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O PASTOR QUE PRECISAMOS!

CARÁTER OU CARISMA?
A crise tem atingido a Igreja e o Ministério e hoje, mais do que em outros tempos procura-se pastores. Igrejas procuram, ovelhas procuram, até pessoas de fora da igreja procuram. Mas, que tipo de pastor?
Hoje muitas vezes, quando se trata de uma sucessão pastoral os critérios para a escolha de um pastor passam por um bom currículo (leia-se: ter sido pastor de igrejas grandes), fama denominacional, títulos (quanto mais, melhor), pregação agradável, nível salarial aceitável e sucesso no ministério anterior (leia-se: número crescente de membros na igreja anterior). Mas será que é isso que precisamos num pastor? Pensemos naquilo que realmente fará a diferença no reino espiritual:

1)Compromisso com Deus
Precisamos de um pastor que tenha, acima de tudo, um compromisso com o Senhor. Um homem com uma vida de oração marcante, que conhece o jejum e a intercessão, que separa tempo para ouvir o Grande Pastor em primeiro lugar. Normalmente as igrejas não contabilizam as horas de oração que seu pastor gasta por semana, mas esse deveria ser o primeiro critério de seleção.

Poderemos notar esse compromisso na formação da agenda: esse pastor é do tipo que marca as coisas porque há espaço na agenda ou ora primeiro antes de aceitar novos compromissos? Decide a linha ministerial por livros de sucesso no mercado ou depois de um tempo de busca do Pai? Enfatiza o uso de técnicas sociais na vida da igreja ou dá importância à oração da congregação? Prega de acordo com os temas da moda ou daquilo que tem convicção que o Senhor lhe mandou?

Se procurarmos bem, saberemos onde achar essas respostas. Não virão no boletim da igreja, nem possivelmente da liderança da igreja. Há que procurar mais perto, na esposa, filhos, amigos, vizinhos, funcionários da igreja que convivem no dia a dia com o homem de Deus . São esses que conhecem seu comportamento sob pressão. São esses que o vêem quando as luzes estão apagadas. São esses que nos poderão confirmar ou não o compromisso do homem com seu Senhor.

2) Compromisso com a Palavra
Precisamos de um pastor que tenha um compromisso vivo com a Bíblia. Que a veja como o livro de Deus, inspirado pelo Espírito Santo, enviado pelo Senhor como revelação direta de seu Ser e sua vontade para a vida humana. Esse compromisso tem que se mostrar na prioridade do estudo e meditação da Palavra. Um pastor que não tem tempo para ler a Bíblia está em maus lençóis.

O compromisso bíblico se revela da vida e na pregação. Numa vida pautada pelas orientações bíblicas, que faz decisões baseadas nos princípios da Palavra, que tem as prioridades definidas pelas escrituras e que não condescende para agradar. Mas também numa pregação em que a Palavra é central. Estamos cheios de sermões/ discursos de auto- ajuda, que falam de tudo e de todos, que usam técnicas de psicologia e outras ciências sociais mas que não alimentam porque não saem da revelação escrita.

Um pastor bíblico corre o risco de ser considerado um tanto retrógrado, um quadrado ou antiquado, mas trará à vida de seu rebanho o alimento verdadeiro que refrigera e dá orientação segura para as escolhas do cotidiano.


3) Compromisso com a Família
Precisamos de um pastor que saiba colocar seu casamento e sua família na ordem certa das prioridades do ministério. A Bíblia nunca pediu o sacrifício de matrimônio e de filhos no altar do ministério. Um casamento feito na orientação divina é o maior apoio para um pastor dedicado. Os filhos são benção de Deus e não empecilho para a ministração. Os que compõem a casa do pastor são seu primeiro e mais precioso rebanho.

Quando Paulo orientou a Timóteo na escolha de líderes para as igrejas, deu ênfase na família.  Deveriam ser maridos e pais cujo testemunho pudesse servir de base ao ministério. Perdemos a confiança quando vemos pastores cujas esposas não aguentam ouvir seus sermões e filhos que preferem o mundo à igreja. Um compromisso com a família é relativamente fácil de verificar. Veja seu casamento, entreviste seus filhos. O que têm a dizer sobre o pastor? Esse não tem sido um dos critérios muito procurados, mas é biblicamente um dos mais importantes no pastor que precisamos.

4) Compromisso com as Ovelhas
Precisamos de um pastor que entenda o que significa cuidado pastoral. Antes de ser benção no púlpito há que ser benção nas casas, no escritório, nos contatos pessoais. É aqui que muitos pastores se perdem. São ótimos de púlpito diante das multidões, mas não têm tempo para o discipulado e o acompanhamento. Pastores só serão pastores quando as ovelhas perceberem seu cuidado.

Precisamos regressar às décadas passadas para conhecer os pastores de então. Não é que não os encontremos hoje, mas é mais difícil. Hoje os pastores são avaliados por critérios públicos e a maioria das coisas que realmente fazem o pastor que precisamos são bem particulares como oração, estudo da Bíblia e aconselhamento. Pastoreio pode até acontecer do púlpito, mas acontece mesmo é nas conversas individuais, no discipulado, nas visitas e nas horas de aconselhamento.

Conclusão: Recentemente um seminarista me entrevistou acerca do ministério e o que seria mais importante, carisma ou caráter? O simples fato de precisar fazer a pergunta me entristeceu. Não deveria ser óbvio? Parece que não. Na vida ministerial (e em tudo o mais também) o caráter tem primazia sobre qualquer tipo de carisma. Caráter sem carisma pode fazer um grande ministério. Talvez pouco notório, mas seguro, valioso, agradável a Deus. Carisma sem caráter pode até levantar muita poeira, mas será só isso mesmo, poeira.

Caráter é vida, carisma é Show. 
Caráter é fundamento, carisma é decoração. 
Caráter é constância, carisma é explosão.
Caráter é fruto de comunhão com Deus, princípios claros e perseverança no caminho.
Carisma é genética, temperamento e muitas vezes manipulação. Junte os dois com base no caráter e poderá ter um grande líder, mas prefira sempre o caráter ao carisma.
... 
Quando tudo for pesado e avaliado, as luzes da festa estiverem apagadas e cair o pano, quando chegar a hora de uma avaliação real e duradoura, o pastor que precisamos é aquele de quem se possa dizer: Era um Homem de Deus!
...

(Se gostou, apreciou ou sentiu empatia com esta meditação saiba que nas próximas semanas falaremos sobre a Igreja que Precisamos, o Sermão que Precisamos e o Louvor que Precisamos)


Abra mão do que não pode carregar!

Recentemente assisti a uma cena interessante. Uma menininha de aproximadamente um ano carregava alegremente uma folha de papel em branco e duas canetas, uma em cada mão. Passando pelo seu pai ela notou que o pai também tinha uma caneta na mão. Pela reação de seu rosto dava para ver que apreciou muito a caneta do pai e logo mostrou vontade de a ter. O pai se mostrou pronto a lhe passar a caneta, mas então veio o dilema. Ela olhava para uma e outra mão. Tinha as mãos ocupadas. Para pegar a caneta nova que desejava teria que abrir mão de uma das que já tinha. O dilema durou uns segundos e ela então seguiu em frente, abdicando da caneta desejada.


Esse episódio me trouxe à mente uma palavra de Jesus aos discípulos em João 16:12: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar”. Numa hora tão crítica, tão próxima da cruz, havia ainda tanto para dizer, mas simplesmente não era possível. Eles não podiam suportar. Não cabia mais nada em suas mentes de tal modo estavam cheios de suas próprias ideias, conceitos e agendas. Tinham planos para Jesus, para eles mesmos e para os demais. Não havia lugar para o que o Mestre desejava compartilhar.
Se há algo que pedimos são bênçãos. Oramos por elas e desejamos recebê-las. Clamamos por sabedoria, por orientação, por direcionamento neste mundo confuso e cheio de imprecisão. Queremos que o Senhor nos abençoe, nos cumule de tudo o que é bom e nos mostre de modo o mais claro possível a direção a seguir. Mas parece que, sistematicamente, nossas orações ficam sem resposta.
A bênção que chega à casa de meu vizinho parece passar ao largo da minha porta. Invejo aqueles que mostram segurança e que falam de intimidade com Deus e palavras de sabedoria, mas eu mesmo não pareço receber essas revelações. O que estará errado? Será que o Senhor não quer me responder? Será que Ele não me ama como ao vizinho? Haverá algo errado na nossa linha de comunicação? Ou será que simplesmente não cabe mais nada em minha vida?
Creio que muitas vezes nosso problema é o da menina e suas canetas. Simplesmente já temos coisas demais em nossas mãos! Pode muito bem acontecer de termos que abrir mão primeiro para depois receber. Temos tantas coisas atravancando nossas vidas que não há espaço para o que o Senhor quer nos dar. Há tantas “canetas” ocupando nossos dias que não há como Deus nos dar ainda mais.
O Espírito deseja iluminar nossas mentes (Efésios 1:17 e 18), mas temos tantas coisas ocupando nossas mentes que não cabe mais nada! Há tantos pensamentos, conceitos, livros, eventos, discursos, mensagens e compromissos que a caixa está cheia e não há lugar para mais nada. O Senhor espera ardentemente que o busquemos de todo coração. Isso requer esvaziar primeiro para depois encher.
Esse foi o segredo de Jesus. Primeiro ele se esvaziou (Filipenses 2:7) para poder ser pleno do Pai. Estamos tão cheios de tanta coisa que simplesmente não é possível esse enchimento. Não se pode encher o que já está transbordando. E adivinha quem é especialista em encher nossas vidas e mentes de tal modo que não haja espaço para o Senhor? Se disse o inimigo, acertou em cheio. Se disse nós mesmos, também acertou, pois na verdade a tentação original sempre foi no sentido da liberdade e independência que quer estabelecer a própria agenda em detrimento do seguir a vontade de Deus.
Podemos viver assim. Mas é esgotante. Podemos sobreviver desse modo e até nos gabarmos de não termos tempo para nada. Acabamos porém irritados com a falta de tempo, a falta de bênçãos (percebida mas não real) e a falta de direção do Espírito (sentida, mas totalmente por nossa culpa).
Se não cabe mais nada em sua vida então pode ter a certeza de que já a encheu demais. Se não houver espaço para o melhor vai ter que viver com o que conseguir arranjar. Provavelmente vai estar longe do que poderia ser se fosse o Senhor a enchê-lo. Mas lembre-se, o caminho é esvaziar primeiro e então permitir que ELE encha. Não lute com as mãos cheias. Parafraseando um grande missionário que deu a vida pelo Senhor:
Abra mão do que não pode carregar para receber o que não pode perder.

Amor: Substantivo, Adjetivo ou Verbo?


As aulas de gramática não eram minhas favoritas. Pareciam-me uma perda de tempo. Afinal nós já sabíamos falar e escrever e uma aula para nos ensinar a fazer isso parecia meio sem propósito. É evidente que a razão principal era outra. Gramática era trabalho duro. Muitas regras a decorar, definições, conjugações… isso sim era a razão para não gostar das aulas. A par de matemática eram as aulas menos apetecíveis. Mas na verdade eram importantes e úteis. Não entendia nessa altura mas gramática tinha a ver com a qualidade de comunicação. Falar e escrever bem eram atributos que nos acompanhariam toda a nossa vida e eram essenciais ao nosso contato com as outras pessoas.

A gramática também nos ajuda na vida Cristã. Muitas das importantes descobertas sobre a vida que devemos viver em Cristo vem pela analise das palavras do texto sagrado. Entender essas palavras e sua categoria gramatical e sua utilização pode fazer toda diferença em nossa aplicação. E é de aplicação que se trata a vida em Cristo porque saber sem fazer não tem qualquer utilidade a não ser nos colocar na fila perigosa dos que caminham em direcção a hipocrisia e falsidade.

Amor é uma dessas palavras. Como se deteriorou. A Bíblia nos fala de amor eterno, amor sofredor, amor altruísta e nós hoje falamos de amor para nos referirmos a algo que é passageiro, profundamente egoísta, abusador e maltratante. Deve haver engano em algum lugar. Alguém, em algum lugar perdeu a noção do que é amor e passou a usar a palavra de modo errado. Usemos então a gramática. Lembremos o que Jesus nos disse sobre o amor e vejamos se a gramática pode nos ajudar.

João 15:12 amarmos uns aos outros na igreja (amar os irmãos em Cristo)

Mateus 22: 39 amar o próximo (meu vizinho, meu colega de trabalho)

Mateus 5: 44 amai os vossos inimigos (meus adversários, que me fazem mal)

Uma progressão difícil. SE temos por vezes dificuldade em amar aos nossos irmãos na igreja onde há em teoria a mesma fé e a mesma pratica como amarei meus adversários? Do que Jesus estava falando quando deu esses mandamentos? Vejamos sem a gramática nos ajuda. Olhemos para as diferentes possibilidades da palavra e pensemos em soluções.

Substantivo: palavra que designa ser, coisa, estado, sentimento, substancia ou processo. Será o amor que Jesus fala substantivo? Ora um substantivo é algo sobre o que podemos conversar, discutir. Sobre ele fazemos poemas, discursos, trabalhos científicos. O substantivo é uma designação de algo que por regra podemos observar fora de nós. Pode ser usado ou descartado. Cadeira, substantivo que designa um objecto onde me posso sentar ou apoiar os pés para amarrar os sapatos ou subir em cima para apanhar algo no armário de cima e que posso deitar fora porque já não preciso mais pois tenho outra mais nova, mais forte, mais bonita. Amor substantivo, algo que posso sentir por alguém ou nutrir por alguém enquanto durar… O amor substantivo é realmente pouco duradouro. Não é realmente parte de mim pois posso descartá-lo. Amor substantivo é como um objecto que posso usar e deitar fora, que ponho aqui ou acolá, que carrego ou deito fora, que utilizo e reutilizo, reciclo e altero, algo que é passível de manipulação constante. É algo sobre o que discutimos e debatemos. Falamos dele como algo exterior e passível de discussão. Discorremos sobre ele e depois já não mais. Não me parece que seja sobre isso que Jesus falava.

Adjectivo: palavra que serve para se juntar ao substantivo e o classificar ou qualificar. O amor pode ser um adjectivo. Dizemos de alguém: é um amor. Trata-se de uma utilização mais comum para bebes ou para atitudes meio lamechas que assistimos ocasionalmente. Alguém diz algo bonito ou faz um gesto carinhoso e dizemos: é um amor. Falamos de alguém a quem queremos elogiar e dizemos: é um amor. Classificamos com amor. Mas essa utilização além de rara é totalmente subjectiva. Aquilo que pode ser um amor para uma pessoa pode ser absolutamente sem graça para outra. Algo que alguém vê como precioso pode ser totalmente sem sentido para outra pessoa. Por exemplo, nos países de leste é comum se darem flores a homens e seria considerado muito correto e mesmo um amor. Já em Portugal, no nosso mundo latino, macho não recebe flores e se receber é capaz de comentar de muitas formas mas não dirá que foi um amor. Adjectivar é um ato pessoal e subjectivo e creio que Jesus falava de amor como algo inequívoco, sem sombra de dúvida, universal e aplicável a todas as pessoas em todos os lugares. O amor do qual Jesus falava não era amor adjectivo.

Verbo: palavra que afirma existência de uma acção atribuída a um sujeito; exprime um fato e localiza-o no tempo ligado a um sujeito. Verbo é acção. A Bíblia diz que Deus amou tanto que deu… amor ligado a um ato, a uma acção, a um fazer. Não é algo que se pode discutir ou debater. Ou existe ou não. Um verbo por ser acção não é ambíguo, não é subjectivo, não é passível de má interpretação. Ou fez ou não fez, ou deu ou não deu, ou aconteceu ou não aconteceu. Na Palavra, amor para Deus sempre foi verbo. Ele amou, por isso criou, delegou, ajudou, salvou, livrou, protegeu, abençoou. Quando Paulo falou sobre amor falou sobre algo prático, definiu acções, orientou actos.

Na vida Cristã somos chamados a amar um amor verbo. Pode ser sentimento, mas não é só sentimento, pode ser qualidade, mas é mais que isso. Trata-se de agir. De fazer o melhor para outro. Esse tipo de amor pode ser dado e demonstrado mesmo por um inimigo a quem não aprecio e de quem não tenho sentimentos muito bons. Posso amá-lo biblicamente mesmo assim. E nos atos de amor prático meu coração será transformado e talvez até mesmo o dele. Jesus deixou isso bem claro, em sua passagem sobre o fazer aos mais pequeninos em Mateus 25:34 a 40. Este é amor verbo. Este é o amor do Pai. Este é o amor que o Senhor espera de nós.

A Cruz mostra o tamanho

Gostamos de medidas! Temos aparelhos para medir quase tudo. Altura, peso, profundidade, cumprimento, densidade, quantidades. Medimos os valores de açúcar e colesterol, a densidade dos nossos ossos, a profundidade dos vales oceânicos, a altura das montanhas do himalaia e a distância a Marte. Mas há outras coisas mais difíceis de medir. Como medir a maldade? Como medir o amor? Ou a justiça? Mas há um medidor muito fiel de tudo isso – a cruz de Cristo.

Algo que atesta da extraordinária força do Cristianismo é exactamente o fato de ter tornado um símbolo de tortura em seu marco maior. Que religião poderia esperar ter sucesso usando como marca um instrumento de tortura e morte? Os experts em marketing certamente teriam dito aos primeiros discípulos que escolhessem outra marca. Vocês não querem ficar conhecidos por uma cruz… ninguém quer! Mas foi a cruz que se tornou símbolo mundial da fé cristã e entre outras coisas o fez porque nos serve de medida, mostra o tamanho.

A cruz mostra-nos o tamanho do nosso pecado. Como é fácil ver o mal nos outros e classificar de horror algo que o meu vizinho fez. Já não somos tão rápidos em relação a nossas falhas. Mas qual é o tamanho do pecado? Se quer saber olhe a cruz. Veja a dor, o sofrimento, a tortura e saberá. O meu pecado é do tamanho da cruz. É tão horrendo quanto ela, fez com que fosse necessária. O meu pecado é feio como a cruz, e a tornou obrigatória. Não podemos olhar com ânimo leve para algo que levou Jesus a tal sofrimento. Não podemos desprezar algo que faz com que tal tortura seja essencial.

A Cruz mostra-nos o tamanho do castigo que merecíamos. Todo mal precisa ser castigado. Ora na cruz vemos o tamanho do verdadeiro castigo. É grande, muito grande. O pecado é afronta a Deus. É um ato de rebeldia ao Senhor do Universo. Um ato de desobediência grave, uma blasfémia contra a pureza do Senhor. Quando pecamos estamos mostrando nosso lado maligno e a facilidade com que negamos o amor de Deus e aceitamos a proposta do mal. Pecar é agredir. Agredir a um Senhor que nos deu a vida e tudo o mais e que desejava apenas o nosso amor. O castigo para isso não podia ser pequeno. Rebeldia se trata com pena de morte. A cruz nos mostra isso.

A cruz nos mostra o tamanho da justiça Divina. Temos muitas vezes a falsa noção de que o Senhor não age como deveria. Muitas vezes desejamos que haja mais justiça no mundo. Vemos coisas terríveis acontecer e acreditamos que o Senhor não se importa, que Ele não aplica a justiça. Ficamos confusos diante do modo como coisas boas acontecem aos maus e coisas boas acontecem aos bons. Clamamos interiormente por justiça. E onde a encontramos? Na cruz. A cruz era necessária por causa da justiça de Deus. Ele não podia deixar o pecado passar impunemente. Tinha que o punir de forma exemplar. Quer saber o que Deus sente dos horrores do holocausto? Da forma como Ele age com pedófilos etc? Olhe a cruz e verá. O horror da cruz tem a ver com isso. Foi necessária porque  justiça de Deus exigia uma punição exemplar a tudo o que de terrível tem acontecido na história humana. Na cruz vemos a resposta de Deus a tudo isso.

Mas a cruz é sobretudo onde vemos o tamanho do amor de Deus. Se sente que há algo errado com a justiça de Deus ser aplicada sobre um inocente como Jesus é porque não entendeu a verdadeira mensagem da cruz. A justiça tinha que ser aplicada. Quem deveria suporta-la era eu e você. Na cruz Deus toma sobre si mesmo a pena que sua justiça exigia. Ele paga a dívida que não pode ser perdoada de outra maneira. E aí entendemos a graça, a Divina Graça. Dar o que não merecemos e não nos dar o que deveríamos receber. Jesus leva a nossa culpa, o nosso castigo, a nossa punição pelo nosso pecado. A troca é simples: meu pecado pela justiça dele. Meu erro por sua bondade. Minhas falhas e perversões por sua santidade e cuidado. Isso é a boa nova: que em Jesus e na cruz Deus nos pode perdoar porque Ele mesmo levou a punição.

Logo, grande salvação! A cruz nos mostra o tamanho da salvação que recebemos em Cristo e nos deveria levar a clamar imediatamente por perdão. Arrependidos e gratos recebemos de Deus sua graça e salvação e somos libertos da condenação.

Otimismo Retroativo


Chamou-me a atenção uma expressão muito mencionada atualmente  – Otimismo Retroativo. Trata-se da capacidade de ser otimista ou feliz apenas com situações que já passaram. É um misto de saudosismo que só encontra motivos de alegria no passado e insatisfação pessimista que vê só nuvens negras no futuro. O curioso nesta situação é que aquilo que hoje se analisa como maravilhoso foi visto então como negativo. Só há otimismo e satisfação a posteriori. A expressão se aplica atualmente ao estado de espírito de toda a nação portuguesa e talvez na maioria da Europa.

A Igreja tem tido a infeliz tendência de seguir o mundo e nesse sentido acaba por demonstrar também um otimismo retroactivo. Os programas previstos são olhados com desconfiança. Boas mesmo só as coisas do passado. A nível pessoal ainda é pior e o crente se vê dominado por um sentimento geral de desânimo e falta de coragem. E é nessas horas que mais precisamos olhar para a Palavra.
1) Motivos de Gratidão presentes
Paulo conclamou os crentes de Filipos a se alegrarem enquanto estava na cadeia em Roma esperando sua condenação (Filipenses 4:4, 6 e 7).
Jesus nos falou de viver nele Vida abundante falando na Palestina e não em Pompéia ou Capri ou na baía da Nápoles. Se olharmos à volta veremos que temos muitas razões para agradecer:
·        Visite um hospital oncológico e verá gente lutando pela vida em meio às dificuldades de uma quimioterapia e talvez valorize mais sua saúde;

·        Acompanhe o quotidiano de uma criança ou jovem com paralisia cerebral e talvez aprenda a louvar pela saúde de seus pequeninos;

·        Visite um centro de reabilitação de drogados e é provável que agradeça a Deus por seus familiares terem trabalho e estarem bem ajustados na sociedade;

·        Ouça as notícias da igreja perseguida e talvez aprenda a louvar por ter liberdade de culto.
Jesus mandou que olhássemos à nossa volta, para a natureza e percebêssemos que o cuidado de Deus nos cerca a cada momento. Porque reclamar tanto sobre o que não temos quando há tanto para louvar em nossas mãos.
2) As testemunhas que nos cercam
Hebreus 12:1 fala que estamos rodeados pelos testemunhos de muitos que nos antecederam na fé.
·        Lembre de Davi usando suas lutas e problemas para criar salmos de Louvor

·        Recorde o Povo de Israel que recebeu uma lista de festas no meio de um deserto abrasador

·        Leia novamente a história de Daniel orando na cova dos leões

·        Reveja a expressão de Neemias ao povo em meio aos escombros de Jerusalém – A Alegria do Senhor é a nossa força

·        Veja Pedro dormindo tranquilamente na noite que antecedia à sua execução

·        Ouça Paulo e Silas cantando à meia-noite nos calabouços de Filipos
São muitos os exemplos antigos da Bíblia e da História da Igreja que nos mostram que os servos de Deus tem uma atitude diferente diante da vida e dos problemas. Não somos pessimistas dominados pelo materialismo que só encontram prazer no consumo sem controlo e que vivem unicamente para uns poucos momentos de prazer. Temos uma razão maior.
3) Nossa razão maior - O Senhor
Para mim o viver é Cristo, dizia Paulo. Onde está nossa razão de viver! Onde está nossa esperança e nosso propósito? Em Cristo. Ele deu a vida por nós para tivéssemos vida aqui e garantia do céu lá. Andamos no temor do Senhor sabendo que a cada momento Ele nos acompanha mesmo que o vejamos claramente. Confiamos no poder do Senhor que é mais digno de confiança que todas as ciências e elaborações humanas. Ele tem provado seu amor de tantas maneiras e é o mesmo Deus ontem, hoje e eternamente. Ele não faz distinção entre seus filhos e aquilo que é bênção para o passado será também para o presente. Quem muda é o homem. O que muda é o nosso coração, mas a palavra do Senhor permanece para sempre.
Não somos chamados a um otimismo tolo e irrealista. Somos chamados a lembrar que há bem mais nesta vida que aquilo que vemos, que há mais no homem do que aquilo que ele veste e come, que há mais no viver que comprar e vender. Conhecemos a transcendência e recebemos um propósito e é isto que o mundo inteiro busca.
Sejamos a comunidade onde a paz e a esperança ultrapassam raciocínios e entendimentos e o nosso testemunho irá marcar esta nação!

Encantada


Uma das bênçãos do pastorado é a visitação. Bênção para quem é visitado e recebe uma palavra de conforto e ânimo mas também para o pastor que adquire maior conhecimento de seu rebanho, descobre novas maneiras através das quais o Senhor trabalha, e recebe as bênçãos do testemunho cristão genuíno. Muitas tem sido as vezes em que visitei ovelhas e recebi bem mais do que o que levei. Abençoado ministério!
Recentemente visitei uma irmã com mais de 90 anos. Ela me convidou para um chá de tarde. Fui com alegria mas também um certo receio. O que dizer para animar uma pessoa de 90 anos? O que transmitir que ela ainda não ouviu? Como ser bênção para quem já viveu por tanta coisa? Seria eu capaz de me mostrar útil? Pensamento talvez egocêntrico, mas perdoe-me o leitor, somos de carne e osso.
A experiência foi marcante pela positiva. Que irmã animada, que entusiasmo! Que vontade, que vida ela demonstra já na 9ª década de peregrinação. Durante mais de 2 horas eu e minha esposa ouvimos as histórias de vida dessa querida irmã contadas com um sorriso permanente. Nada de queixas, nada de mazelas físicas ou emocionais, nada de reclamações ou acusações. O que mais me admirou no discurso da irmãzinha foi o uso recorrente da palavra “encantada”. Ele tinha ficado encantada com a pessoa X, com a situação Y, com a experiência Z. E fiquei com a firme convicção de que a irmã realmente vivia esse encanto no Senhor.

Meditando na visita pensei no quanto somos prejudicados pela familiaridade. Perdemos a capacidade de nos maravilharmos. Adão e Eva estavam no paraíso, mas se familiarizaram até com um paraíso e logo queriam o conhecimento que fora proibido. O povo de Israel viu maravilhas tais que derrotaram o Egito, mas logo se cansaram de milagres e queriam voltar aos pepinos. O povo no tempo de Jesus via o Senhor fazer coisas impressionantes para no dia seguinte procurá-lo para novo milagre. E nós?
Quando desejamos algo novo nos enchemos de vida. Pode ser uma casa, um carro, um aparelho ou outra coisa. No inicio nos deslumbramos e quando o Senhor nos abençoa ficamos gratos e louvamos. Mas depois... o tempo e a familiaridade nos fazem esquecer a maravilha. O carro que antes políamos quase diariamente, passa um mês sem ser lavado; a casa que era literalmente adorada passa a ser apenas um imóvel a ser pago; aparelhos que precisávamos ter para mudar nossa vida já têm outros modelos no mercado.

E a Igreja? E a oração? Aquele pedido que fizemos durante meses e foi finalmente atendido logo fica esquecido. A igreja onde encontramos alegria e vida logo passa a ser local onde há gente que não gostamos e passamos os cultos olhando o relógio para ver a hora. O pastor que pregava tão bem há 6 meses é hoje só mais um dos que vai ocupar o espaço de tempo entre mim e o meu almoço de domingo... Familiaridade a mais. Perdemos a maravilha. Perdemos o encanto.
Aprendi com a querida irmã na visita realizada a bênção do encantamento. O segredo que a levou a viver até depois dos 90 com um sorriso nos lábios não é a riqueza (ela vive de uma magra pensão), ou a falta de problemas (teve e tem muitos ao seu redor), não é a saúde perfeita (pois tem inúmeras dificuldades físicas) ou as pessoas que a cercam (ainda mora sozinha até hoje por escolha própria). Seu segredo é que encontrou no Senhor a bênção do encantamento. Ela vive encantada com o que Deus é e com o que ELE faz. Que coisa linda. Que bênção fantástica. Que milagre do céu. Ó Pai, faz-me encantado! Dá-me a tua satisfação. “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez vos digo regozijai-vos” Filipenses 4:4

Evangelizar está fora de Moda!?

Em muitos círculos evangelizar está fora de moda. Houve um tempo em que era aceitável e considerado positivo e necessário, mas gora não. Muitos hoje aceitam a visão que foi trazida do mundo pluralista de que cada um tem direito a sua própria crença. Essa verdade (a liberdade de escolha) é dom de Deus. O problema está em algumas de suas ilações. Baseados nessa posição, muitos crentes alegam que evangelizar é antiquado, é uma imposição de minhas crenças e na realidade atual, tolerante e diversa, ninguém tem direito de se impor aos outros. Seria assim mesmo? Evangelizar ou testemunhar de Jesus é imposição de religião? É verdade que não temos mais direito a isso? Que passou de moda? Meditemos brevemente.

Primeiramente seria bom lembrar que ao testemunhar de Jesus não estou falando só de minhas crenças. Trata-se de factos investigados e comprovados histórica e cientificamente. A vida e obra de Jesus, sua morte e ressurreição, são factos garantidos. A diferença que Jesus faz nas vidas é algo verificável em todo o mundo e ao longo de 2 mil anos. Não se trata de crendice ou superstição. São factos comprovados.

Imagine que descobriu a cura do cancro, que tropeçou numa forma de energia barata, não poluente e universal, que ficou conhecendo a forma de se viver saudável até os 120 anos. Teria direito de guardá-la só para si? Seria considerado imposição dizer a um doente terminal que sabe a forma de curá-lo? Seria esmagar os direitos pessoais compartilhar uma fonte de energia renovável sem custos? Certamente não! Seria tolice não fazê-lo. Seria mesmo um crime! Nós, que conhecemos a verdade de quem Jesus é e do que ELE faz nas vidas, temos mais do que o direito, temos o dever de o compartilhar.

Em segundo lugar, o testemunho sobre Jesus não é uma imposição das minhas crenças. Não se trata de algo pessoal, individual, inventado por mim. Trata-se da experiência de muitos milhões ao longo de toda história da humanidade mesmo antes de Jesus. Não é algo que só eu sei, não é a minha verdade. É a verdade vivenciada por tantos milhões que se tornou universal. Experimentada em todos os quadrantes, por todas as culturas, classes sociais, níveis de formação intelectual, épocas e lugares.

As verdades do evangelho não são minha crença, mas algo que nos foi dado do céu. Sua revelação foi sobrenatural, envolveu milhares de profecias cumpridas ao longe de séculos que nos garantem sua origem transcendental. Não foi invenção de homens pois os livros da Bíblia levaram séculos a serem escritos, por escritores de culturas e em lugares totalmente diversos e que no entanto escreveram sem contradição e com uma coerência tal que só o céptico fechado deixa de reconhecer. Testemunhar dessa verdade é passar adiante uma verdade celeste vivida em todo globo.

Por fim, testemunhar não é uma imposição de minhas crenças. Pode ser que alguns deem seu testemunho de modo que seja impositivo, mas esse não é o espírito do evangelho. Jesus deixou claro que sua mensagem era um convite, um apelo. Ele dizia "se alguém quiser vir após mim". Ele dizia: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa". Não há nada de imposição nisso. Há convite singelo e total liberdade de escolha.

Quem arromba portas e salta muros impondo sua vontade é o inimigo de nossas almas não o Senhor Jesus. Como seus seguidores nós não impomos nada a ninguém. Nosso apelo não é uma lista de leis, regras e proibições. Para a liberdade verdadeira fomos chamados por aquele que disse "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Nós não impomos, compartilhamos, testemunhamos do que vimos, ouvimos e experimentamos, damos a conhecer a graça que nos alcançou, convidamos para o banquete de Deus.

Evangelizar não passou de Moda. Devemos e podemos mudar o estilo e forma de o fazer para que se torne mais eficaz aos nossos dias. O crente fiel deve ser sensível á realidade que o cerca mas nunca deixar de dar testemunho daquilo que é o mais importante em sua vida, a salvação de Jesus.

Vamos recorrer ao FMI!

fonte
Parece que não se fala de outra coisa nestes dias. O inimaginável aconteceu! O FMI chegou a Portugal. Essa instituição, que em geral era vista pelos países do primeiro mundo como algo próprio dos países pobres e em via de desenvolvimento, está agora negociando a dívida portuguesa e um senso de depressão nacional tomou conta do país.

A única verdade da chegada do FMI é que há uma crise, e que essa crise não é passageira, não é superficial e não vai embora tão cedo. Há que encarar a verdade de frente e olha-la nos olhos. Muitos no meio da igreja já sentem os efeitos dessa crise. São pessoas desempregadas, que perderam regalias, que deixaram de receber subsídios ou promoções, são famílias que tiveram que rearranjar seus orçamentos perdendo poder de compra.

Diante da crise, a resposta nacional está sendo recorrer ao FMI. Gostaríamos aqui de reconhecer que é uma excelente ideia. Mais que isso, gostaria de instar os crentes em geral, que estejam ou não em crise, mas principalmente aos que estão em crise, a que recorram já ao FMI. E com isso passo a explicar-me:

FMI – Fundo Memorável de Intercessão: Diante de uma crise mais naturalmente, e não menos inteligentemente recorremos à oração, nossa e dos outros. A oração é um fundo extraordinário que nos coloca em contato com os recursos do Pai Celeste. Pela oração levamos nossas ansiedades ao Pai, recebemos o consolo do Espírito Santo, abrimos as portas a ação do Senhor. Foi o próprio Senhor que nos ordenou a pedir, buscar, bater e numa crise Ele não deixa de estar atento a nosso clamor.

FMI – Fundamento Magnifico Inesgotável: O fundamento de nossas vidas é a Palavra de Deus. Foi no meio de uma crise prolongada (de 40 anos) em que o povo vivia no deserto do Sinai cercado por pedras e areia que o Senhor lhes ensinou que não só de pão vive o homem mas de toda palavra que sai da boca de Deus. A Palavra nos mostra o caminho, nos da orientação, nos traz alivio, nos lembra a promessas, nos refrigera a alma. A Palavra é um tónico para os cansados, é um fundamento para a fé, é uma luz para a estrada. Trata-se de uma base magnifica e sem fim, literalmente inesgotável. Quanto mais tirarmos dela mais teremos para tirar e mais valor ela terá para nós. Nas crises, quando nada parece seguro ou certo é nela que encontramos a firmeza para basear nossas vidas.

FMI – Fonte de Manutenção Incessante: As bênçãos de Deus são uma fonte incessante. Mesmo nas crises a verdade é que elas continuam fluindo. Sistematicamente vemos o povo de Deus em crise. Por exemplo em II Crônicas 20 a crise parecia ser grande o suficiente para destruir Judá. A ordem pela qual a recuperação aconteceu teve a ver com oração e a Palavra, mas também com a fonte de bênçãos. Primeiro recordando as bênçãos do passado e lembrando que já houve outras situações difíceis e que por todas elas o Senhor nos guiou. Depois aprendendo a louvar mesmo em meio a lutas. Esse louvor é mais puro, é mais valioso aos olhos de Deus. Por fim, compartilhando tudo o que nos chega do Senhor. Uma coisa útil e valiosa em meio a uma crise é partilhar o que recebemos de Deus, seja fisicamente seja espiritualmente e é uma maneira de lidar com a crise.

FMI – Família Maravilhosa da Igreja: Em meio a uma crise a Igreja pode e deve ser bênção mais do que em tempos “normais”. A comunhão dos santos permite aliviar nossas cargas e sentir a unidade do corpo de Cristo. Devemos ser capazes de ter a sensibilidade de ouvir nossos irmãos em dificuldade, de compartilhar do que temos recebido de Deus. Aqueles na igreja que podem devem ajudar os mais necessitados. Os que tem lutas maiores devem poder abrir seus corações em meios as lutas e receber consolo e abrigo. É na igreja que recorreremos a oração intercessória e ouviremos a palavra de modo significativo. Deixar a igreja em meio a crise é um terrível erro pois deixamos de lado forças importantes para a vitória sobre as dificuldades.

Vamos então recorrer ao FMI. Esse FMI por nós citado é de primeira qualidade e verdadeiramente supre as necessidades. Não se inquiete, não se intimide. Os agentes deste FMI atuam sob o princípio da graça: “Ó vós todos os que tendes sede vinde ás aguas, e os que não tendes dinheiro vinde, comprai e comei; sem vinde e comprai sem dinheiro e sem preço vinho e leite” Isaías 55:1

O SERMÃO QUE PRECISAMOS!

Ouço falar de crise ministerial, mas o que vejo é um aumento do número de pastores nos bancos das igrejas. Antigamente eram comuns casos em que um pastor tinha que dar assistência a várias igrejas. Hoje vemos uma igreja com vários pastores assistindo ao culto. E não estou falando de pastores aposentados, que já fizeram seu trabalho e agora descansam de um ministério abençoado. Falo de jovens pastores, de homens ainda na flor da idade que se acumulam em igrejas quando há falta de líderes em outros lados.

Com a inflação de pastores veio a necessidade de agradar. Quando o individuo tem a oportunidade de pregar tem que aproveitar bem a chance. Tem que agradar o auditório ou fica sem hipotese de voltar. Temos assim uma crescente tendência para ouvir discursos que divertem e agradam. Devem ser curtos (para não cansar), alegres (para não deixar o povo em baixo), motivadores (para preparar a semana) e agradaveis . Mas serão esses os sermões que precisamos? O que tem faltado em nossos púlpitos? Reflitamos um pouco nas caracteristicas do sermão que precisamos:

1)Bíblico
O sermão que precisamos tem que ser baseado na revelação escrita de Deus. A tendência moderna é fazer discursos de auto ajuda, baseados em ciências humanas, citando autores e filósofos atuais, sugerindo técnicas psicológicas recentes e deixando de lado a Palavra. O texto bíblico é citado como "desculpa" ou apenas para concordar com os pontos do pregador, mas um estudo sério e sistemático da Bíblia não é feito.

Precisamos voltar à Palavra. É ela que traz vida, que transforma, que regenera. A fé vem pelo ouvir da Palavra e não outras coisas. Paulo já enfatizava a necessidade de fugir de argumentações meramente humanas e se concentrar na cruz, no evangelho. Precisamos regressar as palavras do Mestre, à segurança de Jesus.  Ele não fazia sugestões, não fazia especulações ou propostas. Fazia afirmações eternas começando com "Na verdade vos digo..."

O sermão que precisamos tem que ser retirado da palavra porque sua verdade é eterna e eficaz. Não podemos usar a Bíblia para defender nossos pontos de vista. Isso é o que fazem os criadores de heresias. Temos que estudar a Palavra, ir fundo nela, meditar sobre seus conceitos, principios, ensinos e exemplos e tirar então as lições que vivificam. O pregador deve sempre se arguir: Esta mensagem é realmente bíblica ou a tirei de meus próprios pensamentos e idéias? Lembremos de algo fundamental:  a Palavra de Deus (contrastando com outros tratados religiosos) não apenas nos ensina sobre a verdade mas nos capacita para vivê-la.

2) Inspirado
O sermão que precisamos é fruto de um tempo de comunhão com o Pai. Vem do céu para o povo de Deus. Surge da meditação na palavra e na situação da igreja. O pregador tem que conhecer o texto biblico e a situação de seus ouvintes. Nesse contexo, e em oração e busca, o Senhor revela o que tem para seu povo. Esse sermão é inspirado e eficaz.

Preocupa-nos ver jovens pregadores ansiosos sobre o que pregar, procurando estudos na internet, questionando como é possível ter sempre mensagens novas. Aquele que medita na palavra tem sempre novidade do Senhor.  A riqueza da Bíblia é inesgotável. Mas a procura tem que ser no lugar certo. Não é possível pregar o sermão de outro. Para ser válido, tem que primeiramente ser próprio do pregador, ser parte de sua vivência com Deus. Pode até acontecer de ouvir outro pregar e então me apropriar das verdades citadas a ponto de vivê-las e então pregar sobre isso. Mas nesse caso, o sermão não é plágio, é apenas comunhão de experiências com Deus.

Sermões inspirados são aqueles que falam ao povo. Que no seu término nos dão a sensação de que estivemos realmente em contato com o céu. Suas palavras, apesar de humanas, vão além do escopo da carne e entram na realidade do Espirito e então sim, temos sermões que fazem a diferença nas vidas.

3) Relevante
O sermão que precisamos tem que ser atual, relevante aos ouvintes. Podemos pregar a Bíblia, mas por vezes o fazemos de modo tão desligado da realidade dos ouvintes que aquilo que falamos nada representa para eles. De que serve ouvir e conhecer profundamente sobre a realidade e gente que viveu a milênios se isso nada me diz? Para que gastar espaço em meu cerebro com informação sobre acontecimentos de séculos atrás se isso não vai me ajudar hoje?

Há que perguntar: como vivem os ouvintes? O que marca suas vidas? Que aspectos são importantes em sua realidade? Quais suas perguntas? Quais seus dilemas? O sermão de algum modo responde a uma pergunta,  mas que pergunta?  Se me dou ao trabalho de responder a uma pergunta que não estão fazendo, estou na verdade perdendo meu tempo.

Isso significa que além de gastar tempo com a palavra, o pregador precisa gastar tempo com as ovelhas. Saber que tipo de situações estão dominando seus dias e ocupando suas noites. Conhecer os problemas, dilemas, questões. Só assim o estudo da Bíblia lhe trará as respostas que o povo precisa e quando respondemos as perguntas que estão sendo feitas o rebanho quer ouvir, quer saber, pede mais.

4) Prático
Muitas vezes ouço um bom sermão, na medida em que foi um bom discurso.  Foi bíblico e parece inspirado. O pregador falou de coração, mostrou vivência do que proclamou e até procurou falar aos problemas dos ouvintes. Mas quando o sermão acaba fica aquela pergunta desagradavel: e agora? O que faço com tudo isso? Como aproveito esse ensino? Como o posso usar para de modo direto ajudar em meus problemas?

Imagine que vai ao médico. Ele o observa, faz as peguntas certas e no fim lhe dá o diagnóstico seguro. O que você tem é isso! Ótimo, e agora?  Agora vai para casa e medita nisso, pensa em sua situação e reflete sobre seu diagnóstico... O que você diria? Que médico mais maluco! Onde já se viu diagnosticar e não prescrever?  O que queremos é uma receita. O que precisamos é saber como tratar da doença. De nada me serve um diagnóstico sem a cura.

Há sermões assim. Dão o diagnóstico correto, mas não falam da cura, não apresentam uma solução viável e o crente sai frustrado convicto de que há um problema mas sem saber como resolvê-lo. Ora o sermão que precisamos tem que ser prático. Tem que dizer o que fazer. O ouvinte atento deveria saber dizer na saída do culto exatamente o que pode e deve fazer com tudo o que ouviu.

Concluindo:
O sermão que precisamos mais que entreter deve nos comover, mais que informar deve nos transformar, mais que motivar deve nos regenerar. Não deve ser passatempo ou obrigação religiosa. Não é diversão ou palco para divulgação pessoal. O sermão que precisamos vem de Deus, para nossas necessidades, orienta, guia, exorta, aconselha, consola e até motiva. Trás-nos mais perto de Deus, leva-nos a um maior envolvimento com o Senhor pede uma mudança de atitude para mais perto daquilo que devemos ser e mostra de modo prático como obter tudo isso. Que o Senhor inspire seus servos a pregarem mais sermões desses para o bem de seu povo.
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