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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

No escuro breu do meu sono

.

 Ia e vinha,

Desiludida,
Roupa de ferro e cara neutra,...

Era a mulher de todos e só de um,
Lustro nos passos,
Braços transparentes,...

E muito vilipêndio,
Tanto que sozinho,
No escuro breu do meu sono,
A ouço gritar,...

Uivos soltos,
Profundos,
E que esqueçamos rápido,
A lógica dos seus desejos

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Eu em diálogo com a tempestade 'Aline'

 Carregue depois de ler o que está em baixo. Vale a pena.

Tentei abrir a porta. Havia um refúgio de dor aos pés de quem por ali passava. O chão parecia pesado. O ar irrespirável. Adoeciam as expetativas de sonho, só porque a entrada naquele mundo insistia em ser proibida. Avisaram-me. Releram-me resenhas de pessoas sem nome, sem decisões, que por ali passaram e perpetuaram o anonimato. A razão infundada de estarem vivos. E, aos poucos, de forma indolor mas rasurada, foram perdendo a vida. Insistia ir ali. Admito. Falei-te, num entardecer que já recordo mal, que adivinhava um mundo importante, incorpóreo talvez, para lá daquela porta. Com pobres ensurdecidos, pessoas sérias e com histórias para contar, sentadas de olhos vazios, mas ainda assim alegres, em bancos de outros tempos, feitos a madeira esculpida. E desejava que estivesses comigo. Íamos de certeza arranjar forma de contornar barreiras linguísticas, e entrar noutros mundos de mão dada. Mas a porta não abria. Caminhei sem destino, e ainda dentro daquele prédio espreitei por uma janela. Na rua, um pregador que não conseguia escutar acenava, empoleirado e em bicos de pés, para os confins do céu acinzentado. Ninguém parecia reparar nele….


domingo, 8 de outubro de 2023

Fria e sem razão

 "Não se devem estar a aperceber da dimensão do que acabei de dizer",

Mal o último som sibilou para fora da sua boca,

Sentiu uma gota de sangue a escorrer pela nuca,

Fria e sem razão, 

Nascida não de geração espontânea,

Mas porque a solução danifica sempre mais que o problema,....


Sentiu-se a enfraquecer,

Mas resistiu aos olhares insondáveis do medo,

Prometendo a frase certa,

Para o que a existência tomasse como certo para o que viria a seguir



domingo, 27 de novembro de 2022

Fome ausente

 Daqui a pouco chega o homem do leite,

E depois a manhã chegará a meio,
E a fome continuará ausente,
Para que a tarde seja um percalço,
E dos teus seios provenha a palavra maior do amor,...

Estamos habituados à distância,
O resgate da falibilidade,
Dos passos certos dados nos caminhos errados,
É o chão vazio de toda esta casa,...

E amanhã haverá silêncios novos no meio desta história
 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

livros

livros,
qualquer coisa de
tricotado nas mãos,
e a dor,
e o riso,
e a conspicua mudança
de um desejo,...

livros ensombrados
pelo desejo,
com uma cama velha
e instável,
onde dois corpos a dizer
que são a cave,
a defesa dos destinos
de ambos com
anulação possível,
porque a noite trai mais
do que permite redenção,...

livros como tampas de
esgoto nas noites de solidão,
que batem de quando em vez
com um som molhado,
assoberbado pela passagem
daquele carro
que faz de árvore a cair na floresta,...

livros sem cor,
sem pulmão,
velhos como a transparência



terça-feira, 1 de junho de 2021

Junhando a 20 de Março

 


Não entendia o feminismo cínico,

As tiradas sem sentido e sem sentir sobre mulheres que resistiam,

Perdendo-se no desenho irregular das pedras do caminho,...


Optava sempre pelo desejo,

Ajudava a afastar a luz inodora,

Porque preferia o escuro ao senso indefectível do tempo,

A passar,...


E havia água ao canto,

Para ajudar na escrita solitária 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Peso do horror

 Não foi por acaso ter escolhido estas palavras,

Como um paliativo,

Vestida com um vestido tradicional,

De mãos enroladas a todas as crianças possíveis que a teu lado cabiam,

Falavas com os olhos,

Eu via-te chorar vendo-te sorrir aprumada,

Para que quem por ti passasse se sentisse feliz consigo próprio,

Saindo e reentrando na própria vida,

Com o ofegar de uma pausa numa sentença de morte,...


Mas porque não falavas,

Me dizias a plenos pulmões o quanto estavas infeliz,

E que esta era a história de quanto uma flor pode pesar mais que um horror,

E em cima de um horror podemos dormir até para sempre,

Por sobre milhões de mantos de flores senhoriais,....


Se não me respondes,

Numa carta enviada ao sol,

Diz-me como influenciar a rigidez da ausência,

Inconstante e inconsequente é este afastar para o abominável 




quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Verdade combustível

 Via mais do que aquelas resenhas de passado escondidas nos sorrisos,

Sentia que tudo ardia,

Como se deixassem mortos infelizes a cada passo,

E vivos sem resposta em todos os suspiros,....


Não fazia sentido, 

É certo, 

Mas não tinha de fazer, 

Só se anulava as possibilidades de falhanço que nos eram trazidas, 

E depois renunciava-se a tudo, 

Sem autoridade, 

E sem latitude de princípios lacustres





quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Poema anulado

 com a correção que me deste,

parecia-me ter

 ficado bem

esta resposta a mim mesmo,...

sempre acentuaste a 
veia inaudita deste narrador,...

quis-me assim mal vestido,
impoluto,
até como que a cheirar mal 
das recordações
 mal resolvidas,
que ostensivamente me circundavam a boca,
dando-me um ar impressionado,
e talvez um pouco frágil,...

respondi-te com várias 
reticências,
e uma nota de rodapé sob
a forma de uma faca,
de lâmina irregular,
a minha ideia seria que
lesses tudo isto como
uma carta,
não necessariamente de despedida,
mas antes como uma 
sucessão de instruções,
inflamadas,
que sabia poderes transformar
numa Divina Comédia dos tempos
inesperados




sexta-feira, 9 de outubro de 2020

A cobardia prende

 Apaixonei-me por estar 

escondido no espaço entre as palavras,

Aqui não há sol,

O tempo esgueira-se 

por dentro de garrafas lascadas de pinga,

Onde encontramos homens 

presos na sua cobardia,...


As mulheres são mudas,

E refletem sobre os seus medos,

Sem que falte mais nada 

para que ao lermos poesia,

Se pare um pouco 

a redutora manifestação 

de onanismo da solidão,

Que nos faça sair e enfrentar 

a luz dos dias presos na 

maldição do tempo,...


Se calhar deixo-me 

ficar aqui mais uns momentos 



quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Precisa história de ter esperança

 Alfaiate de sumidades,

Estava assim chamado por arredondar estes dias da mesma forma,

Como as pessoas tivessem palavras embelezadas por bainhas,

E fosse da infinda anotação das falhas,

Que aquele e o outro cometem, 

Que a precisa história de ter esperança se fizesse,...


Ao fim deste dia embelezei a mãe do silêncio,

E entreguei-lhe como prova de que pelo ar se viaja melhor sozinho,

Do que se morre




segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Republicando o ser

 Meticuloso sempre,

Desviando o polegar com que tapas a confissão,

Se calhar surge a voz,

O que arranhado não me farta na solidão,...


Reparei que aí descreves o que já pesámos,

Que surgiu sem a marcenaria de um sorriso,

E com todos a descrever os finais que anseiam,...


Sim,

Por meticuloso me tomo,

Espero que agora entendas 



sábado, 3 de outubro de 2020

Pedra de sexo

 Mas se tivesse a tua fé,

O que se quisesse e mais uma pedra de sexo,

Tudo que ardesse e a lonjura de um par de coxas,

As tuas,

Como se um farol fossem na tempestade efémera do que choro,

Sem confessar,...


Ali nunca mais seria a noite que me propões,

Sendo que a repousar no que por aqui te exponho,

Está o claudicar possível do que já não sei criar 



sábado, 26 de setembro de 2020

Coisas e por aí

 Dentro das coisas há coisas,

E outras coisas dentro 

de tudo o que por lá caiu,

Dúvidas houvessem,

É só perceber que tipo

 de coisas medimos 

com ações incompletas,

As mesmas que nos deixaram os produtores de coisas 

que conhecemos,

As mesmas pessoas indecorosas,...


Melhores que o que representamos,

Mas piores que tudo o resto,

Eu só sei destas coisas,

Nenhuma outra festa me alegrou mais do que esta 



quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Caminhar espaçado

 Optou por seguir aquele caminho para casa,

Não porque era o que mais gostava,

Nem sequer o que encurtava preocupações,

Mas só porque sim,...


Algum dia havia de se mostrar complacente ao menos por uma vez,

Palmilhava pé ante pé,

Sentia que não teria destino se o destino nada quisesse com ele,

Ia só a pensar que tinha uma tradução de Balzac para terminar,

E uma sopa de tomate que tinha de fazer,

Para deixar a si próprio,

Simplesmente por não haver mais ninguém,...


E agora que chovia,

E não havia mais homens de barba na rua a circundar os marcos históricos,

Talvez fosse altura de parar,

Tinha de deixar tudo arrumado para que o fim chegasse 



terça-feira, 22 de setembro de 2020

Parar por qualquer coisa

 

o autor escolheu fazer 
uma pausa,
decidiu não mais sentir-se
recortado no planisfério
das dores,
sem nome,
com cheiro,
mas pago pelo silêncio,...

não mais faria poemas 
repetitivos,
e repetidos,
e ditos a tantas vozes
que cheiravam só o mal
das coisas vãs,
recusando-se a imiscuir-se entre
a alegria que a ânsia de 
evoluir traz,...

a pausa traria uma recôndita lonjura
para os pretéritos do autor,
mas não faria mal,
havia inevitabilidades,
as mesmas difíceis de legislar
e compreender,
que esperavam tranquilas
por um respirar conjunto

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Grito preso


naquele último sentido, 
meramente aproveita, 
haveriam nódulos de sangue
na garganta,... 

um ai preso, 
gritos encaixados , 
não que nos importemos 
com a menoridade, 
sonoridades distintas 
passam nos intervalos do ar,.... 

só que soa tanto a medo 
a distância, 
o que falta para o salto, 
antes do último micron,... 

e por fim, 
num texto sem 
pontuação, 
a falha detetada, 
inconsequente, 
mas por menos que 
uma fase negativa da Lua

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Ao fim e ao cabo

Há quase um ribeiro,
Pé ante pé onde antes não me escondi,
Quando quase acabei,...

Ressurgi para que me visses insuficiente,
E de nós todos sobrasse só o que foi abraçado,
Anuência impura de tanto respirar,
Das frases ofegantes que nos levassem ao fim,
Porque,
Insisto,...

Não é aqui que temos de espelhar a redonda visão da morte,
Talvez onde a noite nos levar,
Não aqui 


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Dúvidas no chegar

Ele está a chegar,
Não gosto do que possa vir a dizer sobre a adorável ruminancia dos dias,
Acho-o trivial,
Inodoro até quando se confronta com as pessoas,
Eu que prezo o cheiro quando Anoto as fraquezas dos meus semelhantes,...

Se realmente chegar,
Tenho pensado recitar-lhe tabuchi,
Afirmar como Pereira que a reencarnação da carne é possível,
Basta só respeitarmos o próximo,
E isso eu sei que ele não fará nunca 


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Hesitações


Insistia em querer dizer que estava tudo bem,
E podia vir a estar ainda melhor, 
E agora, 
Socorria-se das colunas de névoa que a envolviam quando era obrigada a,
Dançar com o frio insinuante das manhãs de Inverno daquelas bandas, 
Para adorar as coisas sem nome que as pessoas lhe atiravam aos pés,
Quando fosse a maior rainha de jasmim que aquela terra alguma vez tinha visto,... 

Tímida, 
Olhava com um calor por explicar os olhos das pessoas, 
Tentando falar sem voz, 
Com as palavras recolhidas nos nós gretados dos dedos gelados, 
E queria dizer a todos como pesava a  vontade de fazer coisas, 
De alumiar com a alegria desmedida apenas um céu que nunca passava daquele cinzento gretado, 
Mas que ela queria todo refletido de histórias felizes,
De enternecer,... 

Noa sítios onde chegava a cada dia, 
A realidade voltaria a ser pesada, 
Anónima até com laivos de remoinho de amargura, 
Mas não iria fazer mal, 
Tudo cheirava bem o possível,
E amanhã tudo poderia recomeçar com novas cores