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Descrição de si mesmo junto a um copo de whisky no aeroporto, digamos em Minneapolis


















Meus ouvidos ouvem cada vez menos das conversas, meus olhos vão ficando mais fracos, mas não se fartaram.

Vejo suas pernas em minissaias, em calças compridas ou tecidos voláteis,

Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pensativo, acalentado por sonhos porno.

Velho depravado, é a cova que te espera, não os jogos e folguedos da juventude.

Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz, compondo cenas dessa terra sob as ordens de uma imaginação erótica.

Não desejo a estas criaturas, desejo tudo, e elas são como o signo de uma convivência extática.

Não é minha culpa se somos feitos assim, metade contemplação desinteressada, e metade apetite.

Se após a morte eu chegar ao Céu, lá deve ser como aqui, só que me terei desfeito da obtusidade dos sentidos e do peso dos ossos.

Tornado puro olhar, sorverei ainda as proporções do corpo humano, a cor da íris, uma rua de Paris em junho de manhãzinha, toda a incompreensível, a incompreensível multidão das coisas visíveis.



Czeslaw Milosz

As mãos

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As mãos
são a paisagem do coração.
Elas se separam às vezes
como desfiladeiros
para que forças indescritíveis rolem.

A mesma mão que o homem
apenas abre quando cheia de fadiga,
agora ele percebe:
por causa dele somente,
outros podem caminhar em paz...

Mãos são como paisagem.
Quando se abrem,
a dor de suas mágoas
corre livre como riacho.
Porém, sem sentimento de dor...
sem grandeza de dor...
Apenas para sua própria
maravilha de grandeza
Ele não conhece a forma
de nomear a mesma.


Andrzej Jawien
(pseudónimo literário de João Paulo II)
1960