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Panamor

















Foto daqui




nos braços da onda driblada pelo menino
há uma força ancestral que ele desconhece
que levou nossos antepassados
para o outro lado do mar

a flor estéril da mandioqueira
diz que há uma raiz profunda na terra
que alimenta

mesmo no orgasmo infecundo da prostituta
na noite insone à espera da Aurora
existe o Amor
e até na violência do blindado defendendo
a Vida
existe o amor

o Amor existe
o Amor está
nas cinzas espalhadas dos corpos
incinerados no Oriente
à espera da encarnação

o Amor existe
o Amor está
no encanto das coisas singelas da vida
na beleza sem limites
das partituras de Mozart e Beethoven
na exuberância escaldante do batuque africano...

o Amor existe





Domingos Florentino

Uma planta, plantando sonhos


















No canto do fim do mundo
há uma flor
contando histórias

À porta da minha casa
há uma planta
plantando sonhos



Domingos Florentino

Sonho de amor




















O meu sonho
é uma madeixa dos teus cabelos
sufocada ao luar de uma noite
cansada de amor

O meu sonho
somos nós, tu e eu
no corcel da vida
à procura do sol

Falo do sonho, amor
do nosso sonho
em que brincamos com crianças não paridas
com esperanças sangrando desesperanças

O meu sonho
és tu, Minda-a-Mulata
sonhando com a vida e morrendo
em tempo de fome farta
e a guerra a acabar
(ou a reatar?)

O meu sonho
é sonho de mar
as ondas indo e vindo
do fim do Mundo
as aves a voar.


Domingos Florentino

Sonho, de amor























Foto de Dominique Lefort




O meu sonho
e uma madeixa dos teus cabelos
sufocada ao luar de uma noite
cansada de amor

O meu sonho
somos nós, tu e eu
no corcel da vida
à procura do sol

Falo do sonho, amor
do nosso sonho
em que brincamos com crianças não paridas
com esperanças sangrando desesperanças

O meu sonho
és tu, Minda-a-Mulata
sonhando com a vida e morrendo
em tempo de fome farta
e a guerra a acabar
(ou a reatar?)

O meu sonho
é sonho de mar
as ondas indo e vindo
do fim do Mundo
as aves a voar



Domingos Florentino

África escultural



























áfrica
da nudez plangente
dos braços nus dos embondeiros, silhuetando na noite
áfrica
a contemplar embevecida a imensidão dos oceanos
na lembrança trágica dos filhos deportados
áfrica
dos homens bêbados
arrastando os pés descalços
na terra sequiosa de vida
da mulher nua que se entrega para se achar
das barrigas dos meninos
barrigudos de fome
áfrica
do ritmo quente
do batuque e da farra
perdidos na noite
do canto triste dos poetas
dos seus poemas
escritos com sangue e suor de gente

acredito em ti
como a áfrica escultural dos homens
esculpindo a vida
na pedra da vida




Domingos Florentino
In “Raízes do porvir