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Inocência



























Já venerei dias de miséria
nos ponteiros trilhados
de um relógio sem tempo
onde cresce o meu tormento


o mesmo flash se repete
com miúdos sem nome
a abraçar desgraças


nas ruas...


andam aos milhares
soltando as malícias do ventre
as vozes de fome


no e mesmo instante
em cada flash
brilham as barrigas
destes miúdos que esperam
(sem tempo) a abraçar desgraças
contrastam com as barrigas eminentes
da gente que passa e
se escapa a escarrar luxúria
regresso odiosamente à minha infância
com impulsos incontrolados do coração
onde se encontra a muda revolta da minha aflição


vejo-me
revejo-me
nestes retratos na rua
onde o flash se repete em cada esquina
como um pedaço de mim
escondendo-me dos bocejos da noite
mas essa graça da inocência...eu já perdi.



Chô du Gury

Batam palmas


















Batam palmas
Sou indigente vagabundo
Quero brindar-vos com verdades d'alma
Expulsar as serpentes que me atormentam


Reunir-me com os dementes
Pulular nas lixeiras da mente
Declamar poemas
Com palavras minhas


Ainda que ridicularizadas
Não quero que as abortem
São minhas e as defendo
Confesso


Batam palmas!
Batam palmas por favor

Vou declamar
Apalpar-vos a alma
Ver-vos no meu microfilme
A exorcizar a vossa poesia
Que sairá aos soluços


Batam palmas!
Batam palmas ...palmas


Preciso e quero arrotar
Toda a poesia vadia
Impregnada de todo o meu eu


Batam palmas! Batam palmas! Batam



Chô du Gury