domingo, outubro 12, 2008
Cacusso

estou escondido na cor amarga do
fim da tarde. sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento
Valter Hugo Mãein "Estou escondido na cor amarga do fim da tarde"
domingo, outubro 12, 2008
Cacusso
Foto de Angola em FotosAgora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor
agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor
Valter Hugo Mãein «O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas»
terça-feira, setembro 30, 2008
Cacusso

o céu é aquela clareira
onde deito os olhos com ténues
cambiantes de cor que quase
gasto nas mãos, e como. como
o céu e aguardo uma
digestão convulsa. enquanto
o aguaceiro seca na terra antes que o
possa beber e deus se
vinga de mim ditando
os versos que escondem
a água ao mundo. já as
fogueiras florindo em volta,
murchando o dia que me
persegue. uma intervenção
divina para me resistir
Valter Hugo MãeIn “estou escondido na cor amarga do fim da tarde”
domingo, maio 04, 2008
Cacusso

Foto de Massimiliano Uccelletti, via "O Jumento"Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor
agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor
Valter Hugo Mãein «O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas»
sexta-feira, junho 15, 2007
Cacusso

Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor
agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor
Valter Hugo Mãein «O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas»