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Sereis Perseguidos! Domingo da Igreja Perseguida

Em 2010, a conversarem entre si, um grupo de mulheres foi ao mercado como habitualmente. Entre elas, Asia Bibi, uma mulher paquistanesa que aceitou a Jesus secretamente. Nessas conversas normais elas falaram de muitas coisas e de religião e Asia deu um breve testemunho de sua fé em Jesus e da resposta a oração dizendo que Mohamed nunca respondera suas orações. A mulher que ouviu e a irmã de Asia a denunciaram à polícia e ela foi presa sob as leis anti blasfémia e está presa com uma sentença de morte sob sua cabeça desde então. Seu marido e 5 filhos têm estado escondidos.  No último ano mais de 120 cristãos foram mortos no Paquistão por violarem leis religiosas… (deram testemunho) e outros tantos na Arábia Saudita.
Em novembro de 2014 um grupo altamente armado pertencente ao grupo radical islâmico Boko Haram atravessou a fronteira da Nigéria com o Norte dos Camarões e atacou as cidades de Amchide e Limani onde mataram 30 cristãos, e queimaram duas igrejas sendo uma católica e outra evangélica. Esse grupo continua a espalhar o terror sobretudo na Nigéria, matando e escravizando cristãos, em particular meninas (o mundo todo acompanhou as cerca de 200 meninas raptadas de uma escola cristã).
Milhares de cristãos têm sido obrigados a fugir de suas casas na Síria e Iraque deixando tudo para trás nos últimos meses devido a aproximação do ISIS auto intitulado Estado Islâmico. Onde seus guerrilheiros chegam os homens são mortos e as mulheres e crianças levados para ser vendidas como escravas ou tratadas como servas até a morte em campos de guerra. O mundo inteiro sabe disso. Trata-se de um ato de genocídio em nome do islão e a comunidade internacional pouco mais tem feito que noticiar. Síria subiu para o 3 º lugar na Watch List Mundial, enquanto na lista de 2013 estava na 11ª posição, e n º 36, em 2012. Um pastor na Síria diz que 40% já saíram da igreja e do país por violência contra a comunidade cristã que tem aumentado drasticamente desde o início da guerra civil. A Síria teve mais cristãos martirizados por sua fé em 2013 (pelo menos 1.213) do que qualquer outro país na Watch List Mundial.
Jeffrey Fowle, americano, entrou na Coreia do Norte com visto de turista. Hospedado num hotel comum foi preso pelas autoridades por deixar a Bíblia no hotel, algo que foi considerado acto de rebeldia contra o regime norte coreano. Ele ficou 6 meses preso e foi libertado recentemente. Outros dois americanos foram presos na mesma época por actividades religiosas (falar de Jesus) e continuam presos. A igreja perseguida nacional é a que mais sofre no mundo. Há milhares de cristãos a servir sentenças em campos de concentração e trabalhos forçados. A maioria não sobrevive a experiência.
1) Coreia do Norte 
Classificado como o país mais difícil do mundo para ser um cristão pelo 12 º ano consecutivo. Os crentes na igreja perseguida da Coreia do Norte mantém o 1º lugar na lista há 12 anos e devem esconder a sua decisão de seguir a Cristo. Ser pego com uma Bíblia é motivo para execução ou uma sentença em campo prisional para o resto da vida. Estima-se que 50.000 a 70.000 cristãos estão presos por sua fé. Mas pode ser considerado como uma espécie de milagre o fato que ainda há cerca de 400.000 crentes na igreja subterrânea da Coreia do Norte.
Eis a lista feita pela organização missionária Portas Abertas que promove o apoio a igreja perseguida e que luta para ajudar. É esta organização que promove hoje o dia mundial de oração pela igreja perseguida há já 26 anos e que envolve só no Brasil mais de 5600 igrejas.
2)Somália  
Pela primeira vez na história da Watch List Mundial, a Somália está classificada na 2ª posição. Embora a capital esteja sob um governo muçulmano mais moderado, a fiscalização é realizada para erradicar convertidos do islamismo e os cristãos devem manter sua fé em segredo. Grandes partes do país permanecem ingovernável e o grupo terrorista Al-Shabaab é responsável por vários ataques contra cristãos e está se esforçando para impor uma forma ainda mais restritiva da lei Sharia.
3) Três novos países entraram na lista
A República Centro-Africano (na 16ª posição), a violência é muitas vezes dirigida a cristãos pela aliança rebelde Seleka. O Sri Lanka (na 29ª posição) tem visto um aumento significativo de ataques violentos contra cristãos e igrejas no ano passado. E Bangladesh (na 48º posição) de grupos extremistas islâmicos tentam empurrar o governo para modificar a Constituição, exigindo o estabelecimento da Lei Sharia e até mesmo ter matado aqueles que estão em seu caminho.
A verdade é que em pleno século 21 há mais de 100 
milhões de cristãos perseguidos no mundo.
Como devemos reagir diante dessa informação? 
O que fazer? Como entender que, sendo nosso Deus soberano, isso aconteça?
Devemos lembrar que o Senhor profetizou a perseguição
Jesus não deixou dúvidas a respeito daqueles que o seguissem. Ele avisou que no mundo teríamos aflições e que segui-lo era entrar pela porta e caminho estreitos. Ele explicou a seus discípulos:
     Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.” Mateus 24:9-10. 
Logo, a Igreja não deve se surpreender por causa disso. Pedra avisara do mesmo quando escreveu:
     “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.” 1 Pedro 4:12-13.
 E ao dizer isso ele fazia eco do que ouvira do próprio Cristo que pregara: 
     “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” Mateus 5:10-12
Devemos então entender que esse é em boa medida o estado natural da igreja e que somos poupados é por um tempo apenas.
 Devemos saber usar o nosso tempo de oportunidade
A palavra nos ensina a usar bem as oportunidades. Paulo falava disso quando escrevia: Remindo o tempo; porquanto os dias são maus”. Efésios 5:16 e outra vez a igreja de Colossos: Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo. Colossenses 4:5. A noção clara das escrituras é de que este mundo jaz no maligno.
A perseguição tem sido a vida da igreja e seu crescimento ao longo dos séculos. Se temos hoje um tempo de facilidade é para que o usemos para pregar, evangelizar, dar testemunho e falar de nossa fé. Que o Senhor não nos encontre a dormir ou que não venhamos a chorar um dia por não termos sabido usar tantas facilidades que o Senhor nos concedia para trabalhar em seu nome.
Devemos orar pela igreja irmã em perseguição
Como igreja lembramos que uma parte do corpo sofre, todo o corpo sofre. Não é natural vivermos como se nossos irmãos e irmãs não tivessem esta luta e não vivessem a beira do martírio. Orar é algo que a palavra apela: Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.” Hebreus 13:3. A oração tem feito milagres em lugares onde nunca chegaremos.
Devemos orar pelos perseguidores e pelas autoridades. O exemplo maior é o de Jesus que orou pelos que o mataram na cruz. E Paulo ensinou a igreja a vencer o mal com o bem: Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” Romanos 12:20-21
Devemos abençoar
Organizações como a Missão Portas Abertas e outras agências trabalham abençoando a igreja perseguida por meio de:
         Campanhas de oração
         Campanhas de pressão política (abaixo assinados, etc)
         Ofertas a igreja perseguida
         Treinamento de líderes para a igreja perseguida
         Fornecimento de Bíblias a material de estudo

Podemos e devemos estar conscientes e nos envolver nos modos que o Senhor colocar em nossos corações.

Sucessão Pastoral - Quatro princípios a ter em conta!


Trata-se de uma velha história repetida até a exaustão com frequência assustadora. Acontece em Igrejas, ministérios para-eclesiásticos, campos missionários, seminários e escolas de treinamento e até na direção de uma EBD ou classe de estudo bíblico.

Um novo líder se levanta ou é indicado. À chegada traz as suas experiências, seu conhecimento, seus preconceitos e dramas pessoais. Chega, avalia a obra feita e rapidamente, com o olhar claro de quem veio de fora sentencia: está tudo errado!

Por vezes, a história até acaba menos mal. O novo líder com o tempo vai se adaptando e tendo sucesso. Outras vezes é complicado ou mesmo desastroso porque em sua ânsia de resolver os "problemas" deixados pelo antecessor, o recém-chegado destrói mais do que constrói e logo tem que ser substituído para que algo sobreviva. Já vimos isso em muitos lugares e realidades diferentes, desde ministérios pastorais locais de igrejas pequenas e grandes a ministérios missionários transculturais.

Haverá princípios a ter em conta que possam ajudar essas transições?
 Podemos vencer os traumas que elas trazem?

 Meditemos um pouco nessa realidade à luz da verdade bíblica evangélica.

1) Respeito

Provavelmente o princípio inicial deva ser o do respeito. A Palavra ensina a amar o próximo, a considerar os outros mais do que nós, a ser paciente, a mostrar um amor altruísta. Certamente tudo isso se manifesta também em respeito. No caso em conta respeito significa cuidado com o que se fala, cuidado com os comentários, criticas e sentenças, valorização do trabalho dos outros.

Segundo Jesus a regra áurea é fazer aos outros o que gostariam que fizessem conosco. É uma regra pró-ativa. Não apenas não fazer o mal mas fazer positivamente o bem. Como gostaria de ser lembrado de onde saiu? Como gostaria que falassem de si nos lugares onde já trabalhou? Que cuidado desejaria que fosse dado a sua memória? Responda a isso com sinceridade e saberá como tratar aquele que vai substituir.

Facilmente encontramos quem tenha algo para falar criticando o trabalho do seu líder. Devemos lembrar que alguém que faz isso com facilidade também nos irá criticar com facilidade, talvez em pouco tempo. Dar corda a essas conversas é começar da pior maneira.

Procure os fiéis do ministério anterior porque , uma vez que tenham entendido a nova visão, serão os seus auxiliares.

2) Paciência

A paciência necessária aqui deve existir por duas razões. Uma para se conhecer a verdade do ministério em causa, outra porque mudança precisa de tempo. Comecemos pela primeira. Antes de criticar ou mesmo avaliar precisamos conhecer. Chegar tirando conclusões é sinal de imaturidade e precipitação. É preciso paciência para se conhecer e entender um trabalho. Com o tempo perceberemos porque as coisas são como são, o que levou a certas decisões, que razões estão por trás de tradições e costumes que podem nos parecer estranhos ou incorretos. Com tempo poderemos chegar a admirar quem inicialmente tínhamos disposição para criticar, mas é preciso paciência.

Trata-se de coisa fácil a arte de encontrar defeitos. Todos temos e nenhum trabalho será perfeito. Entender porque as coisas caminharam como caminharam é bem mais demorado mas também muito mais elucidativo. Abster-se de comentar o que na verdade não entendemos é uma medida sensata, afinal, até o louco quando se cala passa por sábio.

Mas é evidente que novo líder significa em geral mudanças.

Mudanças são necessárias constantemente. Posso entender porque algo é feito de certo modo e até concordar com o rumo tomado na altura em que foi tomado e mesmo assim entender que agora é preciso outra abordagem. Aquilo que era natural há 10 anos, 5 anos ou mesmo 1 ano pode já não ser o ideal hoje. Mas mudanças exigem paciência. Mudar sem entender, sem estar preparado e suficientemente motivado pode muitas vezes significar mudar para pior. Nesses casos há em breve um regresso ao modo antigo e muito mais enraizado porque já se tentou "novidades" e não funcionaram.

A regra então é paciência. A sabedoria demanda paciência e perseverança para qualquer alvo digno de ser alcançado. Então caminhemos com a paz do Senhor e a certeza de que ELE nos auxilia nas medidas necessárias.

3) Principio vs Forma

Vivemos hoje obcecados pelas formas. Desde a forma física ao design, tudo parece se render ao domínio dos sentidos que nos dizem que a formas mandam. Poucas coisas tem prejudicado tanto as vidas e mesmo a obra do Reino porque, na verdade de Deus, o mais importante são o princípio. Quando olhamos para a criação vemos que as formas de vida são incontáveis, mas os princípios de vida são os mesmos sempre se repetindo seja em animais sejam em vegetais.

Normalmente o que mais discutimos são as formas. Vemos algo dando certo e logo queremos copiar a forma. Se não temos o mesmo sucesso é porque não conseguimos ter a mesma forma. Se um casal amigo tem um casamento sólido e faz férias nas Bahamas logo julgamos que é por isso e lamentamos não ter condições para tirar essas férias. Se a igreja X tem um ministério bem sucedido com certos tipos de eventos logo lamentamos não poder ter o mesmo resultado porque não há condições de ter os eventos.

A verdade é que o casamento bem sucedido nunca depende apenas de umas férias anuais e um ministério feliz não é produzido só por certo tipo de eventos. Imitar formas leva a desilusão, traz cansaço e irritação e depois ainda deixa o gosto amargo do fracasso. Precisamos aprender a reconhecer os princípios que fazem a diferença. Numa sucessão pastoral algumas formas podem até mudar, mas não é isso que fará a diferença se não houver respeito pelos princípios básicos do reino de Deus.

Avalie os princípios bíblicos, veja que estejam sendo aplicados e o mais, lembre-se, é passageiro, mutável e negociável.

4) Amor à Obra

Seja uma igreja, uma campo missionário, um ministério ou uma classe de EBD, o importante numa sucessão é o amor que preserva e respeita. Certas sucessões avançam por meio da quebra de padrões e costumes, sem o menor respeito ou cuidado com a obra, sem o menor respeito aos que lá estão e sem o cuidar dos corações.

Sob a capa das mudanças necessárias e com auto justificação autoritária atitudes são tomadas que até poderiam ser necessárias, mas que por sua maneira de acontecer causam escândalo, tristeza, desânimo e derrubam corações. Não temos o direito de agir assim.

Antes do orgulho pessoal está a Igreja pela qual Jesus morreu, mesmo que tenha que me sacrificar.

Paulo lembrava os crentes das igrejas a quem escrevia que se algo escandalizava o irmão, mesmo que não fosse pecado, mesmo que não fosse errado, mesmo que pudesse faze-lo de consciência livre, deixaria de o fazer por amor ao irmão e a obra. A isso se chama maturidade, a capacidade de suportar em prol do bem de outro

Um Povo, Uma Missão


Quando pensamos naquilo que une pessoas podemos imaginar muitas coisas. Por vezes o que une multidões é bem tolo e passageiro. Por exemplo, o futebol. Porque alguém gosta de uma equipa e odeia outra? Porque se sente imediatamente unido a outra pessoa só por ser adepto da mesma equipa? Onde está a verdadeira ligação? Mas há outras razões pouco profundas. Pensemos na terra de nascimento. As pessoas se conectam só por terem nascido na mesma cidade ou região. Mesmo sem saber se a outra pessoa é digna, ou honesta, ou sequer educada. Basta ser da minha cidade e já achamos que é “gente boa”.

Os Cristãos têm muitas razões para estarem unidos. E essas razões são infinitamente mais fortes do que as citadas. Paulo aos Efésios citava uma lista de razões para nossa união: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” Efésios 4:4-6.Estamos unidos por ser um só corpo, por termos a mesma fé, o mesmo Salvador, o mesmo Pai Celeste, as mesmas cerimónias rituais em Cristo, a mesma mensagem a transmitir. Mas gostaria de realçar a mesma Vocação.

Já em Efésios 4:1 Paulo falara da vocação ou chamado. A ideia é forte. Fomos chamados, literalmente convocados, convidados, de modo intenso, de modo deliberado. E para que? Para sermos testemunhas do que Deus faz em nós e pode fazer neste mundo. Temos uma mesma missão e isso nos une de um modo que deve ser supremo. Ter a mesma missão significa ter o mesmo propósito de vida, o mesmo alvo a alcançar. Nosso alvo é a propagação do reino de Deus, o crescimento da igreja de Jesus, o ganhar de almas para Cristo.

Devemos sempre lembrar a vertente mundial de nossa vocação e missão. O Senhor não disse que deveríamos ganhar toda Jerusalém e então partir para a Judeia e eventualmente o resto do mundo. Se tivesse sido assim a igreja nunca teria saído de Jerusalém e teria sido esmagada no ano 70 quando a cidade foi destruída. A Ordem de Jesus foi para que seus discípulos fossem testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e até os confins da terra. A missão é simultânea ao mundo todo. Unidos então nessa missão trabalhemos para fazer discípulos no mundo todo.

Amor de T-Shirt

 
Já há algum tempo que virou moda expressar amor por meio do uso de T-Shirts, as camisolas de manga curta e sem gola que os jovens tanto apreciam. Esse amor é, por regra, expresso numa expressão formada pelo eu em Inglês ou seja, "I", seguido de um coração que significa Love ou Amo e depois o nome de um lugar. Assim temos os dizeres: I Love Paris, I Love New York, I Love Rome e outros mais. Quase qualquer destino turístico que se preze tem que ter uma dessas T-shirts à venda e os turistas amam esse souvenir barato e sugestivo.

  Pensando nesse suposto amor podemos chegar a algumas conclusões rápidas. Primeiro de tudo é um amor impessoal. Raramente vemos camisas com o nome de pessoas, mas apenas de lugares. Não é que não se possa amar lugares mas é certamente um outro tipo de amor, um amor impessoal. Por ser impessoal esse amor é um amor sem compromisso, sem aliança, sem cobrança, sem avaliação. Roma não vai cobrar minha fidelidade, Paris não vai avaliar minha dedicação, Lisboa não me pedirá mais tempo e o Rio de janeiro não se preocupará se amanhã declarar meu amor à outra cidade. Esse tipo de amor sem compromisso tem lugar para tudo. Cabe sempre mais um. Mas também o retorno é mínimo, porque muito raramente uma cidade expressa seu amor por alguém.

O amor de T-Shirt é exibicionista. O interesse principal é mostrar aos outros que estive lá. Que tenho recursos e bom gosto para escolher este destino. É claro que posso até usar a camisa e não conhecer o local. Ninguém na verdade pergunta ou investiga. Esse amor é de fachada mesmo. Parece muito com as capas de revista de fofoca onde os atores e personalidades da moda aparecem "apaixonados" por pessoas diferentes a cada temporada para dar mais "valor" à sua figura.

 Amor de T-Shirt é egoísta. Afinal ele simboliza minha visita a um lugar. Em relação a lugares posso tirar o que quiser, desfrutar o que puder e quando puder e quiser. Não há limite a não ser minha capacidade de tirar e não há hora ou data marcada. É chegar e me servir. Aproveitar ao máximo, as praias do Rio, os museus de Londres, as antiguidades de Roma, o clima romântico de Paris. É um amor bastante egocêntrico, onde só conto eu e minhas vontades.

 Amor de T-Shirt é temporário como a própria camisa. Essas camisas baratas que se compram em loja de souvenir chinesa têm um tecido de baixa qualidade que depois de meia dúzia de lavagens já perdeu todo o valor e serve só para usar em casa em dias de preguiça. Esse amor declarado tão orgulhosamente só dura até o próximo destino e outra T-shirt mais nova, mais interessante ou talvez de um destino mais exótico.

 O triste disso tudo não são as camisas. São o que elas sinalizam. Falam de um tipo de amor moderno. Amor sem compromisso, sem entrega, sem avaliação, egoísta, exibicionista e temporário. Que o nosso amor seja eterno enquanto durar… como dizia o poeta. Este amor é o oposto do que a Bíblia anuncia.

 O amor bíblico é sacrificial, paciente, comprometido, amor que dura, que sofre, que persevera, que vence, que dá. O mundo precisa muito de amor. Precisa desesperadamente de amor. As pessoas à nossa volta o buscam e precisam dele, mas não de amor de T-Shirt. Vamos pensar nisso e olhar mais de perto para nossos amores declarados e a verdade dessas declarações.

Família de Deus


 
Paulo ensinou os crentes de Éfeso que em Cristo nós somos “família de Deus” Efésios 2.19. Por isso mesmo nos chamamos de irmãos e irmãs. De notar que isso se perdeu na igreja de Roma passando a ser usado apenas nas ordens religiosas mas foi recuperado pela Reforma Protestante para toda a igreja.

Ora família tem algumas características interessantes. Por exemplo, somos parte de uma família, todo o tempo. Sou da minha família todos os dias, o dia inteiro. Não há momentos em que sou e outros em que não sou da minha família. Sou da família quer esteja perto ou longe, quer esteja presente ou ausente, que esteja contente ou triste, doente ou de saúde. Como irmãos em Cristo somos da família de Deus e isso implica irmandade constante e contínua e não somente um laço semanal de ligação.

Família não é uma estrutura, não é uma organização, não é um evento, não é um programa, não é uma casa. Família é relacionamento. Família é convívio, entreajuda, proximidade de características e vivência. Na Igreja também. Não somos instituição ou prédio, ou cultos ou programas. Somos gente. Gente salva que se relaciona com base na graça e no Amor de Deus.

Família não é uma questão de perfeição. Minha família não precisa ser perfeita para ser minha família. Ela tem seus defeitos mas isso não me afasta dela até porque parte desses defeitos provavelmente são meus. Se minha família tem falhas eu a defendo. Se tem problemas eu a ajudo. Se tem crises eu me junto a ela para superar. E na Igreja somos família de Deus. Minha Igreja como tal pode ter eventualmente coisas que eu não gosto, mas não a abandono. Não se abandona família muito menos nas horas de luta e necessidade. É nessas horas que a família mais se junta e mostra amor.

Família tem heranças e lideranças. Há pais e mães, há avôs e avós, que são os líderes por sua experiência e vida. Na família cada um sabe seu lugar, os mais novos aprendem com os mais velhos, os mais experientes dão conselhos e os mais novos herdam os valores e a vida.
Na Igreja somos todos filhos do mesmo Pai Celeste que em sua bondade e nos merecimentos de Jesus a todos adotou. Como família ouvimos e seguimos o nosso Pai e Senhor. Herdamos as glórias que Cristo ganhou para nós. Ajudamos os mais novos a crescer e deixamos a herança da boa-fé e da maturidade na obra do Senhor. Que bênção ter esta família! Que bênção pertencer a Igreja de Jesus.

Amor: Substantivo, Adjetivo ou Verbo?


As aulas de gramática não eram minhas favoritas. Pareciam-me uma perda de tempo. Afinal nós já sabíamos falar e escrever e uma aula para nos ensinar a fazer isso parecia meio sem propósito. É evidente que a razão principal era outra. Gramática era trabalho duro. Muitas regras a decorar, definições, conjugações… isso sim era a razão para não gostar das aulas. A par de matemática eram as aulas menos apetecíveis. Mas na verdade eram importantes e úteis. Não entendia nessa altura mas gramática tinha a ver com a qualidade de comunicação. Falar e escrever bem eram atributos que nos acompanhariam toda a nossa vida e eram essenciais ao nosso contato com as outras pessoas.

A gramática também nos ajuda na vida Cristã. Muitas das importantes descobertas sobre a vida que devemos viver em Cristo vem pela analise das palavras do texto sagrado. Entender essas palavras e sua categoria gramatical e sua utilização pode fazer toda diferença em nossa aplicação. E é de aplicação que se trata a vida em Cristo porque saber sem fazer não tem qualquer utilidade a não ser nos colocar na fila perigosa dos que caminham em direcção a hipocrisia e falsidade.

Amor é uma dessas palavras. Como se deteriorou. A Bíblia nos fala de amor eterno, amor sofredor, amor altruísta e nós hoje falamos de amor para nos referirmos a algo que é passageiro, profundamente egoísta, abusador e maltratante. Deve haver engano em algum lugar. Alguém, em algum lugar perdeu a noção do que é amor e passou a usar a palavra de modo errado. Usemos então a gramática. Lembremos o que Jesus nos disse sobre o amor e vejamos se a gramática pode nos ajudar.

João 15:12 amarmos uns aos outros na igreja (amar os irmãos em Cristo)

Mateus 22: 39 amar o próximo (meu vizinho, meu colega de trabalho)

Mateus 5: 44 amai os vossos inimigos (meus adversários, que me fazem mal)

Uma progressão difícil. SE temos por vezes dificuldade em amar aos nossos irmãos na igreja onde há em teoria a mesma fé e a mesma pratica como amarei meus adversários? Do que Jesus estava falando quando deu esses mandamentos? Vejamos sem a gramática nos ajuda. Olhemos para as diferentes possibilidades da palavra e pensemos em soluções.

Substantivo: palavra que designa ser, coisa, estado, sentimento, substancia ou processo. Será o amor que Jesus fala substantivo? Ora um substantivo é algo sobre o que podemos conversar, discutir. Sobre ele fazemos poemas, discursos, trabalhos científicos. O substantivo é uma designação de algo que por regra podemos observar fora de nós. Pode ser usado ou descartado. Cadeira, substantivo que designa um objecto onde me posso sentar ou apoiar os pés para amarrar os sapatos ou subir em cima para apanhar algo no armário de cima e que posso deitar fora porque já não preciso mais pois tenho outra mais nova, mais forte, mais bonita. Amor substantivo, algo que posso sentir por alguém ou nutrir por alguém enquanto durar… O amor substantivo é realmente pouco duradouro. Não é realmente parte de mim pois posso descartá-lo. Amor substantivo é como um objecto que posso usar e deitar fora, que ponho aqui ou acolá, que carrego ou deito fora, que utilizo e reutilizo, reciclo e altero, algo que é passível de manipulação constante. É algo sobre o que discutimos e debatemos. Falamos dele como algo exterior e passível de discussão. Discorremos sobre ele e depois já não mais. Não me parece que seja sobre isso que Jesus falava.

Adjectivo: palavra que serve para se juntar ao substantivo e o classificar ou qualificar. O amor pode ser um adjectivo. Dizemos de alguém: é um amor. Trata-se de uma utilização mais comum para bebes ou para atitudes meio lamechas que assistimos ocasionalmente. Alguém diz algo bonito ou faz um gesto carinhoso e dizemos: é um amor. Falamos de alguém a quem queremos elogiar e dizemos: é um amor. Classificamos com amor. Mas essa utilização além de rara é totalmente subjectiva. Aquilo que pode ser um amor para uma pessoa pode ser absolutamente sem graça para outra. Algo que alguém vê como precioso pode ser totalmente sem sentido para outra pessoa. Por exemplo, nos países de leste é comum se darem flores a homens e seria considerado muito correto e mesmo um amor. Já em Portugal, no nosso mundo latino, macho não recebe flores e se receber é capaz de comentar de muitas formas mas não dirá que foi um amor. Adjectivar é um ato pessoal e subjectivo e creio que Jesus falava de amor como algo inequívoco, sem sombra de dúvida, universal e aplicável a todas as pessoas em todos os lugares. O amor do qual Jesus falava não era amor adjectivo.

Verbo: palavra que afirma existência de uma acção atribuída a um sujeito; exprime um fato e localiza-o no tempo ligado a um sujeito. Verbo é acção. A Bíblia diz que Deus amou tanto que deu… amor ligado a um ato, a uma acção, a um fazer. Não é algo que se pode discutir ou debater. Ou existe ou não. Um verbo por ser acção não é ambíguo, não é subjectivo, não é passível de má interpretação. Ou fez ou não fez, ou deu ou não deu, ou aconteceu ou não aconteceu. Na Palavra, amor para Deus sempre foi verbo. Ele amou, por isso criou, delegou, ajudou, salvou, livrou, protegeu, abençoou. Quando Paulo falou sobre amor falou sobre algo prático, definiu acções, orientou actos.

Na vida Cristã somos chamados a amar um amor verbo. Pode ser sentimento, mas não é só sentimento, pode ser qualidade, mas é mais que isso. Trata-se de agir. De fazer o melhor para outro. Esse tipo de amor pode ser dado e demonstrado mesmo por um inimigo a quem não aprecio e de quem não tenho sentimentos muito bons. Posso amá-lo biblicamente mesmo assim. E nos atos de amor prático meu coração será transformado e talvez até mesmo o dele. Jesus deixou isso bem claro, em sua passagem sobre o fazer aos mais pequeninos em Mateus 25:34 a 40. Este é amor verbo. Este é o amor do Pai. Este é o amor que o Senhor espera de nós.

Igreja: Deixando a Utopia Ingénua!


A cena se repete diariamente no mundo inteiro. Alguém procura um pastor ou líder espiritual para reclamar da sua igreja na busca de algo novo. “Preciso sair daquela igreja!” Diz o cristão magoado, “há muita coisa errada por lá!”. E muitas das queixas apresentadas serão legítimas e bem substanciadas. A afirmação parece cair como uma bomba: há pecado na igreja! E o mais triste e talvez até assustador é que é verdade!

Há muita gente ofendida e zangada com a Igreja. Ela é acusada de se ter tornado uma instituição com tudo o que mal nos vem a mente ao pensar em institucionalização. E a verdade é que os queixosos estão certos. Há muitos problemas na Igreja! Há mesmo pecado nela. Mas, sabe de outra coisa? Não dá para ser Cristão em nenhum outro lugar a não ser na igreja.  Foi por isso que o Senhor a criou e é assim que ele planeou. Temos que crescer na maturidade, parar de agir como se Deus tivesse filhos únicos (e nós fossemos esse filho especial) e entender que a Igreja não é uma utopia ingénua plena só de virtudes e repleta só de amor.
Eugene Peterson perguntava porque é que idealizamos aquilo que o Espirito Santo não idealizou? Nas páginas do Novo Testamento, na famosa e tão desejada igreja primitiva, temos um quadro bastante real e vívido de uma igreja nada utópica, nada ideal. Havia discussões, hipocrisia, mentiras e mudanças de atitudes por interesse. Havia gente interesseira, mercenários e vilões, falsos mestres e até mesmo patifes. Mas havia poder para fazer milagres, havia manifestação da graça de Deus, havia compaixão e espirito missionário. Havia gente sendo salva e gente sendo usada por Deus. Essa é a igreja de Jesus. Um lugar de maravilhas indescritíveis em meio a tragédias, dramas e dificuldades. Uma seara de bom trigo com joio também em abundancia. Tudo porque a igreja é feita de homens e mulheres que ainda vivem num mundo dominado pelo pecado e que lutam para vencer o maligno. Idealizar a igreja como um local de santidade perfeita e amor altruísta sem mácula é criar uma utopia ingénua que não nos ajuda, não ajuda os outros, não representa a realidade e por fim não ajuda a estabelecer o reino de Deus na terra.
Quando começamos a deixar de lado a utopia ficamos mais leves e mais livres. Não estou sugerindo desmazelo e falta de cuidado com a pureza da Igreja. Não estou propondo que deixemos o pecado solto e sem disciplina. Não estou pedindo que passemos a fechar os olhos a tudo que há de errado no seio da comunidade. Não estou desejando que se persista em erros doutrinários heréticos e claramente destoantes das escrituras. Isso seria contrário a colocação bíblica de que a igreja deve se apresentar ao noivo como noiva sem mancha preparada para a festa de casamento. O que proponho é menos hipocrisia, menos escândalo fácil e menos facilidade em deixar a congregação quando a primeira coisa não acontece como eu queria. Vamos deixar de ser tão enfatuados e reconhecer a verdade: não somos perfeitos, fazemos parte da igreja, logo a igreja não será perfeita! Tenho dificuldades, luto com crises e dúvidas, faço parte da igreja, logo a igreja terá dificuldades, crises e dúvidas. Sou abençoado, ouço o Senhor, faço sua obra por vezes de modo extraordinário, faço parte da igreja, logo a igreja será também abençoada, receberá a revelação do Senhor e actuará de modo por vezes extraordinário.
Desejamos momentos de esplendor e maravilha. É natural. Creio que é uma das manifestações da saudade que temos do Éden. Saudades do paraíso. Mas sejamos também realistas nisto. Maravilhas não duram muito. Fogos-de-artifício não podem se prolongar o tempo todo. Concordo novamente com Peterson quando escreve que “todo esplendor tem vida curta”. Na nossa vida é assim. Temos os tempos da paixão, do romantismo que nos deixa sem dormir ou comer. Mas ninguém vive assim a vida toda. No seguimento saudável da paixão virá o amor, a amizade, a partilha, a cumplicidade que perdura muito mais e que de vez em quando reanimará o fogo da paixão. É assim no trabalho, nos estudos, na verdade, em tudo de nossas vidas. E porque seria diferente na Igreja? Igreja não pode ser apenas esplendor. Não aguenta ser apenas fogo-de-artifício. O cotidiano é laborioso, tem pouco glamour, mas é o que põe o pão na nossa mesa e sustenta a família.
Deixar a utopia ingénua é um presente à igreja. É encará-la com o realismo que a faz crescer e florescer. É reconhecer que minha parte é importante, mas a de outros também. Que nem sempre terei a melhor ideia, que nem sempre serei eu a mostrar a melhor solução, que nem sempre concordarei com tudo e todos, mas que juntos construiremos uma comunidade onde a graça se manifestará, a glória por vezes brilhará e a salvação alcançará a muitos.
Deixar a utopia ingénua é assumir o compromisso de lutar, de viver, de contribuir e me engajar de corpo e alma por aquilo que Jesus nos deixou na confiança que Ele ama sua igreja e a usará como luz e estandarte neste mundo. E reitero, a Igreja de Jesus é a mais extraordinária comunidade que existe na terra.

O que diferencia minha Igreja?


          Porque você compra nesta loja e não na outra? Pense um pouco. Pode haver muitas razões. Talvez esta seja mais barata, ou é mais perto de sua casa ou simplesmente se acostumou a encontrar as coisas que quer nesta aqui. Mas o que diferencia as lojas? Pense bem. Basicamente todas têm as mesmas coisas. E se analisarmos bem, veremos que as diferenças de preços nem são tão grandes. Então, porque vamos a esta e não a outra? Na verdade tem a ver com tratamento. Regra geral a diferença entre uma loja e outra é a forma de tratar os clientes e todos sabemos isso implicitamente.
          Pense em seu retrospecto. Já teve experiências más numa loja, ou restaurante? Foi mal atendido, houve falta de interesse em ajudá-lo, demoraram muito para o servir, foram até rudes nas respostas? E o que aconteceu? Você nunca mais voltou e provavelmente contou a várias pessoas sobre o assunto. Falo por mim. Há várias grandes lojas de material electrónico e informático em Lisboa, mas há uma dessas onde nunca vou. Seus preços são bons, sua localização é excelente, sua organização é eficaz, mas fui mal atendido lá por duas vezes. Simplesmente não volto.
          O que diferencia as igrejas? Pense bem antes de responder. Pode ser que fique mais perto de sua casa, ou gosta das pregações do pastor, ou tem um estilo de louvor que o agrada. Mas se meditar bem verá que provavelmente a sua igreja de escolha tem a ver com as pessoas. Provavelmente escolheu sua igreja por causa dos relacionamentos. Encontra ali amigos, parentes, conhecidos de longa data e gosta da relação que tem com eles. Se foi a uma igreja que é até boa, bonita, com bom culto e um bom pregador, mas foi mal recebido, não fez contato com as pessoas e não se sentiu acolhido, dificilmente vai permanecer.
          Por favor, me entenda bem. Não estou dizendo que as igrejas são como lojas e que somos vendedores de produtos religiosos. Não é essa minha convicção ou entendimento. Mas a verdade é que a vida é feita de relacionamentos e as igrejas também. O que de diferencia mais significativamente uma igreja de outra acaba por ser a maneira como a membresia se relaciona. Jesus nos deixou uma regra básica para os relacionamentos em Mateus 7:12, “Aquilo que quereis que os outros vos façam, fazei-lhos vós também a eles”. Desde o século XVII que este texto é conhecido como a regra de ouro. Jesus está dizendo que devemos 1º- pensar em como queremos ser tratados e 2º- começar a tratar os outros assim. Pensemos então em como queremos ser tratado para pensarmos em como devemos começar a tratar os outros.
          Eu quero ser incentivado. Paulo explicava a necessidade de incentivo na igreja da seguinte maneira: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade e assim transmita graça aos que ouvem” Efésios 4:29. Eu preciso de palavras assim. Preciso de incentivo na caminhada, de consolo nas lutas, de ânimo nas dificuldades, de conforto nas perdas. Eu quero receber palavras que me coloquem para cima, que me sirvam de força para continuar. Gosto de estar perto de pessoas que me tratam assim. Naturalmente me aproximo delas e procuro ouvi-las porque sei que sairei animado. Suas palavras são bênção.
          Se preciso de incentivo e quero ser incentivado então devo começar por incentivar os outros. Ser conhecido por uma pessoa que tem sempre uma palavra de reconhecimento e ânimo. Notemos bem que não há aqui incentivo para bajulação ou elogio interesseiro. Devo partir dos princípios que 1º- todos são criados a semelhança de Deus e têm características que devem ser reconhecidas e valorizadas e 2º- dar esse tipo de incentivo e valorização é ensino direto do Senhor. Todos precisam de ser estimados e reconhecidos. Todos temos essa necessidade. Onde as pessoas deveriam encontrar isso? Na família de Deus, na Igreja de Cristo. Uma comunidade onde as pessoas se valorizam, se elogiam e se animam mutuamente.
          Eu quero ser perdoado. Não sou perfeito. Falho por vezes nas palavras, outras vezes nos atos, muitas vezes nas atitudes. Mas quando falho não significa que não tenho valor e ou que sou detestável. Peco porque sou humano e apesar de lutar contra o pecado ainda não estou livre de sua presença. Sou o primeiro a reconhecer minhas fraquezas e a lamentar meus erros, Mas quando falho preciso e desejo ardentemente ser perdoado. Não preciso que me desculpem ou que passem a mão sobre minha cabeça. Pode ser que por vezes precise mesmo de exortação e correção. Mas preciso mesmo é de perdão, primeiro de Deus e depois de meus irmãos.
          O ensino bíblico é claro quando diz “sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou” Efésios 4:32. Todos erramos, todos pecamos e todos precisamos de perdão. A falta de perdão é barreira inultrapassável nas relações e tem destruído casamentos, famílias e igrejas sem conta. A falta de perdão pressupõe sempre certa vaidade, orgulho e falta de auto análise, mas a verdade é que é difícil perdoar daí que a Palavra fale tanto disso. Na igreja vivemos em comunidade e é natural que surjam atritos, desentendimentos, diferenças de opinião. Também acontecem coisas menos bonitas e por vezes somos magoados sériamente. O ensino bíblico me diz que devo tratar os outros como quero ser tratado. Eu preciso e quero perdão. Devo então perdoar, de modo rápido e completo. Lançar sobre Deus minhas ansiedades e abrir mão de qualquer sentimento de vingança ou ressentimento. Essa atitude será bênção em primeiro lugar para mim mesmo e depois para a igreja de Jesus.
          Eu quero se Compreendido. Gosto que me ouçam com vontade. Aprecio quando me dão atenção concentrada e posso ver nos olhos do outro um desejo genuíno de me escutar. Fico deliciado quando verifico que alguém que me ouve mostra entender minha situação, compreende meu estado de espírito ou meus dilemas. Pode ser até que essa pessoa nem saiba muito o que me dizer ou como me aconselhar, mas o simples facto de ser ouvido e compreendido me abençoa tremendamente.
          Quem não precisa de um ouvido amigo ou de um ombro para chorar de vez em quando? Paulo incentivava a igreja nesse sentido quando escrevia “alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” Romanos 12:15. Que bênção! Todos temos a experiência terrível de ter que desabafar e não saber com quem. Mas também creio que a maioria já teve a alegria (nem sempre tão frequente quanto gostaríamos) de encontrar alguém que nos ouviu com atenção irrestrita e nos deu momentos preciosos de comunhão. E o que aconteceu? Fui abençoado e passei a ter uma ligação especial com essa pessoa. Ora, se sei o quanto isso é importante porque não começo a praticá-lo? Ouvir é uma arte que está `a disposição de qualquer pessoa que tenha pelo menos um ouvido bom. Se começarmos a ouvir descobriremos que o Senhor pode nos fazer bênção de um modo simples e direto.
          Uma regra de ouro e três simples atitudes que podem fazer toda a diferença. Já imaginou se as pessoas em nossa igreja começarem a praticar de modo consciente e deliberado os atos de reconhecer/incentivar, perdoar e Ouvir/compreender? Faria diferença não? O que diferencia uma igreja de outra realmente? A qualidade da relação entre seus membros. Ser Cristão é seguir a Cristo nas coisas práticas da vida e uma das mais práticas é viver a regra áurea.
A responsabilidade de fazer uma diferença positiva em nossa igreja está em nossas mãos. Vamos parar de acusar os outros de seus erros, de justificar nossa falta de iniciativa e reclamar de que a nossa congregação não é o que devia. Para que ela comece a ser o que deve ser, eu e você temos que começar a viver o que o Senhor nos ensinou. Comecemos já! Tem alguém precisando de nosso incentivo, de nosso perdão e de nosso ouvido hoje mesmo! Ore e peça ao Senhor para saber a quem abençoar e vamos ser uma igreja diferente para a Glória de Deus!

A FORÇA DO CRENTE


"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê".Romanos 1:16


 Irrelevante! É a acusação que ouvimos hoje proferida ao Cristianismo. Num mundo de ciência e tecnologia, de desenvolvimento rápido e explicações crescentes, a fé tem sido encurralada e empurrada para as igrejas cada vez mais vazias. A vida cristã é ridicularizada, a prática cristã considerada coisa do passado e o cristão é visto como um retrógrado que se recusa a aceitar o progresso da humanidade. Nesse contexto como ainda acreditar na força do evangelho? Teremos ainda alguma capacidade de mudar o mundo a nossa volta?
Nos tempos que correm não devemos e não podemos nos encolher e deixar que a vida passe. Não fomos chamados em Cristo para uma fé envergonhada e uma vida de segunda. O Espírito que recebemos não é de covardia, mas de ousadia para a transformação do mundo. Há dois mil anos um grupo de 12 homens rudes recebeu um mandato numa província remota de um império dominante. Que poderiam eles diante da força de Roma? Pois passadas 3 décadas se dizia deles que “tinham transtornado o mundo”. Que força tinham? Teremos a mesma força conosco? Pensemos na força que o cristão ainda tem hoje para mudar o mundo. A força que o Senhor colocou na sua mão. Não é económico, política ou física, mas é enorme. Notemos:
1.     A Força da Oração
 A palavra do Senhor nos mostra que a oração pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16). Não subestimemos o que a oração pode fazer. Por meio dela a igreja e os crentes tem mudado governos e derrubado impérios. Vimos em nossos dias a queda do comunismo no leste e de outros ditadores e a oração teve papel preponderante. Não podemos ver como a oração move os lugares celestiais mas devemos crer e insistir na presença do Senhor.
2.     O Poder da Verdade
Mesmo os que não são cristãos reconhecem a força da verdade. Alexander Solzhenitsyn, o famoso dissidente soviético ao receber o prémio Nobel declarou “ os escritores não têm bombas nem poder militar... mas uma palavra de verdade vale mais que o mundo todo!” Ninguém deveria acreditar mais nisso que os cristãos. Verdade na Vida, verdade nas atitudes e palavras. A verdade dita, defendida e proclamada vale muito em seu poder.
3.     O Poder do Exemplo
Os cristãos são pessoas marcadas, os olhos do mundo estão sobre nós. Nosso exemplo de vida marca nosso meio. A honestidade no trabalho, a excelência no comportamento, a harmonia familiar, a estabilidade no casamento. Tudo isso e muito mais em nosso exemplo tem a força de mover corações, alterar conceitos, confirmar a verdade e ajudar na mudança. A força do exemplo pode levar alguém ao mal e muitas vezes o faz. Então, porque não valorizar a força do bom exemplo?
Todas essas forças são simples e maravilhosas. Criadas por Deus em seu mundo, estão à disposição de todos. Os mais fracos fisicamente ou pobres financeiramente podem mostrar essas forças e ajudar a mudar o mundo.
Não baixemos a cabeça em resignação. Temos o Espírito do Senhor sobre nós e a força para em Cristo mudar o mundo!

Já aconteceu uma vez...

Era uma vez um idoso de 80 anos. Ele foi convocado por Deus para enfrentar o maior rei de seu tempo e o mais forte estado de sua época. Munido de apenas um cajado e sua fé no poder de Deus derrubou um império e libertou seu povo da escravatura. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um homem de 85 anos que vivera já muito e podia almejar descanso e sossego. Foi no entanto desafiado a escolher sua herança. Podia ficar com as terras que desejasse. Podia escolher terras tranquilas e bem regadas e sobretudo livres de problemas. Mas ele escolheu as terras altas, cheias de inimigos. Uma terra habitada por gigantes. E essa terra foi conquistada por ele e pelos seus. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um jovenzinho que guardava as ovelhas de seu pai e que nos tempos vagos compunha salmos para louvar a Deus. Foi levar comida a seus irmãos que serviam o exército e se deparou com um gigante blasfemo. O mercenário era monstruoso, homem de guerra, bem armado, mas o garoto o enfrentou apenas com uma funda e algumas pedrinhas e o matou. Enfrentou o gigante por seu zelo pelo Senhor e venceu. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um profeta desconhecido mas que conhecia bem seu Deus e confiava no poder da oração. Ele orou e durante 3 anos não choveu. Depois orou e choveu fogo do céu e seu ministério preservou o culto verdadeiro em sua terra contra uma multidão de falsos profetas. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma menina órfã criada pelo seu tio. De orfãzinha ela veio a ser rainha do maior império do seu mundo. Nessa posição ela desafiou leis ancestrais e confiando em seu deus salvou seu povo de uma destruição certa. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Jerusalém que vivia em harmonia e comunhão. Seus membros se amavam mutuamente e providenciavam para as necessidades uns dos outros. Essa igreja era respeitada pelo povo, era marcada pelo poder de Deus em curas e sinais e crescia diariamente conforme o Senhor desejava. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Antioquia que entendeu o chamado de Deus. No meio de uma época difícil, uma cultura pagã corrupta e um governo autoritário ela ousou crer na evangelização mundial e separou seus dois principais líderes para essa tarefa. Seus pastores saíram pelo mundo pregando e plantando igreja e algumas décadas depois o cristianismo tinha se espalhado por todo o mundo. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

A palavra nos diz que nosso Deus não muda, ELE é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele também não faz acepção de pessoas, ou seja, não gosta mais de uns que de outros e não vai deixar de abençoar uns para enriquecer outros. Se Ele fez isso no passado então esta pronto a abençoar no presente. Os exemplos que nos foram deixados servem exatamente para que possamos saber como agir, para que possamos confiar, para que nos sintamos estimulados porque isso tudo já aconteceu uma vez... e pode acontecer de novo!

MacDonaldização da Igreja


 Foi George Ritzer que criou o termo MacDonaldização num livro em que investigou o caráter mutante da vida social contemporânea. Segundo Ritzer os princípios da indústria de fast food têm tomado conta da vida social moderna e influenciado áreas como os cuidados de saúde, o ensino e o divertimento. Ritzer distinguiu 4 princípios básicos nessa indústria: eficiência, calculabilidade, previsibillidade e controle.

Não é preciso muito esforço para verificar que o investigador captou bem essa faceta da realidade. Nossa sociedade se retrai cada vez mais num mundo em que se oferece conexões rápidas (na internet), amizades a varejo (na internet) e cada vez menos espaço para a criatividade, a espontaneidade, a vida... O mais triste disso tudo é que o homem não parece perceber que está sendo guiado para o abismo. Vivemos bombardeados por uma mídia que nos diz o que vestir, o que comer, onde passar nosso tempo, onde gastar nosso dinheiro. Somos ensinados sobre o que é felicidade, o que é realização e tentam nos convencer de que sabem do que estão falando. No entretanto a maior doença deste inicio de século é a depressão.

Mas essa MacDonaldização tem chegado à igreja também. Em qualquer livraria evangélica ou na internet (cada vez mais onipresente) podemos encontrar manuais de como tornar nossa igreja eficaz, como calcular a melhor estratégia de crescimento, como controlar as atividades, como organizar programas e eventos para ser mais bem sucedidos. Gurus de vários tipos nos ensinam de acordo com o melhor das ciências sociais atuais o que deve ser a igreja. Pelo passo atual acredito que em breve teremos uma igreja a funcionar no facebook... Pensemos um pouco nas facetas sugeridas por Ritzer no contexto da Igreja de Jesus:

1) Eficiência
Esta é daquelas qualidades que aparentemente não têm discussão. É necessariamente boa. Devemos ser eficientes, afinal a vida o exige. Ninguém gosta de ser considerado incompetente ou ineficiente. Mas eficiência é a capacidade de produzir realmente um efeito e aqui as coisas podem mudar de figura na igreja. Temos realmente desenvolvido a capacidade de causar efeito em nossas igrejas e em nossos cultos. Mas que tipo de efeito? Efeito duradouro? Efeito espiritual que reverte em vida? Ou será efeito carnal, na força do homem, que pode impressionar mas não dura e não frutifica espiritualmente.

Há muitas instituições humanamente eficientes. Fazer as coisas benfeitas é uma exigência da vida cristã e de nosso temor a Deus. Mas eficiência cheira também a controle, domínio absoluto do método de produção que é o que se exige na indústria moderna e no fast-food e isso nunca poderá acontecer na igreja porque ela é uma comunidade do espírito e não há como dominar as linhas de produção nessa área. Realmente devemos desejar efeitos na igreja e sobretudo efeitos que mudem vidas, que alcancem a alma e o espírito, mas esses dificilmente se produzirão em massa e sob encomenda. Dependem do Senhor.

2) Calculabilidade
A indústria exige cálculos. Tudo tem que poder ser resumido a uma tabela de Excel, mas na vida, e na igreja, as coisas que realmente contam não se medem. Como calcular a espiritualidade de um culto, a maturidade de um crente, o amor de um evangelista, a caridade de um obreiro social, a fé de uma oração, a dedicação de um professor de EBD, a profundidade de um sermão, a esperança de uma intercessão ou o dom de um irmão?

Podemos avaliar pelos frutos segundo Jesus nos ensinou, mas reduzir tudo a uma tabela simplesmente não funciona na vida e tira a beleza, o mistério, a maravilha que todos desejamos ver e experimentar na vida. O homem foi criado para coisas tão profundas que nem ele entende, nem pode explicar, mas que anseia e busca toda a vida. Como reduzi-las a mera matemática? Não dá e não é necessário.

3) Previsibilidade
Novamente o controle em ação. A indústria quer poder prever o que virá. Não se ajusta bem a urgências, a imprevistos. O homem moderno vai perdendo a capacidade de lidar com coisas realmente novas e classifica todos os que não se ajustam com alguma alteração psicológica. No entanto, quando alguém sai dos trilhos e é bem sucedido concluímos que era um génio. Há certamente incongruência nessa avaliação.

A vida na Igreja precisa ser vivida na direção do Espírito Santo, no desenvolvimento de dons e ministérios, e isso tudo é marcado pela espontaneidade e criatividade. É por isso que a Igreja não sai de uma linha de produção, não é fotocópia de outra matriz, é vida que acontece de modo diferente em cada lugar. Essa é parte da maravilha da Igreja. Não tem que ser igual a outra, não tem que se limitar ou restringir ao que outras fazem ou planejam. Mantendo a essência dos princípios bíblicos (adoração, comunhão, ensino, evangelização e serviço) a igreja local tem liberdade para escolher as formas que melhor se adaptam a sua realidade e sobretudo aos dons e ministérios que o Senhor lhe deu.

Isso não quer dizer que as coisas na igreja aconteçam de qualquer maneira ou sem preparação, mas que a Igreja verdadeira não pode ser previsível, não cabe em planeamentos fechados, não sobrevive em organogramas rígidos.

4) Controle
Tudo parece se concentrar aqui. O homem moderno tem paixão pelo controle. Quer saber antecipadamente, quer dominar tudo. Essa tendência se tornou uma verdadeira necessidade, mas é muito antiga, na verdade começou no Éden. A origem do pecado tinha a ver também com o desejo do controle, com uma fuga ao controle Divino, uma falta de confiança no amor perfeito de Deus e uma busca por tomar o próprio destino nas mãos. Na construção da Torre de babel o princípio era o mesmo. Vamos construir para controlar.

Hoje, vemos esse princípio entronizado em filmes e livros. O homem que toma as rédeas da situação é elogiado, é colocado na ribalta. Mas se olharmos bem para a situação do planeta facilmente chegaremos a conclusão dos verdadeiros resultados de toda essa fome de controlo da humanidade. Nunca dominamos tanto a natureza como agora, nunca pudemos antecipar e prevenir tanto como agora e no entanto nunca o planeta correu tantos riscos e a humanidade no seu geral viveu tão mal. Temos luxo, glamour e abundância ao lado de miséria, fome e degradação, tudo a um quarteirão de distância. Belo trabalho!

A salvação oferecida em Jesus nos liberta entre outras coisas de nós mesmos. Descobrimos em Cristo que o aparente controle de nosso destino é, na verdade, escravidão, fardo, depressão e que o entregar a ELE a vida em submissão amorosa é, na verdade, Liberdade, Alegria, Fôlego de vida. Parece contradição, como tantas outras coisas na vida Cristã, mas é a mais pura verdade! O controlo nos oprime, pesa sobre nós. A entrega nos liberta, nos deixa leves para viver. Podemos tomar emprestada de Jesus a metáfora das crianças. Os pequeninos não controlam, dependem dos pais para tudo, não se preocupam com o que vão comer, vestir ou como se deslocarão e no entanto com toda sua falta de controlo são felizes. As crianças se alegram com pouco, celebram a vida pulando a cada esquina. À medida que crescemos e vamos aprendendo a controlar e nos tornando responsáveis por nós mesmos, mais o peso da vida aumenta e lá se vai a alegria simples dos infantes. Por isso também Jesus disse que para entrar no Reino dos Céus temos que ser como meninos.

Conclusão:
Creio que tudo que falamos pode ser resumido assim: A vida cristã e a vida na Igreja precisam ser vividas na liberdade do Espírito, que é caracterizada por espontaneidade e criatividade. É Jesus a cabeça. É o Senhor que controla e só ELE está habilitado para tal. No momento em que quisermos fazer da Igreja uma estrutura "à la Macdonald" perderemos toda a VIDA do Espírito. Aprendamos a viver na liberdade maravilhosa que é deixar o controlo nas mãos de quem realmente pode controlar - nosso Deus.

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Mudou Minha Vida!

Um testemunho fácil de se ouvir hoje em dia é esse: Aquele encontro mudou minha vida! Aquele sermão mudou minha vida! Foi uma viagem que mudou minha vida!  Esta música mudou minha vida... e por aí vai. Numa rápida pesquisa na internet encontramos literalmente centenas de testemunhos de como um orkut, uma poesia, um filme, uma academia, um remédio, um produto de beleza, uma dieta, uma paisagem, mudou a vida de alguém. Será? Será mesmo tão fácil mudar vidas?

Lembro-me, certa vez, de ter sido convidado a ser vendedor/promotor de uma gama de produtos. A explicação era simples: havia toda uma gama de produtos de certa marca. Eram supostamente os melhores do mercado. Através de um sistema elaborado eu podia comprá-los e promovê-los. Tudo que eu gastasse e conseguisse que outros gastassem reverteria para mim. Se um dos meus compradores angaria-se mais vendedores também reverteria para mim. No fim, eu ficaria rico e quase não precisaria trabalhar. Resolvi ver como funcionava.

Numa bela noite veio então à minha casa uma advogada, que era nos seus tempos livres promotora do material, para me explicar melhor. Ela começou dando um testemunho curto e claro do tipo "antes disso" e "depois disso". Segundo a sua palavra, aquele produto mudara sua vida completamente e lhe trouxera razão de viver. O testemunho foi brilhante e convincente. Aquela advogada separara tempo de sua noite depois de um dia de trabalho para vir a minha casa dar seu testemunho. Quando ela saiu eu estava arrasado! Não restava nenhuma dúvida em mim que NÃO teria nada a ver com aquele material. O testemunho que ouvira deveria ter sido dado por mim, mas sobre JESUS e isso me envergonhara! O que aquela mulher viera fazer em minha casa eu deveria ter feito, mas sobre o poder do evangelho.

Num tempo de soluções rápidas queremos comida rápida, transporte rápido, comunicação rápida, educação rápida, informação rápida, remédios rápidos. Para nós hoje, rápido é bom, rápido é bonito. O problema é que queremos também relacionamentos rápidos, sabedoria rápida, mudanças de vida rápidas e isso não existe. Relacionamentos levam tempo para se tornarem significativos. Sabedoria só se adquire com o passar dos anos e o amadurecer das experiências. Vidas não se mudam de um momento para o outro. Vidas não se transformam num culto, num congresso ou num retiro, por melhor que seja, por mais famoso que seja o pregador e melhor que seja o louvor. Vidas são formadas por hábitos que se adquirem e se perdem com tempo, prática e paciência. Não são mudadas de um momento para o outro. É um processo que as muda, não um evento.

A Igreja tem sido culpada de criar crentes dependentes de eventos. Temos toda uma geração de viciados em eventos. Vivem precisando desses acontecimentos para "encher as baterias". Nunca aprenderam a se alimentar da palavra. Não sabem o que é vida de oração. Desconhecem as profundidades da comunhão e por isso dependem da emoção fácil dos eventos, que ameaça transformar, mas cuja mudança não passa da epiderme, não dura mais que alguns efervescentes momentos.

Muito do que fazemos hoje na igreja acontece exatamente por isso. Precisamos de campanhas de evangelização porque os crentes não evangelizam, não são capazes de contar aos outros sobre Jesus porque Ele na verdade significa pouco para eles. Precisamos de congressos de missões porque as igrejas não se interessam pela obra missionária. Só se lembram dos campos quando mostramos vídeos e informações dramáticas sobre a realidade dos que morrem sem ouvir falar da Cruz. De evento em evento vamos tentando suprir o que apenas uma vida de comunhão diária com Deus e uma igreja verdadeiramente "Família de Deus" pode dar. Muitos de nossos pastores se tornaram mestres em mensagens de auto-apoio, pregações psicologicamente corretas, leves e agradáveis, mas que não levam a presença do Todo-poderoso, não aprofundam o conhecimento da palavra, não podem realmente ajudar a mudar vidas.

Jesus veio prometendo vida nova, abundante, transbordante. E ela existe, é real, é espantosamente rica e abençoada bem como abençoadora. Mas há que pagar um preço, entrar pela porta estreita, caminhar no caminho apertado, negar-se a si mesmo, tomar a cruz e ser discípulo do Senhor diariamente. Isso tudo tem seu preço. A graça barata oferecida hoje em muitos templos é como produto de loja chinesa, bonito no pacote, mas quebra quando se abre a embalagem. Graça SIM, barata NÃO! Louvemos pela graça e façamos a nossa parte para viver vidas transformadas pelo Senhor a cada novo dia.
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Manual do Corão - Como se formou a Religião Islâmica

Como entender o livro sagrado do Islão?  Origem dos costumes e tradições islâmicas. O que o Corão fala sobre os Cristãos?  Quais são os nomes de Deus? Estudo comparativo entre textos da bíblia e do Corão.  Este manual tem servido de apoio e inspiração para muitos que desejam compreender melhor o Islão e entender a cosmovisão muçulmana. LER MAIS

SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

Agora podes fazer o download do Conto Africano, com versão revisada pelo autor.
Edição com Letra Gigante para facilitar a leitura do E-Book. http://www.scribd.com/joed_venturini