Segunda etapa - 21 de Julho
Tomámos o pequeno almoço no quarto e um café na cafetaria do hotel e decidimos seguir para
a Picota por estrada. O normal seria seguir pelo caminho até
Olveiroa, mas já prevíamos que o albergue já estivesse cheio. Além disso, só encontraríamos como alternativa uma pensão que também poderia estar cheia e era cara.

Então seguimos estrada fora, pela AC-5603 até
Maroñas, depois de lá tínhamos de nos desenrascar, e com a chuva a ameaçar.
Eu fiquei para trás com o Zé e a Ana e depois de uma grande subida e de uma curva fechada, acho que
na Pena ou
Piaxe, encontrámos um café onde eu reforcei o pequeno almoço. Para todos, pedimos uns
bocadillos com
tortilla francesa (sandes com omelete, os galegos também lá chegavam) e eu pedi uma
taza de leche con café (meia de leite). Lá dissemos à senhora que estávamos a pensar em dormir na Picota e ela disse logo que nos dava um contacto de uma casa, logo que acabássemos de comer. Lá tive de ser eu a fazer as marcações e depois de negociar numa mescla de espanhol, galego e português, lá consegui três quartos a bom preço, na
Casa Jurjo. Vale! De acordo! Antes deste café só tínhamos encontrado uma mercearia que estava fechada...
Continuando o caminho, por estrada. Entretanto o outro grupo já tomava uma vantagem que já nem deixava haver comunicações entre os
walkie-talkies. Quando conseguimos contacto, o grupo da frente esperava num café em
Vilaserio. Enquanto se bebiam uns
quintos (minis) e comiam-se as metades dos
bocadillos que deixámos para os fugitivos, chegavam a Lisa e o companheiro. O grupo da frente tinha feito um novo amigo, o Gilbert, da França, que vinha com uma bandeira da
Bretanha na mochila e caminhava desde
Rennes (cerca de 1500 km).
Seguimos então novamente até encontrarmos uma estrada regional, a AC-5604, e onde acabava a que nós seguíamos e seguia uma estrada estreita. Lá estivemos a perguntar qual o melhor caminho para Maroñas... Eu ainda consegui fazer parar um carro, mas era um velho casal, talvez ingleses e ao invés de ter informações, esclareci-lhes que estavam no caminho certo para Negreira... Lá seguimos em frente, depois cortámos à direita e quando encontrámos um caminho que entroncava de direita, entramos para a bucha. Começou a chover e começaram a aparecer peregrinos no caminho onde estávamos a almoçar. Tínhamos seguido sempre por estrada e aquele era o caminho de Finisterra...

O GPS do Benú ajudou-nos a reencontrar o caminho, embora fizéssemos uma volta com mais umas centenas de metros. Chegámos às Maroñas e depois de passar a povoação, encontrámos um café e parámos... Mais dez metros, outro café, mas aí só pararam o Zé e o Alex, o resto seguiu para a Picota.

"Chovia que Deus a dava" e o Benú teve a ideia de fazer uns documentários para a
National Geographic sobre as lesmas e as mulheres e depois uma serenata às vaquinhas, em
Castro. Já depois de chegar ao topo do monte, nevoeiro cerrado, recebo uma mensagem a perguntar como corria a caminhada e enquanto escrevia a resposta, o Benú e as meninas já se tinham pirado e fiquei para trás... e logo numa bifurcação com três hipóteses... qual delas? Só conseguia ver à direita uma torre eólica e mal... decidi esperar pelo Zé e o Alex. E não demoraram muito a chegar , seguimos depois a estrada do meio, e com as comunicações reestabelecidas, o Alex dizia ao Benú "Recuperámos um peregrino que deixaste para trás..."

Continuava a chover a potes, todos molhados, as polainas afinal não fizeram efeito, os pés molhados e a fazer
chuac chuac nas botas... entretanto, encontráramos mais uma peregrina que ficara para trás, a Maria... mais à frente apanhámos o Benú e a Ana é que era a fugitiva...
Já perto da Picota, encontramos as piscinas que já tínhamos ouvido falar, mas não era a melhor altura... molhados já estamos nós... subimos ao centro e metade do grupo parou num café onde havia Super Bock e eu e as meninas fomos directos para o
hotel. Entrámos pelo bar e fomos atendidos pelo Ismael que nos conduziu para a recepção do hotel. Aí fomos atendidos pelo Jorge , o dono, preenchemos a papelada e o Jorge ofereceu-nos a secagem da roupa! Espectáculo! Enquanto eu e as meninas nos trepávamos para o banho, o Jorge trazia-nos um cesto para pormos a roupa molhada... aproveitei para pôr a de hoje e a de ontem que acabara por se molhar também. Entretanto, também esperava pelos outros meninos para lhes indicar os quartos... mas estes estavam entretidos no bar a tentar tirar cañas... e eu a querer tomar banho...
Eles lá chegaram, topei logo pela algazarra e foi tudo para o banho e pôr roupa no cesto para secar. Já sequinhos e prontinhos, fomos para o restaurante do hotel e comemos mais uns
bifes de ternera (vitela) com batatas fritas, regadas com um traçadinho.... quando nos fomos deitar, vieram-nos entregar a roupinha já seca. Que bom!
O percurso do dia:
Terceira etapa - 22 de Julho
Logo que acordámos chovia bastante, mas na partida já o tempo estiara. Tomámos o pequeno almoço na cafetaria do hotel. Fomos muito bem acolhidos na
Casa Jurjo e fica aqui o agradecimento ao Jorge, ao Ismael e à Yoli. Bem Hajam!
Partimos a contar ficar num albergue público em Cee ou em Corcubion. A chuva estava a sempre a ameaçar, mas estávamos prevenidos com as capas. Em pouco tempo chegámos a Olveiroa e fomos visitar o albergue público que estava cheio. Os últimos que chegaram, um casal de Madrid, já tiveram que dividir o chão da cozinha. Havia lá um café recente e fomos tomar alguma coisa. Continuamos a caminhada e passámos por Logoso, onde havia uma carrinha a vender pão. Quase a chegar a Hospital, encontrámos um parque de merendas onde o Alex fez café. Pouco tempo ficámos, pois começou a ameaçar chuva e um pouco mais à frente iríamos encontrar um café-restaurante. Chegámos ao café e ainda não era hora do amoço para os galegos e tivemos de nos contentar com um
bocadillo com omelete e uma
caña da Super Bock.
Chegamos à rotunda de Hospita onde o bifurca-se e surgem duas opções: Finisterra ou Muxía. Já estávamos combinados que seria Finisterra. Daqui até até voltarmos a encontrar alguma casa, já em Cee, são doze quilómetros. Só encontramos dois santuários, o primeiro, o de N. S.ra das Neves. Pouco depois de sairmos deste santuário, começou a chover bem e o vento a soprar forte. Os últimos cinco quilómetros antes de começar a descer para Cee foram os mais penosos, com o vento frio a bater de frente, e o caminho no cimo do monte... Logo depois de uma curva apertada, começa uma descida e temos uma vista do mar, de Cee e de Corcubion.
Chegamos a Cee e eu que vinha por último... reencontrei o grupo num café. á minha espera Seguimos à procura do albergue de Cee... Afinal, nem é um albergue, é uma brigo, um espaço aproveitado nos balneários das oficinas da Casa do Consello de Cee. Depois de vistas as condições, e como já estávamos mal acostumados, fomos procurar um sítio melhor para dormir. Fomos procurar e negociar e o Benú conseguiu um
hotel porreiro e a bom preço. Fomos ao banho e trocar de roupa e tentar arranjar um meio de secar a roupa. Eu e o Zé ficámos no quarto para deficientes, a casa de canhjo era do tamanho do quarto. Fomos jantar ao restaurante do hotel. Comemos
caldo galego, grelada mista e pizza... Depois do jantar eu, o Zé e o Alex fomos dar uma volta pela cidade...
O percurso do dia:
Quarta etapa - 23 de Julho
continua...
Álbum de fotografias: