Parece uma lição o manifesto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aos alunos norte-americanos no início deste ano lectivo.
Obama conta a sua experiência enquanto jovem estudante e as dificuldades que sentia,, Conta que até para ir para a escola, «
a ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."».
Também refere-se à partilha das responsabilidades entre pais, professores e governo: «
Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem».
Mas destacou que está nas mãos dos jovens o seu sucesso e «a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos». E ainda, que o futuro do país dependerá deles: «Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país».
Partilha a história da primeira dama, «a minha mulher, [...] tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país».
Conta do esforço de alguns alunos em particular: «Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública. [...] Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade. [...] Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade».
E termina: «As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes».
Este é só um resumo de um grande manifesto, realista e actual, e com um cunho muito pessoal, parece uma lição de pai ou de mãe. Não vi a declaração, mas deve ter sido com emoção. Também tenho ilações a retirar deste manifesto e que vêm a reforçar a minha forma de ser.
Quando os meus pais contam as dificuldades que passaram na escola, das condições de vida que tinham e como tiveram que abandonar os estudos para trabalhar e depois comparo-as com as minhas, muito melhores, embora longe que é hoje: recordo-me as poucas vezes que foi ligado o aquecedor a gás na primária, os barracões pré-fabricados da escola preparatória e até na faculdade, as salas de um edifício aproveitado sem condições de conforto, com rebocos a cair e nem lugares sentados se não entrássemos a tempo. Mas tudo isto passa e são as dificuldades que nos tornam mais fortes.
O manifesto completo pode ser lido aqui.
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