Na noite morna, escura de breu, enquanto na vasta sanzala do céu, de volta das estrelas, quais fogareus, os anjos escutam parábolas de santos...
na noite de breu, ao quente da voz de suas avós, meninos se encantam de contos bantus...
"Era uma vez uma corça dona de cabra sem macho... ...................................... ...Matreiro, o cágado lento tuc...tuc...foi entrando para o conselho animal...
("Não tarde que ele chegou!") Abriu a boca e falou - deu a sentença final: "-Não tenham medo da força! Se o leão o alheio retém -luta ao Mal! Vitória ao Bem! tire-se ao leão - dê-se à corça."
Mas quando lá fora o vento irado nas frestas chora e ramos xuxualha de altas mulembas e portas bambas batem em massembas os meninos se apertam de olhos abertos:
- Eué
- É cazumbi...
E a gente grande - bem perto dali feijão descascando para o quitende - a gente grande com gosto ri...
Com gosto ri, porque ela diz que o cazumbi males só faz a quem não tem amor, aos mais seres busca, em negra noite, essa outra voz de cazumbi essa outra voz - Felicidade...
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse ela tinha um sorrir luminoso tão quente e gaiato como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas espalhando diamantes na fímbria do mar e dando calor ao sumo das mangas
Sua pele macia - era sumaúma... Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo tão rijo e tão doce - como o maboque... Seus seios, laranjas - laranjas do Loje seus dentes... - marfim... Mandei-lhe essa carta e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão que o amigo Maninho tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto - SIM, noutro canto - NÃO E ela o canto do NÃO dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete pedindo, rogando de joelhos no chão pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia, me desse a ventura do seu namoro... E ela disse que não.
Levei á Avo Chica, quimbanda de fama a areia da marca que o seu pé deixou para que fizesse um feitiço forte e seguro que nela nascesse um amor como o meu... E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, á porta da fabrica, ofertei-lhe um colar e um anel e um broche, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficamos num banco do largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos... falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbudo, sujo e descalço, como um mona-ngamba. Procuraram por mim "-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?" E perdido me deram no morro da Samba.
Para me distrair levaram-me ao baile do Sô Januario mas ela lá estava num canto a rir contando o meu caso as moças mais lindas do Bairro Operário.
Tocaram uma rumba - dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela riscando o céu! E a malta gritou: "Aí Benjamim !" Olhei-a nos olhos - sorriu para mim pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.