terça-feira, maio 25, 2010
quem ainda se lembra?
Passaram somente pouco mais de 10 anos depois deste acontecimento. Quem ainda dele se recordará?
“Estamos na primeira semana do Ano 2000 e os sinais de que a conversão de dados e aplicações relacionados com esta data que durante longos meses tanto nos preocupou são positivos. As elevadas verbas aplicadas em analisar, solucionar e repor largos milhões de linhas de código foi dinheiro bem gasto.
Contudo, não pensámos jamais que um dos nossos fornecedores estratégicos não tivesse resolvido tão bem o problema e assim o fornecimento de matéria-prima fundamental previsto para sair da fábrica na segunda-feira não se verificou. Amanhã três das nossas fábricas irão parar devido à falta da matéria-prima. O fornecimento para um dos nossos maiores clientes ir-se-á atrasar com implicações sérias num contrato que este tem com um departamento governamental.
Cenários dentro destas características vão apresentar-se a muitas empresas nos próximos três anos. As empresas por muito diligentes que tenham sido e por muitos milhares de contos que tenham despendido na resolução do Efeito 2000 serão sempre confrontadas com as soluções que terceiras partes, de quem dependam ou que delas estejam dependentes, tenham tomado.
Considerando a complicada teia de dependências existentes entre as empresas no Mundo actual não é difícil avaliar a profundidade do problema.
Em primeiro lugar existem os clientes, entidades fundamentais do nosso negócio. Mas existem, também, os fornecedores, os vendedores, as entidades financeiras, os correctores de seguros, as autarquias e o Estado não deverão ser olvidados; os serviços: água, electricidade, gás, telecomunicações. Existem, igualmente, as empresas concorrentes…
Estas são as entidades que constituem dependências óbvias. Restam aquelas que pelas suas características ou pelas características da sua acção não apresentam tamanha evidência nas implicações e interactividade. Os serviços de aquecimento, de ar condicionado, os sistemas de segurança e os diversos componentes da infra-estrutura.
Esquecer que alguma destas entidades podem não ter resolvido o problema do Efeito 2000 é correr sérios riscos de pôr em causa todo o esforço humano e financeiro que desenvolvemos na nossa empresa.
O problema é que todas estas situações não se reflectem, nem directa nem indirectamente, nem são visíveis nos milhões de linhas de código que nos preparamos para identificar e analisar, primeiro, e corrigir, depois, no âmbito do Projecto Efeito 2000. Contudo, basta uma destas dependências estar em causa para pôr em risco a estabilidade da nossa empresa.
Hoje em dia, muitas empresas e departamentos governamentais desenvolveram a designada independência integrada entre sistemas de informação e os processos de controlo computadorizado, de forma a se um falhar, de imediato, se desenvolva um efeito cascata para outras alternativas de solução.
Através do estabelecimento de um modelo de dependências organizacionais e de negócios verificar-se-á, entre outros aspectos, a extrema importância da componente fornecedores e poder-se-á medir as consequências prejudiciais que resultarão de se não ter esta parte na devida consideração. A gestão poderá considerar a acumulação de stocks, a adição de novos fornecedores, a consolidação do fabrico ou, até ir mais longe, redesenhando a fase de montagem, eliminando a área crítica em questão. Ainda que estas acções devam ter lugar fora do “scope” do Projecto Efeito 2000 elas não podem dele ser dissociadas, visto serem essenciais para a continuidade das operações da empresa.
O Modelo de Dependências pode ajudar a identificar os riscos associados com falhas de outras empresas devido à não resolução do Efeito 2000 por parte dessas empresas.
A maioria das metodologias relacionadas com a solução do Efeito 2000 não é adequadamente dirigida às questões empresariais associadas com o problema. Este aspecto deverá ser tomado em consideração na avaliação das propostas de solução, pois sendo fundamental que esta seja analisada no âmbito do sistema de informação (IS), deve ter também em consideração a globalidade do negócio. É insuficiente que a metodologia eleita abranja exclusivamente o contexto da auditoria dos sistemas, do inventário dos desenvolvimentos, da pesquisa e análise do código, da expansão dos campos de data, da mudança dos processos lógicos, dos testes, do redimensionamento e da sincronização.
É necessário que os grupos de sistemas de informação dedicados à resolução do Efeito 2000 ajudem a gestão a entender as dependências que integram a sua organização com outras que orbitam na respectiva área de intervenção e cujas dependências não resolvidas irão pôr em causa a resolução total do Efeito 2000.
A construção de um modelo de dependências deve ser realizada quer no sentido de cima para baixo (topdown) quer no inverso (bottomup) de forma simultânea. A identificação de todos os aspectos do negócio que são relevantes, relacionados com os produtos, clientes e fornecedores, possibilitará a conjugação com os aspectos de “hardware”, sistemas operacionais, compiladores, utilitários e aplicacionais para que o negócio continue operativo.
Ver no que concerne a este aspecto dos trabalhos, o Plano de Dependências e a reengenharia dos processos empresariais (BPR), o produto Tivoli Management Environment (TME) da IBM ou o CA-Unicenter da Computer Associates.
Para resolver completamente o problema consubstanciado no designado Efeito 2000 a gestão necessita de actuar e actuar rapidamente. Hoje em dia, o foco do problema deve deslocar-se dos aspectos puramente técnicos para a necessidade de sobrevivência empresarial. Até que os responsáveis do sistema de informação se convençam e consigam convencer a gestão superior de que o Efeito 2000 é um problema da totalidade da organização e os gestores do negócio assumam a responsabilidade de agir, o devir apresenta-se muito tumultuoso.”
“Estamos na primeira semana do Ano 2000 e os sinais de que a conversão de dados e aplicações relacionados com esta data que durante longos meses tanto nos preocupou são positivos. As elevadas verbas aplicadas em analisar, solucionar e repor largos milhões de linhas de código foi dinheiro bem gasto.
Contudo, não pensámos jamais que um dos nossos fornecedores estratégicos não tivesse resolvido tão bem o problema e assim o fornecimento de matéria-prima fundamental previsto para sair da fábrica na segunda-feira não se verificou. Amanhã três das nossas fábricas irão parar devido à falta da matéria-prima. O fornecimento para um dos nossos maiores clientes ir-se-á atrasar com implicações sérias num contrato que este tem com um departamento governamental.
Cenários dentro destas características vão apresentar-se a muitas empresas nos próximos três anos. As empresas por muito diligentes que tenham sido e por muitos milhares de contos que tenham despendido na resolução do Efeito 2000 serão sempre confrontadas com as soluções que terceiras partes, de quem dependam ou que delas estejam dependentes, tenham tomado.
Considerando a complicada teia de dependências existentes entre as empresas no Mundo actual não é difícil avaliar a profundidade do problema.
Em primeiro lugar existem os clientes, entidades fundamentais do nosso negócio. Mas existem, também, os fornecedores, os vendedores, as entidades financeiras, os correctores de seguros, as autarquias e o Estado não deverão ser olvidados; os serviços: água, electricidade, gás, telecomunicações. Existem, igualmente, as empresas concorrentes…
Estas são as entidades que constituem dependências óbvias. Restam aquelas que pelas suas características ou pelas características da sua acção não apresentam tamanha evidência nas implicações e interactividade. Os serviços de aquecimento, de ar condicionado, os sistemas de segurança e os diversos componentes da infra-estrutura.
Esquecer que alguma destas entidades podem não ter resolvido o problema do Efeito 2000 é correr sérios riscos de pôr em causa todo o esforço humano e financeiro que desenvolvemos na nossa empresa.
O problema é que todas estas situações não se reflectem, nem directa nem indirectamente, nem são visíveis nos milhões de linhas de código que nos preparamos para identificar e analisar, primeiro, e corrigir, depois, no âmbito do Projecto Efeito 2000. Contudo, basta uma destas dependências estar em causa para pôr em risco a estabilidade da nossa empresa.
Hoje em dia, muitas empresas e departamentos governamentais desenvolveram a designada independência integrada entre sistemas de informação e os processos de controlo computadorizado, de forma a se um falhar, de imediato, se desenvolva um efeito cascata para outras alternativas de solução.
Através do estabelecimento de um modelo de dependências organizacionais e de negócios verificar-se-á, entre outros aspectos, a extrema importância da componente fornecedores e poder-se-á medir as consequências prejudiciais que resultarão de se não ter esta parte na devida consideração. A gestão poderá considerar a acumulação de stocks, a adição de novos fornecedores, a consolidação do fabrico ou, até ir mais longe, redesenhando a fase de montagem, eliminando a área crítica em questão. Ainda que estas acções devam ter lugar fora do “scope” do Projecto Efeito 2000 elas não podem dele ser dissociadas, visto serem essenciais para a continuidade das operações da empresa.
O Modelo de Dependências pode ajudar a identificar os riscos associados com falhas de outras empresas devido à não resolução do Efeito 2000 por parte dessas empresas.
A maioria das metodologias relacionadas com a solução do Efeito 2000 não é adequadamente dirigida às questões empresariais associadas com o problema. Este aspecto deverá ser tomado em consideração na avaliação das propostas de solução, pois sendo fundamental que esta seja analisada no âmbito do sistema de informação (IS), deve ter também em consideração a globalidade do negócio. É insuficiente que a metodologia eleita abranja exclusivamente o contexto da auditoria dos sistemas, do inventário dos desenvolvimentos, da pesquisa e análise do código, da expansão dos campos de data, da mudança dos processos lógicos, dos testes, do redimensionamento e da sincronização.
É necessário que os grupos de sistemas de informação dedicados à resolução do Efeito 2000 ajudem a gestão a entender as dependências que integram a sua organização com outras que orbitam na respectiva área de intervenção e cujas dependências não resolvidas irão pôr em causa a resolução total do Efeito 2000.
A construção de um modelo de dependências deve ser realizada quer no sentido de cima para baixo (topdown) quer no inverso (bottomup) de forma simultânea. A identificação de todos os aspectos do negócio que são relevantes, relacionados com os produtos, clientes e fornecedores, possibilitará a conjugação com os aspectos de “hardware”, sistemas operacionais, compiladores, utilitários e aplicacionais para que o negócio continue operativo.
Ver no que concerne a este aspecto dos trabalhos, o Plano de Dependências e a reengenharia dos processos empresariais (BPR), o produto Tivoli Management Environment (TME) da IBM ou o CA-Unicenter da Computer Associates.
Para resolver completamente o problema consubstanciado no designado Efeito 2000 a gestão necessita de actuar e actuar rapidamente. Hoje em dia, o foco do problema deve deslocar-se dos aspectos puramente técnicos para a necessidade de sobrevivência empresarial. Até que os responsáveis do sistema de informação se convençam e consigam convencer a gestão superior de que o Efeito 2000 é um problema da totalidade da organização e os gestores do negócio assumam a responsabilidade de agir, o devir apresenta-se muito tumultuoso.”
Etiquetas: memórias, tecnologias emergentes
terça-feira, maio 18, 2010
flores da madeira
De uma visita feita há cerca de 30 anos à Ilha da Madeira recuperamos mais algumas das flores que de lá trouxemos...
VI
Quem vai a Ribeiro Frio, lá bem no alto da serra, não deverá perder a oportunidade de visitar os viveiros de trutas. Com água gelada a correr pelas veredas cobertas de fetos, esfriando mais o ambiente já de si frio pela altitude, as trutas nos diversos pontos do seu desenvolvimento são um espectáculo deveras aliciante.
Naquela altitude, inspirar profundamente o ar ambiente, húmido e rarefeito, pode provocar uma ligeira tontura, mas é sem dúvida revigorante e inesquecível por muitos anos que passem.
VII
Camacha, em plena serra, é ponto obrigatório de turista ir. Contudo, quando a peregrinação é feita na boa companhia de um madeirense, bem conhecedor do local, é bastante mais aliciante. A Camacha é demais conhecida pelo seu rancho folclórico e pelos trabalhos de vime. Menos conhecida, mas não menos saborosa, é a “camacheira” - poncha de preparação especial que só ali se bebe.
“O Relógio” local de venda de artefactos de vime e que tem um cantinho que é um autêntico Museu do Vime é local de visita obrigatória na Camacha. Trabalhos maravilhosos, representando animais selvagens, fazem parte desse Museu que o visitante não deverá ignorar.
VIII
Percorrendo as sinuosas estradas da serra, deixando o olhar espraiar até às profundezas dos vales onde as aldeias mais parecem miniaturas de brincar, lá vamos descendo de novo em direcção a Santa Cruz, nossa terra de eleição para base de repouso (?). Bordejando o caminho e ladeando os ribeiros tufos imensos de vime aguardam a maturação para virem a servir de matéria-prima aos maravilhosos artefactos tradicionais da região.
Lá para trás, na Camacha, deixámos inolvidáveis recordações. Além da “poncha camacheira” e dos rostos bonitos das camacheiras só comparáveis em beleza com os das maravilhosas moçoilas do Santo da Serra, ficou também “O Relógio”, verdadeiro Museu do Vime.
IX
Continuámos a descer serra abaixo. Vínhamos a percorrer o que, sem forçar a nota, poderíamos chamar “a Rota da Poncha”. Em cada curva da estrada que parece não ter rectas uma tasquinha era uma sugestão de poncha. A seguinte sempre melhor do que a anterior, o que é da tradição ou talvez fosse sugestão.
O Freitas conhece em pormenor estes locais, trata por tu os donos. O viajante é recebido com carinho, como se de um velho amigo se tratasse. E sai mais uma poncha preparada na altura.
X
Um restaurante típico construído em madeira e implantado no meio da serra é paragem obrigatória. O ambiente é agradável, ali se cruzam raças, nacionalidades diversas, num cacharolete de idiomas, de costumes, de formas de estar. Estamos no antigo quartel-general da Flama, hoje restaurante, onde a par com a bandeira inglesa ainda se vê hasteada a bandeira daquele movimento separatista já caído em desuso.
Petiscar na serra é maravilhosamente agradável. Pedaços de queijo e de presunto, azeitona saborosa, poncha fresca preparada na altura, mais dois dedos de conversa e aí está um bocado bem passado na agradável companhia de alguns amigos.
VI
Quem vai a Ribeiro Frio, lá bem no alto da serra, não deverá perder a oportunidade de visitar os viveiros de trutas. Com água gelada a correr pelas veredas cobertas de fetos, esfriando mais o ambiente já de si frio pela altitude, as trutas nos diversos pontos do seu desenvolvimento são um espectáculo deveras aliciante.
Naquela altitude, inspirar profundamente o ar ambiente, húmido e rarefeito, pode provocar uma ligeira tontura, mas é sem dúvida revigorante e inesquecível por muitos anos que passem.
VII
Camacha, em plena serra, é ponto obrigatório de turista ir. Contudo, quando a peregrinação é feita na boa companhia de um madeirense, bem conhecedor do local, é bastante mais aliciante. A Camacha é demais conhecida pelo seu rancho folclórico e pelos trabalhos de vime. Menos conhecida, mas não menos saborosa, é a “camacheira” - poncha de preparação especial que só ali se bebe.
“O Relógio” local de venda de artefactos de vime e que tem um cantinho que é um autêntico Museu do Vime é local de visita obrigatória na Camacha. Trabalhos maravilhosos, representando animais selvagens, fazem parte desse Museu que o visitante não deverá ignorar.
VIII
Percorrendo as sinuosas estradas da serra, deixando o olhar espraiar até às profundezas dos vales onde as aldeias mais parecem miniaturas de brincar, lá vamos descendo de novo em direcção a Santa Cruz, nossa terra de eleição para base de repouso (?). Bordejando o caminho e ladeando os ribeiros tufos imensos de vime aguardam a maturação para virem a servir de matéria-prima aos maravilhosos artefactos tradicionais da região.
Lá para trás, na Camacha, deixámos inolvidáveis recordações. Além da “poncha camacheira” e dos rostos bonitos das camacheiras só comparáveis em beleza com os das maravilhosas moçoilas do Santo da Serra, ficou também “O Relógio”, verdadeiro Museu do Vime.
IX
Continuámos a descer serra abaixo. Vínhamos a percorrer o que, sem forçar a nota, poderíamos chamar “a Rota da Poncha”. Em cada curva da estrada que parece não ter rectas uma tasquinha era uma sugestão de poncha. A seguinte sempre melhor do que a anterior, o que é da tradição ou talvez fosse sugestão.
O Freitas conhece em pormenor estes locais, trata por tu os donos. O viajante é recebido com carinho, como se de um velho amigo se tratasse. E sai mais uma poncha preparada na altura.
X
Um restaurante típico construído em madeira e implantado no meio da serra é paragem obrigatória. O ambiente é agradável, ali se cruzam raças, nacionalidades diversas, num cacharolete de idiomas, de costumes, de formas de estar. Estamos no antigo quartel-general da Flama, hoje restaurante, onde a par com a bandeira inglesa ainda se vê hasteada a bandeira daquele movimento separatista já caído em desuso.
Petiscar na serra é maravilhosamente agradável. Pedaços de queijo e de presunto, azeitona saborosa, poncha fresca preparada na altura, mais dois dedos de conversa e aí está um bocado bem passado na agradável companhia de alguns amigos.
segunda-feira, maio 10, 2010
flores da madeira
De uma visita feita há cerca de 30 anos à Ilha da Madeira recuperamos estas flores que de lá trouxemos...
I
A Ilha da Madeira, terra que é das flores e também... dos amores, é sem dúvida um dos cantinhos de Portugal mais belo, pitoresco e acolhedor. Suas gentes, caracteristicamente afáveis e carinhosas, são vivas e inteligentes, reconhecendo de imediato quem delas se abeira com amizade.
Para o continental, a viagem à “Pérola do Atlântico” é, desde o início, uma aventura. Após a descolagem em Lisboa e depois de cerca de 1 hora de viagem sobre o Atlântico azul e luminoso, já com Porto Santo à vista, o coração acelera o seu bater. O balançar das asas do avião provocado pela forte turbulência local, a visão da pista que mais parece um minúsculo porta-aviões, são sensações deveras impressionantes. Vale a perícia incomparável dos pilotos portugueses para que poucos minutos passados possa ter lugar um uff! generalizado.
II
O Aeroporto do Funchal, situado no concelho de Santa Cruz, é de pequenas dimensões mas o visitante é, de imediato, agradavelmente surpreendido por uma autêntica sinfonia de odores e de cores. São as flores da Madeira. É o primeiro jardim dos muitos que o visitante irá encontrar pelos caminhos da Madeira e acompanhá-lo-á com uma imagem inesquecível.
Nos primeiros contactos com a realidade da Ilha da Madeira o deslumbramento surge com a verdadeira rapsódia colorida de vermelho e verde do infindável número de cactos floridos que ladeiam as estradas e caminhos.
III
A melhor forma de se conhecer os recantos mais belos da Ilha da Madeira é sem dúvida viajar no “Maravilhas”. O “Maravilhas”, “marabelhas” no dizer dos madeirenses, é uma carrinha VW com mais de 20 anos de existência que pelas mãos do seu proprietário, o bom amigo Freitas, percorre todas as estradas da Madeira.
Aliás, pela estrada fora, o “Maravilhas” é por demais conhecido a avaliar pelas muitas saudações que lhe são dirigidas e pela forma carinhosa como o Freitas as retribui.
IV
O roteiro gastronómico não poderia ser ignorado nesta deliciosa viagem. E falando em gastronomia logo nos ocorre as tradicionais espetadas que só em “seu sítio” têm o verdadeiro paladar. Subimos à Portela, a mais de 600 metros acima do nível do mar, para aí na “Casa da Portela” nos deliciarmos com uma espetada preparada mesmo ali à vista de todos nós. Claro, antecedendo como aperitivo tomámos uma poncha, bebida aperitivo/digestivo característica da Madeira e que muito irá ser falada nestes apontamentos.
Percorrendo as estradas de montanha, sempre acima dos 800 metros de altitude, e caminhando pelo Santo da Serra, Poiso (1410m), Ribeiro Frio, Camacha e descendo novamente até Santa Cruz, com passagem pela “Varanda”, seguimos a “Rota da Poncha”. O Freitas, nosso inseparável companheiro, lá nos levou aos locais onde melhor poncha se bebe.
V
A poncha pode ser bebida fria ou morna, é um excelente “calorífero” para compensar o frio que se sente no alto da serra. A melhor de todas é a que é preparada na altura, como se diz “ao momento”, de acordo com uma fórmula e um processo cuja origem se perde na bruma da montanha.
Receita da poncha: Mistura-se uma parte de sumo de limão com outro tanto de mel puro de abelhas. Utiliza-se um utensílio apropriado feito em madeira para conseguir a perfeita ligação dos dois ingredientes. Após o que se junta aguardente de cana em quantidade igual à da mistura antes obtida. Mais um ligeiro toque na mistura e a Poncha está pronta a servir.
I
A Ilha da Madeira, terra que é das flores e também... dos amores, é sem dúvida um dos cantinhos de Portugal mais belo, pitoresco e acolhedor. Suas gentes, caracteristicamente afáveis e carinhosas, são vivas e inteligentes, reconhecendo de imediato quem delas se abeira com amizade.
Para o continental, a viagem à “Pérola do Atlântico” é, desde o início, uma aventura. Após a descolagem em Lisboa e depois de cerca de 1 hora de viagem sobre o Atlântico azul e luminoso, já com Porto Santo à vista, o coração acelera o seu bater. O balançar das asas do avião provocado pela forte turbulência local, a visão da pista que mais parece um minúsculo porta-aviões, são sensações deveras impressionantes. Vale a perícia incomparável dos pilotos portugueses para que poucos minutos passados possa ter lugar um uff! generalizado.
II
O Aeroporto do Funchal, situado no concelho de Santa Cruz, é de pequenas dimensões mas o visitante é, de imediato, agradavelmente surpreendido por uma autêntica sinfonia de odores e de cores. São as flores da Madeira. É o primeiro jardim dos muitos que o visitante irá encontrar pelos caminhos da Madeira e acompanhá-lo-á com uma imagem inesquecível.
Nos primeiros contactos com a realidade da Ilha da Madeira o deslumbramento surge com a verdadeira rapsódia colorida de vermelho e verde do infindável número de cactos floridos que ladeiam as estradas e caminhos.
III
A melhor forma de se conhecer os recantos mais belos da Ilha da Madeira é sem dúvida viajar no “Maravilhas”. O “Maravilhas”, “marabelhas” no dizer dos madeirenses, é uma carrinha VW com mais de 20 anos de existência que pelas mãos do seu proprietário, o bom amigo Freitas, percorre todas as estradas da Madeira.
Aliás, pela estrada fora, o “Maravilhas” é por demais conhecido a avaliar pelas muitas saudações que lhe são dirigidas e pela forma carinhosa como o Freitas as retribui.
IV
O roteiro gastronómico não poderia ser ignorado nesta deliciosa viagem. E falando em gastronomia logo nos ocorre as tradicionais espetadas que só em “seu sítio” têm o verdadeiro paladar. Subimos à Portela, a mais de 600 metros acima do nível do mar, para aí na “Casa da Portela” nos deliciarmos com uma espetada preparada mesmo ali à vista de todos nós. Claro, antecedendo como aperitivo tomámos uma poncha, bebida aperitivo/digestivo característica da Madeira e que muito irá ser falada nestes apontamentos.
Percorrendo as estradas de montanha, sempre acima dos 800 metros de altitude, e caminhando pelo Santo da Serra, Poiso (1410m), Ribeiro Frio, Camacha e descendo novamente até Santa Cruz, com passagem pela “Varanda”, seguimos a “Rota da Poncha”. O Freitas, nosso inseparável companheiro, lá nos levou aos locais onde melhor poncha se bebe.
V
A poncha pode ser bebida fria ou morna, é um excelente “calorífero” para compensar o frio que se sente no alto da serra. A melhor de todas é a que é preparada na altura, como se diz “ao momento”, de acordo com uma fórmula e um processo cuja origem se perde na bruma da montanha.
Receita da poncha: Mistura-se uma parte de sumo de limão com outro tanto de mel puro de abelhas. Utiliza-se um utensílio apropriado feito em madeira para conseguir a perfeita ligação dos dois ingredientes. Após o que se junta aguardente de cana em quantidade igual à da mistura antes obtida. Mais um ligeiro toque na mistura e a Poncha está pronta a servir.
segunda-feira, março 09, 2009
memória presente
mulheres, homens, como um só
rebentaram as grilhetas da opressão
Medalha cunhada pela Gravarte num Dia da Mulher muito especial, em 1975
sexta-feira, outubro 24, 2008
arrebiana de vinhais
Em tempo de castanhas...

Jogado essencialmente nos longos serões de Inverno, na arrebiana participam dois jogadores. Um deles, sem que o outro veja, coloca um determinado número de castanhas assadas entre as duas mãos fechadas em forma de concha e dirige-se ao outro jogador dizendo:
- “Arrebiana”
- “Sobressaltanha” - Responde o interlocutor
- “Sobre quantas?” - Pergunta o primeiro
- “Sobre x” (sendo x o número de castanhas que o outro supõe estarem nas mãos fechadas do primeiro).
Terminado este diálogo, contam-se as castanhas que estavam na concha da mão e, inevitavelmente, pode acontecer uma das seguintes coisas: se o jogador que adivinhou acertar, fica com todas as castanhas que o outro participante tinha nas mãos; se não, é obrigado a dar a diferença ao outro. Por exemplo, se o palpite era 10 castanhas e na concha da mão estavam apenas 4, então, o outro jogador teria direito a receber 6 castanhas.
Jogo tradiccional, maravilhoso na sua singeleza e óptimo para aquecer as mãoes em tempo de "outonalidades".
Jogado essencialmente nos longos serões de Inverno, na arrebiana participam dois jogadores. Um deles, sem que o outro veja, coloca um determinado número de castanhas assadas entre as duas mãos fechadas em forma de concha e dirige-se ao outro jogador dizendo:
- “Arrebiana”
- “Sobressaltanha” - Responde o interlocutor
- “Sobre quantas?” - Pergunta o primeiro
- “Sobre x” (sendo x o número de castanhas que o outro supõe estarem nas mãos fechadas do primeiro).
Terminado este diálogo, contam-se as castanhas que estavam na concha da mão e, inevitavelmente, pode acontecer uma das seguintes coisas: se o jogador que adivinhou acertar, fica com todas as castanhas que o outro participante tinha nas mãos; se não, é obrigado a dar a diferença ao outro. Por exemplo, se o palpite era 10 castanhas e na concha da mão estavam apenas 4, então, o outro jogador teria direito a receber 6 castanhas.
Jogo tradiccional, maravilhoso na sua singeleza e óptimo para aquecer as mãoes em tempo de "outonalidades".
Etiquetas: jogos tradicionais, memórias
sexta-feira, outubro 17, 2008
memorial da montanha da penha
Em plena Montanha da Penha, em Guimarães, a mais de 400 metros de altitude, ergue-se um Memorial a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, esculpido num enorme maciço de granito. É a homenagem de diversas escolas e instituições a tão temerários navegadores aéreos.
A grande paixão de gago Coutinho pela navegação aérea leva-o, com todo o seu saber, à invenção de um sextante a utilizar um horizonte artificial de bolha, eficaz para a navegação aérea, onde o horizonte real não é visível. Em 1921 faz as comprovações praticas voando para a Madeira e em 1922, acompanhado por Sacadura Cabral como piloto, voa até ao Brasil, fazendo pela primeira vez a travessia aérea do Atlântico Sul.
Sacadura Cabral morreu prematuramente mas ainda me recordo de cruzar com Gago Coutinho no Chiado, em Lisboa.
“Percorre o Chiado com passo lento mas firme. Figura de baixa estatura e magra veste elegantemente de escuro. Talvez se dirija simplesmente para a Brasileira do Chiado para tomar um café e para dois dedos de conversa. É esta a imagem que guardo na minha memória dos 12 ou 13 anos, decorreria o ano de 1956 ou 1957, quando frequentava a Escola Comercial Veiga Beirão, no Largo do Carmo, nas imediações do Chiado, na baixa lisboeta.”
Um dia alguém me disse tratar-se de Gago Coutinho.
“Percorre o Chiado com passo lento mas firme. Figura de baixa estatura e magra veste elegantemente de escuro. Talvez se dirija simplesmente para a Brasileira do Chiado para tomar um café e para dois dedos de conversa. É esta a imagem que guardo na minha memória dos 12 ou 13 anos, decorreria o ano de 1956 ou 1957, quando frequentava a Escola Comercial Veiga Beirão, no Largo do Carmo, nas imediações do Chiado, na baixa lisboeta.”
Um dia alguém me disse tratar-se de Gago Coutinho.
quarta-feira, julho 04, 2007
henrique viana, vivo!
gente e factos
Pequenas notas biográfica, os sentires sobre a vida de pessoas que muito sensibilizaram o pessoal da Oficina das Ideias pelos seus actos, pela forma solidária de estar na vida. Com eles aprendemos em todos os minutos da nossa vivência
Hoje pela manhã, bem cedo, dediquei-me a arrumar alguns papéis na barafunda do meu sótão, ali mesmo perto do céu azul e sob as vistas de um pinheiro que aqui nasceu e tem sido criado vão para mais de 20 anos.
Nas minhas mãos uma série de programas teatrais e outros documento ligados à vida artística dos anos 70 do século passado, entre os quais diversos exemplares do “Jornal Adoque” e os programas das “revistas à portuguesa” Pides na Grelha e A CIA dos Cardeais. A minha atenção foi desperta para um exemplar do referido jornal com destaque para a figura de “Ó Calinas cala a boca” criada e interpretada pelo actor Henrique Viana.

Passado algum tempo, ouvi da televisão a dramática notícia: “Faleceu Henrique Viana!”. Eu que não acredito em coincidências pensei: “Que estranha sintonia...”
Actor com mais de 50 anos de actuação, estreou-se como amador na Guilherme Cossoul com “Amanhã há récita», de Varela Silva, em 1956. Ainda como amador integrou o elenco de «O dia seguinte», de Luís Francisco Rebello, e «Catão», de Almeida Garrett. Passado pouco tempo Amélia Rey Colaço» o convidou para fazer um «teste» no Teatro Nacional D. Maria II.
Tive oportunidade de acompanhar o percurso teatral e cinematográfico de Henrique Viana no decorrer destes mais de 50 anos: Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Avenida (Companhia Vasco Morgado), Teatro Variedades, Teatro do Nosso Tempo, Teatro da Estufa Fria, Teatro Villaret, Teatro ABC e Teatro Adoque, de que foi um dos fundadores.
Teve igualmente importante participação no cinema e na televisão.
Recordo bem da primeira peça de teatro musicado representada depois do 25 de Abril de 1974 e que inaugurou o Teatro Adoque, “Pides na Grelha”, estreada em Setembro de 1974.

Henrique Viana continua Vivo!
Hoje pela manhã, bem cedo, dediquei-me a arrumar alguns papéis na barafunda do meu sótão, ali mesmo perto do céu azul e sob as vistas de um pinheiro que aqui nasceu e tem sido criado vão para mais de 20 anos.
Nas minhas mãos uma série de programas teatrais e outros documento ligados à vida artística dos anos 70 do século passado, entre os quais diversos exemplares do “Jornal Adoque” e os programas das “revistas à portuguesa” Pides na Grelha e A CIA dos Cardeais. A minha atenção foi desperta para um exemplar do referido jornal com destaque para a figura de “Ó Calinas cala a boca” criada e interpretada pelo actor Henrique Viana.
Passado algum tempo, ouvi da televisão a dramática notícia: “Faleceu Henrique Viana!”. Eu que não acredito em coincidências pensei: “Que estranha sintonia...”
Actor com mais de 50 anos de actuação, estreou-se como amador na Guilherme Cossoul com “Amanhã há récita», de Varela Silva, em 1956. Ainda como amador integrou o elenco de «O dia seguinte», de Luís Francisco Rebello, e «Catão», de Almeida Garrett. Passado pouco tempo Amélia Rey Colaço» o convidou para fazer um «teste» no Teatro Nacional D. Maria II.
Tive oportunidade de acompanhar o percurso teatral e cinematográfico de Henrique Viana no decorrer destes mais de 50 anos: Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Avenida (Companhia Vasco Morgado), Teatro Variedades, Teatro do Nosso Tempo, Teatro da Estufa Fria, Teatro Villaret, Teatro ABC e Teatro Adoque, de que foi um dos fundadores.
Teve igualmente importante participação no cinema e na televisão.
Recordo bem da primeira peça de teatro musicado representada depois do 25 de Abril de 1974 e que inaugurou o Teatro Adoque, “Pides na Grelha”, estreada em Setembro de 1974.
Henrique Viana continua Vivo!