06 julho 2006
"Salazar e a Rainha"
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05 julho 2006
O Futebol e a "Vida Real"
Se estiver enganado, peço perdão.
Zinedine Zidane marcou o único golo da partida na transformação de uma grande penalidade (?!!) na sequência de uma alegada falta de Ricardo Carvalho sobre Henry. Aos 33 minutos da primeira parte.
O próprio “Le Monde” acaba de afirmar, na sua edição “on-line”, que "largement dominés en première période, les Bleus ont bénéficié d'un penalty"…
Curioso que uma grande penalidade (uma falta sobre Cristiano Ronaldo) essa sim bem real, não foi assinalada a nosso favor. À semelhança de outras numerosas faltas da equipa francesa sobre a nossa.
Quanto a mim, a França comprou o árbitro. Não importa como se ganha. Há que ganhar a todo o custo. Recordo aqui a campanha vergonhosa que o “Figaro” fez contra Portugal, nas vésperas deste jogo. A que patamar desceu a França!
O futebol é, com efeito, como a “vida real”: a Verdade e a Justiça raramente ganham!
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As Pontes e as Ilhas
Há sempre quem lute contra elas.
Mas, quem as alcança, consegue criar amizades, unindo porventura as ilhas que nós somos…
Mesmo que venha a surgir a destruição, algumas dessas ilhas permanecerão unidas.
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02 julho 2006
Portugal Hoje
O pretexto foi a vitória da selecção portuguesa no jogo de futebol contra a selecção inglesa.
Nesta época de globalização em que o poder económico destrói as fronteiras e se debilitam os poderes institucionais, há fenómenos que fazem eclodir, numa avalanche, a nossa identidade nacional, a nossa alma portuguesa.
Como atrás de tempos vêm tempos, as Nações e os Estados não estão definitivamente realizados, mas têm de cumprir-se constantemente.
É preciso dar corpo a esta Alma e cumprir Portugal hoje e agora!
É preciso cumprir Portugal promovendo políticas de fixação das populações à sua terra.
É preciso evitar a desertificação do interior, o que significa efectivar Portugal em toda a sua área geográfica. Portugal não pode confinar-se às grandes cidades do litoral!
Vem isto a propósito da anunciada intenção de extinguir as comarcas judiciais e de as substituir por novas "circunscrições territoriais", o que se insere na actual política que redunda na extinção dos organismos públicos desconcentrados.
Com o encerramento das fábricas por via da “deslocalização” e do “dumping social”, e a extinção destes organismos públicos por causa das restrições orçamentais, como é possível cumprir Portugal na sua dimensão geográfica?
Convém não esquecer que o deficit orçamental não se controla só com a redução da despesa pública. O deficit orçamental está em íntima relação com o produto interno bruto (PIB) e, se não houver crescimento económico, se não houver PIB, pode chegar -se a um momento em que a despesa pública tem de ser zero, acabando todas as funções sociais do Estado.
Se a verdadeira causa da redefinição do mapa judiciário é apenas o desajustamento do volume processual aos recursos existentes nas diversas comarcas, então agreguem-se as comarcas, ficando um juiz afecto a duas ou três, reformule-se o quadro dos funcionários judiciais em função do volume processual, aproveitando-se estes funcionários judiciais excedentários para outros serviços públicos, desconcentrados ou locais.
Auscultem-se as populações, ouçam-se os funcionários, os juízes, os magistrados do Ministério Público, os advogados. As reformas são necessárias na dialéctica do tempo que tudo muda. Mas as mudanças têm de ser feitas em favor das populações e têm de incluir todos os visados, numa atitude de integração, de construção, e não de destruição.
O Estado de Direito democrático não se esgota numa maioria governativa e parlamentar!
Não se extingam os factores de fixação das populações à terra. Não se destrua todo um edifício jurídico construído, ao longo de muitas décadas, por insignes Juristas, e que assenta, ao nível político e administrativo, na desconcentração e descentralização dos serviços do Estado e entes públicos, aliás na esteira do universal princípio da subsidiariedade que avivou de tom com a integração europeia.
Portugal mostrou que precisa absolutamente de afirmar a sua identidade nacional e quer cumprir-se na sua integralidade, o que se revela essencial na sua actual condição de Estado membro de uma União Europeia a navegar em mar tempestuoso.
Portugal tem um porto seguro que é o sentido de identidade nacional, a coesão territorial e o seu património histórico e cultural.
É necessário que os políticos, como representantes deste povo, percepcionem este grito de Alma e contribuam para que Portugal se cumpra."
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Espírito Guerreiro
O segredo de Luiz Felipe Scolari para a boa prestação da nossa Selecção reside no "espírito guerreiro dos jogadores".
É assim que este explica o êxito desta equipa, classificada entre as quatro melhores do mundo.
E dizem por aí mal de Scolari! Que ele tem um discurso infantil, que ele é um pobre crente, que é conservador!
Ora tomem lá!
Apliquemos agora, a todos os sectores da sociedade, este “espírito guerreiro”, nomeadamente na economia, na educação e na política (esta última para fazer face a esses façanhudos de Bruxelas) e Portugal renascerá das cinzas!
É que Portugal não nasceu por acaso. Nasceu, antes, a régua e esquadro. Nasceu para servir um determinado propósito na História da Humanidade.
De facto, Portugal "deu novos mundos ao mundo" e iluminou este quando atravessou o mar ignoto.
Portugal é um hino ao valor do Homem perante o mundo. Com efeito, desta “Ocidental praia Lusitana” ainda temos “aqueles que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando”.
Nota: Ricardo voltou a ser herói, entrando para a História como o primeiro a defender três "penáltis" num Mundial. Um feito que, ao que parece, não foi suficiente para a Fifa designar Ricardo como o homem do jogo… é por estas e por outras que Portugal tem de voltar a dominar a cena mundial, em diversos capítulos. Para ser respeitado!
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01 julho 2006
"Casal" desfeito...
A “coisa” não correu bem: um deles saiu de casa para ir viver com outro homem.
O que foi “abandonado” pretende que o Tribunal lhe confira o direito de ficar na casa onde residia com o ex-companheiro, arrogando-se ainda o direito a uma pensão de sete mil euros mensais.
Pede ainda para ficar com... os animais de estimação de ambos. Contudo, magnânimo, admite que o ex-companheiro possa visitá-los em dias a definir.
Sem comentários.
Fonte: Jornal "Público", Secção "Sociedade", Terça-Feira, 27 de Junho de 2006.
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A "movida" do Direito
Ciclo de Conferências "Novos Desafios para o Direito Português" na "Católica" do Porto.
Próxima Conferência - dia 3 de Julho às 21H30: "Novos desafios do Direito Português", por Carlos Osório de Castro, da "Osório de Castro, Verde Pinho, Vieira Peres, Lobo Xavier & Associados".
Local: Universidade Católica Portuguesa - Campus da Foz, Rua Diogo Botelho 1327, Porto.
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26 junho 2006
Portugal: do sonho ao fim sem grandeza
“Fomos descobrir o mundo em caravelas e regressámos dele em traineiras. A fanfarronice de uns, a incapacidade de outros e a irresponsabilidade de todos deu este resultado: o fim sem grandeza de uma grande aventura. Metade de Portugal a ser o remorso da outra metade.”
Miguel Torga
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25 junho 2006
Ad perpetuam rei memoriam
Pois bem, aí cheguei, com a minha legítima, via Alfa Pendular, às 19H de Sexta-Feira, dia do Sagrado Coração de Jesus ( não é só aquele que sabe o calendário litúrgico...). Esperava-nos a Teresinha, no seu potente “BM”, preto como convém ao ser ar (falsamente) circunspecto, na estação de Gaia (dá-lhe mais jeito, visto ela ter “casinha” ali na Foz) e lá partimos para um fim-de-semana portuense.
Fomos, com o sol já a cair para o mar, tomar o “ pulso” à casa de chá do Siza, mas rumámos a Matosinhos, que estava uma loucura! Jantar jantar…longas filas! Acabámos por ir a Leça ver “só” a “paisagem”. Lembrei-me do meu querido Amigo Coutinho e das suas incursões precisamente a…Leça!
Telefono, não telefono, convenço-me, de "bona fides", que deve estar com os seus miúdos no Marco (agora constato, pelo seu postal “A Festa” que me enganei. Estou, pois, deveras contrito. Então não poderia ter jantado com ele na Ribeira? Ora bolas!).
Acabei, pois, por jantar em Leça, numa casinha despretensiosa, o “Alves”, ali na Combatentes da Grande Guerra. Peixinho como convém…
Demos, a minha dona e a Teresinha, uma volta pela “marginal”, ali na Foz, que fervilhava de gente, e onde uma (atrevida) rapariga me “meteu” na cara um alho-porro! Não sei se este “meu olhar” tinha, involuntariamente, recaído na sua graciosidade…
Bem, Sábado de manhã, bem cedinho, saí de casa, deixando as acima mencionadas em vale de lençóis, e entrei, ali junto à Católica, na estação de serviço da BP, onde comprei os jornais e tomei o meu café. Devo dizer que eu e o Coutinho somos “fãs” irredutíveis das estações de serviço…e decidi telefonar a esse que julgo ser um “amicus certus in re incerta”, esse mesmo o “Marcelus”.
Ficou danado de eu não ter avisado na noite anterior! Eu, com esta "personagem", ainda tenho de acertar os carretos da engrenagem…Mas convidei-o (para casa alheia, já se vê) para um cházinho ao fim da tarde…a Teresinha até é toda dada…e lá arranjou uns bolinhos para acompanhar o chá da amizade. Meus amigos, quem ficou a ganhar fui eu e a Teresinha, que o Marcelus não foi de mãos vazias: para que fiquem verdes de inveja (coisa feia, a inveja…) este vosso amigo ficou com um grosso volume do Baltasar Garzón (“Um mundo sem medo”) traduzido pelo….Marcelus, pois está de ver! (e com uma bela dedicatória!!!). E aquela com um belo romance (místico!) sobre a vida de Gaudi. Tudo obra do dito cujo! Não sabia que este tradutor também se dedicava a obras sobre o Transcendente...os amigos surpreendem-nos sempre...
Mas, relativamente ao Garzón, vai ter de esperar: logo que tenha mais disponibilidade (esta semana espera-me uma agenda carregada) vou ler, com (antecipado) gosto, de Manuel Heinzelmann (“topam”?) “A pedra no sapato a pata na poça” que, vergonhosamente, ainda não li; mas tenho uma desculpa redentora: aquilo é livro que, para ser bem saboreado, só em férias, com a mente mais livre, para poder beber toda aquela “movida” !
Bem, para a próxima, quando for ao Porto, avisarei com antecedência os meus amigos, portuenses e marcoenses!!
Nota I: estas linhas foram escritas já em Lisboa, e após ter dado uma “oftálmica” ao Incursões.
Nota II: hei-de alinhavar, brevemente, umas linhas acerca desta cidade, que casa tão bem com a minha maneira de ser!
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23 junho 2006
Do Diário da República e do Cherne
Já reclinado no (legítimo) leito conjugal, folheando, displicentemente, o Diário da República nº 119 I-B, datado de hoje, quinta-feira, deparo, a fls.4421, com a Portaria nº 587/2006 de 22 Junho, do Ministério da Agricultura (ainda existe?), Do Desenvolvimento Rural E Das Pescas [ainda podemos apanhar o (nosso) peixe?] a qual apresenta uma extensa lista com as denominações comerciais dos peixinhos. E, eis que caio em cima do “CHERNE”!: ora, o nome científico do mesmo é POLYPRION …AMERICANUS!
Ora, cherne cherne, vale dizer…Durão Barroso!
Certamente que nos lembramos todos da esposa de Durão Barroso, Margarida Sousa Uva, ter dedicado publicamente ao marido um excerto do poema "sigamos o cherne" de Alexandre O'Neill.
Pelo nome (científico) daquele, está, assim, explicada, a existência do…AMIGO AMERICANO!
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22 junho 2006
O Poeta da Melancolia
A poesia deste (também usou na sua música poemas de Baudelaire, Verlaine, Rimbaud e Apollinaire) faz-nos vir as lágrimas aos olhos; é a inexplicável nostalgia que se apodera de nós!...talvez por causa do que nos foi dado viver e por tudo aquilo que não nos foi dado viver; por vezes, até temos nostalgia do tempo que não vivemos...ele bem que falou da solidão, das mulheres, e da amizade que muitas vezes não existe.
JE TE DONNE TOUT ÇA, MARIE !
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21 junho 2006
Uma doce voz de passarinho
Matilde Rosa Araújo tem já a bonita idade de 85 anos. E digo bonita com uma (boa) razão: ao ouvi-la, há meses, numa entrevista emitida na televisão, perpassava na sua voz um rio de mel e um discurso tão clarividente como enternecedor.
A doce escritora nasceu em Lisboa em 1921. Licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, aquele curso outrora muito procurado por (belas) raparigas e igualmente prestigiado. No tempo em que se dava valor à cultura! Um curso que dava sentido à vida e proporcionava uma bela carreira! Hoje…proporciona desemprego…
Professora do Ensino Técnico Profissional em Lisboa e noutras cidades do País, foi autora de livros de contos e poesia para o mundo adulto, mas dedicou-se sobretudo às crianças, centrando a sua temática na infância, feliz ou agredida. Na realidade, a sua obra é feita de pequenos deslumbramentos em relação ao mundo da criança.
Diz-nos o Diário de Notícias (edição de 3ª feira) que saiu, simbolicamente, o seu "último" livro, intitulado “A Saquinha da Flor”.
Sinto que nos faz falta a companhia destas pessoas, já no ocaso da vida, mas tão cheias de bondade e clarividência!
Não vejo que tenham continuadores. Portugal vai ficando cada vez mais pobre...
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19 junho 2006
Textos (pouco) filosóficos I
Por definição, ele nunca pode ser um acto que restrinja a liberdade de quem lê. Seria, tal premissa, um absurdo.
O outro, o destinatário possível, é sempre livre de aceitar (ou não) o conteúdo de um texto. Estranho seria o facto que aquele que escreve se auto censurasse, pensando nas diferentes sensibilidades e idiossincrasias dos possíveis leitores.
Já tivemos em Portugal o chamado “ lápis azul”. Já tivemos, da parte dos nossos escritores e jornalistas em geral, uma espécie de auto-contensão.
Penso que é tempo de terminar de vez com todas as peias que limitam cada um de nós, individualmente considerados, e não ter medo de nada. Nem dos fantasmas que por vezes nos assombram…
A liberdade, idealizada no colectivo anónimo, já deu provas do mundo de pesadelo que é capaz de engendrar. Não passa, pois, de uma farsa. A liberdade individual é que conta. Tendo bem presente cada um de nós.
É coisa natural do Homem actuar de acordo com a sua verdade. Pensar, agir na sociedade de acordo com ela. Discorrer, filosoficamente se quisermos, segundo a visão que ele tem da sua verdade, daquela luz que o ilumina, lhe guia os passos, o ajuda a caminhar no meio de tantas veredas tortuosas, as quais lhe dificultam a existência.
Mas, o facto do Homem estar convicto da realidade do seu teorema, mesmo que o não possa ou saiba demonstrar, basta-lhe a certeza da sua (sólida) construção. Porém, tal não significa que nós sejamos intolerantes relativamente a opiniões diferentes (pese embora o risco que cada um de nós corre quando nos abrimos aos outros, e estes, por sua vez, não nos compreendem, ou não nos querem aceitar com toda a nossa dimensão). Pelo contrário, aqueles homens e mulheres, que no seu coração trazem a chama da paz, do amor e da fraternidade, são perfeitamente capazes de aceitar a diferença, onde quer que ela se situe.
Mas devemos confessar que outro risco se corre: o de parecermos fracos quando abrimos o coração e, não obstante tendo este recheado de certezas, aceitar todavia a “diferença” do outro: será que este “outro” vai considerar que tal atitude é um sinal de fraqueza da nossa parte?
É óbvio que não se pode impor, de modo racional e lógico, a “nossa verdade” ao outro. E aqui entra o conceito, ultimamente tão esquecido, da tolerância. Tolerância olvidada, mesmo por aqueles que a invocam a seu favor, para proteger a “sua” liberdade…
Mas temos de acreditar que o nosso próximo verá a nossa posição de tolerância, não como uma capitulação dos nossos princípios, mas sim como a cedência de um espaço de liberdade para esse “outro”, para que este também se possa pronunciar acerca das “suas verdades”.
O ideal seria que nascesse, da explanação de “verdades” não coincidentes, um sentimento de liberdade para ambas as partes, e não uma sensação de constrangimento mútuo.
É claro que esse espaço de liberdade leva-nos a pensar se não estaremos aqui apenas a praticar uma espécie de semântica ideológica. É que a dita liberdade não será sempre biunívoca; bem pelo contrário, na nossa sociedade ela tende a ser, quase sempre, unívoca – é a contradição que, porventura, habita o Homem.
Desenvolvendo-se a nossa acção no seio da sociedade, condicionados por esta, será que o nosso posicionamento no seu âmago se traduzirá numa identificação com a liberdade? Será que o estarmos em sociedade nos identifica com o facto de não estarmos em liberdade?
Aquilo que nos querem fazer crer que é a liberdade, não nos poderá, pelo contrário, beliscar conceitos que nos são caros, construídos que foram ao longo do tempo, pela longa e madura reflexão do nosso espírito?
A liberdade será, de certa forma, adulterada por um sistema de verdadeiras interferências externas? Que dizer do “direito” ou de um grupo de normas, instituídas por um determinado grupo, por exemplo de sócios de uma qualquer agremiação, que “impõem”, de certo modo, determinados parâmetros que “decidem” sobre aquilo que o sócio pode optar. Ou sobre quanto pode ser livre. O que conduz a um dilema: ou bem que se é sócio e não se é livre, ou bem que se é livre e não se é sócio…
Veja-se o caso dos partidos políticos: onde é que está ali a liberdade de pensamento, de crítica, a liberdade para se ser audaz e ousar ir mais além? Vivemos, de facto, cobertos por um manto espesso de ilusões…
A exigência da “dura” realidade que nos cerca, obriga-nos, por vezes, a fecharmo-nos sobre nós próprios, guardando apenas para nós aquele conjunto de valores que, por vezes, gostaríamos de partilhar, ao menos com aqueles que, pelas mais diversas razões, consideramos mais próximos.
O conceito de “liberdade” anda, pois, muito desfigurado na sua definição.
Pensar com convicção e com propriedade é, não só um direito mas, e sobretudo, um dever. Sem receio da diversidade, pois que a liberdade exige dignidade e audácia.
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09 junho 2006
“Viva a República! Viva o Rei!”
Amanhã, Dia de Camões, textos inéditos de Agostinho da Silva, reunidos no livro “Viva a República! Viva o Rei!”, da autoria de Teresa Sabugosa, vão estar disponíveis na Feira do Livro em Lisboa.
São textos já elaborados no ocaso da vida daquele filósofo.
Através dos mesmos, percorremos questões políticas, filosóficas (como o interesse pela questão do divino, o sentido da vida, e o destino de Portugal). E, é claro, a questão do melhor regime político-constitucional para este cantinho da Europa.
Uma boa obra para comemorar o Dia de Portugal, o Dia de Camões, o génio da Pátria, que a representa na sua dimensão mais esplendorosa e gloriosa. Que se perdeu na bruma espessa do Tempo...E não se avista, no horizonte, nenhum (desejado) D. Sebastião que, desta feita, evite um qualquer Alcácer Quibir...
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Portugal: terra dos (des)enganos.
Para que ele veja que não está só no seu lamento…
Neste reino já contente,
Pois a desordem na gente
não quer leixar de crescer;
A qual vai tão sem medida
que se não pode sofrer:
Não há i quem possa ter
Boa vida."
Nota: a imagem diz respeito às folhas iniciais do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. No centro da imagem vê-se o escudo das armas reais portuguesas, tendo na parte inferior a divisa de D. Manuel- a esfera armilar.
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07 junho 2006
Incursões: uma janela para a rua.
Curioso é o facto, dada a temática do respectivo "blog", do nosso Incursões ali figurar numa lista de “favoritos” …grata surpresa... porque será?
Nota: Após este postalinho, e aproveitando a sugestão da nossa "o meu olhar" vou descansar por uns tempos...
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A lei do tabaco
A segunda versão da futura lei do tabaco prevê que seja o fumador a pagar se acender um cigarro em local interdito.
O meu pai, que Deus tenha, sendo fumador, um dia falou-me, vagamente, de uns fiscais que, surgindo do “nada”, subitamente apareciam junto de um cidadão quando este, de modo incauto, acendia, em público, o seu cigarro. Não, não era por razões profiláticas de saúde pública, sequer individual. Tratava-se de uma licençazinha por força da qual todo aquele que exibisse um isqueiro, tinha de ser portador da mesma…uma espécie de imposto…
Ora bem: nos dias de hoje, esse espírito que, por decoro, não quero aqui qualificar, talvez ressuscite nessa gentinha que sempre gosta de denunciar o próximo, nem que seja a troco de um “prato de lentilhas”, seja qual for o regime político-constitucional em que se encontre (aliás isso é coisa de somenos…).
Leo Ferre tem um belo poema intitulado “Poète, vos papiers !”
Quando agora, no fim de uma refeição, em gesto largo e desprendido, acendermos um bom charuto ou uma mais discreta cigarrilha, alguém nos sacudirá, ululando: Ici un Fumeur! La police! Arrêtez-vous!
Estamos no tempo dos “les cons dits modernes”!
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06 junho 2006
Congresso Eclesial de Roma - Críticas à sociedade secularizada
Aos jovens e adolescentes pediu que se libertem do “preconceito amplamente difundido de que o Cristianismo, com os seus mandamentos e obrigações, coloca demasiados obstáculos à alegria do amor, impedindo de saborear aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor recíproco”.
Bento XVI manifestou ainda a sua preocupação perante o que classificou de “duas linhas de fundo da actual cultura secularizada”:
A primeira é "o agnosticismo originário da redução da inteligência humana a simples razão calculadora e funcional”, que tende a sufocar o sentido religioso “inscrito nas profundezas da nossa natureza"; a outra linha seria a do “processo de relativização que corrói os legados mais sagrados e os afectos mais dignos do homem”.
(Fonte da notícia: Agência Ecclesia).
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04 junho 2006
Mergulhar no Transcendente
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