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Construindo Celeiros ou Vidas?

A parábola do Rico insensato
 (Lucas 12:13 a 21)
Ele tinha o que parecia ser uma vida de sonho! Era rico, famoso, conhecido. Família bonita, esposa maravilhosa, filhos inteligentes, negócio próspero. Investiu na bolsa de valores com esperteza e com a experiência de anos no mercado. Suas ações quadruplicaram num ano e ele ficou ainda mais rico e poderoso. Seu dia de trabalho era de 14 a 16 horas. Trabalhava até na hora de dormir. Não tinha tempo para mais nada! Havia que aproveitar a onda favorável. A bolsa podia mudar, os negócios podiam murchar. Teve alguns episódios de taquicardia e uma passagem na urgência hospitalar, mas tudo foi deixado para trás... Havia que usar toda essa nova riqueza para ganhar mais um pouco.
Ele avaliou bem o mercado, estudou as tendências, consultou os especialistas e decidiu onde devia investir. Sabia que a nova empresa seria um sucesso ainda maior. Sabia que teria algum trabalho extra por mais uns 4 ou 5 anos, mas depois poderia finalmente descansar, tirar um tempo, relaxar e ver o mundo e quem sabe até lembrar da família. Decidiu tudo e planejou seu novo empreendimento, seria um sucesso de arromba e o colocaria definitivamente no topo...
Nessa noite teve um enfarte agudo do miocárdio e morreu às 3 da madrugada... em seu funeral, tudo o que puderam dizer foi: foi um grande empresário...
Esta seria uma versão moderna da parábola de Jesus em Lucas 12. A história começa com um contexto próprio. Jesus é abordado por um homem no meio da multidão. Um homem pede justiça. Aparentemente essa oração tem tudo para dar certo. Mas Jesus a recusa? Porque? Não fora o mestre que ensinara a pedir? Não era seu propósito trazer justiça? Não era costume da época que os rabis, conhecedores da lei, servissem de juízes de causas menores e de repartição de heranças? Porque Jesus recusa?
Jesus não nega o pedido por justiça. O que ele nega é a ganância por trás do pedido. O que ele faz é usar de discernimento e notar que há ali muito mais do que parecia. Um pedido de justiça pode abrigar vingança ou cobiça. Uma oração piedosa pode abrigar orgulho ou malícia. Um discurso honrado pode esconder vaidade e interesses próprios. Jesus discerne o coração. E as palavras no original nos podem ajudar a entender. Ele pergunta: Quem me constituiu repartidor entre vós? Jesus não veio para ser repartidor mas reconciliador. Aquele homem queria a partilha para se separar definitivamente de seu irmão. Jesus queria que vencesse a cobiça e se reconciliasse com o irmão. Conta então a parábola.
É de notar que o homem da parábola já era rico. Ele não é apresentado como incorreto ou corrupto. Sua riqueza parece honesta e sua colheita pode até ser considerada bênção de Deus. A prosperidade do Senhor pode não ser usada de modo certo. Este homem será um exemplo. Ele é abençoado prodigamente, mais do que precisa (não será assim com todos nós, em certa medida?).
Todo seu discurso é voltado para si mesmo e para seus bens. Ele provavelmente, deveria ser casado, com família e conhecidos, mas não há o menor sinal de que os tenha em conta em sua vida. Ele não conversa com ninguém a não ser consigo mesmo. Não considera ninguém em seus planos a não ser ele mesmo e seus bens. A vida é concentrada em si mesmo e no que possui e no que vai possuir. Um discurso feito de meus frutos, meus bens, meus celeiros, minhas ideias e planos. Ele era um construtor de celeiros. Um armazenador numa cultura que valorizava a comunidade e a solidariedade vivia para si mesmo.
O trágico da história é que no fim não somente ele morre, mas não há o que fazer com seus bens. Ele não percebera que a vida era passageira e uma espécie de empréstimo. Terás que dar contas de ti mesmo. Terás que dar conta da tua alma, de devolver o que recebeste e como o farás? E tudo o que planejaste? Para quem será? Quem saberá dar continuidade? Que legado ficará para além do celeiro que fica como monumento da tua vida isolada e egoísta?
Na vida podemos ser construtores de celeiros ou de vidas, mas não dos dois. Celeiros são lugares para guardar bens. Nossas casas, cursos, trabalhos, até passatempos podem ser celeiros. Feitos para guardar bens, acumular riquezas que podem ser dinheiro, coisas, diplomas, promoções etc. Leva uma vida inteira para construir celeiros. Mas de que servem? Darão segurança? Darão futuro? Garantirão a eternidade? Darão realmente a vida (zoe e não bio) que devemos viver?
Construir vidas também demora. Temos a nossa vida para construir e as vidas de outros ao nosso redor. Trata-se de um investimento bem mais demorado e custoso. Leva tempo para construir uma vida, seja a nossa ou a de um amigo, irmão, parente, esposa, filhos. Mas, enquanto celeiros têm a tendência de ficar, vidas são eternas. Trata-se de um investimento que nos dá VIDA aqui e que terá valor eterno. Invista num banco que não vai falir de certeza. Construa vidas, não celeiros!

O que diferencia minha Igreja?


          Porque você compra nesta loja e não na outra? Pense um pouco. Pode haver muitas razões. Talvez esta seja mais barata, ou é mais perto de sua casa ou simplesmente se acostumou a encontrar as coisas que quer nesta aqui. Mas o que diferencia as lojas? Pense bem. Basicamente todas têm as mesmas coisas. E se analisarmos bem, veremos que as diferenças de preços nem são tão grandes. Então, porque vamos a esta e não a outra? Na verdade tem a ver com tratamento. Regra geral a diferença entre uma loja e outra é a forma de tratar os clientes e todos sabemos isso implicitamente.
          Pense em seu retrospecto. Já teve experiências más numa loja, ou restaurante? Foi mal atendido, houve falta de interesse em ajudá-lo, demoraram muito para o servir, foram até rudes nas respostas? E o que aconteceu? Você nunca mais voltou e provavelmente contou a várias pessoas sobre o assunto. Falo por mim. Há várias grandes lojas de material electrónico e informático em Lisboa, mas há uma dessas onde nunca vou. Seus preços são bons, sua localização é excelente, sua organização é eficaz, mas fui mal atendido lá por duas vezes. Simplesmente não volto.
          O que diferencia as igrejas? Pense bem antes de responder. Pode ser que fique mais perto de sua casa, ou gosta das pregações do pastor, ou tem um estilo de louvor que o agrada. Mas se meditar bem verá que provavelmente a sua igreja de escolha tem a ver com as pessoas. Provavelmente escolheu sua igreja por causa dos relacionamentos. Encontra ali amigos, parentes, conhecidos de longa data e gosta da relação que tem com eles. Se foi a uma igreja que é até boa, bonita, com bom culto e um bom pregador, mas foi mal recebido, não fez contato com as pessoas e não se sentiu acolhido, dificilmente vai permanecer.
          Por favor, me entenda bem. Não estou dizendo que as igrejas são como lojas e que somos vendedores de produtos religiosos. Não é essa minha convicção ou entendimento. Mas a verdade é que a vida é feita de relacionamentos e as igrejas também. O que de diferencia mais significativamente uma igreja de outra acaba por ser a maneira como a membresia se relaciona. Jesus nos deixou uma regra básica para os relacionamentos em Mateus 7:12, “Aquilo que quereis que os outros vos façam, fazei-lhos vós também a eles”. Desde o século XVII que este texto é conhecido como a regra de ouro. Jesus está dizendo que devemos 1º- pensar em como queremos ser tratados e 2º- começar a tratar os outros assim. Pensemos então em como queremos ser tratado para pensarmos em como devemos começar a tratar os outros.
          Eu quero ser incentivado. Paulo explicava a necessidade de incentivo na igreja da seguinte maneira: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade e assim transmita graça aos que ouvem” Efésios 4:29. Eu preciso de palavras assim. Preciso de incentivo na caminhada, de consolo nas lutas, de ânimo nas dificuldades, de conforto nas perdas. Eu quero receber palavras que me coloquem para cima, que me sirvam de força para continuar. Gosto de estar perto de pessoas que me tratam assim. Naturalmente me aproximo delas e procuro ouvi-las porque sei que sairei animado. Suas palavras são bênção.
          Se preciso de incentivo e quero ser incentivado então devo começar por incentivar os outros. Ser conhecido por uma pessoa que tem sempre uma palavra de reconhecimento e ânimo. Notemos bem que não há aqui incentivo para bajulação ou elogio interesseiro. Devo partir dos princípios que 1º- todos são criados a semelhança de Deus e têm características que devem ser reconhecidas e valorizadas e 2º- dar esse tipo de incentivo e valorização é ensino direto do Senhor. Todos precisam de ser estimados e reconhecidos. Todos temos essa necessidade. Onde as pessoas deveriam encontrar isso? Na família de Deus, na Igreja de Cristo. Uma comunidade onde as pessoas se valorizam, se elogiam e se animam mutuamente.
          Eu quero ser perdoado. Não sou perfeito. Falho por vezes nas palavras, outras vezes nos atos, muitas vezes nas atitudes. Mas quando falho não significa que não tenho valor e ou que sou detestável. Peco porque sou humano e apesar de lutar contra o pecado ainda não estou livre de sua presença. Sou o primeiro a reconhecer minhas fraquezas e a lamentar meus erros, Mas quando falho preciso e desejo ardentemente ser perdoado. Não preciso que me desculpem ou que passem a mão sobre minha cabeça. Pode ser que por vezes precise mesmo de exortação e correção. Mas preciso mesmo é de perdão, primeiro de Deus e depois de meus irmãos.
          O ensino bíblico é claro quando diz “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou” Efésios 4:32. Todos erramos, todos pecamos e todos precisamos de perdão. A falta de perdão é barreira inultrapassável nas relações e tem destruído casamentos, famílias e igrejas sem conta. A falta de perdão pressupõe sempre certa vaidade, orgulho e falta de auto análise, mas a verdade é que é difícil perdoar daí que a Palavra fale tanto disso. Na igreja vivemos em comunidade e é natural que surjam atritos, desentendimentos, diferenças de opinião. Também acontecem coisas menos bonitas e por vezes somos magoados sériamente. O ensino bíblico me diz que devo tratar os outros como quero ser tratado. Eu preciso e quero perdão. Devo então perdoar, de modo rápido e completo. Lançar sobre Deus minhas ansiedades e abrir mão de qualquer sentimento de vingança ou ressentimento. Essa atitude será bênção em primeiro lugar para mim mesmo e depois para a igreja de Jesus.
          Eu quero se Compreendido. Gosto que me ouçam com vontade. Aprecio quando me dão atenção concentrada e posso ver nos olhos do outro um desejo genuíno de me escutar. Fico deliciado quando verifico que alguém que me ouve mostra entender minha situação, compreende meu estado de espírito ou meus dilemas. Pode ser até que essa pessoa nem saiba muito o que me dizer ou como me aconselhar, mas o simples facto de ser ouvido e compreendido me abençoa tremendamente.
          Quem não precisa de um ouvido amigo ou de um ombro para chorar de vez em quando? Paulo incentivava a igreja nesse sentido quando escrevia “alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” Romanos 12:15. Que bênção! Todos temos a experiência terrível de ter que desabafar e não saber com quem. Mas também creio que a maioria já teve a alegria (nem sempre tão frequente quanto gostaríamos) de encontrar alguém que nos ouviu com atenção irrestrita e nos deu momentos preciosos de comunhão. E o que aconteceu? Fui abençoado e passei a ter uma ligação especial com essa pessoa. Ora, se sei o quanto isso é importante porque não começo a praticá-lo? Ouvir é uma arte que está `a disposição de qualquer pessoa que tenha pelo menos um ouvido bom. Se começarmos a ouvir descobriremos que o Senhor pode nos fazer bênção de um modo simples e direto.
          Uma regra de ouro e três simples atitudes que podem fazer toda a diferença. Já imaginou se as pessoas em nossa igreja começarem a praticar de modo consciente e deliberado os atos de reconhecer/incentivar, perdoar e Ouvir/compreender? Faria diferença não? O que diferencia uma igreja de outra realmente? A qualidade da relação entre seus membros. Ser Cristão é seguir a Cristo nas coisas práticas da vida e uma das mais práticas é viver a regra áurea.
A responsabilidade de fazer uma diferença positiva em nossa igreja está em nossas mãos. Vamos parar de acusar os outros de seus erros, de justificar nossa falta de iniciativa e reclamar de que a nossa congregação não é o que devia. Para que ela comece a ser o que deve ser, eu e você temos que começar a viver o que o Senhor nos ensinou. Comecemos já! Tem alguém precisando de nosso incentivo, de nosso perdão e de nosso ouvido hoje mesmo! Ore e peça ao Senhor para saber a quem abençoar e vamos ser uma igreja diferente para a Glória de Deus!

Evangelizar está fora de Moda!?

Em muitos círculos evangelizar está fora de moda. Houve um tempo em que era aceitável e considerado positivo e necessário, mas gora não. Muitos hoje aceitam a visão que foi trazida do mundo pluralista de que cada um tem direito a sua própria crença. Essa verdade (a liberdade de escolha) é dom de Deus. O problema está em algumas de suas ilações. Baseados nessa posição, muitos crentes alegam que evangelizar é antiquado, é uma imposição de minhas crenças e na realidade atual, tolerante e diversa, ninguém tem direito de se impor aos outros. Seria assim mesmo? Evangelizar ou testemunhar de Jesus é imposição de religião? É verdade que não temos mais direito a isso? Que passou de moda? Meditemos brevemente.

Primeiramente seria bom lembrar que ao testemunhar de Jesus não estou falando só de minhas crenças. Trata-se de factos investigados e comprovados histórica e cientificamente. A vida e obra de Jesus, sua morte e ressurreição, são factos garantidos. A diferença que Jesus faz nas vidas é algo verificável em todo o mundo e ao longo de 2 mil anos. Não se trata de crendice ou superstição. São factos comprovados.

Imagine que descobriu a cura do cancro, que tropeçou numa forma de energia barata, não poluente e universal, que ficou conhecendo a forma de se viver saudável até os 120 anos. Teria direito de guardá-la só para si? Seria considerado imposição dizer a um doente terminal que sabe a forma de curá-lo? Seria esmagar os direitos pessoais compartilhar uma fonte de energia renovável sem custos? Certamente não! Seria tolice não fazê-lo. Seria mesmo um crime! Nós, que conhecemos a verdade de quem Jesus é e do que ELE faz nas vidas, temos mais do que o direito, temos o dever de o compartilhar.

Em segundo lugar, o testemunho sobre Jesus não é uma imposição das minhas crenças. Não se trata de algo pessoal, individual, inventado por mim. Trata-se da experiência de muitos milhões ao longo de toda história da humanidade mesmo antes de Jesus. Não é algo que só eu sei, não é a minha verdade. É a verdade vivenciada por tantos milhões que se tornou universal. Experimentada em todos os quadrantes, por todas as culturas, classes sociais, níveis de formação intelectual, épocas e lugares.

As verdades do evangelho não são minha crença, mas algo que nos foi dado do céu. Sua revelação foi sobrenatural, envolveu milhares de profecias cumpridas ao longe de séculos que nos garantem sua origem transcendental. Não foi invenção de homens pois os livros da Bíblia levaram séculos a serem escritos, por escritores de culturas e em lugares totalmente diversos e que no entanto escreveram sem contradição e com uma coerência tal que só o céptico fechado deixa de reconhecer. Testemunhar dessa verdade é passar adiante uma verdade celeste vivida em todo globo.

Por fim, testemunhar não é uma imposição de minhas crenças. Pode ser que alguns deem seu testemunho de modo que seja impositivo, mas esse não é o espírito do evangelho. Jesus deixou claro que sua mensagem era um convite, um apelo. Ele dizia "se alguém quiser vir após mim". Ele dizia: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa". Não há nada de imposição nisso. Há convite singelo e total liberdade de escolha.

Quem arromba portas e salta muros impondo sua vontade é o inimigo de nossas almas não o Senhor Jesus. Como seus seguidores nós não impomos nada a ninguém. Nosso apelo não é uma lista de leis, regras e proibições. Para a liberdade verdadeira fomos chamados por aquele que disse "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Nós não impomos, compartilhamos, testemunhamos do que vimos, ouvimos e experimentamos, damos a conhecer a graça que nos alcançou, convidamos para o banquete de Deus.

Evangelizar não passou de Moda. Devemos e podemos mudar o estilo e forma de o fazer para que se torne mais eficaz aos nossos dias. O crente fiel deve ser sensível á realidade que o cerca mas nunca deixar de dar testemunho daquilo que é o mais importante em sua vida, a salvação de Jesus.

Confortavelmente Inúteis

Uma das maiores conquistas do homem moderno é o conforto. Passou a ser um princípio motivador e orientador de toda uma indústria, movimentando bilhões de dólares por ano. Queremos maior conforto em casa, no quarto, nos carros, nos transportes, nos serviços, no acesso a informação, no trabalho e por conseguinte nos relacionamentos e tudo mais. O homem moderno move montanhas para obter um pouco mais de conforto e gasta milhões em medicação que alivie qualquer pequeno desconforto.

O triste é pensarmos um pouco nisso e chegarmos a conclusão que o conforto, não sendo um mal em si, nos leva a inutilidade. A busca aguerrida pelo conforto e a teimosia em não deixa-lo uma vez encontrado, deixa o homem simplesmente inoperante, incapaz e porque não dizer, na maioria das vezes imbecil. Não se irrite e pense um pouco comigo.

O conforto é egoísta, auto-centrado. É ajustável exatamente a minhas necessidades e desejos particulares. Meu nível de conforto é só meu, logo, a sua busca se concentra unicamente em mim e no que eu quero. Por exemplo, a posição de uma poltrona que é confortável para mim pode não ser para outra pessoa. Quero serviço personalizado. A busca do conforto aliena ainda mais o homem do próximo e torna toda a vida um grande jogo de ver quem consegue encontrar mais coisas ajustáveis a seus desejos.

Quando lembramos que é essa visão egoísta que tem levado ao número absurdo de divórcios, ao crescimento dos abusos e violência, ao maltratar de crianças pelos próprios pais, a um isolamento do homem de tudo que é decente e bom, vemos o quanto o conforto pode ser prejudicial. Ao nos levar a ficar mais auto centrados a busca do conforto nos leva a ficar mais distantes dos outros e de Deus.

O conforto é essencialmente consumidor. Toda a indústria de marketing trabalha com base nesse conceito e sua provisão. Somos levados a trocar de carro, telefone, TV, máquina de café, fogão, etc. Com base apenas no facto de que o novo modelo é mais confortável de usar e traz umas novas aplicações muito especiais. E nós corremos a substituir nosso "velho" aparelho como se já soubéssemos usar todas as aplicações que ele oferecia, o que na verdade não sabemos porque nunca tiramos tempo para ler o manual. O homem que tem o conforto como bem supremo aceita essa mensagem, compra, endivida-se, engana-se. Se olharmos bem para as coisas que trocamos e que ainda tinham muitos anos de uso, validade e benefício ficaríamos assustados, mas o conforto é assim, consome o tempo todo.

O conforto é entorpecente. Quem se rende a ele para no tempo em termos de desenvolvimento pessoal, deixa de aprender, deixa de crescer, deixa de se desenvolver. A ironia é grande porque os próprios indivíduos que nos fornecem novos brinquedos para aumentar nosso conforto não se renderam a ele e a prova disso é que trabalham até produzir e nos convencer a comprar um novo produto.

Na verdade, admiramos e fazemos filmes sobre pessoas que não ficaram dependentes do conforto, que enfrentaram lugares e situações de carência e grande stresse. Se quisermos estudar a ponto de nos tornarmos alguém de valor em nossas áreas, teremos que ir além do conforto. Se quisermos nos tornar atletas de valor em qualquer esporte teremos que ir além do conforto. Se quisermos nos tornar melhores pessoas em nossos relacionamentos em geral teremos que ir além do conforto. Se quisermos nos tornar verdadeiros discípulos de Jesus teremos que ir além do conforto. Foi ELE que disse que seria preciso "tomar a cruz a cada dia e segui-lo..." Parece-lhe confortável? Não! Mas é a única vida que merece ser vivida. Jesus avisou "quem quiser salvar a sua vida (viver muito confortavelmente) perdê-la-á..."

Pensemos nisso. O conforto em si não é mau. Uma cadeira confortável, ou um trajecto seguro na estrada são coisas boas em si. A busca do conforto como bem supremo não. Não deixemos que o conforto nos vença. Não permitamos chegar ao ponto de ficarmos confortavelmente inúteis.

NÃO COMO O MUNDO!

“Deixo-vos a paz, minha paz vos dou;
não vo-la dou como o mundo a dá."  João 14:27

Paz é uma comodidade rara em nossos tempos. Vivemos dias de pressão, depressão e comoção. A humanidade vive insone, irritada, insatisfeita e ansiosa.

 Precisamos urgentemente de paz. Paz nacional, paz social, paz emocional e interior. Paz nos lares, nas escolas, nos trabalhos, nos parlamentos, nos governos, nas fronteiras. Mas a paz parece nos escapar por entre guerras estúpidas, disputas religiosas inúteis, brigas familiares sem sentido e conflitos internos indecifráveis. Como necessitamos da promessa de Jesus. Sua paz, a que Ele prometeu é única. E Ele prometeu que a daria de um modo diferente do conhecido. Notemos o que isso significa.

Não como o mundo, não pela aparência
O mundo avalia praticamente só pela aparência. Se parece então deve ser. Importante é parecer. Parece em paz, mas estará? Não interessa. Só queremos ver a cara. O mundo dá de acordo com o visual. Se o que se vê agrada, se esta de acordo com a moda, então o mundo dá. Senão é melhor ir bater a outra porta. Se o visual destoa, se aos olhos não parece bem, o mundo só tem desdém e escárnio.

Jesus dá sem olhar a aparência, sem se preocupar com o visual, sem avaliar a moda, a forma ou o que os olhos podem ver. Ele olha dentro e dá de acordo com o que está dentro. Ele vê além das ações, as intenções. Olha para lá da fachada e nota a autenticidade. Que alivio para a maioria de nós saber que para Jesus o que conta não é o exterior.

Não como o mundo, não pelos contatos
"Você conhece alguém?" Esta foi a pergunta que me fizeram quando meu processo pareceu encravar. Se queria que as coisas andassem não bastava andar na lei, não bastava ter a razão, não era suficiente ter a justiça do meu lado. O mundo estava pronto a dar, mas era preciso conhecer alguém, ter algum contato, receber uma indicação. E eu saí de mãos vazias.

Mas Jesus não dá assim. Ele não pede credenciais, não verifica currículos, não recebe telefonemas de pessoas "importantes". Ele recusou o príncipe Nicodemos e perdoou a mulher adultera, rejeitou o moço rico e deixou lavar os pés por uma mulher de fama duvidosa, repreendeu os poderosos e abençoou as crianças, tocou o leproso, curou o cego, libertou o possesso. Para ele não havia intermediários. O chamado era direto, "vinde a mim" e ele dá sem olhar a contatos ou conhecimentos.

Não como o mundo, não passageiramente
O mundo é perito em vender prazer, alugar felicidade e emprestar alegria... Tudo por uma módica quantia e com prazo de validade determinado. Tome esta droga e será feliz... Temporariamente; compre este produto e será realizado... Passageiramente; vá nessa viagem e encontrará aventura... Fortuitamente; viva neste bairro e compre este carro, faça este curso e tudo lhe será maravilhoso... Enquanto durar.

Como é diferente a paz de Jesus! Ele prometeu uma vida de qualidade diferente, em quantidade diferente e por um tempo infinito. Sua paz não tem fim! Não vem com prazo de validade, não se desgasta com o tempo e dura literalmente uma eternidade! O investimento NELE é garantido e é para sempre. Começa aqui, continua ali e durará sem fim após esta vida mudar e passarmos a outra dimensão. Essa sim é paz desejável.

Não como o mundo, não superficialmente
A paz do mundo e tudo o mais que oferece fica-se pela epiderme. Dura pouco exatamente porque não tem raiz. Normalmente afeta apenas os sentidos, e quando parece muito boa chega somente aos sentimentos e todos nós sabemos como esses mudam, como se alteram, como são pouco dignos de confiança. A paz do mundo é como o ansiolítico e antidepressivo. Coloca a pessoa a dormir, mas não cura seus problemas, não resolve seus dilemas, não responde suas questões. Se o próprio mundo não conhece as soluções e não sabe o caminho como pode dar algo mais? Não se pode tirar de onde não existe.

Jesus veio para que entendêssemos a vida que se podia viver. O mundo diz: "acho que esta ali". Jesus diz: "Eu sou a vida". Ele não tentou adivinhar, sabia. Não filosofou sobre o assunto, viveu. Não levantou hipóteses a testar, provou-as no mais pleno das possibilidades. O mundo diz como o adesivo de automóvel: "Não me siga estou perdido!". Jesus diz: "Eu sou o caminho, a verdade... a porta... quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida... de seu interior fluirão rios de água viva". Que diferença. Certamente não é como o mundo.

Nestes tempos difíceis que vivemos deixemos as tentativas patéticas do mundo e nos entreguemos às certezas do Mestre. Ele é VIDA. Sua paz é perfeita, profunda, eterna. Quando tantos se arvoram em orientadores nos dizendo o que devemos fazer, Ele nos mostra o que podemos ser. É sua paz que nos deixou. É sua paz que precisamos.
Não como a do mundo...
Mas a verdadeira.

A VIRTUDE ESQUECIDA!

Gabrielle Andersen
Nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, a suíça Gabrielle Andersen, desidratada, desorientada e com uma cãibra na perna esquerda, caminhou os últimos 200 metros da maratona levando 10 minutos para completá-los.

 Ao cruzar a linha de chegada, Gabrielle caiu desacordada nos braços dos médicos. Após a prova, a atleta disse que queria terminar o percurso, pois aquela talvez fosse sua única oportunidade de participar dos jogos devido a sua idade.

 Ela chegou apenas na 37ª posição entre 44 corredoras, e fez o tempo de 2h48min42s, mas foi mais aplaudida que a medalhista de ouro, a norte-americana Joan Benoit. O fato é considerado um dos maiores exemplos de perseverança, garra e espírito olímpico. Porém  poucos têm a virtude de continuar e esperar pelos resultados.

Hoje queremos tudo "fast" desde nossa comida, nossos computadores, nossos telefones e, é claro, no nosso tratamento médico queremos que o remédio faça efeito imediato. É verdade que admiramos quem consegue fazer coisas que exigem tempo e admiramos a garra de uma corredora que quer chegar ao fim da corrida, mesmo que não seja a primeira. Mas a verdade permanece, a virtude hoje esquecida é certamente a Perseverança.

Apesar da pressa que caracteriza a vida moderna continua presente a necessidade da perseverança. Há tanta coisa neste mundo que não se pode fazer sem perseverar que já era para o homem ter aprendido a lição. As colheitas não se fazem de um dia para outro, os relacionamentos não se firmam de uma semana para outra, hábitos só se formam com o tempo e muda-los exige também paciência e continuidade. Vejamos algumas das áreas em que palavra nos manda perseverar:

1) Na Salvação (Mateus 24:13 e Marcos 13:13)
A Palavra é clara, há que perseverar para se alcançar a salvação. Isso não retira em nada o mérito de Jesus mas descarta a graça facilitada e a salvação sem mudança de vida que hoje se verifica. Aquele que perseverar até o fim será salvo, é uma advertência bem clara e fácil de entender. A nova vida em Cristo exige luta, continuidade, persistência.

2) Na Oração (Lucas 18:1)
Orações tipo fast-prayer não existem. Há ocasiões raras em que o Senhor responde de imediato, mas há muito mais situações em que somos chamados a lutar e perseverar em oração. Jesus disse que era nosso dever. Se vale a pena incomodar o Senhor com isso então vale a pena insistir, continuar, levar anos com essa questão até vê-la atendida. Precisamos de intercessores que não desistam ao fim da primeira semana. Já ouvi testemunhos de irmãos que oraram décadas por uma conversão. É desse tipo de crente que a Igreja tem falta hoje.

3) Na Obra de Deus (I Coríntios 15:58)
Texto conhecido e muito usado que nos lembra que é preciso ser perseverantes na obra. As coisas de Deus não se fazem da noite para o dia. Qualquer obreiro experiente sabe isso. Por isso Jesus disse que o que pega o arado e olha para trás não é digno dEle. Estamos hoje com uma vaga de missionários que não quer ficar mais de uns meses ou no máximo 2 anos no campo. Pastores que trocam de igreja a cada 2 ou 3 anos. Deixamos de ter a perseverança necessária para ver a obra se desenvolver como é preciso.

4) Para Reinar (II Timóteo 2:12)
Certamente queremos reinar com Cristo. Os evangelhos fáceis de hoje o prometem com muita rapidez. Mas o texto bíblico é claro. Para chegar a reinar é preciso perseverar. Sem firmeza seremos encontrados em falta e ficaremos de fora.

5) Na Fé (Tiago 1:5 a 8)
A fé precisa ser perseverante. Tiago alude aos crentes onda do mar que vivem num ciclo de maré alta, maré baixa. Crer e duvidar constante. É evidente que há um questionar próprio da vida mas para o crente a fé é essencial. Crer sem duvidar, crer de modo perseverante. Somos chamados a deixar a instabilidade.

6) Para Cumprir a Vontade de Deus (Hebreus 10:36)
Se desejamos ver a vontade do Senhor manifesta em nossas vidas então precisamos aprender a perseverança, a continuidade, a constância. Sem ela dificilmente veremos as coisas do Senhor acontecendo em nossas vidas.

Conclusão:
Muitos outros textos poderiam ser citados. Fica a mensagem clara. Perseverança é uma virtude essencial a vida cristã. Entendemos que é preciso perseverar numa dieta para se perder peso, num tratamento para ficar com saúde, num instrumento para se tocar bem, numa relação para se ter confiança... porque seria diferente na vida cristã? Certamente não. Trata-se de uma virtude esquecida em nosso mundo de coisas rápidas. Não deixemos porém de lembrá-la. Dela dependemos.

GPS - não erre o caminho!

GPS – Global Positioning system, ou sistema de posicionamento global. Algo que até uns poucos anos parecia ficção científica própria de James Bond, hoje se tornou quase obrigatório. Já usou um? Tem um no seu carro? Uma voz feminina que lhe indica o caminho, vai dizendo quantos quilómetros faltam, quanto tempo falta, avisando antecipadamente que curva vai fazer. É o máximo! Você não faz ideia onde é o lugar mas chega sem erros...

Ou talvez sua experiência não seja tão clara assim. O GPS o mandou para um lugar totalmente diferente, mas com o mesmo nome. Ou então levou-o por uma estrada secundária, cheia de buracos e passagens estranhas, quando havia uma estrada mais fácil, apesar de um pouco mais demorada. Ou ainda pode ser que o GPS simplesmente não tenha informação sobre o lugar ou a estrada porque ainda não foi colocado no sistema. Enfim, o maravilhoso GPS não é tão infalível assim!

E é claro que você pode ser daqueles que resolveu experimentar o tal do GPS num caminho que já conhecia, só para experimentar, e de repente, se viu discutindo com a voz no aparelho que aquela não é uma boa escolha de estrada, esquecendo que está brigando com uma gravação e não com a esposa.

Na verdade, todos precisamos de direção. A vida é feita de muitas viagens, curtas e longas, muitas curvas mais ou menos apertadas e todos temos dúvidas, questionamentos e perguntas. Ora, um GPS serve exatamente para esses momentos, só que o GPS mais usado hoje em dia e mais divulgado é outro. Trata-se de um GPS, mas com iniciais que significam: GUIE-SE POR SI. Ou seja, guie-se por si mesmo!

Filmes, seriados de TV, best-sellers internacionais, mestres em psicologia, apresentadores de talk show e manuais de auto ajuda repetem um verdadeiro mantra da cultura ocidental moderna: Siga seu coração, olhe para dentro de si mesmo, faça seu próprio destino! Essa mensagem começa nos filmes da Disney e vai se repetindo por toda a mídia, em todos os níveis.

O que essa mensagem indica é que você deve tomar suas decisões basicamente seguindo seus instintos e sentimentos. Nem sequer há grande apelo ao raciocínio. A mensagem do mundo é que se olhar para dentro de si vai saber a resposta. Algo meio “elementar” vai lhe dizer o caminho. Uma espécie de GPS cósmico vai dirigir você. Siga seus instintos primitivos, faça o que seus sentimentos pedirem, dê asas a sua imaginação e lembre-se de que é dono de seu nariz e de seu destino...mensagens perigosas e nocivas!

Essa mensagem não somente não é bíblica como tem levado milhões a becos sem saída. Como um GPS desactualizado, leva multidões a atos de loucura, gestos de insanidade, palavras de maldição. Com base nos instintos e sentimentos crianças se matam, adolescentes desgraçam suas vidas, jovens cometem barbaridades e adultos inventam aberrações. Semanalmente vemos nas noticias ou ouvimos de amigos e conhecidos acerca de decisões que estragaram vidas, famílias, carreiras e relacionamentos. Tudo porque as pessoas tem se deixado levar pelo maldito GPS, "Guie-se por sí"

A Palavra de Deus nos afirma que o Senhor deve estar em primeiro lugar em nossas vidas e nos mostra um verdadeiro GPS celestial: o GUIE-SE PELO SENHOR!. Leia suas coordenadas e veja como são simples:

1) SEGUINDO A PALAVRA
 “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para o meu caminho
Salmo 119:105

Temos na Bíblia direção segura naquela que é a revelação da vida, vinda do Criador para a criatura.
A palavra de Deus edifica, anima, consola, corrige, mostra, dirige.
Toda Escritura Divinamente inspirada é proveitosa
 para ensinar, para redarguir, para corrigir,
para instruir em justiça;
 para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
 instruído para toda a boa obra” II Timóteo 3:16 e 17.
 Num mundo de instintos selvagens a Palavra nos mostra um caminho melhor e ninguém que a siga ficará confundido ou sem saída.

2) OUVINDO CONSELHOS
 “Não havendo sábia direção o povo cai;
 mas na multidão de conselheiros há segurança
Provérbios 11:14
Melhor do que qualquer GPS é a orientação segura de um amigo. O GPS pode errar, mas um amigo que conhece a estrada me guia com segurança, me leva num ritmo que posso seguir, me avisa dos buracos, me mantém alerta aos problemas. Porque deveria confiar em instintos animais quando posso conversar com quem já percorreu este caminho? Porque depender de sentimentos se há sabedoria nos que já viveram esse dilema? Aquele que procura conselho com os sábios certamente encontrará mais segurança do que o afoito por mais corajoso que seja.
3) VIVENDO A COMUNHÃO
Consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor
e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como Igreja,
segundo o costume de alguns, mas procuremos
 encorajar-nos uns aos outros...” Hebreus 10:24 e 25

O Senhor deixou-nos a Igreja exatamente porque sabia que a caminhada é difícil, as distâncias são longas, as curvas são confusas e a perseverança é fundamental.
Melhor é serem dois do que um, porque tem melhor paga do seu trabalho.
Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro:
mas ai do que estiver só; pois caindo,
não haverá outro que o levante” Eclesiastes 4:9 e 10.

O individualismo moderno é incentivado pelo inimigo de nossas almas exatamente porque ele sabe que é muito mais fácil derrubar aquele que segue sozinho. Se esse que vai sozinho decidir viver pelos instintos e sentimentos, então será presa das mais fáceis. Mas aquele que vive a comunhão da igreja de Cristo descobre a realidade da nova humanidade em Cristo. Uma relação criada por Deus, alimentada pelo Espírito Santo onde há encorajamento, consolo e direção. Aquele que vive a comunhão na igreja certamente terá muito maior segurança na caminhada do que aquele que segue por seu próprio instinto.

A Escolha, como sempre, acaba por ser nossa. Algum tipo de GPS usará. Pode ser o Guie-se por si do mundo ou o Guie-se pelo Senhor da Palavra. Escolha a segurança dos braços do Pai e não discuta. Seja abençoado no caminho e abençoe!
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