domingo, agosto 16, 2009
Cacusso
Foto de Pedro Norton de Matos, em "Caminhadas e Descoberta em STP"
Teu olhar é corsário destemido de aventura
Nómada de oceanos
Ternura em traço leve
Leve traço de ternura
Teu rosto é concha de caranguejo
Abrigo de procelas
Beijo em terra longe
Terra longe num beijo
Tuas mãos são gomil de mestiçagem
Telas de delírio
Paisagens de horizonte
Horizontes de paisagem
Olinda Beja
terça-feira, junho 19, 2007
Cacusso
Foto de Nuno Mendes em Caminhadas e descoberta em STP
Pudesse eu um dia voltar à minha terra
ver os coqueiros e os cafezais em flor
ver as sanzalas transformadas em casas dignas
de homens que trabalham noite e dia
pudesse eu tornar a ver-te mãe
e abraçar-te e beijar-te até não mais
e ver finalmente os meus irmãos de cor
respeitados como eu sempre sonhei
pudesse eu ver as palmeiras da avenida
gingando ao vento e ao grande calor
e pisar essa terra agora nossa
pudesse eu daqui dizer-vos tudo
que sinto e que quero transmitir
pois mesmo longe estarei sempre ao vosso lado
Olinda Bejain "Bô Tendê?"
segunda-feira, novembro 13, 2006
Cacusso
Foto de António Ferreira de Sousa em Caminhadas e Descoberta em STPAi meu país de tchilóli e mar
país de riso azul a percorrer memórias
debaixo do sol do Equador e do Cruzeiro do Sul.
ai meu país de tchilóli e mar
de nuvens brancas e negras a percorrer teu rosto
de cânticos-poetas de Tenreiro e Costa Alegre...
Que idílio sublime nestas paisagens tropicais!
E quando a noite se esconde sob a ramada
do teu corpo de ébano e seda
de espuma e coral
então escorre de África inteira
a infinda seiva
lasciva e branda
como da abelha se desprende
o doce mel!
Olinda Beja
sábado, agosto 26, 2006
Cacusso
Foto de Dirk S. Grossman, aquiTenho saudades da chuva
do meu Largo da Carvalha. Uma chuva
cinzenta e mole que abria longos riachos no meu peito de ansiedade
Tenho saudades do vento
do meu Largo da Carvalha. Um vento
agreste e serrano que agitava os plátanos
fazendo estremecer as folhas amarelecidas
no meu quintal de ternuras.
Tenho saudades das noites
do meu Largo da Carvalha. Noites passadas á mingua
de um abraço amigo e forte
noites de antigas vizinhas que me diziam
menina toma cuidado com os outros porque
tu és diferente e eles não gostam dos diferentes
histórias de lobisomem
cantigas do São João
rezas no adro da Sé.
Tenho saudades dos dias do outro lado do mar
dias de areia e de espuma a salpicarem-me o rosto
dias de barco sem cais nos escaleres da vida
dias de longe e de perto
a cruzarem o meu destino mestiço
entre as tílias do Rossio
e a ilha do chocolate.
Olinda Beja
terça-feira, março 21, 2006
Cacusso
Foto de António Ferreira de Sousa em Caminhadas e Descoberta em STPO poema está no ritmo
do nosso sangue cruzado. Na idade
da nossa santomensidão
cheiros de terra quente
palmares de avó Sipinge
distância em distância entre
o leste e o oeste
o norte e o sul
o poema
é a única rota que deixa sulcos no cais
imensurável dos nossos atropelos
Olinda Bejain "Água Crioula"
sexta-feira, março 03, 2006
Cacusso
Foto de António Ferreira de Sousa em Caminhadas e Descoberta em STP
Tenho saudades da chuva
do meu Largo da Carvalha. Uma chuva
cinzenta e mole que abria longos riachos no meu peito de ansiedade
Tenho saudades do vento
do meu Largo da Carvalha. Um vento
agreste e serrano que agitava os plátanos
fazendo estremecer as folhas amarelecidas
no meu quintal de ternuras.
Tenho saudades das noites
do meu Largo da Carvalha. Noites passadas á mingua
noites de antigas vizinhas que me diziam
menina toma cuidado com os outros porque
tu és diferente e eles não gostam dos diferentes
histórias de lobisomem
cantigas do São João
rezas no adro da Sé.
Tenho saudades dos dias do outro lado do mar
dias de areia e de espuma a salpicarem-me o rosto
dias de barco sem cais nos escaleres da vida
dias de longe e de perto
a cruzarem o meu destino mestiço
entre as tílias do Rossio
e a ilha do chocolate.
Olinda Beja
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Cacusso
Foto de António Ferreira de Sousa em Caminhadas e Descoberta em STPExtensão imensurável da Portuguesa alma
que deixou raízes em solos longínquos
usos
costumes
sangues cruzados...
e os sonhos ficaram perdidos nas pedras
a circundar o Globo das nossas Vidas.
Estranhos?!
Estranhos porquê?
Talvez o sejamos na lusa distância
dos nossos palmeirais exóticos
dos nossos panos garridos
do nosso gargalhar sensual e
provocador...
Talvez o sejamos até no linguajar materno
que no berço ouvimos
mas se hoje procuramos a essência de
um Passado comum
é porque aquele acento no coração de todos nós
é a ave migratória
dos nossos mares entrelaçados
Olinda BejaIn "Aromas de Cajamanga"
sexta-feira, setembro 23, 2005
Cacusso
Foto de Décio Lopes e Sofia em Caminhadas e Descoberta em STPApitos
tambores
canas de bambu
tremem
ressoam
excitam os corpos
que dançam
e ouvem
escoa-se a tarde
escoa-se o tempo
de risos e lágrimas
e na mata frondosa
fica a história/tragédia
do Imperador Carlos Magno.
Não é uma festa.
Não é um teatro.
É um modo de vida.
Olinda Beja
sábado, setembro 17, 2005
Cacusso
Emanuel Pais - Samy e um gémeo (foto em Caminhadas e Descoberta em STP)Pudesse eu um dia voltar à minha terra
ver os coqueiros e os cafezais em flor
ver as sanzalas transformadas em casas dignas
de homens que trabalham noite e dia
pudesse eu tornar a ver-te mãe
e abraçar-te e beijar-te até não mais
e ver finalmente os meus irmãos de cor
respeitados como eu sempre sonhei
pudesse eu ver as palmeiras da avenida
gingando ao vento e ao grande calor
e pisar essa terra agora nossa
pudesse eu daqui dizer-vos tudo
que sinto e que quero transmitir
pois mesmo longe estarei sempre ao vosso lado
Maria Olinda BejaBô Tendê?
segunda-feira, junho 06, 2005
Cacusso
Foto de António Ferreira de Sousa, em Caminhadas e descobertas em STP 
Estou aqui
a contar-te dos caminhos que percorro
velhos estreitos esventrados
caminhos de sulcos e de cabras onde
nossos avós colheram pão de côdea dura
estou aquia contar-te dos cheiros doces e acres
dos frutos tropicais
cheiros que se foram confundindo no sangue
que se afundou em docas e mares mas que emergiu
mais vermelho que o chão da nossa terra
estou aqui inteira viva irrequieta como pássaro
que acasala no equilíbrio de um ramo
e como tu quero ferir meus pés
no lençol de pedras que atapeta o ôbô
inundar de algas azuis o corpo reflectido
no espelho das calemas
estou aqui para escutar o vento no zinco dos casebres
e exorcisar os medos que vagueiam na linguagem do povo
estou aqui como tu
borboleta tricolor que pousa no eco das muralhas
e morre a ouvir histórias de um país calcinado
Olinda Beja