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3 Momentos




















1.º

ONTEM:
Se não existisse a poesia
serias tu musa-poesia
de todos os tempos de todos
os poetas mendigos e irmãos do AMOR.


2.º

HOJE:
Voltei do além com marcas
frescas da pureza. O teu sorriso
me acenou. Agora, não sei se o mais
puro é a fonte de pureza que te dá origem
ou o estado de pureza que do além trago.


3.º

AMANHÃ:
Quando se inaugurar a cidade da poesia
teu nome escrito com beijos de alecrim
estará com bandeira ao vento saudando
os casais felizes à entrada da cidade.



António Gonçalves

Quarto poema sem título

























Como posso não amar-te

Arte de todas as artes
Pedaço de paraíso
Flor múltipla e multicolor
Segredo que segreda em voz alta
Aquário de búzios voadores
Raiz, folha e árvore invisível
Métrica perfeita de uma canção criada
Fuga e regresso de emoções desconhecidas
Salmo que se soletra pela manhã
Alimento de matéria imaterial
Casa sem portas, janelas e tecto.

Como posso não amar-te?



António Gonçalves

2.ª Transparência (falando do amor)





















Falo do amor
que te rouba e devolve o sangue
que é guerra e paz contínua
alívio e desgraça permanente
falo do amor que não é sexo

falo do amor
que se manifesta nas unhas
que são suores e pelos em chamas
sobrancelhas e tacto em ebulição
falo do amor que não é carne

falo do amor
poliglota, desconhecendo raça e crença
que é um oceano de emoções
que é cicatriz sem ter ferida
falo desse amor que é sexo

falo do amor
interplanetário e atómico
(neutrões, protões e iões em contradição aparente)
naves e corações que descolam
como transitam os símbolos no Zodíaco
falo desse amor que não é carne

falo do amor
que é renascimento
como alguém que atirando pedras ao charco
se vai banhando por dentro
enquanto por fora
o seu tamanho se confunde com o mundo
falo desse amor que não é sexo

falo do amor
que não é língua
mas a saliva
abundante mãos
falo desse amor que é carne…



António Gonçalves

Quarto poema sem título



















Como posso não amar-te

Arte de todas as artes
Pedaço de paraíso
Flor múltipla e multicolor
Segredo que segreda em voz alta
Aquário de búzios voadores
Raiz, folha e árvore invisível
Métrica perfeita de uma canção criada
Fuga e regresso de emoções desconhecidas
Salmo que se soletra pela manhã
Alimento de matéria imaterial
Casa sem portas, janelas e tecto.

Como posso não amar-te?


António Gonçalves