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Dia da Bíblia - Regra de Fé e Prática



Todo nós precisamos de alguma orientação na vida em relação as questões básicas sobre: o que crer e o que fazer. O que cremos define o conjunto de verdades que aceitamos como nosso guia para a vida, o conjunto de conceitos, princípios e valores que nos servem de orientação. Esse conjunto forma uma maneira de pensar e estabelece um padrão para nossas decisões e acções. O que fazer em cada momento da vida vai depender em boa parte do que cremos mas faz parte também do nosso padrão mental.

Vivemos uma batalha por nossas mentes, pelo que cremos e fazemos. A TV, a rádio, os jornais e revistas, a media em geral, a internet, todos se juntam para nos dizer o que fazer e o que crer. Programas de TV tentam ditar as regras para nossas vidas nos dizendo o que é verdade (logo o que devemos crer) e como devemos viver (logo o que devemos fazer). 

Há lições tão elaboradas como as que procuram nos indicar uma filosofia de vida até as mais simples que procuram nos mostrar o que comer, como nos exercitar, o que ler e como pensar. Há desde reportagens de fundo e editoriais de jornais, entrevistas a doutores e autoridades famosas até as dicas de psicologia barata ou o horóscopo do dia. Parece que todos querem nos dar direcção e a competição é grande. Mas onde está a verdade? Onde temos a certeza? Onde basear nossa fé e nossa ética?

Devemos perceber que essa luta não é recente. Ela começou há muito tempo num belo jardim quando Deus deu ao homem a sua Palavra para que fosse sua direcção e garantisse a vida plena que o Criador desejava para a criatura. A Palavra de Deus então, era dada directamente ao homem a cada dia, em perfeita comunhão. Surgiu porém outro ser, maligno e manhoso, que sugeriu outras verdades, outra forma de vida, uma alternativa aliciante e aparentemente mais animada e divertida. E o homem, o pai da humanidade, aceitou as propostas e assim se separou de Deus para desgraça sua, da humanidade e da criação. O pecado do homem foi de desobediência da ordem de Deus, mas teve a ver com o rejeitar da palavra de Deus como base última para a vida humana.

Mas o Senhor não deixou o homem sem direcção. Sua palavra não foi perdida de modo irremediável. Ele a fez chegar ao homem por meio de escritores que a compilaram e por fim por meio da encarnação da palavra em Jesus que foi a Palavra entre nós, a palavra viva e trazendo vida, a palavra em forma de gente vivendo e mostrando como viver, morrendo mas ressuscitando para nos garantir a volta a vida com Deus. A conclusão daquele que conhece o Senhor e a sua Palavra é a do salmista:

 " A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos.
O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos." Salmos 19:7-11

 Logo, temos a palavra de Deus em confronto com o mundo e temos que fazer a escolha: qual delas seguiremos? Não podemos seguir a ambas. Ou seguimos a palavra de Deus como base para a vida, como nossa verdade, ou seguimos as mensagens sempre em mudança que o mundo oferece.

E onde temos a palavra de Deus? Esta questão pode parecer sem sentido para crentes numa igreja evangélica, mas há pelo menos três grupos significativos que não aceitarão essa noção facilmente. Um segmento faz parte mesmo do que se designa por cristandade, os outros serão avessos a Cristo. Por um lado, temos os católicos, que vêem como Palavra de Deus a Bíblia, mas também a tradição e as palavras infalíveis dos Papas. Por outro lado, todas as religiões que alegam ter outra revelação que julgam ser palavra de Deus como o Corão muçulmano, por exemplo. E ainda outro grupo de ateus e agnósticos que negarão valor a Bíblia que classificarão como apenas um livro antigo repleto de mitos e lendas e histórias inaceitáveis para a mente moderna, cheio de falhas e que não é digno de confiança. O que responderemos?

Comecemos pelos ateus e outras religiões. Apesar de dizerem coisas diferentes podem receber uma mesma resposta que servirá para combater as suas alegações em conjunto.
A Bíblia suporta os mais rigorosos testes que lhe façam. Mostra assim sua veracidade (em relação aos cépticos) e sua superioridade (em relação a outras religiões). Nenhum livro foi tão atacado como a Bíblia. Nenhum livro foi tão combatido e acusado, desprezado e desrespeitado, agredido e vasculhado e, no entanto, permaneceu o mais valioso de todos. Durante séculos tentaram acabar com a Bíblia queimando-a em praça pública, fazendo com que fosse crime tê-la ou lê-la e ainda hoje é proibida em dezenas de países. Mas a Bíblia resistiu!

A Palavra de Deus é um conjunto de 66 livros únicos. E Apesar de muitos “doutores” a combaterem vai se revelando cada vez mais correta. Quanto mais o tempo passa e mais estudos e achados são feitos, mais a Bíblia se mostra a verdade total. Muito do que foi dito para a combater e ridicularizar foi aceito por falta de provas contrárias mas que com o tempo acabaram por ser encontradas. A arqueologia, o estudo de textos antigos, a história, tudo tem contribuído para nos mostrar um material único. 

Alguns tentam em desespero negar o seu valor, criticar suas traduções, culpar seus copistas, inventar contradições ou apresentar textos concorrentes (evangelhos apócrifos por exemplo). Tentativas vãs. Nenhum texto antigo tem tantas cópias e tão próximas do original como os livros da Bíblia tanto do AT como do NT e as provas só escapam aos desinteressados e mal-intencionados. Os cépticos continuarão a desconfiar e injuriar, mas para sua própria condenação, porque se apresentando como mentes científicas, na verdade não querem admitir as evidências que lhes são contrárias, o que é uma forma muito pouco científica de pensar.

Um conjunto de 40 homens, vivendo em terras tão distantes, pertencendo a classes sociais distintas e extremas (pescadores e agricultores, Reis e mestres), escrevendo em línguas diferentes, vivendo com até mil anos de distância entre si, produz uma obra completa, coerente, com uma linha única, com começo e fim, com alvos e finalidades claros. 

Como seria isso possível? Só se houvesse um autor comum e é isso que acontece com a Bíblia. O autor é Deus e isso se evidencia pelas páginas de toda a Escritura. Essa é sua superioridade clara sobre toda outra obra religiosa que não tem qualquer semelhança ou proximidade. Nenhum outro livro religioso se aproxima da clareza e da maravilha da Bíblia em seu conjunto. Uma avaliação séria e imparcial sempre o mostrará.

Em relação à Igreja Romana, somos devedores à Reforma protestante que nos trouxe o princípio de Sola Scriptura (Só a Escritura). Foi uma das pedras de toque de Lutero. Rejeitando as tradições humanas, os escritos valiosos, mas de claro carácter falível e as afirmações papais sujeitas à politica e lutas regionais, e certamente sujeitas a falhas, Lutero se cingiu a escritura e determinou que a Igreja usasse apenas a Bíblia para seu padrão.

Como herdeiros da reforma defendemos e a Bíblia é nossa única regra de fé e prática.
Isso significa que A Palavra de Deus, a Bíblia é nossa única bússola na vida. Nela encontramos os artigos que regem nossa fé e as grandes respostas para a vida como:
·         Quem Somos?
·         De onde viemos?
·         O que fazemos neste mundo?
·         O que levou o mundo a se deteriorar tanto?
·         Como solucionar essa questão?
·         Quem é Deus?
·         Como podemos conhece-lo?
·         Como podemos andar com Deus?
·         Como devemos viver nossa vida?
·         Como podemos nos relacionar com os outros?

E a Palavra continua a mostrar como deve ser a vida de trabalho, de negócios, de vizinhança, de casamento, de família e tudo Mais ela é um manancial inesgotável de sabedoria para a Vida dado pelo próprio Criador para nossa orientação e guia e para nos levar a uma Vida mais próxima daquela para a qual fomos criados. Tendo isso em mente e tendo a Bíblia em nossas mãos e em nossa língua de forma livre e quase gratuita devemos:
·         Ler a Palavra (devocional diário)
·         Ouvir a Palavra (CD’s de áudio, mensagens gravadas, cultos)
·         Meditar na Palavra (a partir do que lemos e ouvimos)
·         Estudar a Palavra (para melhor a conhecer)
·         Decorar a Palavra (para tê-la disponível na mente para as ocasiões diversas)
·         Usar a Palavra (Na prática e na conversação)


Um testemunho que me tocou foi o de um colega missionário presbiteriano Ronaldo Lidório, que trabalhou no Gana.  Ele traduziu a Bíblia para um dos dialectos do povo Konkomba. Antes porém, do trabalho pronto, havia apenas alguns textos traduzidos e os líderes das igrejas nas aldeias vinham periodicamente para a aldeia onde vivia o missionário. Ali recebiam ensino para levar às aldeias e assim aprendiam 13 versos de cor para levar a seu povo. 

Certa feita, uma senhora idosa estava entre os discipulados. Ela viera de uma aldeia que ficava há vários dias de viagem a pé. Após o treinamento ela seguiu em direcção à sua casa. Na segunda manhã, depois de acordar percebeu que esquecera um dos versículos. Sem hesitar, ela voltou dois dias a pé para a aldeia do obreiro. Ali a receberam com surpresa: “O que aconteceu irmã?” Sua resposta tranquila, apesar de cansada foi: “A palavra de Deus é preciosa demais para ficar perdida no caminho”. Sola Scriptura!


PORQUE A BIBLIA TERMINA?


 
Eis uma questão interessante e que no entanto nunca me tinha ocorrido. Se a Bíblia é a revelação de Deus, se Ele é um Deus que fala e se comunica, e se a Bíblia é nossa principal forma de receber revelação (uma vez que a presença encarnada de Deus entre os homens foi para um período curto de tempo em Jesus) então porque a Bíblia terminou? Porque não temos hoje profetas e apóstolos escrevendo as suas revelações com a mesma autoridade de então?

Esta pergunta longe de ser irrelevante está na verdade na raiz de uma das questões mais significativas para todo Cristão – a autoridade das escrituras. Nós defendemos nossa fé unicamente com base na Palavra Sagrada. A Escritura é para nós revelação direta e especial de Deus para o Homem e nossa principal fonte de entendimento de um Deus de outro modo transcendente. Mas vivemos num mundo que questiona cada vez mais essa nossa afirmação. Vivemos num mundo que vê a Bíblia apenas como mais um livro velho, válido pelo valor histórico e cultural, mas irrelevante para nossas vidas práticas e não ser que sejamos fanáticos religiosos obcecados pela igreja. E em que ficamos?

Nós cremos nas afirmações e defesas internas da Bíblia como as de Paulo e Pedro e as marcantes afirmações do Senhor Jesus:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” 2 Timóteo 3:16-17

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” 2 Pedro 1:21

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar.” Mateus 24:35

Como podemos então entender que essa revelação tenha terminado? Eis a questão que desejava meditar brevemente com os irmãos.

Iniciamos com o próprio conceito de revelação de Deus. Ele era NECESSÁRIA, ou seja, não tínhamos capacidade, como humanos limitados que somos, de perceber a verdade de Deus se Ele mesmo não se revelasse. Na Bíblia encontramos essa revelação a nós que nos permite conhecer a Deus, sua pessoa, sua forma de agir e seus planos.

Mas essa revelação era SALVADORA ou seja, era feita de modo a trazer o homem de volta a comunhão que tinha sido perdida no jardim quando do pecado. Toda a revelação de Deus na Palavra visa só isso – o retorno do Homem ao plano original de Deus de viver em comunhão plena e estável com Ele.

Essa revelação foi então dada de forma PESSOAL. Foi revelação de um ser pessoal e outro ser pessoal, o homem. O Senhor o fez por meio de homens que escreveram por Ele inspirados, o que Ele desejava que ficasse escrito, de modo a estabelecer essa relação. Enfatizamos isso porque a revelação não foi para nos trazer ritual, ou cerimónia ou religião no sentido litúrgico, mas relação no sentido pessoal. A revelação visava e visa a salvação e o resgate dessa comunhão.

A revelação de Deus foi então PROGRESSIVA. O Senhor não mostrou tudo de uma vez, mas como bom professor foi nos revelando passo a passo, dando ao homem a capacidade de assimilar essas verdades. No AT temos muitas coisas, que vivendo hoje, não são fáceis de entender. Mas tratava-se de uma fase inicial da revelação. Como uma espécie de primária. O homem estava na escola primária e não podia lidar com matéria de liceu ou de faculdade. Mas a medida que o tempo passa, de modo progressivo e sistemático, o Senhor vai levantando mais e mais o véu até Jesus, auge da revelação.

Ora, sendo salvífica e progressiva, podemos então perceber que a revelação fosse passível de ser COMPLETADA. No que diz respeito ao que precisávamos saber para a nossa salvação e a nossa volta a comunhão com Deus a Bíblia termina porque acaba a revelação nesse sentido. Tudo o que precisávamos saber para sermos salvos e voltar a comunhão com Deus foi dito. Tudo que era preciso saber para viver bem com o próximo, ser cheio do Espírito de Deus, cumprir nosso propósito nesta vida e estar preparados para a próxima, foi dito e terminado. Por isso a Bíblia terminou.

É bem provável que os escritores do texto sagrado não pudessem perceber o que estava acontecendo. Olhamos para os escritos de Moisés, Davi, os profetas e mesmo os evangelistas ou o Apostolo Paulo e os vemos como uma bordadeira debruçada sobre seu bordado, cuidando para que aquela parte do trabalho fique perfeita. Mas pare um pouco e recue permitindo uma visão completa do bordado e verá o que na verdade representa cada parte do trabalho.

Nós vivemos em uma época privilegiada. Podemos olhar o “bordado” terminado. Na Revelação que temos em mãos há um trajeto completo, uma história terminada que começa num jardim e caba numa cidade celestial, que começa com o homem criado perdendo a comunhão e termina com ele vivendo em total harmonia com o Criador. Temos a aliança inicial e a aliança final, o Israel de Deus e a Igreja de Cristo. Temos tudo e ficamos maravilhados com o que o Senhor nos dá. Sabemos como tudo começou porque começou e o que foi que deu errado. Somos orientados no caminho da solução do problema maior do pecado e temos um vislumbre claro e definido de como tudo irá acabar. Revelação necessária, salvífica, pessoal, progressiva e terminada.

Mas, não podemos terminar aqui, apesar de tudo o que vimos ser maravilhoso e nos chamar de novo à maravilha do livro que temos em nossas mãos. De facto temos a revelação de Deus a nós de modo definitivo e completa e isso deveria nos fazer amar, proteger, reverenciar essa revelação de amor e poder mais que qualquer outro bem que tenhamos. Mas mesmo assim não podemos terminar porque se há verdade na afirmação de que essa revelação salvífica está completa também é verdade que a história ainda não terminou e somos a sua continuidade.

Podemos usar a metáfora de uma peça de teatro em 5 actos. O primeiro: a criação de Deus, o segundo: a queda em pecado, o terceiro: o povo de Israel, o quarto: a pessoa, obra e salvação de Jesus e o quinto: a Igreja.

Este ato final não terminou. Somos a Igreja. A continuidade da história e da atuação de Deus no Mundo.

O livro de Atos continua, somos o seu capítulo 29, a igreja viva e gloriosa. O povo escolhido, nação santa e ativa na terra para que a vontade do Senhor seja cumprida em nós e através de nós.

Não tenho Vontade de Ler a Bíblia?

Ciganos brasileiros vão ler a Bíblia em sua própria língua

A mãe estava irritada com as notas baixas do filho. O garoto passava a maior parte do tempo vendo televisão ou jogando no computador. A mãe tentara várias estratégias para o motivar mas, aparentemente, nada resultava. Tentara oferecer prémios, tentara ameaçar com represálias. O menino reagia impávido e sereno e quando a mãe perguntava: Filho não vai estudar? A resposta era invariavelmente a mesma: estou esperando que me dê vontade…

Há coisas que fazemos com vontade como comer um gelado, passear na praia, ir a uma exposição de arte de um pintor que admiramos ou a um concerto de uma banda favorita. Há coisas que fazemos por necessidade, como tomar os remédios diários, ir ao trabalho ou fazer exercício. Se esperarmos que nos dê vontade de tomar a medicação, provavelmente, nunca o faremos. Mas, há momentos na vida em que descobrimos que é necessário e precisamos dela, sabemos que sem ela a nossa tensão dispara ou as dores voltam com força.
 Na vida espiritual esta regra também se aplica. Há quem nunca ore porque simplesmente não sente vontade de orar. Vai orar só na hora da urgência, da crise, da fatalidade apenas para descobrir que não sabe orar e que não tem intimidade com Deus. Há quem espere para ler a Bíblia só quando vontade e por isso nunca o faz. Enfim chega o dia em que precisa de direcção do Senhor e então corre para as escrituras mas descobre que as páginas parecem em branco e não fazem sentido. Há quem deixe para vir a igreja só quando bate o desejo e então nunca vem. E quando num dia especial o faz é para perceber que não conhece quase ninguém, não entende bem o funcionamento do culto e não se sente bem como achava que deveria.
Assim como há muitas coisas na vida que devemos fazer independente do nosso desejo, também na vida espiritual precisamos aprender o sentido da disciplina. Oro diariamente, leio a Bíblia e medito todos os dias, participo dos cultos e actividades da igreja porque aprendi que são vida para minha alma e força para meu espirito. É assim que Deus preparou as coisas para acontecerem e é assim que caminho com Ele de modo a enfrentar as lutas e ter vitórias nas adversidades. Não espere pela vontade, meu irmão. Pratique, participe e verá a bênção descendo sobre sua vida.

Mais que palavras...


Quando as dificuldades chegam (e elas parecem sempre chegar) há em geral duas maneiras de reagir: negação e depressão. Ambas são erradas. Ambas prejudiciais. Ambas ineficazes para lidar com os problemas, mas ambas comuns à experiência humana. Negação é o ato de deixar de olhar para o que esta diante dos olhos. Depressão, por usa vez, é o ato de não conseguir olhar além do que está diante dos olhos. O que nega faz de conta que não vê, acha que se não reconhecer a crise talvez ela vá embora. O deprimido só vê a dificuldade e em seu entendimento é tudo que há e nada jamais haverá além disso. Os que negam precisam de ajuda para ver a realidade e saber que fugir dela não a muda, não a faz menos real e certamente não a transforma. Os deprimidos precisam ajuda para ver além de dificuldade e descobrir que há vida, há mais que aquilo que os cerca nesse momento mal. E para isso o que temos? A Palavra!
Palavras? Será a pergunta incrédula de muitos. Precisamos muito mais que palavras para vencer crises. Pode ser que sim, mas o que mais precisamos é de palavras e antes de termos as palavras certas não iremos a lado nenhum. Isso porque não está a se falar de quaisquer palavras. Não são palavras vazias, humanas, lançadas ao vento a ver se alguma resulta ou ajuda. Não são as palavras ocas e sem conteúdo que costumam encher nossos dias. São palavras de Vida. É a Palavra da Vida, vinda daquele que criou todas as coisas.
No princípio, antes de Deus criar o Universo, era tudo caos e confusão. Não havia organização, nem sentido, nem vida, nem sequer luz. Deus então falou! Sua Palavra criou todas as coisas. Criou a organização incrível que vemos no mundo. Criou as leis magníficas que regem a natureza e a física e a matemática. Criou a luz, o tempo, o nosso mundo e suas estações e criou a vida e o homem. E tendo criado o homem á sua semelhança Deus lhe deu o dom da palavra e a capacidade para entender que pela palavra pode também viver ou morrer, criar ou destruir, fazer ou desfazer.
Ezequiel 37:1 a 14 deve ser um dos textos mais significativos sobre o poder da palavra. O profeta tem a visão terrível e assustadora de um vale seco cheio de ossos esturricados pelo sol. Ali não há vida, só devastação. Haveria alguma perspectiva ali? Humanamente não. Tudo estava perdido, morto, seco, acabado. O Senhor pergunta ao profeta: há algo a fazer aqui? E este sabiamente responde: Tu sabes Senhor. E então vem a ordem: Fala, profetiza. Repete as palavras de vida que te dou e verás o que acontece. E Ezequiel obedeceu. Ele não podia antecipar o que viria. O texto nem sequer diz que ele cria que seria possível acontecer algo. Mas viu os ossos se juntarem, a carne voltar, os corpos se formarem e então novamente a questão: e agora? Agora que voltaram a ser corpos inteiros poderão viver? E a resposta foi novamente: fala, profetiza. E Ezequiel viu então o ES de Deus encher aqueles corpos de vida e os transformar num exército poderoso.
A isso somos chamados. A um mundo mal, perdido e desorientado, caído em decadência moral e desordem espiritual, ao homem desobediente e pecador, ao que nega e ao deprimido, somos chamados a falar. Profetizar as palavras do Senhor. Deixar que essa palavra entre em vidas, famílias, comunidades e as renove. Traga de volta o que ser perdeu. Junte o que estava separado, revista o que ficou sem conteúdo e encha de vida e espírito o que se julgava sem força ou alento.
Sem a Palavra ficamos sem fundamento, sem base ou direção. Sem a Palavra fazemos de Deus algo pequeno e humano. Algo que podemos manipular e controlar. Algo que podemos carregar e descartar. Algo vazio como nosso coração sem a Palavra. É a Palavra do Senhor que nos mostra quem é o Deus verdadeiro. Que nos chama a responder em humildade e contrição, em obediência e alegria. É a Palavra que nos coloca no caminho certo para a vida abundante.
A Palavra que veio e se fez carne em Jesus, essa palavra encarnada na cruz mostrando o amor do Pai, é essa que somos chamados a falar. Porque a fé vem por ouvir a Palavra, a Palavra de Deus. E é nessa Palavra que conhecemos a verdade que nos liberta. A Palavra traz a voz de Deus, aplica a presença de Deus, dá-nos condições de responder a vontade de Deus.
Ora a Palavra é mais que palavras exatamente porque não somos chamados apenas a ouvi-la, lê-la, decora-la ou recita-la, mas a viver por ela e então, ela se torna vida, ela enche a nossa vida, ela nos mostra a vida, nos leva a vida, se torna a vida que deveríamos ter vivido desde o começo. O maior problema que temos não é, então, a falta de vida ou de palavra, mas a simples, e na maioria das vezes, inexplicável, maneira pela qual conhecemos a Palavra, mas não a vivemos. Vejamos algumas dessas:
A Palavra diz: Pedi e dar-se-vos-á (Mateus 7: 7). E nós? Não pedimos. O principal empecilho as nossas orações é o simples fato de que não oramos. Não é que oramos pouco, ou mesmo que oramos erradamente (o que também fazemos), mas simplesmente que não oramos. Em seu discurso final com os discípulos Jesus insistiu nisso. Em 3 capítulos (João 14 a 16) ele repete 6 vezes essa questão. Pedi em meu nome... e recebereis. Quando é que vamos começar a usar a Palavra? Quando é que vamos começar a pratica-la? Quando é que a igreja vai despertar e orar?
A Palavra diz que o Senhor deseja nos dar sustento e nada nos faltará (Malaquias 3:10). Mas a promessa vinha com a condicional de sermos fiéis no dízimo. Então o Senhor repreenderia o devorador (Malaquias 3:11). E nós? Deixamos o devorador a vontade. Já reparou que o dinheiro não chega ao fim do mês. Já notou que mesmo quando recebe mais parece que dinheiro desaparece por entre os dedos? Há sempre um imprevisto e lá se vai a reserva. Sabe o que se passa? Não estamos cumprindo a Palavra e obedecendo ao Senhor. Guardamos o que é dEle é o devorador faz a festa. Que fechar a boca do maldito? Então ponha a palavra em prática e seja fiel.
A Palavra diz que a Paz deveria ser o juiz em nossos corações (Colossenses 3.15). E nós? Mantemos raiva, ressentimento e zanga para com meio mundo. Sabe quantos crentes zangados há no mundo? Infelizmente milhões. E não sabem porque o louvor não parece soar bem, não entendem porque a adoração não flui e não sentem o Senhor, não percebem porque não se dão bem com ninguém na igreja e só encontram defeitos. A paz que deveria dominar nem sequer está presente. Ora, se queremos ter a plenitude do Espírito que o Senhor promete então devemos ouvir sua Palavra e começar a praticá-la. São muito mais que palavras e podem nos levar a vencer qualquer crise, qualquer depressão ou dificuldade. Milhões, pela graça, já o experimentaram. E nós? Vamos fazê-lo também?

O que dura para sempre!

O que você tem ganho ultimamente? Salário, juros de seu investimento, saldo de sua conta? O que tem ganho? Prémios, promoções, amigos ou decepções? Aquilo que tem ganho vai durar? Quanto tempo? Seu investimento é duradouro? Aquilo que tem ganho fará diferença na eternidade? Fará diferença na sua eternidade? Vai levar quando deixar esta vida que sabemos ser passageira? ´

Eugene Peterson escreveu que “se não sabemos para onde estamos indo, qualquer caminho serve”. Se você não tem destino certo então tanto faz virar a direita ou a esquerda. Mas se pretende chegar a certo destino pré estabelecido então é melhor estar seguro de que pegou a estrada certa. Se sua vida não tem propósito, tanto faz como a vive, como usa seu tempo e gasta seu dinheiro e tanto faz aquilo que ganha. Mas se tem um propósito definido então tudo isso muda. A forma como vive, o modo como usa seu tempo e seu dinheiro deverão estar de acordo com aquilo que definiu como seu propósito.
Há milhões de pessoas neste mundo que não sabem para onde vão e não tem qualquer propósito no dia-a-dia. Nesse caso nem faz muito sentido criticar seu estilo de vida, seus gastos e ganhos. Se não tem rumo então tanto faz. Mas aquele que assumiu a vida cristã, que diz ser seguidor de Cristo, que quer viver para a glória de Deus, não pode simplesmente viver como alguém sem direção. E aqui voltamos a pergunta inicial: o que tem ganho ultimamente?
Há muitas coisas que ganhamos nesta vida. Desde o salário essencial para a sobrevivência da família ao brinde do cereal de meu filho, há muitos ganhos a cada dia. Mas que duração terão? O salário deveria durar até ao mês que vem, o que nem sempre é fácil. E o resto? A verdade é que praticamente tudo que ganhamos, acumulamos e lutamos para obter tem vida curta e duração bem limitada. Por isso Jesus dizia: “Não ajuntei tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu...” Mateus 6:19 e 20. Ora, ajuntar tesouros no céu significa ganhar aquilo que dura para sempre. E o que dura para sempre?
Há pelo menos três coisas que a Palavra diz que não acabam e que deveriam ser nosso investimento: A Palavra de Deus, o Amor e as Almas. Vejamos como ganha-los:
“A Palavra do Senhor permanece para sempre” diz I Pedro 1:25. Sabemos que Jesus nos garantiu que “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar”. Eis aqui algo digno de investimento. Tudo aquilo que investimos na palavra dura para sempre. Nosso tempo de leitura, de meditação, de estudo, de proclamação, de distribuição da palavra, são atos de valor eterno. Não posso levar comigo minha casa e minhas roupas, mas levarei aquilo que tiver semeado da palavra e aquilo que tiver desenvolvido de seu conhecimento. Isso deveria nos fazer mudar de atitude para com a palavra e seu valor. Tanto tempo gastamos com coisas perfeitamente fúteis e perecíveis. Pois a palavra não perece e nela podemos investir.
Mas lemos também que “o amor jamais acaba” I Coríntios 13:8. Podemos valorizar muitos as profecias mas elas cessarão pois um dia já não serão necessárias. Podemos aprender línguas e será útil, mas um dia elas deixarão de existir e não mais as usaremos. Podemos crescer em ciência e terá seu valor, mas um dia toda ciência desaparecerá. Mas o amor permanece e aquilo que investirmos nele será eterno. Quer saber como crescer em amor? Só há um modo e bem simples. Ame! Quanto mais gastá-lo, mais ele crescerá. Faça atos de amor, fale palavras de amor, pense com amor e planeje com amor e seus atos e palavras refletirão a essência do próprio Deus e isso é de valor eterno.
Há ainda algo eterno para nosso investimento: as almas. Jesus disse que ganhar a alma era o mais importante. Ele alertou de que de nada serviria ganhar o mundo inteiro se perdêssemos a alma (Mateus 16:26) porque o mundo será aniquilado, mas a alma uma vez terminada a vida aqui volta para o Senhor (Eclesiastes 12:7). Logo concluímos que um investimento de valor maior é em nossa alma primeiramente e no ganhar outras almas. Se sou salvo minha alma está segura nas mãos de Deus. Que posso então fazer? Ganhar almas para Cristo. A palavra diz que o que ganha almas é sábio (Provérbios 11:30). Cada alma que ganhas para o Senhor é uma riqueza eterna. É tesouro no céu. E quantas almas têm ganho? Quanto tempo e esforço têm gasto nesse investimento que vale para sempre?
Gaste algum tempo meditando nisso. Há investimentos com valor eterno. Vamos usar melhor nosso tempo; vamos gastar melhor nossos recursos; vamos investir mais sabiamente. Deposite no céu... lá não há crise que chegue e nem recessão que atrapalhe.

Porque Sou Cristão - capítulo II

Há milhões de cristãos convictos no mundo, que sabem o que crêem e porque crêem, que têm uma boa formação superior e pertencem a classes sociais elevadas. Eu tenho estudado a vida toda detendo cursos superiores de elevado grau de dificuldade e sou cristão convicto.
Minha convicção não se baseia apenas na experiência pessoal (muito valiosa, mas subjectiva) mas nos dados reais disponíveis a respeito de Jesus e do Cristianismo.

Passo então a dissertar sobre a segunda razão que me faz ser um cristão convicto.

Em segundo lugar sou Cristão por causa da Bíblia.

O cristão é uma pessoa da Bíblia e defende que ela é a revelação escrita vinda de Deus. Que o Criador, Ser espiritual, que tem todo poder e preside sobre o universo, quis comunicar com o Homem e deixar sua revelação de modo escrito. Para tal compartilhou com cerca de 40 escritores ao longo de mais de 1500 anos e usando suas próprias experiências e estilos inspirou a escrita de 66 livros que temos por sagrados, ou separados dos demais por seu caráter especial.

A coerência da Bíblia é extraordinária. Um conjunto de livros escrito por 40 homens diferentes, vivendo com séculos de diferença entre si, em contextos totalmente diversos, usando línguas diferentes e pertencendo a extractos sociais totalmente dispares, revela um sentido comum, não se contradiz e acaba se complementando. É fabuloso. Estadistas como Moisés e Daniel se juntam a pescadores como João e boiadeiros como Amós. Homens de grande cultura como Salomão e Paulo ou Lucas ao lado de gente simples como Marcos ou Pedro. Textos poéticos como os salmos, jurídicos como o pentateuco ou proféticos como o Apocalipse se misturam e completam numa harmonia estonteante. Não há nada nem próximo na história da literatura mundial.

Ao longo dos séculos, em especial nos últimos 100 anos, muitos tem tentado desacreditar a Bíblia. Por vezes pareciam ter dado um golpe duro ou até fatal ao texto sagrado, mas a Bíblia sempre recupera mostrando sua superioridade. Notemos apenas alguns desses episódios:

- Durante muito tempo se fez troça do texto de Gênesis sobre a criação, porque falava do surgimento da luz no primeiro dia quando o sol e as estrelas só aparecem no quarto dia (sendo dia aqui não 24 horas mas medida indefinida de tempo). A Bíblia parecia incoerente. De onde vinha a luz se não havia sol? Então o homem descobriu o big bang, a teoria bastante aceita e abalizada cientificamente, de como surgiu o universo. Tudo teria começado com uma tremenda explosão... de luz! E só milhões de anos depois surgiriam as estrelas e o nosso sol. A Bíblia tinha razão!

- Muitos duvidavam da existência dos patriarcas como Abraão e dos costumes de seu tempo descritos em Gênesis. Até que pesquisas arqueológicas confirmaram a existência dos lugares, das rotas e do tipo de comércio citado na Bíblia e até tábuas cuneiformes com o nome de Abraão e a descrição de costumes de sua época que desapareceram séculos depois. Alguns desses lugares desapareceram pouco depois dos patriarcas. Alguns desses costumes deixaram de se usar. Como o autor de Gênesis sabia? A Bíblia estava certa.

- Autores ridicularizavam a ideia de Moisés ser o escritor do pentateuco aludindo que não havia escrita em seu tempo até descobrirem que a escrita existia muito antes de Moisés e que no próprio Egito já havia bibliotecas. Moisés sendo criado na corte de faraó teve acesso a tudo isso e usou seu conhecimento para escrever os livros da lei.

- Muitos críticos atribuíam o salmo 22 ao tempo dos macabeus (100 anos antes de Cristo) em que havia convívio com os romanos porque Davi (800 anos antes) não poderia ter escrito esse salmo descrevendo uma crucificação, algo que não era praticado em sua região e em seu tempo. As descobertas do mar morto encontraram rolos com o salmo 22 datados de séculos antes dos macabeus. A profecia de Davi foi uma visão pormenorizada de uma crucificação séculos antes de ela começar a ser usada na Judéia.

- Arqueólogos descobriram que Jericó foi destruída de modo pouco usual com as muralhas caindo para fora e rente ao chão como descrito em Josué. Acharam textos falando da casa de Davi provando que ele não era ficção. Encontraram a explicação para Belsazar ser chamado de rei em Daniel já que ele era o 2º no reino atrás de Nabonido e podia ser assim chamado em sua ausência resolvendo desse modo o dilema de não haver nas listas oficiais um rei com esse nome.

Livros têm sido escritos para mostrar a quantidade impressionante de material bíblico comprovado pela história e arqueologia. A Bíblia é a revelação de Deus ao homem e responsável pela transformação de mais vidas na história que qualquer outro texto sagrado ou não. É também por sua causa que sou Cristão.

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