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Estou escondido na cor amarga do fim da tarde



















estou escondido na cor amarga do
fim da tarde. sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento



Valter Hugo Mãe
in "Estou escondido na cor amarga do fim da tarde"

Agora eu era linda outra vez























Foto de Angola em Fotos





Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor




Valter Hugo Mãe
in «O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas»

O céu é aquela clareira



















o céu é aquela clareira
onde deito os olhos com ténues
cambiantes de cor que quase
gasto nas mãos, e como. como
o céu e aguardo uma
digestão convulsa. enquanto
o aguaceiro seca na terra antes que o
possa beber e deus se
vinga de mim ditando
os versos que escondem
a água ao mundo. já as
fogueiras florindo em volta,
murchando o dia que me
persegue. uma intervenção
divina para me resistir



Valter Hugo Mãe
In “estou escondido na cor amarga do fim da tarde”

Agora eu era linda outra vez



























Foto de Massimiliano Uccelletti, via "O Jumento"



Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor




Valter Hugo Mãe
in «O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas»

Agora eu era linda outra vez


















Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor




Valter Hugo Mãe
in «O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas»