Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens
1 de ago. de 2010 0 Declarações de outras almas

Do soneto do amor intrépido




Admito a cadência vacilante
dos meus passos em tua direção.
O receio da dor, paralisante
quebra a marcha e confunde o coração.

E não é, senão, o amor aquele instante
que se salta, sem ver do abismo o chão?
Tal audácia não se exige do amante
que pretenda, para o amor, coroação?

Não há regra, certeza ou vantagem.
Grande é o risco, e maior a coragem
que se exige para este passo além.

Se às dúvidas e medos sobra margem
que o ousar seja a intrépida vantagem
de quem quer somar-se à vida de alguém.


t. prates

> Imagem: Martin Stranka
> Soneto originalmente publicado na Confraria dos Trouxas.
4 de jan. de 2010 39 Declarações de outras almas

Do soneto do amor trépido

Haverei de resguardar o coração
das inúmeras ciladas que há no teu?
Preterir-te, sem que meu instável chão
se desmanche, caso venha o adeus?

Nos meus sonhos, suplicante, em oração,
peço ao Deus que me conduza nesse breu
de amar-te; e, toda tua ser, então,
sem o medo que carrego, que é tão meu!

Haverei de esquecer que dor e amor
filhos são da mesma deusa e, com primor,
andam juntos e se deleitam nos reféns?

Haverei de abrir mão do teu calor
e ouvir esse meu pueril pudor
mas não ver o que a vida tem de além?
t. prates


> Eu e essa mania de amor.
>> Imagem daqui.
30 de nov. de 2009 40 Declarações de outras almas

Das 10+1 sílabas


Conto as sílabas poéticas nos dedos
lendo antes um soneto de Camões;
uma sílaba, ora, a mais não é pretexto
pr'eu mudar as minhas grandes pretensões.

De Bocage e de Bilac os sonetos
devorei, atenta às rimas e orações;
uma sílaba, ora, a mais não é defeito
pr'um aluno que tem boas intenções.

A bê á bê a bê á bê já cumpri;
falta agora só cê dê cê cê dê cê
(isso é a coisa mais louca que escrevi!).

É por isso que, aos mestres que já li,
eu renovo meu respeito: namastê!
E a você, leitor: relaxe, pode rir!
t. prates



> Ao mestre Bardo, com carinho.
>> Porque o primeiro soneto a gente nunca esquece (rs).
 
;