sexta-feira, outubro 24, 2008
Cacusso

Poema II
O sol da minha terra
o seu tamanho
entra em todos os olhos
mesmo nas fundas cacimbas sem futuro
é a única oferta
O sol da minha terra
o seu calor
arde em todos os peitos
aquele fogo lento das massuíkas
é o único alimento
O sol da minha terra
acende em todas as coisas
as cores do céu folhas musseque
é a única pureza.
O sol da minha terra
por vezes é também
um relâmpago ao meio dia
e queima as sombras dos homens.
O sol da minha terra!
O sol da minha terra!
Arnaldo Santos
terça-feira, julho 22, 2008
Cacusso

Poema II
O sol da minha terra
o seu tamanho
entra em todos os olhos
mesmo nas fundas cacimbas sem futuro
é a única oferta
O sol da minha terra
o seu calor
arde em todos os peitos
aquele fogo lento das massuíkas
é o único alimento
O sol da minha terra
acende em todas as coisas
as cores do céu folhas musseque
é a única pureza.
O sol da minha terra
por vezes é também
um relâmpago ao meio dia
e queima as sombras dos homens.
O sol da minha terra!
O sol da minha terra!
Arnaldo Santos
terça-feira, janeiro 10, 2006
Cacusso

Entrega-me o teu destino de fim de semana
Rasgado sobre os círculos do mungolongolo
Erguido sobre o fogo não extinto das masuíca
Sobre o quitelembe dos corpos saciados
Entrega-me o ventre branco das tuas praias
Onde a gestação dos passos se interrompe
E os rituais de iniciação apodrecem
Entrega-me o quissocossoco dos teus nascimentos
E o conteúdo das tuas mortes desfeito em terra
Vamos dar-te o fogo do sol antigo!
Libertar o teu nome de sal dos cristais desnaturados
O teu corpo violado no exotismo das palmeiras
Que abafam o lamento das sereias
Vamos cingir-te com panos de lemba
E expor os novos crâneos que renascem
Ao vento rijo das calemas
Vamos fazer das tuas mortes vida ausente
Vamos dar-te o fogo do sol antigo!
Arnaldo Santos
quinta-feira, abril 21, 2005
Cacusso

... Os pássaros voarão
E o mundo encher-se-á de suas penas
Calados nos ouviremos segredando
Fazendo do horizonte uma linha longa,
Tu tremerás receosa do infinito
Mas eu estarei junto de ti...
E será doce ou triste aquele poente...?
Porém tu me dirás sorrindo:
— Que importa? São tuas as linhas desta mão...
Arnaldo Santos
domingo, janeiro 23, 2005
Cacusso

Foto
daqui 
Bandeiras sem cores
Tremulam ao vento...
Passa o camião
onde vozes cantam,
São homens que voltam.
E o sonoro canto
vai longe...longe,
às cubatas sós
onde mães esperam.
Bandeiras desejos
Tremulam ao vento...
E as vozes deixam
na esteira dura
com o pó da estrada
cantos de renúncia.
E tremulando sempre
Bandeiras sem cores
Agitam desejos.
Nas sanzalas
Nascem vagidos novos!
Arnaldo Santos