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18 de outubro de 2009

As coisas pelos nomes


Se há coisa para a qual o vídeo da Maitê serviu, foi de pretexto para a generalidade da intelectualidade masculina vir confessar, de forma mais ou menos directa, mais ou menos poética, que na adolescência se masturbou com a Dona Beija.

Eu, pessoalmente, não fazia questão de saber.

15 de outubro de 2009

Os portugueses e o sentido de humor

Sem puxar do episódio Maitê, que me parece um caso gritante de piadas de mau gosto mal sucedidas, onde não é tanto falta de sentido de humor, mas exagero de indignação à volta de uma coisa insignificante, a verdade é que nos falta, no geral, esse tal do sentido de humor. Basta ver como as pessoas reagem normalmente a ironias e provocações, se não souberem de antemão que são piadas nem estiverem inseridas num programa humorístico, de forma a poderem programar o cérebro para o modo "rir" em vez de "indignar".
Um bom exemplo, é a reacção de algumas pessoas ao humor cáustico de Sarah Silverman. O que me leva a uma das mais hilariantes trocas de e-mail a que alguma vez assisti, sobre os célebres, e na minha modesta opinião, absolutamente geniais, vídeos "Sorry Matt Damon", "I'm fucking Matt Damon"e "I'm fucking Ben Affleck" de que um elemento do grupo fez forward para toda a gente. E aos quais obteve belas reacções, das quais destaco a mais hilariante:

"Nem sei que te diga! Não consigo ver quem foi a pior pessoas nesta merda toda! Acho que pessoas abusam nalgumas coisas e aqui esta um caso desses! Não se deve brincar com as pessoas nem porque podes ofender uma pessoa, ou então podes ter uma resposta à grande!
Gosto de tirar lições de tudo que vejo, mas para ser sincero ri-me no primeiro vídeo, no segundo, mas no terceiro já não! E Lições, tirei que existe muita gente a gozar com outras! Às vezes é triste! E existe muita pessoa que gosta de vingança! Está mal também! Mas que posso eu fazer!"

Ora, esta reacção a uma clara brincadeira é ilustrativa da nossa capacidade de nos sentirmos ofendidos e começarmos a assinar petições como se não houvesse amanhã e coisas ridículas do género, num coro de indignação nacional. E este é dos vídeos mais inocentes de Silverman, comparando com o que postei anteriormente, ou com o "I had a dream, too". E relembro as ondas de indignação quando o Herman resolveu parodiar a Raínha Santa Isabel. Infelizmente, essa indignação é quase sempre dirigida na direcção errada. Ou como diz o Miguel, "de facto, o português indigna-se com o acessório (ou vídeos), não com o essencial."



So take it easy, people.

8 de outubro de 2009

Eu juro que não tinha visto isto



«também não conhecia quem era a Amália e no fundo correu tão bem "artísticamente" que resolvemos fazer com o Eusébio» (aos 1'25'')

Opá, isto é tão bom, obrigada a quem me informou da sua existência. It made my day.

Tudo trocado



Sempre pensei que era o conhecimento profundo de um artista e sua obra que levava alguém a ter a ideia de lhe prestar homenagem. E não que era a ideia de lhe prestar homenagem que levava alguém a ir então conhecer o artista e sua obra. $erá $ó a mim que i$to parece um bocadinho e$tranho?

6 de outubro de 2009

Assim mal acomparado


Para mim era como os Buraka Som Sistema resolverem fazer um remix do Air on a G String de Bach ou do nocturne op. 9 no. 2 de Chopin. Até podia ficar "giro", mas não deixaria de ser um assassinato de uma obra prima.

Amália Ontem, por favor

Tenho vontade de espancar violentamente a Sónia Tavares com uma guitarra portuguesa de cada vez que oiço a sua versão da Gaivota. E olhem que eu nem sou uma pessoa dada à violência.

30 de setembro de 2009

Ah e tal, mas também comentam os trapos das vedetas por isso não se podem queixar

Desculpem, mas não é de todo a mesma coisa. E, como devem calcular, vou explicar porquê. Quando nos pomos a comentar os vestidos dos Oscares ou a criticar as nossas vedetas, fazêmo-lo pela piada, pela fofoca, pela má língua sim, mas fazemo-lo no nosso blog, tal como faríamos entre o nosso grupo de amigas, e não na caixa de comentários dos hipotéticos blogs das visadas, que nunca irão ler o que foi escrito e por isso muito menos ficar melindradas com o nosso corte e costura. Além disso, ao contrário das comuns mortais que por aqui escrevem, essas vedetas têm mesmo mais obrigação de estar bem, pois além de viverem da imagem, têm personal trainers, consultores de moda, cabeleireiros, maquilhadores, toda uma legião de gente a trabalhar para elas, além de trapinhos de graça dos melhores estilistas, tudo à sua disposição, pelo que é só escolher, e o resultado final dependerá apenas do seu gosto, pois não têm limitações de qualquer ordem, e muito menos monetárias.
Já nós, pobrezinhas, se formos a um casamento, possivelmente não poderemos gastar 1000 € num vestido, a não ser que sejamos a noiva, e mesmo assim nem todas. E lá por termos caixa de comentários aberta e nos arrisquemos à insensibilidade e estupidez alheias, acham mesmo que queremos ou gostamos que nos digam que somos gordas, ou feias, ou pirosas, ou parolas, que parecemos prostitutas e que temos celulite ou as mamas descaídas? Mas está tudo doido, droga-se, ou perdeu mesmo a noção? Essas coisas, que todas pensamos umas das outras, porque todas temos um bocadinho de cabras, são para guardar para nós próprias. Há que saber filtrar, e usar o nosso discernimento para decidir quando devemos falar ou calar. Comentem com as vossas amigas, nas nossas costas, que é bem melhor. E não me venham com merdas de que é melhor dizer na cara do que falar nas costas, que isso só se aplica quando temos a saia presa nos collants ou um bocado de espinafre no dente e ninguém nos avisa. O resto fica reservado, quanto muito, às nossas melhores amigas, cuja confiança e afecto lhes dão a autoridade de nos poder dizer coisas que ditas por quem não conhecemos de lado nenhum revelam apenas crueldade. A sinceridade anda muito sobrevalorizada, e sob o seu pretexto as pessoas são capazes de dizer as maiores barbaridades a outras, sem pensar no quanto as poderão ofender, e pior, magoar.
É uma questão de sensibilidade e educação, e da noção de que não temos qualquer necessidade de pisar os outros inutilmente. Uma coisa é, por exemplo, eu embirrar com a Scarlett Johansson, agora não me passaria pela cabeça, se por acaso nos cruzássemos, chegar-me ao pé dela e dizer-lhe que a acho uma pindérica de olhar bovino com ar de esteticista vulgar, mas sem ofensa - e não, não há mal nenhum em ser-se esteticista, é uma profissão como outra qualquer, estou só a usar um estereótipo fácil geralmente associado a demasiada oxigenação, unhas de gel, abundância de carnes e pouca profundidade, assim ao género ana bola e maria rueff, ok? -, e não é por não ter coragem de ser sincera e dizer coisas na cara das pessoas, mas sim porque não me sinto nesse direito, e assim sendo seria apenas maldade gratuita. E por isso, da próxima vez que pensarem em fazer um comentário a alguém, ponham a mão na consciência e perguntem-se antes: e se fosse eu, gostaria de ouvi-lo?

29 de setembro de 2009

Lembrete

Se alguma vez me passar pela cabeça a ideia de cometer a insanidade de postar alguma fotografia minha de corpo inteiro, por favor lembrem-me de reler em voz alta todos os comentários a este post da Pipoca.

(Gostei muito de um comentário em que uma menina diz qualquer coisa como "não dá para ver os joelhos, que podem estragar uma perna, mas à partida parece ter tudo no sítio". Depreendo que, caso desse para ver, e eles não fossem perfeitos, se achasse no direito, e pior ainda, no dever, de dizer com "toda a sinceridade", que afinal as tinha feias, convencidíssima de que a tal sinceridade é uma virtude superior à delicadeza, sem se lembrar que estar bem caladinha é também uma boa opção. Aliás, a melhor. E o pior é que estão convencidos que estão a agir bem. Um nojo. A educação é mesmo uma coisa muito bonita. E, ao contrário do verniz vermelho, não é para quem pode, mas para quem quer.)

Agora escolha (cont.)

Claro que os comentadores podiam dar-me uma ajuda e desta forma diminuir o meu dilema ao escolher entre as três opções. Na verdade, é muito fácil, só têm que prestar atenção aos seguintes pontos, antes de comentar:
  1. Ler o que foi escrito.
  2. Ter a certeza de que perceberam o que foi escrito. Caso contrário, repetir ponto 1.
  3. Pensar se têm algo relevante a dizer.
  4. Reler o que foi escrito, para ter bem a certeza.
  5. Escrever o comentário.
  6. Reler o comentário e confirmar que faz sentido. Se necessário, voltar ao ponto 1.
  7. Publicar ou apagar, conforme a conclusão chegada no ponto anterior.

28 de setembro de 2009

Agora escolha

Coisas que me põem fora de mim:
  1. Pessoas burras
  2. Perguntas parvas
  3. Piadas parvas
  4. Observações parvas
  5. Pessoas parvas
  6. Que me tomem por parva
  7. A intersecção de alíneas anteriores
Peço desculpa, mas perante os pontos acima, não tenho qualquer capacidade de auto-controlo ou poder de encaixe. De modo que, aplicada a regra à caixa de comentários, me sobram as seguintes opções:
  1. Deixar de permitir comentários no blog
  2. Ignorar/não responder a comentários que me irritam
  3. Responder segundo o meu discernimento que, muitas vezes, é afectado pelo meu estado de irritação, podendo ferir susceptibilidades.
(Ando a tentar descobrir como é que se faz essa coisa que tanto me dizem que devo fazer e que consiste em "aceitar opiniões com as quais não concordo" sem usar a opção número 2, pois ninguém me explica como responder a alguém com quem não se concorda minimamente de forma a mostrar que se aceitou mas mantendo que não se concorda mesmo nada.)

27 de setembro de 2009

Coisas que me irritam

Que os políticos se dirijam aos portugueses e portuguesas, aos cidadãos e cidadãs, aos eleitores e eleitoras. Mais que agradada com a deferência, que me parece algo paternalista, sinto sempre que me estão a chamar estúpida e que devem pensar que não sei falar português.

24 de setembro de 2009

Estes estudos são muito engraçados


"existia uma opressão muito grande da sexualidade feminina."

"Há, de facto, concepções de diferenciação e de poder: uma rapariga simplesmente não pode ter o mesmo comportamento que um rapaz.”

E para saber isto foi preciso entrevistar 60 pessoas e um estudo sociológico, com direito a notícia de jornal. E eu a pensar que bastava ter-se vivido em Portugal.

Voltando à vaca fria

E depois, há toda a questão da estratificação social. Em países com baixos níveis de escolaridade, como Portugal, em que a maioria da população tem apenas o ensino básico ou menos, mais de 70% no nosso caso, com o resto do bolo dividindo-se entre quadros médios - ensino secundário e/ou formação profissional - e superiores - licenciatura e/ou pós-graduação -, o que acontece é uma maior estratificação social e disparidade salarial. Sendo a maioria da população pouco qualificada, é paga em conformidade, com as classes mais baixas a ganhar em média o ordenado mínimo, os quadros médios a ganhar duas ou três vezes mais, e os superiores, por serem poucos e por isso privilegiados, não raramente cinco a dez vezes mais. Claro que há excepções, especialmente em tempos de crise e quando há excesso de licenciados em áreas para nas quais não há procura, como o excesso de formados em humanísticas no nosso país, mas no geral é assim que funciona. Ora, em países em que o nível de escolaridade é mais alto, estas diferenças vão-se dissipando. Por um lado, porque havendo muito mais quadros médios e superiores, estes deixam de ser considerados elites, não sendo por isso os seus ordenados tão exorbitantes, por outro, porque a chamada "classe operária" é mais qualificada, tem mais estudos, sendo por isso mais bem paga, resultando esta conjugação num maior nivelamento salarial. É o que acontece em países como a Holanda, onde os quadros médios e superiores constituem cerca de 70%, e em que o ordenado mínimo ronda os 1400€, enquanto os quadros superiores ganharão cerca de 5000€. Dando um exemplo concreto: numa universidade, o assistente de armazém ganhará os tais 1400€, enquanto o full Professor ganha à volta de 4200€. Tendo em conta o sistema de impostos holandês, o tipo do armazém ganhará uns 900€ limpos, enquanto o catedrático cerca de 2700€, ou seja, na prática, 3 vezes mais. Já em Portugal, apesar dos ordenados mínimos limpos serem perto de metade dos da Holanda, os catedráticos ganham mais ou menos a mesma coisa, sendo que a diferença salarial duplica, com o Professor a ganhar 6 vezes mais que o tipo do armazém, e isto sem entrar no sector privado. E é também por esta razão que é importante que os tipos do armazém estudem, se qualifiquem, para poderem ambicionar maior justiça social e igualdade salarial. E digam-me o que disserem, não ver isto é mesmo falta de lucidez. Os chefes agradecem.

O único poder que temos é o de nos melhorar a nós próprios

Quando peguei na temática da educação, estava longe de pensar que iria causar tanta polémica. Convicta, santa ingenuidade, de que qualquer pessoa com dois dedos de testa concordaria que mais educação, incluindo a superior, era, no geral, uma coisa boa, reconhecendo a sua importância para o desenvolvimento do país. Não contava era com tanta gente centrada no seu próprio umbigo e agarrada à avozinha com a segunda classe, determinada em provar, desesperadamente, contra toda a lógica, e como se disso dependesse a honra de toda a família, que não são menos que ninguém por lhes faltarem os estudos de que dizem não precisar. Nem com pessoas que, não entendendo a questão enquanto visão global, reagissem tão emotivamente, como se de um ataque pessoal se tratasse. Ou que, sentindo-se atingidas e despeitadas, tivessem necessidade de se defender, e cegamente entrassem em exercícios de comparação inúteis, insistindo em mostrar-se a todo o custo melhor que muitos, fazendo verdadeiras odes à falta de estudos, a apologia da escolaridade mínima, quase só faltando dizer que quanto menos se estuda mais se sabe, sem perceber que não era disso que se tratava. Nunca foi. A questão é a necessidade real de mais gente com formação superior, pois estamos de facto atrás do resto da Europa, e por mais que a formação profissional seja importante, não é com ela que se conseguem mais médicos, professores, cientistas, engenheiros. E mesmo que um curso universitário por si não garanta conhecimento, a falta dele muito menos, e para muitas áreas não há alternativa melhor. E não me venham dizer que querem ser atendidos por médicos com o 12º ano, ou engenheiros a construir pontes com um certificado de formação profissional. É disto que se trata, e não do valor individual de cada um. Estudar não serve para tornar ninguém melhor que os outros. Serve para nos tornar melhores que nós próprios. E quanto mais, melhor, independentemente do grau que se atinge.

23 de setembro de 2009

Desabafo

Que seca de gente, que cambada de chatos, sempre a sugar tudo o que possa ter alguma restiazinha de piada até não sobrar nada e andarmos todos muito sérios, secos e cinzentos, sempre cheios de medinho de ofender alguém, porque as todas as pessoas têm direito de gostar de coisas diferentes, e não são menos por isso, mas dizer que não se gosta é que não, para não melindrar ninguém com opiniões pessoais, e yada yada, que coitadinhos, nem todos têm as mesmas oportunidades, e temos sempre de pensar no pigmeu ceguinho e perneta que vive com três cabras e duas galinhas no Butão, e que pode ler e sentir-se ferido na sua dignidade, e que uma pessoa deve sempre pensar em cada uma dos quase 7 biliões de pessoas do mundo que pode hipoteticamente ofender antes de escrever uma merda qualquer de que ninguém se irá lembrar daí a três dias. A sério, já não há pachorra.

Metabloguismos III

Haverá sempre gente chata o suficiente para transformar um inconsequencia escrita com gozo numa hipotética lei universal, chamando a si a responsabilidade de te alertar quanto às suas consequências nefastas na ordem mundial, dando-se o caso da remotíssima possibilidade da sua aplicação.

(Sim, muitas vezes terás vontade de cortar os pulsos)

T-shirts, seriously?



Tal como as t-shirts do Hard Rock servem para mostrar ao mundo que se é viajado, as de Bolaño servem o exibicionismo literário. Uma ténue linha separa snobismo de bimbalhice.

(com tanto marketing mais parece o Harry Potter)

Os holandeses, esses marotos, naughty naughty

Se as palavras servem, em grosso modo, para descrever objectos, acções, ou sentimentos, à sua criação, e respectiva utilização, estão subjacentes os conceitos de necessidade e utilidade no dia a dia. Assim, uma palavra é criada porque houve necessidade de descrever algo suficientemente importante e comum para ser traduzido num único termo.
Aqui na Holanda, existe uma votação anual relativamente a palavras de calão que, por se terem tornado suficientemente populares, devem ver o seu estatuto promovido e entrar para o dicionário. Ora, já mencionei o factor utilidade, certo? E que a importância de uma palavra passa também pelo número de vezes que é utilizada? E que se é criada e utilizada é porque a situação que descreve acontece vezes suficientes para tal? Pois, era só para confirmar.
É que a palavra do ano em 2008 foi Swaffelen. Escusado será dizer que começo a ter medo de tocar no que quer que seja com as mãos.

22 de setembro de 2009

2666

Ainda nem vi o livro, e já não o posso ver.

(Tenho alguma dificuldade com entusiasmos colectivos, mesmo que intelectuais. Assim que muitos começam a apontar numa direcção, dá-me logo vontade de seguir a contrária.)