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quinta-feira, 21 de março de 2024

Dia mundial da poesia

 

Ei,

Tu aí,

Esta é a minha poesia,

Sem dias e muito menos mundos


Domingo, Manuel da Fonseca (repetido,porque genial,neste blog)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Divagação

 Estão a chegar as contas.  A forma certa de pôr a desordem. Refundar perspetivas sobre a solidão.  Ler livros de forma diferente, até.  O vento muda gradualmente de direção, e tudo parece ser arrancado estoicamente da Terra, mas com a nossa ilusão a manter as coisas no sítio. 

Reorganizo perspetivas, enquanto um som de lonjura me afronta os sentidos, dentro de uma casa vazia e de paredes escuras e sem dimensão olfativa. Parecem resguardos de uma desilusão, todas as coisas inocentes que agora me rodeiam...


terça-feira, 15 de novembro de 2022

Levemente herberto

 Os que repetem,

A refletir sons indisponiveis nas almas dos inquietos,
Empobrecem a cidade,
Desonram a perspectiva de amor que sai de um sorriso,
De um cumprimento sem proposito,...

Loucura será o contrário desta assunção de culpa,
Dos desânimos perdidos que pintam passos que ficam por dar,
E há tanta função de beleza nesta pintura



segunda-feira, 12 de abril de 2021

Serviço noticioso

 

Tens a certeza que não queres falar?,

Pensa nesta porta arredondada,

Aliás sempre vi esse 

batente dourado,

Em forma de interrogação,

Como um desafio de simbiose,

Capaz de juntar todas as minhas dúvidas,

E fazer-me pedalar tão depressa,

Que chegava ao mercado dos sonhos 

sempre antes dos silenciosos,...


A respirar como o nosso professor de francês,

Quase como o general das ordens irrefletidas,

Acredito que vás conseguir 

pelo menos dizer citações da Ilíada,

E ainda terás tempo para um sorriso fugidio, 

antes do último pedaço de 

bacalhau do dia,

Pensa nisto antes da locução inofensiva,

do velho careca que diz as notícias na rádio 

terça-feira, 2 de março de 2021

Livro de dúvidas

 


Sou curioso por esses momentos,

Quando fechamos os olhos e o retorno das indecisões todas,

Regressa em ascendentes manifestações de medo,... 


Um medo tranquilo,

Pintado de todas as cores,

Quase como se fosse roupa com que nos vestissemos,

E depois servisse para nos redimirmos com a intensidade possível,

De tanta coisa que fica à porta de casa em cada noite,... 


Não tenho título para um livro estruturado assim, 

Nem sei se é livro ou não 


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Um dia gostava de saber escrever assim

 

Um poema de Daniel Faria

O nome parece a infância.
Quando na velhice é termos vindo
Sem pressa

Para dentro
Do nome se esvazia o corpo quando o corpo cai
É um fruto.

O nome é ainda
O modo como chamas.

O nome é a arma contra mim. O maior perigo.
Com os teus lábios podes destruir-me.


em Explicação das Árvores e Outros Animais, Vila Nova de Gaia: Fundação Manuel Leão, 2ª edição, 2002,  p.53

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

A criação gera revolta

Deves estar revoltado,
Enojado,
A ponto de perderes o condão de falar,
E os desejos alinhados como estrelas no segundo antes do fim dos tempos,...

Não te merecem o silêncio,
Desdizem-te como criador,
Da forma mais pueril que um sonho pode descrever,
E no entanto aqui estás,
Sensível,
Criador de pequenas histórias profundas,
E com os sentidos que o verbo possui como argumentos parcialmente consolidados,...

Mas mesmo assim permites que conversemos,
Como se das tuas mãos brotasse qualquer coisa que dói só de pensar,...

Ao fim de um dia não me ocorre nada mais que escrever,
Do que a luxúria comprometida


sábado, 31 de agosto de 2019

Pratos de comida vazios

Em segundo ficavam sempre os pratos de comida vazios,
Depois da noite,...

Quando na casa nos restávamos à boçalidade e aos risos engaiolados,
Abriamos hostilidades pensando em livros de poesia,...

Digladiando etilismos,
E síndromes de Estocolmo desenhados nas paredes,
Percebiamos que um bom verso suja as casas,
Anula a harmonia falsa recontada todos os dias,...

Os pratos de comida vazios vinham depois,
Rendidos aos poemas recortados,
Adormeciamos infantilizados num beijo



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Fernando perdeu a pessoa

o senhor orpheu tinha 
nome erudito,
bigode mal 
amanhado,
amava uma 
ophélia e não sabia 
se era amado de volta,...

saltava de quarto 
em quarto de uma 
lisboa que o acorrentava,
a ponto de encher 
arcas de madrepérola,
com folhas 
amarelecidas de 
palavras encavalitadas,
escritas em letra 
incomportável para 
olhos como os seus que,
acasalados em dois 
monóculos cerzidos 
com fios de arame,
o roubavam 
paulatinamente à luz 
da vida,
deixando-o entregue
 a mapas astrológicos 
sem sentido,
que um dia 
lhe trouxeram 
um último suspiro,....

muitos anos 
depois descobriram 
que o senhor orpheu,
se tinha 
chamado Fernando