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O Silêncio do Céu

Hoje temos muita dificuldade em viver com o silêncio. A maioria de nós já esqueceu o que isso significa. Estamos constantemente rodeados de barulho. Barulho de carros, de pessoas, de obras, de trabalho, de crianças, de animais… dos meios de comunicação, etc. É um mundo barulhento o nosso. Mas a verdade é que quando o silêncio porventura chega nós estranhamos.
Se uma pessoa fica calada e não nos fala ficamos preocupados ou irritados. SE a TV deixa de fazer barulho concluímos que ou alguém apertou o botão MUTE ou então está estragada. Resposta é essencial, barulho é vida… E quando o Céu se cala então é ainda pior… Somos incentivados a orar. Ouvimos que a oração tem poder. Cremos e oramos e… nada acontece. As doenças continuam, o desemprego se arrasta mais uma semana, a pessoa má que nos persegue parece ter ficado ainda pior, aquele problema lá em casa não se resolveu e ainda apareceram dificuldades novas que eu nem tinha percebido. Conclusão: Não vale apena orar! O Céu é mudo! A oração é inútil.
Todo crente sincero já passou por isso. Mesmo os chamados gigantes da fé, os santos do passado, já viveram essa sensação. Foi um monge dedicado ao extremo que cunhou o termo “noite escura da alma”. São João da Cruz referia exactamente ao período de silêncio do céu em que tudo parece escuro em solução. Desde o livro de Jó, provavelmente a estória mais antiga da Bíblia, passando pelos Salmos e chegando a Paulo que ouvimos e mesmo eco. O homem gemendo diante do aparente silêncio do céu que parece deixa-lo sem resposta. Afinal porque isso acontece? Temos respostas bíblicas para esse silêncio? Porque nossas orações não são, por vezes, respondidas? Quais os maiores empecilhos à oração?
Empecilho 1: Não orar
Em João 16:24 Jesus lembrava aos discípulos “Até agora nada pedistes em meu nome…” e Tiago parece fazer eco dessas palavras mais tarde quando diz: “nada tendes porque nada pedis” Tiago 4:2b A verdade maior é que falamos muito de oração, concordamos sobre a oração, discutimos sobre oração, mas oramos pouco. Passamos dias e semanas sem nos lembrarmos de clamar. E então, na hora do aperto, fazemos uma oração SOS, oração 112, rápida e urgente e ficamos zangados porque Deus não respondeu.
Mas, oração é comunhão! Oração é convívio! Imagine que fica sem falar com sua esposa durante 15 dias e então na hora da necessidade corre para ela com um pedido exigente… será de estranhar que ela tenha dificuldade em responder. Notemos bem. O Senhor mesmo assim ainda nos abençoa e responde, mas por vezes não o faz. Não fiquemos tão assustados assim. Há uma razão! Precisamos começar a levar a oração a sério.
Empecilho 2: Viver em Conflito
Jesus orientava os discípulos sobre oração e vida cristã e disse: “Se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti deixa ali a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão” Mateus 5:23 e 24. E novamente Tiago faz eco do seu irmão quando diz: “Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreias e nada tendes…” Tiago 4: 2. Pedro Se referia a isso também de modo específico para o casamento quando escreveu: “Vós maridos, coabitai com vossas mulheres com entendimento, dando honra à mulher… para que não sejam impedidas as vossas orações” I Pedro 3:7.
Como esperamos que o Senhor ouça nossas orações quando nossas zangas e brigas e irritações e amarguras enchem o coração e gritam em meio a nossas orações? Queremos que o Pai de Amor nos ouça quando nossas vidas estão cheias de falta de perdão, de expressões de raiva por outros, de recordações negativas que alimentamos com todo cuidado dia a dia. Um coração repleto de mau querer dificilmente poderá chegar ao céu. Fecha-se a graça porque a bênção de Deus é imerecida e quando vamos a ele cheios de auto justificação excluímos a acção do mediador que é o único que nos pode dar acesso ao trono de Deus. Perdoar é o caminho da libertação e da abertura dos céus para muita gente.
Empecilho 3: Pecado escondido
O Salmista aprendeu essa lição e a deixou para a posteridade quando declamou: “Se eu atender a iniquidade no meu coração, o Senhor não me atenderá” Salmos 66:18 e o profeta concordou plenamente ao dizer ao povo: “As vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós para que não vos ouça” Isaías 59:2. E o Senhor sofria com isso. Ele desejava abençoar. Não queria ficar em silencia antes fazer ouvir sua voz e sua bênção, mas o povo de Deus, que sabe o caminho do perdão e da retidão precisava lidar com seus pecados de modo sério para que as portas do céu se abrissem. Pecado é como um enorme guarda-chuva que impede que as chuvas de bênçãos cheguem a nossas vidas. A remoção foi ganha por Jesus na Cruz, a solução é I João 1:9.
Empecilho 4: Egoísmo/Pedir mal
Novamente Tiago com seu coração pastoral prática exortava a igreja: “Pedis e não recebeis porque pedis mal, para os gastardes com vossos deleites” Tiago 4:3. Jesus havia avisado aos discípulos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz e siga-me” Marcos 8:34. Por vezes oramos sem discernimento, sem sensibilidade, sem a devida submissão a vontade de Deus. Achamos que sabemos o melhor e por vezes até que o merecemos. Com corações egoístas e fechados rogamos ao Senhor por coisas que na verdade não são da sua vontade e são apenas desejo nosso. Será que Ele nos prometeu dar tudo que quiséssemos? Sem discriminação? Isso seria possível? Seria correto? Creio que mesmo se desejarmos de outro modo podemos ver que não há sentido nisso. O Senhor nem pode nos dar tudo que pedimos porque não seria nem bom para nós nem para os outros. Aprender a orar de acordo com a vontade do Pai é meio caminho andado para recebermos as bênçãos e respostas desejadas.
Empecilho 5: Falta de perseverança
O Senhor deixou claro que Deus esperava perseverança da nossa parte. Seria como que um exercício espiritual, parte da disciplina. “E contou-lhes uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” Lucas 18:1. Onde está o tempo da fé? Onde exercemos nossa confiança em Deus? Se recebermos sempre tudo que pedimos na hora que pedimos onde fica o exercício da fé. Ninguém aprende uma língua na primeira semana de aulas. Ninguém fica musculado no primeiro mês de ginásio. Ninguém perde 20 kg nos primeiros dias de dieta.
Nesta vida aquilo que têm real valor exige persistência. Porque seria diferente com a oração? O que está pedindo a Deus? É algo de valor? Então merece a sua perseverança. Não desanime no início da luta-Não baixe os braços no início da caminhada. Persevere com o Senhor, Insista em sua presença. Valorize seu tempo com ELE. Entenda que a oração é bênção mesmo quando as respostas não acontecem exactamente quando queremos, porque quanto mais tempo investirmos nela, mais forte seremos na comunhão com Aquele que nos ama e que é nosso Pai Celeste.
Empecilho 6: Ele Sabe…
Mas há aquelas situações em que nada do falado cabe. O crente ora, persevera e não tem respostas. Avalia sua vida e vê que não pecado escondido, não há zangas retidas e amarguras guardadas, os motivos de oração são puros, os pedidos não são egoístas e mesmo assim não há alivio nem solução. Como entender?
Nem sempre será claro. A verdade é que vivemos numa dimensão física e a maioria das coisas do mundo espiritual nos passa ao lado. Jó é uma dos maiores exemplos da Palavra. Ele era justo, correto, benevolente, ajudava os outros, aconselhava a todos, cria em Deus e se guiava de modo correto e no entanto sofreu de modo atroz. Fez perguntas, e no fim reconheceu que estava arguindo o Senhor sobre aspectos que não conhecia. A verdade nua e crua era essa: Ele não sabia. Não sabia o que se passava no mundo espiritual. Não sabia mas confiava. Sua afirmação mais duradoura para nós foi: “Porque sei que meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” Jó 19:25.
O Próprio Senhor Jesus viveu seu momento de solidão e dor quando no Getsémani e na cruz se sentiu abandonado. Mas sua conclusão foi: “Seja feita a tua vontade e não a minha”. E em última analise será essa a questão em alguns casos. Não sei porque mas confio que o Senhor é amor, sabe o melhor e se não agiu é porque não seria o melhor. Não entendo, não faz sentido para mim, mas reconheço que nem tudo posso entender e confio que seu amor é perfeito e um dia entenderei. Vivo nessa dependência porque aprendo que “o justo viverá da fé” Romanos 1:17

A Dúvida Honesta do Crente


A aula está prestes a terminar e o professor faz a pergunta chave: alguma dúvida? O silêncio que se segue não é indicador da falta de dúvida, mas sim da vontade de terminar logo a aula e seguir para o intervalo. Os alunos suprimem as dificuldades e o professor faz de conta que acredita. A aula acaba e todos parecem satisfeitos. Mas a pergunta ainda ecoa: alguma dúvida?
Dizer que não temos dúvidas é mentir. A dúvida nos acompanha todos os dias de múltiplas formas. Há a dúvida banal como querer saber a hora, se vai chover ou quando passa o próximo transporte que preciso usar. Há a dúvida interesseira como saber o que há para o almoço. Há a dúvida vaidosa como pensar no que vou vestir. Há a dúvida existencial e global de saber quem somos e o que fazemos neste mundo. Mas dúvidas não faltam.
Na vida cristã a dúvida também esta bem presente. O cristão que diz não duvidar não está na verdade fazendo uma boa afirmação de sua fé mas de sua falta de avaliação e raciocínio. Pensar é duvidar. Viver é passar por dúvidas e o crente mais sincero e fiel as teve como podemos encontrar em todos os capítulos da história bem como no AT e NT. A dúvida honesta não é o contrário da fé, mas pode até ser a melhor maneira desta crescer. O que a Bíblia nos fala sobre a dúvida? Que tipos de dúvida encontramos na escritura e como lidar com elas?
Dúvida Obstinada
Comecemos pela pior forma de dúvida mas que existe em todos os lados – a dúvida obstinada. Um bom exemplo é o que encontramos em Mateus12:38. Os fariseus e seus acólitos pedem um sinal a Jesus com a desculpa de que se ele mostrar mais um sinal talvez possam crer que ele é o Messias ou pelo menos um profeta especial como aparenta ser. Mas a dúvida deles era obstinada. Convencidos de sua superioridade, desprezando Jesus por sua criação galileia e seu sotaque de interior, negando sua sabedoria apenas com base nem sua falta de treino académico, os fariseus não queiram crer.
Durante meses e mesmo anos seguiram Jesus. Estudaram sua vida, suas palavras e viram seus milagres. Presenciaram coisas inauditas e ficaram sem saber como responder. Juntaram as mentes mais brilhantes a fim de o desmascarar e fazer cair. Montaram armadilhas as mais espertas com o intuito de o derrubar. Tudo em vão. A vida de Jesus era limpa, sua memória inatacável, seu procedimento o mais correto, sua sabedoria inigualável, seus milagres abertos, claros e sem questionamento possível. Conclusão: dúvida obstinada. Eles não queriam crer.
Talvez o momento mais marcante seja a ressuscitação de Lázaro. O que poderia ser mais conclusivo que o morto sair da sepultura depois de 4 dias? Não seria a prova final? O momento da mudança de mente? Mas quando viram o milagre dos milagres, o Senhor da Vida em pleno, então é que fecharam mais ainda seus corações e tomaram a firme decisão de o matar. Se não podiam derruba-lo então o matariam. A dúvida que tinham sobre Jesus não era solucionável porque era obstinada, permanente e sem remédio. Era a blasfémia conta o ES, o pecado sem salvação.
Hoje temos essa posição ganhando muitos adeptos. As respostas bíblicas e cristãs às questões da vida nunca foram tão acessíveis. A quantidade de mentes brilhantes que adotaram a fé e que a defendem nas mais variadas áreas do conhecimento humano é inigualável em termos históricos. Nunca tivemos tantos crentes de formação superior elevada e em posições tão importantes, mesmo nos organismos e instituições mais reconhecidos do mundo. Da filosofia à física, passando pela medicina e genética, cristãos têm respondido às questões levantadas contra a fé de forma credível, séria e sistemática e no entanto os ateus aí estão. Alguns filosoficamente firmes, outros apenas seguros em sua ignorância e com perguntas gastas e cansadas, mas que não serão respondidas por uma razão simples: eles não querem saber!
Diante da dúvida obstinada e sistemática, a dúvida pela dúvida, não há muito que possamos fazer. Nem o Senhor pode vencer aqueles que não querem crer porque simplesmente não querem. Sua dúvida não é racional, é muito mais emocional e sem dúvida volitiva. Não há como ultrapassar. Sendo assim o mais que podemos fazer é orar, esperar e acreditar que enquanto há vida há a esperança de que algo na vida ajude esses duvidosos a abrir a mente para as evidências.
Dúvida pela Impossibilidade
Um tipo de dúvidas mais aceitável e também comum é a dúvida pela impossibilidade. Exemplo bíblico bom seria Zacarias em Lucas 1:18. Fazendo eco da dúvida de sara no AT, o velho sacerdote não conseguiu aceitar facilmente que sua esposa já idosa pudesse ser mãe. Algo semelhante aconteceu com maria quando questionou o anjo sobre a impossibilidade de engravidar sendo virgem. 
Esta dúvida não é maldosa e nem renitente, é apenas lógica. Como pode acontecer algo que contraria as regras? Como acontecer algo que nunca foi visto antes? Há o que se pode esperar. Há o que é comum, o que é frequente e depois o que acontece pouco e raramente. Mas se nunca aconteceu, se é a 1ª vez, a dúvida se instala. Será possível?
A dúvida da impossibilidade, no entanto, é repreendida no caso de Zacarias e em outros casos (a dificuldade dos discípulos em aceitarem a ressurreição de Jesus por exemplo). O Senhor não esta limitado por nada. O tempo para Ele não existe e a matéria é totalmente manipulável. Nada é impossível para Deus. Jesus curou todas as doenças, andou sobre as águas de u mar tempestuoso, transformou água em vinho e multiplicou 5 pães e 2 peixes para mais de 10 mil pessoas. O que é impossível para nós é banal para o Deus que é todo-poderoso. Além disso, devemos lembrar que todos os dias acontecem coisas que nunca tinham acontecido antes. Todos os dias há uma 1ª vez de algo. Logo, tudo é possível no reino de Deus e nas mãos do Senhor. A questão para Deus nunca é de possibilidade mas de vontade já que Ele em sua santa e sábia vontade sabe o que é melhor, quando e como acontecer.
Dúvida que surge da Mágoa
Mas o tipo mais comum de dúvida na vida do crente é aquela que surge da mágoa. É a dificuldade de entender o que esta a acontecer que leva a questionar o poder, o amor, a presença interessada de Deus. Um bom exemplo disso será o de João Batista conforme lemos em Lucas 7:18. João tinha vivido uma vida justa, uma vida digna, uma vida consagrada a Deus. Fora profeta e segundo o próprio Jesus fora o maior de todos. Não temera nada nem ninguém em sua proclamação arrojada da necessidade de arrependimento. Mas embatera justamente com o homem mais perverso da terra – Herodes.
A família de Herodes era famosa pela ganancia do poder e pela vida desregrada. Herodes pai, chamado o Grande, governara a Judeia toda sob autorização romana e vivera obcecado com a paranoia de um golpe de estado. Matou esposas e filhos nessa obsessão. Ao morrer deixou filhos fracos que não conseguiram manter o poder. Seu filho Herodes Antipas acabou por governar só a Galileia na partição quadrupla da terra, daí ser chamado o tetrarca. Entre suas falhas de carácter estava a de ter seduzido a esposa de seu irmão Filipe, de nome Herodias, que era simultaneamente sua sobrinha. João não se intimidara e falara contra tal união incestuosa e maligna. Herodes o mandou prender na fortaleza de Machaerus a alguns quilómetros do mar morto, numa colina da Pereia uma das residências de férias dos Herodes.
E agora que João estava preso. Como explicar isso sendo Jesus o Messias? Ele que era seu primo, que conhecia tão bem as histórias de seu nascimento e do nascimento de Jesus. Ele que dera testemunho de Cristo ao mundo e que o mostrara como o messias, agora duvidava. Estava preso há cerca de 1 ano e sem saída. Na prisão, em agonia, as dúvidas começavam a chegar. Seria afinal engano? Seria Jesus o messias na verdade? Seria possível que o justo passasse por tudo aquilo? Como Elias um dia, duvidou mas em grande parte porque esperou algo diferente do que Deus prometera. Como entender isso? Como aceitar isso? Não era Jesus o Messias? Esse tipo de mágoa que seria natural em João era também eco de uma expectativa errada.
Outro episódio que nos leva a dúvida pela mágoa é o de Tomé que temos em João 20:23. Temos a tendência de criticar Tomé e temos algumas razões para isso mas também devemos no colocar em seu lugar. Ele vira Jesus fazer coisas incríveis por 3 anos. Durante todo desde tempo criara junto com os outros uma expectativa enorme em relação ao que Jesus seria e faria e de repente, justamente na semana em que tudo se conjugava para um sucesso tremendo, eis o golpe, eis a surpresa macabra. Jesus preso, condenado, crucificado. Como vencer essa mágoa? Como ultrapassar a morte do mestre? Como entender e explicar que o messias deles tinha sido torturado até a morte de forma tão cruel. E a mágoa era tanta que quando chega a notícia de uma ressurreição ele não pode crer, não consegue crer, age com total incredulidade e declara com petulância: só se eu vir e tocar. Dúvida sincera, de quem crera e queria crer mas cuja mágoa era grande demais para facilitar.
Outra forma da dúvida ou causa comum dela nesses momentos de mágoa é a dúvida que surge de expectativas erradas. Um bom exemplo será o dos discípulos no caminho de Emaús em Lucas 24:21. Eles não conseguiam crer na possibilidade da ressurreição, descartavam o testemunho das mulheres e seguiam profundamente desanimados. Mas além da mágoa pela morte de Jesus a razão principal de sua dúvida e dificuldade estava na frase “nós esperávamos”. A sua expectativa de um messias com características políticas, militares e governativas tinha criado uma atitude mental que não possibilitava a morte de Jesus e não entendia a sua ressurreição. Esperavam algo que o Senhor não prometera. Na verdade, até esperavam algo que era contrário as profecias e ao que o próprio Jesus já tinha dito e isso os colocava em rota de colisão com a realidade.
Uma das razões porque Jesus encontrou tanta fé fora de Israel, como no caso do centurião romano ou da mulher cananeia, era que eles não tinham essas expectativas erradas a respeito de um messias. Não esperavam nada. Não contavam com nada e por isso acabavam tão maravilhados com Jesus. Sua fé era simples e sem esperanças falsas e se entregavam sem limitação por isso mesmo.
Em todos esses casos de dúvida pela mágoa e pelas expectativas erradas Jesus se mostra compreensível e sua resposta tem a ver com a nossa necessidade de estar mais perto do Pai. Aos discípulos de Emaús ele explica a escritura, a João ele manda um relato do que está a acontecer e a Tomé ele aparece em pessoa. O que falta nessas horas de dúvida é chegar mais perto, confiar que quando não entendo, o seu amor não diminuiu e que a esperança nele é sempre renovada.
Dúvida Honesta do Crente
A Bíblia não nega assim a dúvida na vida do crente e até a aceita como natural mas não deixa de nos mostrar como encara-la. Talvez a melhor maneira de lidar com a dúvida seja reagir honestamente como aquele homem que levou seu filho endemoninhado para Jesus curar. Encontramos suas palavras marcantes em Marcos 9:24. Provavelmente mais que todos os demais, este episódio nos ajuda mais que qualquer outro no entendimento da dúvida honesta do crente.
Este pai passara por várias fases no caminho da dúvida. Primeiro a dúvida da incredulidade: isso não pode estar a acontecer bem na minha família. Depois a dúvida da cronicidade pois os ataques se sucediam e nada os parava e a vida se tornara um inferno. Então a dúvida da desilusão magoada, os discípulos nada tinham conseguido. Não eram eles os discípulos de Jesus? Não tinham recebido dele o poder? Será que esse Jesus era só conversa? Seria ele como os outros que o tinham enganado?
Mas ele quer crer. Sabe que sua fé é pequena mas está desesperado. Resta só um pouco de esperança e sem querer sua boca acaba mostrando seu coração “se puderes” e Jesus o questiona: se? Que fé é essa? Que tipo de pedido é esse? Você duvida diante do Senhor da vida? Como quer ajuda com essa atitude? E o homem humildemente, sem querer perder a bênção, sem poder corrigir o que já mostrou de seu coração clama: eu quero crer, mas sou fraco, eu creio, mas com uma  fé microscópica, Senhor tenha misericórdia e ajuda a minha fé, entende a minha dúvida, auxilia a minha incredulidade. E a maravilha é que Jesus faz exatamente isso – Ele cura o menino.
O crente honesto terá que reconhecer momentos de dúvida. São humanas, são quase impossíveis de evitar. Por vezes sentiremos mesmo que nossa fé não está a altura das circunstâncias.
Lembre-se: o amor do Senhor não muda; Seu poder não se altera; Sua sabedoria sabe o melhor; Sua soberania controla e providencia.
Entregue seu coração com sinceridade, abra sua alma e ore com paixão: eu creio Senhor, ajuda a minha pequena fé!

 

A VOZ QUE NÃO QUER CALAR!




Há já algum tempo o compositor evangélico João Alexandre lançou uma música que fez furor intitulada "É Proibido pensar". João Alexandre é um daqueles músicos que fazem sempre falta em nosso meio. Suas melodias são ricas e variadas usando múltiplos ritmos e sabores e as letras poéticas, inspiradas e muitas vezes doutrinárias. Na música "É Proibido pensar", João Alexandre se insurge contra um evangelicalismo moderno, onde as ações são artificiais e os crentes são convidados a aceitar sem questionar. Na verdade, há muitos meios onde, realmente, é proibido pensar!

O escritor Clyde Reid verificou o mesmo fenómeno nos Estados Unidos e chamou-o de "Conspiração do Silêncio" a essa atitude de passividade da esmagadora maioria dos crentes quanto a questões fundamentais da fé. Parece que os crentes não querem pensar e não ousam perguntar. O mundo tem, via de regra, uma visão bastante negativa sobre o nível intelectual dos crentes. Em muitos meios, crente é sinónimo de simplório, de ignorante. Uma cultura inibida numa conspiração de silêncio onde é proibido pensar só vai agravar esse quadro. Mas afinal, por que é que não pensamos? Por que é que não perguntamos?

Muitos não levantam questões e não indagam porque temem que os outros os julguem e não os considerem espirituais. Afinal, no coração de multidões, perguntar e crer parecem coisas que se excluem. Se pergunto é porque não tenho fé. Logo, é melhor ficar calado e mesmo que as dúvidas me assaltem ficarei silencioso para não passar por incrédulo.

Muitos não perguntam por medo de que não haja respostas ou de que as existentes os levem a perder a fé. Nesses casos até há vontade de perguntar, de refletir, mas há também o medo: e se não houver resposta? E se a resposta ainda me deixar pior do que estava antes de perguntar? Prefiro ficar sem questionar a colocar minhas dúvidas e ver minha fé ruir como castelo de cartas.

Muitos não questionam porque não desejam embaraçar lideres que amam, mas que provavelmente não saberiam responder a suas indagações. Vivem duas realidades diferentes, a do mundo cheio de especialistas e mestres em várias áreas e a da igreja com um líder amado e respeitado, mas que na verdade não domina as questões mais recentes. Questionar esse líder, procurar respostas aos dilemas modernos parece impossível. Só traria embaraço e dor. Então é melhor calar e viver com as respostas do mundo.

Muitos não questionam simplesmente porque não gostam de refletir, não gostam de gastar tempo pensando. Como o povo de Israel lá no deserto, preferem que outro pague o preço de subir o monte e trazer a lei porque isso de meditar, refletir, pensar, gasta muito tempo e dá muito trabalho. Querem a comidinha feita e servida e se contentam com o que conseguirem.

A questão principal diante disso deve ser: O que o Senhor pensa disso? Será que nosso Deus tem medo de nossas perguntas? Será que ELE se satisfaz com uma prática desprovida de entendimento? Será que ELE se contenta com seguidores limitados numa conspiração de silêncio, temendo as questões e as respostas? Creio que, biblicamente, a resposta clara é NÃO!

De Génesis a Apocalipse o Senhor respeitou e valorizou a reflexão e o debate. Nunca vemos o Senhor repreendendo o homem por perguntar. Nem sempre ELE respondeu, até porque, muitas vezes, o homem não entenderia as respostas. O próprio Jesus reconheceu, em certa ocasião, que seus discípulos não estavam capacitados para suportar as respostas (João 16:12). Por vezes se dá o mesmo conosco. No caso de Jó, por exemplo, o Senhor colocou a ele a situação nesses termos. Jó não podia entender o que se passava na esfera espiritual sendo limitado até na terrena. Mas o Senhor veio a ele, lidou com suas questões, deu-lhe uma satisfação, e o deixou elucidado. O facto de não podermos entender tudo não pode nos fazer desistir de entender o máximo que pudermos.

Paulo elogiou os moradores de Bereia exatamente porque não se deixavam levar por oratória, mesmo a mais inspirada, como no caso do Apóstolo. Os de Bereia questionavam, procuravam, debatiam, refletiam e conferiam antes de aceitar (Atos 17:11). Isso não foi visto como falta de fé, desconfiança ou incapacidade, mas como algo valoroso e a ser imitado.

Escrevendo aos Coríntios Paulo incita os crentes a fazerem exame de si mesmos, a se questionarem: "Examine-se o homem a si mesmo..." I Cor. 11:28; "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos." II Cor. 13:5. Não fomos chamados a uma fé cega, a uma prática sem raciocínio, a uma vida cristã sem reflexão. Somos convidados a pensar, a questionar, a crescer na graça mas também no conhecimento (II Pedro 3:18) porque o Senhor deseja que todos os homens "cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (I Timóteo 2:4).

Na Igreja de Cristo não pode ser proibido pensar, não pode haver conspiração de silêncio. Precisamos crescer em maturidade, aprendendo a fazer as questões pertinentes, a refletir em conjunto, a buscar na Palavra as respostas para a Vida.

Não tenhamos medo de usar o raciocínio que Deus nos deu. ELE nos dotou dessa capacidade como parte de sua imagem e semelhança. Deseja filhos amados, devotos mas conscientes, dedicados mas inteligentes, espirituais, mas também sábios.

Louvemos a esse DEUS maravilhoso e ao nosso fantástico Salvador, o homem mais inteligente que já viveu na terra e sejamos seus seguidores nisso também.
 

Propósitos para o ano de 2014


 

Uma das maiores tragédias da humanidade actual é que vive uma vida sem propósito, sem razão de ser, sem objectivos. Viver sem propósito é caminhar a esmo, sem destino; é trabalhar sem saber o que se está a produzir; é fabricar algo que não sei o que será; é iniciar um discurso onde não sei o que pretendo e nem onde terminarei. Vida sem propósito não é a Vida que Deus nos criou para viver.

Início de um novo ano é um bom momento para avaliar nossos propósitos e afinar nosso caminhar. Serve para auto-exame e correcção de direcção. Isso deve ser feito a título individual e colectivo. E é como igreja que queremos determinar nossos alvos de forma bem clara. Uma definição escrita, clara e directa, ajuda a mentalizar um propósito e é nesse sentido que apresentamos a seguinte. Nosso alvo como Igreja:
 “Queremos ser uma família em Cristo, de servos de Deus, que cresce no conhecimento e prática de seus propósitos, que busca, exalta e reflecte a Glória do Senhor para o mundo, trabalhando para ver vidas Transformadas por Jesus.”

Nessa definição encontramos as bases do propósito de Deus para igreja segundo encontramos no Novo Testamento. Encontramos o alvo da comunhão fraternal marcada pelo amor em Cristo (Queremos ser uma família em Cristo). Encontramos o objetivo do Serviço cristão que se dedica a Deus e ao próximo (servos de Deus… trabalhando). Encontramos o propósito da Adoração a Deus, como único Ser verdadeiramente digno de nosso louvor na Santa Trindade (que busca, exalta e reflecte a Glória do Senhor). Achamos a vocação evangelística de levar o Senhor a todos os que não o conhecem (reflecte a Glória do Senhor para o mundo… ver vidas transformadas por Jesus). E nessa definição temos o alvo do crescimento pelo ensino e edificação mútuos baseados na Palavra (que cresce no conhecimento e prática de seus propósitos).

Desejamos que essa declaração seja levada a sério por cada membro de nossa igreja. Que nos espelhemos nela para os alvos que temos como Igreja neste ano de 2014. Que cada crente individualmente, cada ministério e departamento em particular e a comunidade como um todo se reveja nela e trabalhe para que seja verdade para cada pessoa que entrar em contacto com nossas actividades. Sem nunca perder de vista o alvo maior da Glória do Senhor e da preparação da Noiva de Cristo para o encontro com o Noivo, Jesus.

Neste mundo sem propósito que possamos dar um sinal claro de nosso caminhar e de nossos objectivos. Mantendo em mente a necessidade do crescimento individual e colectivo como expresso na Palavra:
“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.” 2 Pedro 3:18
 

O Currículo de Deus

 

Diante da crise e do desemprego crescente muitos têm descoberto a necessidade de ter um currículo em dia. E o que é o currículo? É um documento que conta de modo reduzido sobre a pessoa, sua formação e experiência profissional. As empresas e os patrões procuram pessoas, trabalhadores que possam desempenhar certas funções e lhes dêem garantias de sucesso no futuro. Com farão isso? Como saber quem colocar em certa posição? O Currículo. Por meio dele podem saber se este indivíduo corresponde ao que procuramos e se ele será capaz de desempenhar a função no futuro. Ou seja, para saber o que este trabalhador é capaz de fazer, olho para seu currículo, olho para seu passado.

E Deus? Qual é a minha expectativa em relação a ELE? O que espero que o Senhor faça em minha vida? Que expectativas tenho do que o Senhor pode ser para mim? O que posso esperar com toda garantia? Independente de minhas procuras e meus desejos, devo olhar o currículo do Senhor. E ELE nos deixou um currículo extenso. Ele mesmo nos chama a fazer isso (Isaías 48:9 e 10 – Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus e não há semelhante a mim que desde o principio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam)
E qual é então o currículo de Deus? Como podemos consultá-lo de forma rápida para sabermos em que confiar e o que esperar? Ora, os currículos em regra têm 2 itens principais: formação e experiência. Há uma parte para colocar o conhecimento adquirido, os cursos feitos e os diplomas que o individuo tem e depois uma outra parte com a experiência profissional descrevendo o que já se fez e os cargos que já se ocupou e onde. Notemos então resumidamente o currículo do nosso Deus.
Conhecimento
O Senhor tem um conhecimento único e perfeito sobre a criação toda e sobre o homem. Foi Ele que fez todas as coisas. Ele as planejou e as preparou. Ele as chamou da não existência para a existência. Ele conhece tudo de modo completo e o homem de modo especial. O homem foi criado a semelhança de Deus. Aquilo que vai em nosso íntimo sabe como nem mesmo nós sabemos. EX: quando deu a lei a seu povo Deus ordenou que a circuncisão fosse feita no 8º dia de vida. Hoje a ciência sabe que a circuncisão permite eliminar uma série de doenças do homem e da mulher pois em Israel o índice dessas patologias é bem menor. Mas só depois de muita pesquisa se descobriu que o 8º dia é o dia de nossas vidas em que nossa taxa de plaquetas é mais alto, sendo por conseguinte o dia ideal para a cicatrização. O homem não sabia mas Deus sabia. E se Ele sabe de nosso corpo sabe de nossa alma e de nosso espírito. Ele nos fez assim e só funcionaremos bem nas mãos dele que sabe tudo sobre nós.
O Senhor tem um conhecimento perfeito da História. Tudo que já aconteceu ele conhece em seu âmago e sem falha. Isso lhe permite conhecer todas as possibilidades, todas as alternativas e todas as coisas que já foram feitas. Como é útil estudarmos a história não é? Ajuda a entender porque certas coisas são como são. Estudamos a história exactamente para responder as perguntas que temos. Escrevemos sobre os personagens do passado, as guerras, os conflitos e tudo mais para agregar sabedoria e aprender. Pois o Senhor é muito mais que doutorado em História. Ele realmente conhece toda a realidade do Homem desde sempre e como isso deve servir para que possa ser o nosso Deus, o nosso guia perfeito e sem falha. SE a história pode dar alguma ajuda na compreensão e nas decisões podemos estar tranquilo porque Ele tudo conhece.
O Senhor sabe do tempo. Se ao falar da história posso estar tranquilo porque vejo que Ele conhece o passado, ao pensar no tempo digo também que ele conhece o presente e o futuro. Ao dizer que conhece o presente lembro que o Senhor sabe de tudo o que esta acontecendo. Desde o que se passa em sua mente neste momento, aos seus pensamentos mais profundos, mas também aos atos e intenções de todos em, toda terra. Essa capacidade é parte de sua divindade. E Ele sabe também do futuro. Ele sabe o que vai acontecer. Só Ele determinou o fim da história. E se é verdade que a Palavra nos diz que o Senhor se auto limitou ao nos dar liberdade, também é verdade que Ele trabalha por nós tendo em conta exactamente o nosso futuro. E que segurança de saber que meu Deus conhece tudo, sabe de meu coração, conhece todos os demais e além disso sabe o que vem por aí. Que currículo!
Experiência
Pensemos em termos de experiência no povo de Deus. O que Ele tem feito por seu povo ao longo da história certamente fará por nós que somos eu povo nesta hora da história também.
O Senhor salvou seu povo.
Ele olhou e percebeu a dor e o sofrimento de seu povo no Egito (afinal Ele se importa) e por isso desceu para o libertar. Encontrou um homem a quem delegar a responsabilidade da tarefa e lhe deu uma missão e por meio dele tirou seu povo do Egito. Com braço forte derrotou a nação mais forte do mundo de então para levar seu povo para uma terra que lhes tinha prometido. Seja qual for a situação em que nos encontremos Ele pode nos salvar. Salvar a alma e o espírito de uma vida sem sentido e uma eternidade longe dele, salvar de nossas culpas e mazelas, salvar de nossos pecados e falhas, salvar de nossa fraqueza e incapacidade, salvar de nossos medos e ansiedades, salvar de nossos inimigos e adversários.
O Senhor preservou seu povo no deserto.
Uma vez fora do Egito tinham que Viajar até Canaã para ali se estabelecerem. Mas este povo foi rebelde e acabou ficando no deserto… por 40 anos… e o que Deus fez? Os abandonou? Não! Deus os preservou. Deu maná diário, deu carne, deu água, deu vitória contras as tribos guerreiras do deserto elevou seu povo quase que no colo até a conquista da terra prometida. Deus preserva mesmo nas condições mais difíceis. Para Ele não foi difícil guardar seu conserto e manter sua promessa e impedir a aniquilação de seu povo. Pode ser que passemos por tempos duros e caminhemos por desertos mas o Senhor pode nos amparar nessa caminhada e nos guardar de cair e perecer.
O Senhor orientou o povo.
 Andar no deserto não era fácil. Não tinham GPS e mesmo que tivessem não havia estradas para assinalar. Mas o Senhor lhes deu um GPS para o caminho e para a vida. O guia para o caminho era uma nuvem de dia e uma coluna de fogo de noite que durante 40 anos serviu de orientação para saberem quando pararem, quando andarem e para onde seguirem. O guia para a vida foi a lei. Uma palavra escrita, de modo claro e direto que servia de orientação para a vida com ele. Como deveriam viver? Como se comportar? Como melhorar os relacionamentos? Como lidar com as situações? Tudo vinha explicado e orientado na lei que o Senhor deu a seu povo.
Poderíamos falar tanto mais. Poderíamos ficar acrescentando pormenores e itens tanto ao conhecimento quanto à experiência da atuação de Deus. Mas fiquemos com estes.
Que consolo e que base para nossa fé. Que segurança para crer num Deus que conhece todas as coisas, me conhece perfeitamente, conhece tudo que já aconteceu, o que se passa neste momento e o que vai vir no meu amanhã. Que descanso tenho em me colocar nessas mãos em termos de futuro. E que base para minha fé quando vejo o que Ele tem feito nas vidas de seu povo ao longo dos tempos.
Ele salva das situações mais difíceis pelo que posso confiar que pode livrar-me do mal e de qualquer opressão. Só Ele pode libertar-me plenamente e tem providenciado essa libertação aos seus. Que descanso lembrar que Ele preserva os seus. Também tenho meus desertos, minhas épocas de aridez, mas Ele preserva no deserto e guia. Se precisar de orientação no caminho ou para a vida posso saber que conto com ele para tudo o que vier e nele terei plena satisfação. Com um Deus com um currículo assim posso confiar meu futuro com toda certeza!

Compromisso! Porque?


Ele levanta-se bem cedo durante 6 dias na semana, come um pequeno-almoço rico em proteínas e vai treinar cerca de 4 horas. São exercícios de aquecimento que levam quase 40 minutos, depois se submete a esforço contínuo na prática de sua especialidade. O almoço, e cada refeição, serão supervisionados por um nutricionista especializado em alta competição. Ele não pode simplesmente comer o que lhe apetece. Tem que manter o peso e a massa muscular. A tarde terá nova sessão de treinos com mais 4 horas de prática, exercícios, ginásio e musculação. Terá que ir dormir cedo para não prejudicar seu descanso. Tudo isso para uma prova que vai durar alguns segundos e uma fama que se vier durará apenas alguns anos. Todo seu esforço dificilmente o manterá no topo, se conseguir lá chegar, por mais de 10 anos.
 
A isso se chama compromisso! Os atletas de alta competição têm que dedicar suas vidas e fazer decisões difíceis. Irão abrir mão de muitas coisas, de vontades, de desejos, de passeios e lazeres, de comida e férias, fins-de-semana e companhias agradáveis. Acham que vale a pena pelo gozo de estar na frente e ganhar medalhas e reconhecimento. Na verdade, de milhares que treinam e lutam apenas uns poucos ficam realmente famosos como Ussain Bolt.
Somos chamados a um compromisso radical por Jesus. Em Mateus 16: 24 e 25 fica claro isso. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e a quem perder a sua vida por amor de mim, salvá-la-á”. Parece muito radical não? Nem deve nos admirar que muitos ao ouvir isso tenham deixado Jesus. Mas valerá a pena esse sacrifício? O que ganhamos com nosso compromisso com o Senhor? Porque deveríamos faze-lo?
Porque Jesus assumiu um compromisso radical para nos salvar
Uma das mais fortes razões para nos comprometermos com Jesus é que Ele se comprometeu conosco. E seu compromisso foi radical ao ponto da morte. Jesus não apenas nos deu parte de seu tempo, um pouco de seu conhecimento, ou um esforço ocasional. Ele nos deu sua vida! A salvação que o Senhor nos ganhou exigiu todo o seu envolvimento. Ele teve que abrir mão do céu. Teve que se limitar a uma vida na terra. Teve que deixar de lado de modo temporário sua Glória e muito de seu poder.  Teve que aceitar a falta de gratidão e desprezo, a humilhação e a traição, a vergonha e a morte. Tudo isso sofreu para que nós pudéssemos ser salvos. Não chama isso a nosso senso de gratidão e dever? Não apela isso ao mais íntimo de nosso coração? Não pede esse compromisso um compromisso igual? E notemos bem, Ele não nos pede para morrer. Teria esse direito. Pede que vivamos. Pede que vivamos vidas cheias e abundantes, mas que a vivamos com Ele, sob sua maravilhosa direcção.
Porque nos é oferecido muito nesse compromisso
Mas além de tudo que já recebemos do Senhor Ele não nos chama para um compromisso apenas pelo infinito que já recebemos mas pelo infinito que esta diante de nós. Não é que a salvação seja pouco porque sabemos que é graça pura e inexplicável. Mas o mais incrível é que além disso Ele ainda nos garante uma graça futura que nos chama a esse compromisso com mais entusiasmo ainda. Não é apenas na gratidão que baseamos nosso compromisso mas na expectativa maravilhosa do que virá e em tudo o que Jesus nos garantiu e sua palavra nos promete de modo infalível. Lembremos que o Senhor nos disse que tínhamos que ser como meninos na aceitação do Reino? Como é que as crianças fazem ao receber uma prenda? Ficam gratos. E depois? Tentam retribuir? Não. A Criança se deleita no que recebe e passa a ter uma afeição especial na expectativa de mais. Não é que nos tornemos egoístas mas tentar retribuir a salvação é tolice. Só a gratidão não chega. Amamos o Pai pelo que fez mas sabemos que mais virá e isso nos impulsiona ao compromisso. Notemos apenas algumas dessas promessas que enchem nossa Bíblia e nos garantem o futuro:
Presença e bênção
O Senhor garantiu que estaria presente em nossas vidas quer por meio do ES quer por outros meios e instrumentos. Ele nos chamou a lançar sobre Ele toda a ansiedade porque Ele cuidaria de nós. O Apóstolo Paulo argumentou que tendo Deus nos dado Jesus, não poderia nos negar outras coisas, já que nos dera  o de mais alto valor. Somos chamados ao compromisso com um Deus que está sempre conosco, que nos acompanha a qualquer lugar em qualquer actividade e que deseja ser parte ativa de nossas decisões e vidas
Propósito a Razão de ser
Fomos criados com propósito. Tudo que trazemos para essa vida em corpo, alma e espírito nos capacita a cumprir esse propósito a ter uma direcção na vida a perceber o cumprimento do plano maior de Deus para a humanidade. Nosso compromisso com Deus tem a ver com abrirmos mão de tentar encontrar uma razão de viver sozinhos e deixarmos o Senhor encher nossa vida de propósito e direcção. Isso não quer dizer que vamos todos ser pastores e missionários, mas que seremos muitas coisas diferentes mas na noção clara de estar na vontade e direcção de Deus.
Galardão
Como se não fosse pouco a salvação e o céu, ainda temos a promessa de galardão. Nosso compromisso é avaliado por um justo juiz que nos promete valorizar cada esforço e cada sacrifício e recompensar tanto aqui quanto na eternidade. Isso é impressionante! Que Deus o nosso! Já deu a vida pela nossa salvação, já garantiu uma presença constante a abençoadora, já encheu nossa vida de direcção e propósito e ainda nos promete galardoar o compromisso que já era mais do que obrigatório. Isso também é graça pura! Mais um motivo maravilhoso e entusiasmante para o compromisso com o Senhor!

Família de Deus


 
Paulo ensinou os crentes de Éfeso que em Cristo nós somos “família de Deus” Efésios 2.19. Por isso mesmo nos chamamos de irmãos e irmãs. De notar que isso se perdeu na igreja de Roma passando a ser usado apenas nas ordens religiosas mas foi recuperado pela Reforma Protestante para toda a igreja.

Ora família tem algumas características interessantes. Por exemplo, somos parte de uma família, todo o tempo. Sou da minha família todos os dias, o dia inteiro. Não há momentos em que sou e outros em que não sou da minha família. Sou da família quer esteja perto ou longe, quer esteja presente ou ausente, que esteja contente ou triste, doente ou de saúde. Como irmãos em Cristo somos da família de Deus e isso implica irmandade constante e contínua e não somente um laço semanal de ligação.

Família não é uma estrutura, não é uma organização, não é um evento, não é um programa, não é uma casa. Família é relacionamento. Família é convívio, entreajuda, proximidade de características e vivência. Na Igreja também. Não somos instituição ou prédio, ou cultos ou programas. Somos gente. Gente salva que se relaciona com base na graça e no Amor de Deus.

Família não é uma questão de perfeição. Minha família não precisa ser perfeita para ser minha família. Ela tem seus defeitos mas isso não me afasta dela até porque parte desses defeitos provavelmente são meus. Se minha família tem falhas eu a defendo. Se tem problemas eu a ajudo. Se tem crises eu me junto a ela para superar. E na Igreja somos família de Deus. Minha Igreja como tal pode ter eventualmente coisas que eu não gosto, mas não a abandono. Não se abandona família muito menos nas horas de luta e necessidade. É nessas horas que a família mais se junta e mostra amor.

Família tem heranças e lideranças. Há pais e mães, há avôs e avós, que são os líderes por sua experiência e vida. Na família cada um sabe seu lugar, os mais novos aprendem com os mais velhos, os mais experientes dão conselhos e os mais novos herdam os valores e a vida.
Na Igreja somos todos filhos do mesmo Pai Celeste que em sua bondade e nos merecimentos de Jesus a todos adotou. Como família ouvimos e seguimos o nosso Pai e Senhor. Herdamos as glórias que Cristo ganhou para nós. Ajudamos os mais novos a crescer e deixamos a herança da boa-fé e da maturidade na obra do Senhor. Que bênção ter esta família! Que bênção pertencer a Igreja de Jesus.

O Reino de Deus aos olhos de Jesus

"Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão acrescentadas" Mateus 6:33.
 
Um dos textos mais conhecidos do NT e das afirmações de Jesus. Talvez um dos mais usados e com razão. Surge num contexto sempre moderno e atual. Jesus fala sobre ansiedade, estresse, pressões da vida diária, posse de bens materiais. Fala sobre a atitude diante da vida e chama a uma prioridade diferente. Mas o que queria Ele dizer? O que significava buscar o reino de Deus e a sua justiça? O que entenderiam seus ouvintes da época ao ouvi-lo falar do Reino de Deus? Entender isso será provavelmente uma das coisas mais importantes para quem deseja seguir a Cristo. Então tentemos entendê-lo.

No tempo de Jesus a expressão "reino de Deus" ou "reino dos céus" era bastante comum. Muito mais que nos nossos dias. Mas o que significava? Certamente coisas diferentes a pessoas diferentes, como até hoje. Podemos identificar pelo menos três principais tendências na palestina do I século:

1)    Reino de Deus Imperial

Havia os que entendiam que significava um domínio físico e efetivo de Deus na terra. Uma dominação material. O Senhor daria vitória a seu povo, Israel e lhe devolveria a dominação como nos tempos de Davi e Salomão e isso representaria o reino de Deus numa época de paz e prosperidade nunca vista. É claro que Deus não viria pessoalmente reinar e então se acreditava nessa visão que seria um governante humano a ocupar essa posição.

Essa era a visão de Messias da época. Era aceita pela maioria da população, pelos fariseus, partido importante da época e pelos zelotes revolucionários. Seria, em última análise, a visão que levaria às revoltas judaicas que acabariam por levar à destruição de Jerusalém e à diáspora judaica pelo mundo.

Essa visão seria repetida na história. O reino de Jerusalém, fundado pelos cruzados, era chamado de Reino de Deus. Os reis europeus, muitas vezes, se apresentavam como representantes de Deus, considerando-se príncipes designados diretamente pelo céu e por isso autorizados a governar.

2) Reino de Deus Fora do Mundo

Uma segunda visão seria tida pelos essénios, grupo que pode ser visto como precursor dos mosteiros e conventos cristãos. Criam que a sociedade estava toda pervertida e para viver a vida certa, o reino de Deus, era preciso fugir do mundo e criar comunidades santas. Eles viviam em mosteiros na zona do mar morto sob estrita lei que era exigente ao máximo. Sua visão era escatológica na expectativa da destruição do mundo e início de uma nova era. Essa visão radical era tida por poucos mas muito respeitada.

3) Reino de Deus Conformista

Uma terceira perspetival dizia que já tinham esperado o messias tempo demais. O Senhor não iria dar a Israel o governo. Já o dera a outros povos. Havia que aceitar isso. Viver o reino de Deus seria reconhecê-lo na situação atual e fazer o melhor proveito disso. Esses eram os conformistas que tentavam se adaptar a cultura dominante e viver. Seriam os publicanos mas também os saduceus de modo diferente e a casta sacerdotal dominante que fazia do templo sua fonte de rendimento. Para eles o reino de Deus estava ali mesmo nos proveitos que tinham em tentar viver a vida na presente situação.

4) Reino de Deus no Porvir

Mais tarde, já na era cristã, muitos interpretaram essa questão como o mundo do porvir. Aqui temos aflições mas um dia deixaremos esta realidade e iremos viver noutra. Lá teremos plena paz e viveremos fora do perigo do mal e do pecado. Lá será então total a dominação do Senhor e viveremos uma verdade diferente. Lá será o reino de Deus que aqui na terra não era possível conhecer.
 
5) A visão de Jesus sobre o Reino

O problema é que Jesus não tinha nenhuma dessas posições. Ele sabia que o messias não seria um guerreiro santo que devolveria o poder a Israel. Rejeitava essa visão. Mas não entendia que se devia fugir da vida e por isso não levara seus discípulos para mosteiros mas andava nas vilas e aldeias e era acusado de comer e beber com o povo. Não os queria fora do mundo, mas brilhando nele.

Isso não tornava-o conformista, pois não aceitava a governação vigente como correta. Foi ele quem atacou a forma de os sacerdotes agirem inclusive expulsando os vendilhões do templo aparentemente sem ter recebido autoridade para isso. Tampouco Jesus defendeu que o Reino de Deus seria só para depois da morte, em outra vida, porque falava aos discípulos exatamente das questões diárias que deviam ser enfrentadas. O que era então o reino de Deus para Ele?

Jesus defendia o plano de Deus eterno. O homem, criado para governar com Deus na terra, fora criado puro e sem pecado. Aceitara um golpe de estado que deixara o maligno no poder. Deus então encetara um plano de recuperação, renovação da humanidade e da própria criação. Esse plano passava por formar uma comunidade nova de homens e mulheres salvos do poder do mal, vivos para Deus e no meio de quem, em cujas vidas, Deus pudesse reinar e mostrar o que seria seu domínio no porvir.

Era essa a posição de Jesus. O reino viria um dia em forma física, mas começava já. Seria perfeito um dia, mas não esperava pela consumação dos séculos. Não dizia respeito apenas a uns poucos religiosos que viviam em separação de tudo, mas dizia respeito a todo discípulo de Jesus em meio ao cotidiano. Dizia respeito a não se permitir dominar pelas ansiedades de quem não conhecia o plano de Deus, não conhecia a realidade maior e podia então viver pelo plano maior. O discípulo entende-se parte dele. Baseando sua vida nas palavras e ensinamentos do mestre e salvador.

Jesus exemplificou exatamente isso em sua vida e em sua comunidade de discípulos. Uma vida em prol de outros. De serviço, de festa e alegria, de funerais e tristeza, de companheirismo e amizade. Era vida no sentido maior.

No fim de sua mensagem em Mateus 7: 24 a 27 deixava outra pista na parábola da casa construída sobre a rocha. Em geral vemos essa história como falando de vidas e podemos entendê-la assim. Mas Jesus falava de contrastes presentes. A casa em construção que todo Israel acompanhava era o templo de Jerusalém. Era o sinal maior das aspirações judaicas. Mas era construído por visões erradas do que seria o reino de Deus e acabaria por ruir. Seria a comunidade de Jesus, edificada em suas palavras que viria a triunfar. A profecia acertou em cheio. O judaísmo decresceu e se manteve marginal na história do mundo enquanto o Cristianismo se tornou a maior fé do planeta. Era a casa edificada sobre a rocha - Jesus.

O que isso significa para nós? Vamos parar de trabalhar? Vamos olhar o céu a espera que Jesus venha? Vamos chorar aqui e aspirar pelo céu? Não. Jesus nos chama a ser parte de sua renovação da humanidade. Parte do plano eterno de Deus. Vencendo a preocupação com estas coisas que dominam as mentes de quem não vê o quadro maior. Podemos viver e devemos viver. Trabalho, família, amizade, lazer, festas e funerais. Fizeram parte da vida de Jesus e fazem da nossa. Mas sempre com uma visão maior. Somos salvos pela graça. Somos instrumentos da graça. Somos chamados e viver para mostrar a verdade de Deus e a sua vontade. Acima dos stresses e ansiedades da vida sabendo que aqui e agora participamos da restauração da terra e vamos reinar com Jesus.

Esperança


Jurgen era um jovem cheio de vida e planos como seria de esperar que qualquer jovem aos 18 anos. Inclinava-se para o estudo da matemática e idolatrava Einstein. Ia fazer seus exames de admissão a faculdade quando foi admitido... ao exército. O ano era 1944 e Jurgen era um alemão de Hamburgo no fragor da segunda grande guerra. Foi incorporado ao exército alemão e colocado no front já na floresta alemã onde se rendeu a tropas britânicas.

Jurgen foi enviado como prisioneiro de guerra para um campo na Bélgica onde a verdade sobre a guerra foi vomitada sobre os soldados alemães e fotos dos campos de concentração de Auchwitz e Buchenwald eram colocadas em suas barracas para que sentissem o peso do mal feito pelos nazis. O jovem que fora criado sem qualquer principio cristão e cujo avô era um conhecido maçon afundou-se no desespero e no remorso. Depois de um tempo foi levado para um outro campo na Escócia. A boa receção dos locais o surpreendeu e um NT dado pelo capelão americano o despertou para a fé. Por fim, seu último campo na Inglaterra o colocou em contato com jovens cristãos e Jurgen encontrou a fé voltando a casa no firme propósito de estudar teologia. Seu contributo para a área teológica não poderia estar mais distante de seu inicio na fé. É conhecido por sua obra que tem como título, Teologia da Esperança. Estou falando de Jurgen Moltman.

O dicionário nos diz que Esperança é uma disposição de espirito que nos leva a esperar algo que se vai realizar. Esperança tem como sinónimos expectativa e confiança. Trata-se de uma das mais básicas disposições humanas e quando falta leva a desespero e muitas vezes suicídio ou atos de loucura. Como é possível que em meio ao horror de uma guerra e as angústias de uma prisão um jovem venha a desenvolver justamente essa disposição de espirito e não outra? Como pode alguém suportar situações como privação e crise mantendo a cabeça levantada e confiante? Provavelmente esperança é a resposta. Algumas pessoas tem expectativa  e confiança que as coisas irão de certo modo , outras não. A esperança é fundamental para a sanidade neste e em qualquer tempo.

O Cristão tem sua esperança em Deus. Confia na sua soberania, em sua justiça e amor e que no futuro (mesmo que desconhecido) o Senhor vai fazer tudo certo? Mas haverá base para essa esperança? Onde se baseia a esperança? Como podemos saber se é válida ou não? Olhando para as evidências, para a história. Um dos episódios da vida de um dos maiores profetas ajuda-nos a entender melhor isso.

Elias tinha sido usado poderosamente por Deus para desafiar um rei e uma rainha maus e perversos, do tipo que parecem saídos de um conto de fadas. Acabe e Jezabel entram na história como símbolos de maldade e governo despótico. Elias é um homem simples e aparentemente rude mas cheio da presença de Deus que os desafia e por fim obtém uma vitória retumbante contra os falsos profetas de Baal no monte Carmelo. A vitória descrita em I Reis 18 é uma das mais extraordinárias da Bíblia. E o que sucede então? Como reage o homem de Deus? Entra em profunda depressão quando percebe que sua vitória não levou a queda de Jezabel, não mudou o coração do povo e sua própria vida está em risco máximo. A crise desta vez é forte demais e ele foge e pede para morrer (I Reis 19:4). O Tratamento inicial do Senhor é descanso e sossego. Resolver questões a quente não funciona. Mas depois de dar a Elias 40 dias de repouso e solidão o Senhor vai tratar de o reanimar e reacender a esperança que se fora. E como foi que o Senhor fez isso? Como é que deu a Elias um retorno a forças para continuar? Vejamos o texto e aprendamos com o Criador que melhor conhece o funcionamento do coração humano (I Reis 19: 8 a 21).

Ele está Presente

A primeira coisa que o Senhor faz Elias perceber é sua presença. No entanto este texto é tão extraordinário porque nos mostra que essa presença nem sempre acontece do modo como pensaríamos de Deus. Temos a tendência de só entender a presença do Senhor nos grandes acontecimentos. Quando o mar se abre, quando o milagre acontece, então entendemos que o Senhor está presente, mas quando não há barulho... tendemos a achar que Ele se ausentou. Mas nesta passagem não aparece o Senhor no vento ciclópico, nem no terremoto tremendo, nem no fogo consumidor, mas numa brisa suave e delicada. Que extraordinário! Que mensagem confortante. Ele está presente na brisa que nos afaga mesmo quando não o vemos.

Avalia tua Situação

O Senhor chama Elias a uma autoavaliação. Há razões reais para esse desespero? Há razão para tanta angústia e duvida? Várias vezes na Bíblia o Senhor faz isso. Principiando no Eden quando pergunta a Adão: Onde estás? O Senhor nos chama a parar de vez em quando para olhar nossas vidas e perceber se há realmente motivos para nos afundarmos em autocomiseração. A autopiedade é um inimigo terrível. Leva-nos a pensar que somos as criaturas mais miseráveis do planeta. Isso não só é falso como é uma posição que não nos permite a reação. No caso de Elias (como na maioria) a simples avaliação não chegou a ajudar. Ele reiterou o que já dissera antes.

Volta pelo teu Caminho

O Senhor parte então para o restaurar da esperança e da vida em Elias. Volta pelo teu caminho, é a ordem. E porque? Duas razões principais. O voltar pelo mesmo caminho era uma forma de ajudar Elias a recordar. O caminho que ele percorrera era cheio de memórias da peregrinação do povo de Israel antes de entrar em Canaã. Ao regressar por esse caminho Elias iria recordar como o Senhor agira na história de seu povo suportando, abençoando, dando vitória e por fim uma nova terra. Volta para recordar como Deus agiu no passado e abençoou o povo.

Mas volta pelo teu caminho era também uma forma de mostrar que Deus agira na vida dele, Elias. Ao passar novamente pelos mesmos lugares ele lembraria da oração para que não chovesse, dos confrontos com o rei, do suprimento de alimento pelos corvos, da farinha da viúva, da ressurreição do filho da viúva, da vitória no Carmelo. O regresso pelo mesmo caminho seria uma forma de levar Elias e ver como Deus já agira de modo tão maravilhoso em sua vida e continuaria a fazê-lo. A base da esperança está exatamente no que o Senhor já fez e que nos leva a confiar em suas promessas para o futuro.
Tens ainda o que Fazer

O Senhor mostra então a Elias que ele ainda tinha o que fazer nesta vida. O Senhor tem propósitos para nós, planos para nós. Há coisas que Deus deseja fazer que só nós podemos fazer. Ele decidiu que assim seria. Se nós não fizermos talvez Ele chame outras pessoas, mas é também possível que ninguém o faça. Que responsabilidade, mas também que privilégio. Que riqueza. Pensar que o Senhor criador do céu e terra tem planos para mim, deseja-me para suas obras. Saber isso também me ajuda a crescer na esperança. O que o Senhor tem para minha vida afeta a de outros e vice-versa. Que riqueza para mim e para os outros. Que alegria para minha expectativa de vida.

Não estás Só

Se há uma coisa que nos deixa sem força é a sensação de estarmos sós. Elias se sentia só e sem qualquer apoio. Ele julgava que só ele sobrara de todos os que adoravam a Deus. Só ele era justo. Só ele sofria daquele modo. O Senhor o ajuda a perceber que não está sozinho. Há muitos outros que partilham a fé, a luta, a dor, o sofrimento mas também a esperança. Uma esperança já é algo bom, uma esperança partilhada é algo contagioso e que pode mudar a realidade a nossa volta.
No meio da guerra e da miséria Moltman entendeu a esperança que temos no Senhor. A história do seu povo, a história em geral, a história de pessoas a nossa volta, a história da igreja e a nossa própria história servem para lembrar a base dessa esperança. Minha esperança está no Senhor que fez o Céu e a Terra e que tem se provado vez após vez presente, atuante e benevolente. Volta pelo teu caminho, descobre o que ainda tens a fazer, não estás só, o Senhor e uma multidão de fiéis te acompanha. Louvado seja o Senhor!
 

O que diferencia minha Igreja?


          Porque você compra nesta loja e não na outra? Pense um pouco. Pode haver muitas razões. Talvez esta seja mais barata, ou é mais perto de sua casa ou simplesmente se acostumou a encontrar as coisas que quer nesta aqui. Mas o que diferencia as lojas? Pense bem. Basicamente todas têm as mesmas coisas. E se analisarmos bem, veremos que as diferenças de preços nem são tão grandes. Então, porque vamos a esta e não a outra? Na verdade tem a ver com tratamento. Regra geral a diferença entre uma loja e outra é a forma de tratar os clientes e todos sabemos isso implicitamente.
          Pense em seu retrospecto. Já teve experiências más numa loja, ou restaurante? Foi mal atendido, houve falta de interesse em ajudá-lo, demoraram muito para o servir, foram até rudes nas respostas? E o que aconteceu? Você nunca mais voltou e provavelmente contou a várias pessoas sobre o assunto. Falo por mim. Há várias grandes lojas de material electrónico e informático em Lisboa, mas há uma dessas onde nunca vou. Seus preços são bons, sua localização é excelente, sua organização é eficaz, mas fui mal atendido lá por duas vezes. Simplesmente não volto.
          O que diferencia as igrejas? Pense bem antes de responder. Pode ser que fique mais perto de sua casa, ou gosta das pregações do pastor, ou tem um estilo de louvor que o agrada. Mas se meditar bem verá que provavelmente a sua igreja de escolha tem a ver com as pessoas. Provavelmente escolheu sua igreja por causa dos relacionamentos. Encontra ali amigos, parentes, conhecidos de longa data e gosta da relação que tem com eles. Se foi a uma igreja que é até boa, bonita, com bom culto e um bom pregador, mas foi mal recebido, não fez contato com as pessoas e não se sentiu acolhido, dificilmente vai permanecer.
          Por favor, me entenda bem. Não estou dizendo que as igrejas são como lojas e que somos vendedores de produtos religiosos. Não é essa minha convicção ou entendimento. Mas a verdade é que a vida é feita de relacionamentos e as igrejas também. O que de diferencia mais significativamente uma igreja de outra acaba por ser a maneira como a membresia se relaciona. Jesus nos deixou uma regra básica para os relacionamentos em Mateus 7:12, “Aquilo que quereis que os outros vos façam, fazei-lhos vós também a eles”. Desde o século XVII que este texto é conhecido como a regra de ouro. Jesus está dizendo que devemos 1º- pensar em como queremos ser tratados e 2º- começar a tratar os outros assim. Pensemos então em como queremos ser tratado para pensarmos em como devemos começar a tratar os outros.
          Eu quero ser incentivado. Paulo explicava a necessidade de incentivo na igreja da seguinte maneira: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade e assim transmita graça aos que ouvem” Efésios 4:29. Eu preciso de palavras assim. Preciso de incentivo na caminhada, de consolo nas lutas, de ânimo nas dificuldades, de conforto nas perdas. Eu quero receber palavras que me coloquem para cima, que me sirvam de força para continuar. Gosto de estar perto de pessoas que me tratam assim. Naturalmente me aproximo delas e procuro ouvi-las porque sei que sairei animado. Suas palavras são bênção.
          Se preciso de incentivo e quero ser incentivado então devo começar por incentivar os outros. Ser conhecido por uma pessoa que tem sempre uma palavra de reconhecimento e ânimo. Notemos bem que não há aqui incentivo para bajulação ou elogio interesseiro. Devo partir dos princípios que 1º- todos são criados a semelhança de Deus e têm características que devem ser reconhecidas e valorizadas e 2º- dar esse tipo de incentivo e valorização é ensino direto do Senhor. Todos precisam de ser estimados e reconhecidos. Todos temos essa necessidade. Onde as pessoas deveriam encontrar isso? Na família de Deus, na Igreja de Cristo. Uma comunidade onde as pessoas se valorizam, se elogiam e se animam mutuamente.
          Eu quero ser perdoado. Não sou perfeito. Falho por vezes nas palavras, outras vezes nos atos, muitas vezes nas atitudes. Mas quando falho não significa que não tenho valor e ou que sou detestável. Peco porque sou humano e apesar de lutar contra o pecado ainda não estou livre de sua presença. Sou o primeiro a reconhecer minhas fraquezas e a lamentar meus erros, Mas quando falho preciso e desejo ardentemente ser perdoado. Não preciso que me desculpem ou que passem a mão sobre minha cabeça. Pode ser que por vezes precise mesmo de exortação e correção. Mas preciso mesmo é de perdão, primeiro de Deus e depois de meus irmãos.
          O ensino bíblico é claro quando diz “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou” Efésios 4:32. Todos erramos, todos pecamos e todos precisamos de perdão. A falta de perdão é barreira inultrapassável nas relações e tem destruído casamentos, famílias e igrejas sem conta. A falta de perdão pressupõe sempre certa vaidade, orgulho e falta de auto análise, mas a verdade é que é difícil perdoar daí que a Palavra fale tanto disso. Na igreja vivemos em comunidade e é natural que surjam atritos, desentendimentos, diferenças de opinião. Também acontecem coisas menos bonitas e por vezes somos magoados sériamente. O ensino bíblico me diz que devo tratar os outros como quero ser tratado. Eu preciso e quero perdão. Devo então perdoar, de modo rápido e completo. Lançar sobre Deus minhas ansiedades e abrir mão de qualquer sentimento de vingança ou ressentimento. Essa atitude será bênção em primeiro lugar para mim mesmo e depois para a igreja de Jesus.
          Eu quero se Compreendido. Gosto que me ouçam com vontade. Aprecio quando me dão atenção concentrada e posso ver nos olhos do outro um desejo genuíno de me escutar. Fico deliciado quando verifico que alguém que me ouve mostra entender minha situação, compreende meu estado de espírito ou meus dilemas. Pode ser até que essa pessoa nem saiba muito o que me dizer ou como me aconselhar, mas o simples facto de ser ouvido e compreendido me abençoa tremendamente.
          Quem não precisa de um ouvido amigo ou de um ombro para chorar de vez em quando? Paulo incentivava a igreja nesse sentido quando escrevia “alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” Romanos 12:15. Que bênção! Todos temos a experiência terrível de ter que desabafar e não saber com quem. Mas também creio que a maioria já teve a alegria (nem sempre tão frequente quanto gostaríamos) de encontrar alguém que nos ouviu com atenção irrestrita e nos deu momentos preciosos de comunhão. E o que aconteceu? Fui abençoado e passei a ter uma ligação especial com essa pessoa. Ora, se sei o quanto isso é importante porque não começo a praticá-lo? Ouvir é uma arte que está `a disposição de qualquer pessoa que tenha pelo menos um ouvido bom. Se começarmos a ouvir descobriremos que o Senhor pode nos fazer bênção de um modo simples e direto.
          Uma regra de ouro e três simples atitudes que podem fazer toda a diferença. Já imaginou se as pessoas em nossa igreja começarem a praticar de modo consciente e deliberado os atos de reconhecer/incentivar, perdoar e Ouvir/compreender? Faria diferença não? O que diferencia uma igreja de outra realmente? A qualidade da relação entre seus membros. Ser Cristão é seguir a Cristo nas coisas práticas da vida e uma das mais práticas é viver a regra áurea.
A responsabilidade de fazer uma diferença positiva em nossa igreja está em nossas mãos. Vamos parar de acusar os outros de seus erros, de justificar nossa falta de iniciativa e reclamar de que a nossa congregação não é o que devia. Para que ela comece a ser o que deve ser, eu e você temos que começar a viver o que o Senhor nos ensinou. Comecemos já! Tem alguém precisando de nosso incentivo, de nosso perdão e de nosso ouvido hoje mesmo! Ore e peça ao Senhor para saber a quem abençoar e vamos ser uma igreja diferente para a Glória de Deus!
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