Era no tempo dos tamarindos Meu pai sempre me acordava pela manhã E ia cantando para o quintal Enquanto fazia a barba Debaixo do caramanchão Da buganvília cor-de-violeta.
Era no tempo dos tamarindos Zenza Niala vinha entrando na cancela À cabeça a quinda carregadinha de fruta Sempre cumprimentava minha mãe: -“Sápêrê, Dona!” Minha mãe respondia: -“Olá” Ela agachava no chão Destapava a quinda E por sob as folhas frescas de mamoeiro Mostrava papaias e pitangas saborosas
Às vezes trazia fruta-pinha e sápe-sápe
Era sempre o mesmo diálogo Minha mãe:”Chingamin?” Zenza Niala no chão sorria Mostrava os dentes de marfim E respondia -“Meia-cinco, sinhóra”
Era no tempo dos tamarindos.
E havia “bigodes” e “bicos-de-lacre” Cantando nas acácias do quintal.
Depois Zenza Niala ia embora, As ancas baloiçando A quinda na cabeça