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Recordando

















Ontem me pediste de forma dócil para jamais te falar.
Hoje
Me pedes com riso nos lábios para te olvidar.
Que me pedirás quando o sol estiver a fazer Kassuada?
Amanhã já vazio e só serei eu capaz de falar ao mundo
Que afinal nunca estive presente
Fui a mais singela ficção numa curta história
E a minha existência foi uma descabida imaginação?



Garcia Bires

Minha musa

























Nocturnae
É a minha musa
Como Neptuno
É vossa com certeza.

Eu vivo
Respiro
Sofro
E brinco com ela e nela.
Não me queixo e nem lamento.

No meu querer
A juventude dos homens
A vida para todos.
No meu rir
A alegria do mundo em flor
O prazer de viver
As vitórias de todos.

E ainda
Somos nós a certeza
Entretendo
O silencioso choro dos homens
De todos horizontes.



Garcia Bires

Nas algas

















Foto de Manuel Gonçalves em Olha oh Passarinho




Devolvidos em caracteres não descodificados
Jazem nas algas
Recados produzidos além
Como repousassem para futuras leituras.
Cartas antigas. Heroismo e amor.
Contos perdidos na história e sonhos cantados
Em papel de cambraia
Socegadamente dormem no dorso das algas.
Amanhã será o dia maior.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxO da leitura final



Garcia Bires

No próximo encontro
























Finalmente amor,
És tu que me faltavas.

Tua voz
É meu canto para sempre preferido.
No próximo encontro traz unguento.
Mbafo.
Também capim de Deus
Para misturarmos cuidadosamente
Com o bafo
Dos perfumes das nossas vidas.



Garcia Bires

Regressei

















Regressei de outros mares
Trazendo em cada mão uma lembrança.
Antiga ou nova.
Minha ou alheia.
Regressei docemente de
outros mares
Trazendo gravado em cada mão muitas lembranças
Muitas canções.
Muitas esperanças.




Garcia Bires

In “Olheando”