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Nunca é tarde
























Foto de Paulo Monteiro em Album de Fotos Santo Antão (Cabo Verde)




Quando no cais só fica ancorada
A indiferença e já não resta nada
Senão as ilusões a que te agarras.

Ouve a voz inefável das guitarras
Tingindo de paixão a madrugada
No fim duma viagem povoada
Do canto indecifrável das cigarras.

Saberás então que há sempre um começo
No profano rio em que a vida arde,
E é nessa maré viva que estremeço.

Mas, ainda que saibas que nunca é tarde,
Não tardes, que sem ti eu anoiteço,
E não peças jamais ao rio que aguarde.



António Tomé

Nunca é tarde


Foto de Gregory Mancuso Posted by Hello


Quando no cais só fica ancorada
A indiferença e já não resta nada
Senão as ilusões a que te agarras.

Ouve a voz inefável das guitarras
Tingindo de paixão a madrugada
No fim duma viagem povoada
Do canto indecifrável das cigarras.

Saberás então que há sempre um começo
No profano rio em que a vida arde,
E é nessa maré viva que estremeço.

Mas, ainda que saibas que nunca é tarde,
Não tardes, que sem ti eu anoiteço,
E não peças jamais ao rio que aguarde.


António Tomé

Coleccionador de quimeras

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Quando as minhas angustias
comecam a morder-me
ponho-lhes a trela
saio a rua a passeá-las
e deixo-as ladrar
ao tédio transeunte.

Depois ponho-lhes asas
e deixo-as voar
como passaros
em busca de primaveras
imprevisiveis.


António Tomé