifício e recompensar tanto aqui quanto na eternidade. Isso é impressionante! Que Deus o nosso! Já deu a vida pela nossa salvação, já garantiu uma presença constante a abençoadora, já encheu nossa vida de direcção e propósito e ainda nos promete galardoar o compromisso que já era mais do que obrigatório. Isso também é graça pura! Mais um motivo maravilhoso e entusiasmante para o compromisso com o Senhor!

A Batalha pela nossa mente


João é um homem gentil e de fala mansa. Toda sua vida, ele foi subserviente. Qualquer situação nova o deixa em grande ansiedade. Qualquer desafio é encarado com as mesmas palavras de sempre – “isso não vai dar certo”. João está derrotado antes de começar. As poucas oportunidades que apareceram em sua vida foram perdidas por causa dessa atitude. Ele simplesmente não consegue... a mulher o despreza por isso e vive comentando os sucessos de seus amigos e colegas. Os filhos não ligam ao que ele diz. João encolhe os ombros. Desde menino foi-lhe dito que era fraco, tolo, incapaz e outras coisas bem piores. Em sua mente ele criou tais barreiras que sua vida é uma enorme sucessão de situações impossíveis...
Ana sofreu muito em casa. O pai lhe batia, e batia na mãe. O irmão mais velho, primeiro se mostrara condoído, mas depois passou a agir como o pai e explorar o trabalho dela. O primeiro namorado não foi coisa melhor... Ana se viu grávida e sem condições de sustentar a criança. Teve que tolerar as violências do pai mais um tempo. Quando finalmente casou foi para fugir de casa. Mas o casamento é um desastre. Em sua mente Ana vê todos os homens como maus, violentos, insensíveis, exploradores... sua vida é dor e repressão. Ela não sabe ser feliz!
Estas histórias fictícias apenas falam de casos que se multiplicam na população. Milhões de pessoas vivem suas vidas repletas de pensamentos negativos durante o dia e pesadelos de noite. Não conseguem se libertar de um ciclo maligno de derrotas e expectativas falhadas até chegarem ao ponto de deixarem de acreditar. Estão sendo derrotadas na maior batalha que enfrentamos em nossas vidas.
Tudo começou com os nossos primeiros pais. Criados em perfeição pelo Senhor Deus Criador, viviam em plena comunhão. Até que um dia a serpente veio brincar com suas mentes. Sugerir pensamentos diferentes, levantar dúvidas, despertar ansiedades e propor hipóteses que a mulher e depois o homem aceitaram. Com sua desobediência veio o pecado e a separação de Deus. Daí por diante vivemos num mundo em conflito. O bem e o mal lutam pelas vidas humanas e o campo principal de batalha é a nossa mente.
1.     Somos frutos de nossos pensamentos
Todos nós vivemos de acordo com os nossos padrões de pensamento. Paulo falava disso aos Romanos: “ Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja.” Romanos 8:5. E sabemos isso por natureza e experiência. Conforme pensamos assim agimos. Jesus dizia que os atos malignos vem de dentro, das mentes, dos pensamentos, dos esquemas mentais que cada um de nós cria. Conforme os pensamentos que nos dominam assim será nossa atitude e nossa atitude determina a forma de encarar as situações, resolver os problemas, tratar nossos relacionamentos. Tudo começa na forma de pensar.
2.     Somos chamados a moldar nossas mentes pelo Senhor
Reconhecendo que o mundo força nossas mentes a certos moldes, Paulo instava os crentes de Roma a não aceitarem esses moldes mas transformarem seus pensamentos pelo Senhor: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2. A sequência é essa. Queremos experimentar a vontade de Deus? Então não devemos aceitar os moldes do mundo mas renovar nossa mente. Esse é o desafio do crente. Não é só ser salvo e sentar-se a espera do céu. Viver na vontade de Deus. Crescer no domínio dos pensamentos. E aí vem a luta.
3.     Nossa batalha maior é pelos pensamentos
A luta maior acontece em nossas mentes. O inimigo leva tempo para criar moldes, padrões de pensamentos que se tornam verdadeiras fortalezas em nós: “Não consigo isso”; “Ninguém me respeita, ninguém me ama”; “Só mais essa vez...”; “isto não fará mal a ninguém”; “é mais forte do que eu”...
A luta que se passa na mente é vivida a nível de nossos pensamentos. Mas recebemos capacitação do Senhor pelo ES para a vencer: “As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento para torná-lo obediente a Cristo.” II Coríntios 10:4 e 5.
4.     Essa luta se passa no mundo espiritual não é com pessoas
Achamos que o mais difícil são as pessoas, mas a Bíblia nos diz que a luta é muito superior. Ela é espiritual: “Porque a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.” Efésios 6:12. Não estamos lutando com pessoas más e com gente que nos tenta prejudicar. Nossa luta é contra as forças espirituais da maldade e por isso é tão difícil.
5.     Nosso adversário trabalha por meio da mentira
Jesus deixou bem claro que nosso inimigo é mentiroso o tempo todo: “Quando o diabo mente, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira.” João 8:44. Sua estratégia não mudou desde o princípio. Ele enfeita a mentira, dá-lhe cores maravilhosas, mas continua sendo mentira. Ele finge que é para nosso bem quando sabe perfeitamente que deseja nossa desgraça e perdição. Ele trabalha com paciência e perseverança para nos amarrar em suas garras de tal modo que nos pareça impossível sair.
6.     A Vitória virá pelo conhecimento e aplicação da Verdade
Se a derrota vem pela aceitação das mentiras, a vitória vem pela aplicação das verdades de Deus. Jesus disse claramente: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” João 8:31 e 32. Daí a importância de trabalhar a Palavra de Deus e a conhecer. Jesus venceu as tentações não pela força, não pela argumentação, não pelo debate. Ele simplesmente usou a verdade da Palavra e respondeu as mentiras do inimigo a sua mente com as verdades do Pai.
7.     A Vitória é Nossa em Cristo
O inimigo sabe que a vitória esta ao nosso alcance. Ele luta para nos manter fechados em seus padrões de pensamentos malignos de tal modo que não vejamos que em Deus temos a saída. Mas a palavra afirma categoricamente: “Não veio sobre vós tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é Fiel; Ele não permitirá que sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, Ele mesmo vos providenciará um escape, para que o possam suportar.” I Coríntios 10:13. Logo, o vencer já nos foi dado. Ser vitorioso é agora uma decisão nossa. O que vai preferir? Acreditar as mentiras do mal ou viver pelas verdades que nos libertam.
Na próxima semana continuaremos avançando nas respostas bíblicas sobre este assunto tão importante.

Cristianismo sem Cicatrizes


Quando a segunda guerra mundial se aproximava do fim e as bombas aliadas castigavam as cidades alemãs, Stuttgart foi uma das mais danificadas. Era ali que vivia e ministrava Helmut Thielicke. E foi aí, no meio dos destroços do templo de sua congregação que ele liderou os crentes em adoração e pregou uma dês suas mais famosas series de sermões. Aquele era uma igreja que conhecia a realidade de louvar nas ruínas. Um conceito desconhecido da igreja ocidental moderna.
 O evangelicalismo atual cedeu à tentação da promoção rápida e do marketing feroz com sua promessa de crescimento imediato. É comum ouvirmos hoje os pregadores da palavra usarem a linguagem da propaganda de modo descarado anunciando o evangelho como se fosse mais um produto e o cristianismo como outra tendência de mercado. Há uma valorização máxima do desconforto e da insatisfação para então se anunciar a cura rápida, a prosperidade instantânea e a salvação barata de um evangelho que perdeu acutilância e verdade. Talvez o maior problema da propaganda nem seja tanto que cria necessidades artificiais mas que atua nos desejos naturais dos seres humanos explorando essas carências e levando a expectativas imediatistas e exageradas.

E logo temos um cristianismo sem medula, sem fibra. Crentes que desconhecem a Bíblia ou qualquer ideia de disciplina espiritual mas que estão prontos a citar textos desconexos e fora de contexto para justificar suas expectativas exageradas. São crentes que reclamam da qualidade do serviço divino quando qualquer dificuldade surge e voltam as costas à Igreja assim que seus desejos deixam de ser cumpridos.

Um Cristo sem cruz, uma salvação sem expiação, uma fé sem prova, uma vida sem teste, para um mundo sem pecado pode nos dar uma filosofia de auto-ajuda mas não Cristianismo. Esse cristianismo sem cicatrizes não conhece a angústia de Job, o silêncio expectante de Abraão, as lamentações de Jeremias e as marcas no corpo de Paulo. Desconhece que “no mundo tereis aflições” (João 16:33) e que “todos quantos querem viver piedosamente sem Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:2).

Os propagandistas da fé "marketeira" são rápidos em nos lembrar que somos filhos do rei, mas esquecem de acrescentar que o reino não é deste mundo (João 18:36). Eles gostam de citar as promessas divinas mas esquecem de dizer que a maioria delas é condicional. Citam repetidas vezes que Jesus tomou nossas dores e enfermidades mas ainda assim morremos de câncer. Simplesmente não há como evitar todo o dano colateral do pecado neste mundo.

O mundo no qual vivemos jaz no maligno. É um mundo caído no pecado cujo salário é a morte. A criação geme sob esse peso e a sua libertação é algo futuro. Não podemos fugir dos efeitos do pecado particular e nem do pecado geral da nossa raça. Prometer o contrário é falácia. A salvação que nos liberta da condenação não nos transporta instantaneamente para o paraíso. Ainda temos que guerrear com o inimigo, o mundo e a carne.

A intimidade com Deus que se anuncia em cânticos espirituais que tomaram nossas igrejas falam de tocar no Senhor e sentir a sua presença, mas temos que lembrar que esse relacionamento é único e diferente de tudo que temos neste mundo. A verdade é que nem sempre “sentimos” o Senhor, que não podemos tocar em suas vestes, e que na maioria das vezes que oramos a sensação clara é de que se trata de um monólogo. Isso não é desvalorizar todas as maravilhosas respostas de oração que temos mas tirar o crente das expectativas que prometem faze-lo andar nas nuvens com o Pai quando isso não vai acontecer.

 A transcendência de Deus é bíblica e parte importante da sã doutrina. Ele não é nosso coleguinha e não está a espera de que peçamos algo para sair correndo a cumprir nossos desejos. Lidamos com um Deus Santo, Poderoso, Transcendente e Majestoso a quem devemos honra e reverencia, temor e tremor. Os servos do Senhor que tiveram um vislumbre de sua Glória, não correram para abraça-lo, antes caíram com o rosto em terra como mortos. O Temor do Senhor ainda é hoje o princípio da sabedoria.

 Não queremos com isso tirar a alegria da fé cristã mas torná-la realista. Não desprezamos a intimidade, mas apelamos à sua verdadeira expressão. Não retiramos da vida em Cristo sua excelência antes recordamos que traz também suas cicatrizes, dores e lutas. Negá-las ou deixar de as entender é fugir da essência da fé. O Cristão verdadeiro não é o que se vangloria da prosperidade mas o que pode dizer como Paulo que sabia viver em qualquer circunstância porque era capacitado por Deus. O verdadeiro crente não é o que sempre obtém o que quer mas aquele que pode afirmar como Habacuque que “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide... todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17 e 18).

Porque Sou Cristão - capítulo I

Criou-se uma imagem bastante negativa do cristão em nossos dias. Sobretudo do cristão evangélico tradicional. Ele é visto como um simplório, com baixo nível de formação intelectual, baixo rendimento salarial, facilmente manipulável por líderes religiosos e de mente fechada e tacanha. Trata-se de uma generalização e como tal peca por preconceito e falta de verificação. Há milhões de cristãos convictos no mundo, que sabem o que crêem e porque crêem, que tem uma boa formação superior e pertencem a classes sociais elevadas. Eu tenho estudado a vida toda detendo cursos superiores de elevado grau de dificuldade e sou cristão convicto. Minha convicção não se baseia apenas na experiência pessoal (muito valiosa, mas subjectiva) mas nos dados reais disponíveis a respeito de Jesus e do Cristianismo. Passo então a explicar, o mais sucintamente possível sem ser obtuso, as minhas razões para crer.
           Em primeiro lugar sou cristão por causa de Jesus Cristo. Jesus, apesar de todas as inúmeras tentativas em contrário, é um personagem histórico incontornável. O registro de sua vida e obra não tem igual na história. São relatos feitos por testemunhas oculares que viram e ouviram Jesus enquanto as biografias de Mohamed (para citar um exemplo apenas) foram feitas por pessoas que ouviram um relato de 3ª mão na melhor das hipóteses. As cópias dos evangelhos que temos foram produzidas poucas décadas depois do original garantindo sua validade. As melhores cópias que temos dos escritos de César são de mil anos após sua escrita e os melhores textos de Aristóteles datam de 400 anos após sua escrita, só para ter uma base de comparação.

          A vida e obra de Jesus foram descritas por seus discípulos, mas também reconhecida por historiadores da época como Suetônio, Plinio o Novo, Tácito e Flávio Josefo dando confirmação da veracidade dos relatos bíblicos. Jesus viveu no primeiro século de nossa era (seu nascimento marca o nosso calendário) fez e operou milagres a vista de multidões, morreu numa cruz romana devidamente comprovado pelos presentes e ressuscitou sem sombra de dúvida no terceiro dia. Sua ressurreição não pôde ser rebatida pelos líderes judeus de seu tempo quanto mais agora. Seria a coisa mais fácil para eles, provar que era tudo ficção e acabar com o Cristianismo. Mas não puderam fazê-lo simplesmente porque ele ressuscitou mesmo.

          Os ensinos de Jesus foram os mais marcantes da História tornando um simples carpinteiro da galileia na figura mais influente de todos os tempos. Jesus não foi um filósofo influente com muitos alunos ricos, não foi um general ou politico vitorioso, não foi um escritor de textos poéticos ou em prosa maravilhosa, não ocupou cargos públicos e nem sequer viveu em uma cidade digna de nota em seu tempo. Foi um camponês de uma província insignificante com um punhado de discípulos que eram pescadores da galileia. Como tal homem pode ter marcado a história se não fosse o salvador? Podemos repudiá-lo, podemos rejeitá-lo e até odiá-lo, mas não é possível ignorá-lo.

          Sou Cristão porque nos ensinos de Jesus encontro a raiz do verdadeiro problema do homem - o pecado. Jesus não se ficou pela superficialidade que as teorias e psicologias modernas nos querem vender. Ele foi ao coração do problema humano, a moralidade. Nosso problema é moral. Por isso vemos jovens bem-criados e com recursos em casa se tornarem bandidos e gente sem escrúpulos. A maldade do homem vem de dentro, não é apenas produto de criação ou ambiente. E só trabalhando de dentro teremos uma solução e Jesus nos deu a solução. O problema era humano, e ele veio como humano, mas era pecado contra um ser infinito e Ele era Divino. Tinha as condições para resolver nosso problema e o fez sofrendo nossa dor, morrendo nossa morte e vencendo nosso inimigo. Só ELE o fez, por isso sou seu seguidor.

          Multidões reconhecem o ensino de Jesus como superior. Mesmo aqueles que não o aceitam têm que reconhecer a superioridade de suas palavras. Tornou-se relativamente pacífico aceitar Jesus como um dos grandes Mestres do passado ao lado de Sócrates, Platão, Buda e Confúcio. Mas essa posição aparentemente respeitosa não é defensável. Por mais que queiramos não é possível aceitar Cristo como apenas um bom filósofo. Não se trata de intransigência ou de intolerância mas de coerência com o que Ele disse. Diante das afirmações de Jesus como "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida" ou "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá" não há meio-termo. Ele não podia ser só um bom professor. Ou era um louco que dizia coisas acertadas misturadas com devaneios de megalomania ou era quem dizia ser, Deus o Filho e o Filho de Deus. Não há meio-termo. Eu creio que Ele era quem dizia ser.

          Sou Cristão porque Jesus não somente nos diz que temos que viver uma vida boa (muita gente disse isso), mas nos dá as condições de vivê-la, Ele nos capacita para isso. Não só seu exemplo nos orienta e anima, mas sua presença real dá ao homem sentido para esta vida, força para as lutas diárias e esperança viva para a vida futura na garantia da vitória final sobre a morte. Em nenhum outro encontramos isso e por isso a humanidade que rejeita Jesus vive sem direção, abusando de recursos passageiros e impróprios, se auto anestesiando com entretenimento barato em vez de tomar a salvação oferecida de e pela graça.

11 Dias em 40 anos...

Já teve a sensação que algo relativamente fácil demorou a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer mas acabamos levando "séculos" para fazê-las? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando... Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas vidas com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando.

Em Deuteronómio 1:2 e 3 lemos que o povo de Israel levou 40 anos para fazer uma viagem que demoraria 11 dias. Pense bem! Em vez de 11 dias eles levaram 40 anos de caminhada. E o Senhor finalmente lhes diz no verso 6: "Já ficaram tempo demais aqui, tratem de andar...". Chega de esperar, chega de protelar... saiam do marasmo e tomem posse do que já vos preparei há tanto tempo. E porque é que demoraram tanto?

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque viviam no passado.
Repetidamente reclamavam de Moisés lembrando do que tinham no Egito. E o mais incrível é que no Egito eram escravos... levaram 400 anos chorando para que Deus os libertasse. Uma vez livres, choravam, porque já não tinham as mesmas coisas do Egito. É extraordinária a mente humana. Já tinham esquecido das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque não tinham capacidade para crer.
O Senhor lhes dera provas indiscutíveis de seu poder. Mas o povo não acreditava. O povo de Israel nesse período é a maior evidência de que milagres não são a solução do problema humano. Ninguém viu tantas maravilhas e no entanto, não criam no poder do Senhor para lhes dar a vitória na terra prometida. A falta de fé era debilitante a paralisante e não os deixou progredir.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque permitiam que uma mentalidade negativa e uma auto imagem degenerada os dominasse.
Olhavam para tudo com uma atitude de pobres miseráveis. Tinham sido libertos da escravatura física mas a carregavam no coração. Ainda se viam como povo fraco e dominado, sem direção e sem propósito. O Senhor os dirigia, dava-lhes alimento diário e líderes de qualidade mas ainda olhavam para si mesmos como presa fácil para qualquer adversário. Essa mente pequena impedia qualquer ação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque esperavam que as coisas aparecessem feitas.
Se ao menos alguém expulsasse os cananeus... se ao menos os gigantes fossem embora... se ao menos a terra estivesse vazia e as casas arrumadas e com comida pronta na mesa... eles então agiriam. Nem sequer queriam se dar ao trabalho de ouvir a Deus diretamente. Queriam que Moisés fosse ouvir e depois desse o relatório resumido. Não queriam se dar a nenhum trabalho e assim passaram décadas vivendo num deserto.

Por vezes passamos por desertos em nossas vidas. São inevitáveis e são difíceis de atravessar. Mas por vezes acampamos neles e aí ficamos por culpa própria, por incapacidade nossa, por falta de confiança no Senhor para caminhar para fora. Por vezes poderíamos vencer o deserto em 11 dias e ficamos por lá perambulando por 40 anos...

Deixamos de progredir quando paramos nossa visão no passado. Por melhor ou pior que tenha sido nosso passado ele não precisa determinar nosso presente e nem limitar nosso futuro. Se fomos vitoriosos louvemos ao Senhor e sonhemos com novas vitórias e mais altas. Se sofremos no passado vamos perdoar, agradecer pela sobrevivência e deixar as mágoas porque são fardo pesado demais para quem quer avançar. Já chega de carregar o passado. Vamos permitir que o Senhor nos carregue para o futuro.

Deixamos de progredir quando nos falta a coragem para crêr. Temos suficientes evidências em nossas próprias vidas e a nossa volta para sairmos do marasmo e crescermos. Mas é preciso um primeiro passo de fé. É preciso confiar. Sem fé é impossível agradar a Deus, e sem a graça de Deus não há como conquistar nada nesta vida.

Deixamos de progredir quando permitirmos que o inimigo nos mantenha com uma mentalidade de escravos. O adversário de nossas almas é especialista em depressão, complexo de inferioridade, ansiedade exacerbada, auto imagem negativa. Ele trabalha em nossas mentes mostrando constantemente nossa fraqueza, nossos defeitos, nossa incapacidade. Atenção: quando o Espírito Santo convence do pecado é para arrependimento, perdão e progressão. O maligno nos mostra o erro em nós apenas para derrubar e deprimir. Esta mais do que na hora de firmar a mente na Palavra do Senhor. ELE escreveu o livro e em sua versão da história (a versão verdadeira) somos filhos amados, perdoados, capacitados, enriquecidos e seremos vitoriosos! É a versão dEle que interessa.

Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.

Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação. Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la!

Já aconteceu uma vez...

Era uma vez um idoso de 80 anos. Ele foi convocado por Deus para enfrentar o maior rei de seu tempo e o mais forte estado de sua época. Munido de apenas um cajado e sua fé no poder de Deus derrubou um império e libertou seu povo da escravatura. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um homem de 85 anos que vivera já muito e podia almejar descanso e sossego. Foi no entanto desafiado a escolher sua herança. Podia ficar com as terras que desejasse. Podia escolher terras tranquilas e bem regadas e sobretudo livres de problemas. Mas ele escolheu as terras altas, cheias de inimigos. Uma terra habitada por gigantes. E essa terra foi conquistada por ele e pelos seus. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um jovenzinho que guardava as ovelhas de seu pai e que nos tempos vagos compunha salmos para louvar a Deus. Foi levar comida a seus irmãos que serviam o exército e se deparou com um gigante blasfemo. O mercenário era monstruoso, homem de guerra, bem armado, mas o garoto o enfrentou apenas com uma funda e algumas pedrinhas e o matou. Enfrentou o gigante por seu zelo pelo Senhor e venceu. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um profeta desconhecido mas que conhecia bem seu Deus e confiava no poder da oração. Ele orou e durante 3 anos não choveu. Depois orou e choveu fogo do céu e seu ministério preservou o culto verdadeiro em sua terra contra uma multidão de falsos profetas. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma menina órfã criada pelo seu tio. De orfãzinha ela veio a ser rainha do maior império do seu mundo. Nessa posição ela desafiou leis ancestrais e confiando em seu deus salvou seu povo de uma destruição certa. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Jerusalém que vivia em harmonia e comunhão. Seus membros se amavam mutuamente e providenciavam para as necessidades uns dos outros. Essa igreja era respeitada pelo povo, era marcada pelo poder de Deus em curas e sinais e crescia diariamente conforme o Senhor desejava. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Antioquia que entendeu o chamado de Deus. No meio de uma época difícil, uma cultura pagã corrupta e um governo autoritário ela ousou crer na evangelização mundial e separou seus dois principais líderes para essa tarefa. Seus pastores saíram pelo mundo pregando e plantando igreja e algumas décadas depois o cristianismo tinha se espalhado por todo o mundo. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

A palavra nos diz que nosso Deus não muda, ELE é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele também não faz acepção de pessoas, ou seja, não gosta mais de uns que de outros e não vai deixar de abençoar uns para enriquecer outros. Se Ele fez isso no passado então esta pronto a abençoar no presente. Os exemplos que nos foram deixados servem exatamente para que possamos saber como agir, para que possamos confiar, para que nos sintamos estimulados porque isso tudo já aconteceu uma vez... e pode acontecer de novo!

O DEUS DO PRAZER

Há muitas idéias equivocadas sobre Deus. Uma delas diz que Deus é contra o prazer. Ele é descrito ou visualizado como uma espécie de policial cósmico que de sobrolho carregado espia a humanidade e pune qualquer sinal de prazer ou satisfação. Essa idéia anda de mãos dadas com a que mostra o Senhor como um Juiz desagradável que vive arranjando leis e regras a que chamamos mandamentos e que são todas desagradáveis e limitantes. Essas noções são generalizadas, mas são também totalmente erradas quando olhamos para aquilo que a Bíblia nos mostra sobre o Pai Celeste.

Comecemos pelo principio, olhemos para Gênesis. Meditemos ligeiramente sobre mandamentos e prazer, duas coisas que parecem contraditórias. Se lermos atentamente os primeiros capítulos de Gênesis sobre a criação do homem descobriremos coisas interessantes. Em 1:28 e 29 lemos que logo depois de criar o Homem, Deus lhe deu a seguinte ordem: "Sejam férteis e cresçam, encham a terra e dominem-na; dominem sobre os peixes do mar e as aves do céu e sobre todos os animais que andam na terra; dou-vos todas as plantas que produzem semente e que existem em qualquer parte da terra e todas as árvores de fruto para vossa alimentação".

Interessante notar que no primeiro mandamento de Deus ao homem estava a procriação, a alimentação e o dominação/cuidado da terra. Ou seja, 3 coisas que dão prazer ao homem - sexo, comida e poder, estavam logo nas primeiras ordens do Senhor. Foi Deus que criou o homem com a função sexual e lhe deu a capacidade de sentir esse prazer e ainda ordenou que fosse prolífico nessa atividade. Foi Deus que lhe deu toda a comida para comer livremente (veja também Gênesis 2:16 em que todas as árvores com exceção da prejudicial são colocadas a seu dispor). Foi Deus que criou o homem com o desejo e o poder de mandar, organizar, dominar. Porque será então que achamos que Deus não aprecia o prazer e que seus mandamentos são desagradáveis?

Regras, leis e mandamentos fazem parte da vida. Se estabelecidos por ditadores cruéis podem ser terríveis, mas quando estipulados por bons governantes permitem uma vida pacifica e ordeira que beneficia a todos. Pensar nos mandamentos de Deus como apenas limitantes é pensar de modo bitolado. Todos nós seguimos regras e na esmagadora maioria dos casos elas nos ajudam. Pense num GPS. Eu uso GPS porque não conheço bem as ruas de minha cidade. Quando sigo as instruções (mandamentos) do GPS posso pensar que estou limitado. SE vou seguir o GPS á risca não tenho a liberdade de entrar por ruas e estradas que ele não indica. Mas a verdade é que seguindo os mandamentos ou direções do GPS eu não fico perdido e acabo chegando ao meu destino mais depressa e com segurança. Posso até passar por lugares que desconheço e posso até me assustar com alguns deles, mas fico com medo. Vou tranquilo porque sei que o GPS vai me guiar bem.

As leis do Senhor são feitas assim, à nossa medida. E à medida da vida. Servem para nos guiar, dar propósito e direção. Com elas vamos seguros. Podemos ter algumas limitações, mas são positivas e impedem que andemos perdidos sem rumo, correndo riscos desnecessários. Os mandamentos de Deus colocam alguns limites exatamente porque ELE nos criou desse modo e criou o prazer para ser extraordinário dentro desses limites.

Você pode comer tudo que quiser e na quantidade que quiser. Mas todos sabemos que, se não nos limitarmos, iremos sofrer. Se abusarmos da alimentação em termos de quantidade e qualidade iremos depois colher os resultados. Pode ser uma indigestão, uma diarréia ou algo mais grave. Uma vida a comer gorduras termina em artérias entupidas e muitos problemas de saúde. Temos que entender que a limitação é benéfica e nos abençoa.

Igualmente no sexo. Podemos viver promiscuamente. Mas depois teremos que arcar com as consequências físicas, psíquicas e espirituais. Fisicamente poderemos ter desde pequenas irritações de pele a doenças potencialmente fatais. Psiquicamente ficaremos confusos e insatisfeitos, vivendo uma insegurança própria da falta de relações comprometidas. Espiritualmente o promíscuo ficará com a sua vida em pedaços porque não fomos feitos para copular como animais no cio.

Mas o sexo dentro dos limites que Deus criou, no casamento, com amor e como manifestação mais especial do carinho entre marido e mulher pode ser uma benção extraordinária porque para isso foi criado por Deus. O Senhor não é contra o prazer, apenas contra seu abuso porque nos conhece e sabe melhor do que nós mesmos o que precisamos.

A conclusão parece óbvia. Deixemos de olhar para o Senhor como um Deus iracundo que é antagonista do prazer. Louvemo-lo pelo que é - o criador do prazer. Entendamos que os limites por ELE colocados são para nosso bem e desfrutemos das alegrias e dos prazeres que ELE nos deu.

Ano Novo, Vida Velha?


Este ano vai ser diferente! Este ano vou ser diferente! Vou fazer dieta, vou me exercitar diáriamente, vou ler bons livros em vez de ver TV, vou meditar na Palavra todos os dias... Vou me tornar uma pessoa melhor! Já ouviu isso em algum lugar? Certamente, e na passagem de ano mais ainda!   Provavelmente ouviu isso de sua própria boca este inicio de 2010 ou então pelo menos assim pensou.  Mas... os dias passam e descobrimos que o ano novo só trouxe mesmo a vida velha...

As resoluções de ano novo valem o que valem. Servem como periodo de reflexão e avaliação. Podemos até tirar proveito desse exercicio. O objetivo maior é que nos tornemos melhores que no ano anterior e isso já é vantajoso. Significa que entendemos que é preciso melhorar. Todos queremos ser pessoas perfeitas. Firmes diante das lutas da vida, felizes no decorrer do dia a dia, em paz consigo mesmos e com a vida, realizadas no que fazemos e produtivos em nosso trabalho e vida pessoal. E como atingiremos esses objetivos valiosos? Pensemos por um pouco neles:

1) Firmes
Todos admiramos uma pessoa forte. Aqueles que parecem enfrentar a vida sempre de cabeça erguida, com um ar de vitória no rosto mesmo em meio a lutas e problemas.  Todos queremos ser assim!  Para isso precisamos de um fundamento, uma base forte.

Jesus disse que aquele que ouvia suas palavras e as praticava seria como um homem que edificou sua casa sobre a rocha (Mateus 7:24 e 25).  Esse homem está pronto para as tempestades, mesmo as mais fortes. Os ventos podem fustigar, a chuva pode cair, mas ele permanece firme. Segundo Jesus, seus ensinos servem para nos dar esse fundamento firme que tanto valorizamos.

O ensino de Jesus não é apenas para as aulas de Escola dominical ou algumas reflexões bem intencionadas no domingo de manhã. Seus enisnoa são relevantes, práticos e atuais. São um manual para a vida com DEus e o próximo. Guiados por eles nos tornamos sim as pessoas que devemos ser. mas é preciso que os conheçamos e que os sigamos de coração. Então seremos firmes como a rocha.

2) Alegres
Quem não admira uma pessoa feliz? parece que todo o mundo correr atrás da felicidade. E ela parece ser grande corredora e muito resistente porque a maior parte da humanidade a persegue arduamente mas parece nunca alcança-la. Podemos até discutir que as pessoas buscam a felicidade nos lugares e nas coisas erradas. Mas a verdade permanece, todos queremos ser felizes e vivemos para esses momentos que parecem pouco e fugazes.

Jesus disse a seus discipulos que os ensinava para que tivessem alegria (João 16:24). Interessante que lhes telha falado de alegria na noite em que sabia que ia ser preso. Falou de alegria sabendo que no outro dia aquela hora já estaria morto, e morte de cruz. E Jesus falou assim porque falava da alegria verdadeira que o mundo nem sequer conhece.

A verdadeira felicidade vem de dentro. Não a podemos encontrar fora. Nem coisas, nem eventos, nem mesmo outras pessoas podem ser fonte duradoura de alegria. A fonte única e fiel é o Senhor. Se ELE for o centro de nossa vida e estivermos ligados a ELE como devemnos, a alegria será natural. Não a euforia das festas ou dos acontecimentos, mas a serena felicidade do coração pleno. Algo sublime e duradouro porque eterno. Algo que sabemos que vai continuar de modo perfeito quando deixarmos essa dimensão da vida. Óh felicidade especial. E vem de conhecer os ensinos de Jesus, de ouvir a sua voz, de o seguir.

3) Paz
Um dos principais votos de inicio de ano é o de Paz. O dia 1 de janeiro foi inclusive dedicado como o dia da paz mundial, algo bastante irrealista mas nem por isso menos desejado. Mas a paz que o homem busca é primeiramente pessoal. Paz consigo mesmo, com seus pensamentos, com suas intenções, com sua consciência. Paz na familia, nas relações, no casamento, no trabalho e nas amizades.

Jesus disse a seus discipulos que lhes deixava a sua paz, paz essa difernte da que o mundo falava (João 14:27). Novamente o Senhor falava de paz no meio da maior traição da história, à beira de um julgamento terrivelmente injusto e de uma morte por tortura. Como se pode falar de paz diante dessas perspectivas? Só é possivel porque Ele falava de uma paz que excede o entendimento.

A Paz que Jesus falava tinha ver com a relação entre o homem e Deus. Quando estamos de bem com o Senhor, estamos de bem com a vida, e é possivel estar de bem com o próximo. Essa paz é algo espiritual e que não se explica por palavras, nem se pode ver a ão ser nas atitudes. Sabe o que ela é quem a conhece. Quem não conhece apenas pode tentar imaginar. A paz que Jesus falava era novamente um produto da relação dos discipulos com Ele e seu ensino.

4) Realização
Hoje valoriza-se o homem e a mulher realizados. Todos no fundo querem sentir que suas vidas são bem sucedidas, produtivas. Todos querem sentir-se realizados no que fazem. todos querem ser vistos como pessoas que fazem as coisas acontecerem. Todos queremos produzir algo que fique na memória dos demiase perpetue a nossa passagem por esta vida.

Jesus disse aos seus discipulos que tinha vindo para que eles tivessem uma vida abundante (João 10:10) e que se permenecessem nEle produziriam muito fruto (João 15:5). O Mestre diexou claro que uma vida realizada e produtiva dependia da capacidade e da dedicação de segui-lo e a seus ensinamentos.

Jesus não omitia opiniões. Ele não fazia sugestões como tantos outros mestres do passado. Ele fazia afirmações com autoridade, com a certeza e a confiança do Criador que orienta a criatura. Segui-lo pode ser opcional, mas se quisermos uma vida abundante é o único caminho. No fundo tudo o que dissemos até aqui se poderia resumir em uma palavra - discipulado.

O Senhor não veio à terra para nos dar um bom exemplo. Ele não veio para morrer a fim de que pudessemos ter apenas a certeza do céu. Vida Cristã não é algo que vamos viver um dia quando deixarmos este mundo. A salvação foi e é dos nosso pecados e da nossa maneira vã de viver. Só será completa na eternidade mas começa aqui e agora. Não somos salvos só para o céu mas para viver agora a vida com Deus e isso acontece seguindo a Jesus, sendo seus discipulos.

Um discipulo é aquele que quer imitar o mestre, quer ser como ele, e faz tudo para que isso aconteça. Ser cristão é ter Cristo no centro da vida, das decisões, dos pensamentos e das atividades. É ser moldado por seus ensinos e viver segundo o que Ele mostrou. Aqueles que assim o fizerem serão pessoas firmes, alegres e em paz, realizadas e produtivas. O mundo precisa urgentemente de ver gente assim. Que possamos nós ser assim. Um ano abençoado e de feliz discipulado.
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