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Friday, September 07, 2012

A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (24)


Quero com isto significar que a adesão ao ideário marxista enquadrado pelo Partido Comunista, triunfantes à esquerda nos anos da guerra, era natural e quase inevitável. A historiografia não se compadece com anacronismos. Se hoje é simples dizer que houve uma espécie de pecado original no neo-realismo, que foi o de ter servido ou apoiado um sistema político trágico pelo logro que representou, e incompatível com aquilo que Ferreira de Castro designava nos anos quarenta como «a mais nobre aspiração humana» — a liberdade –, é desonesto ou incompetente obliterar a conjuntura em que todos aqueles autores iniciaram o seu percurso literário e artístico. E não ficará mal dizer – embora irrelevante para o que nos traz aqui hoje, porque se trata do desenvolvimento de percursos individuais – que, se alguns andaram perto – talvez Vergílio Ferreira e Fernando Namora –, cedo se afastaram; sem esquecer os que se desvincularam do PCP quando tiveram conhecimento da verdadeira natureza do estalinismo após a publicação do Relatório Secreto do XX Congresso do PCUS, apresentado pelo secretário-geral Nikita Khruschev, em 1956. Tal foi o caso de Mário Dionísio, por si relatado na Autobiografia.

(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)

Sunday, October 04, 2009

testemunhos #7 - Manuel Pinto Ferreira de Sousa

(foto)
O meu primeiro encontro com Ferreira de Castro deu-se em Julho de 1966, no Grande Hotel da Torre (Entre-Os-Rios). Costumava ele vir aí, desde 1956 aproximadamente, na época de veraneio para descanso e tratamento. À medida que ia estabelecendo diálogo com ele, fixei nas folhas modestas do jornal «O Penafidelense» (1), as descoloridas impressões, que colhi do seu contacto amigo. Nunca se discutiu, nem de religião, nem de política. Nunca lhe captei qualquer assomo ou ânsia metafísica. Apenas os seus passeios pelas terras de Penafiel, as conversas com o povo, os monumentos da região, os assuntos da natureza, da história e pré-história, e do trabalho de cada um alimentavam o tema espontâneo das entrevistas. Não olvidava os bons amigos seus. Para alguns deles abriu-me caminho cultural e correspondência epistolar, a qual guardo em escrínio precioso. Entre outros escritores nomeio Jaime Lopes Dias (2) e os brasileiros Homero Homem (3), Gondim da Fonseca (4)*, Carlos de Araújo Lima (5), aos quais tive a oportunidade de me referir publicamente.

(1) Vide «O Penafidelense» de 30-7-68, 2-11-68, 14-10-69, 19-1-71, 2-2-71, 16-2-71, 10-10-72, 2-10-73, 9-7-74 e 19-11-74.
(2) Vide «Etnologia -- Etnografia -- Folclore», em «Mensário das Casas do Povo», n.º 304 -- Outubro, 1971, e em «O Penafidelense», de 10-6-1969, onde faço referência à sua vasta cultura. As cartas, que me dirigiu, documentam a honrosa amizade do exímio escritor.
(3) Vide «Um poeta brasileiro», em «O Penafidelense» de 28-9-1971.
(4) vide «Camões e os Lusíadas», em «O Penafidelense», de 23-10-1973. Dele conservo cartas, que me dirigiu7 de excelente amigo e homen de letras.
* No artigo surge "Godim".
(5)Este colega e distinto Advogado enviou-me, como oferta gentil, a sua prestimosa separata do «Jornal de Letras», do Rio de Janeiro, «Com Ferreira de Castro no Minho» -- 1972.

Manuel Pinto Ferreira de Sousa, Encontros e Cartas de Ferreira de Castro, separata do Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, n.º 25, Matosinhos, 1981, p. 3.

Thursday, September 10, 2009

outras palavras - Jaime Brasil, O CASO DE "A INFANTA CAPELISTA" DE CAMILO CASTELO BRANCO (1956)

ESCLARECIMENTO
A publicação, em separata, do artigo inserto a seguir pode deixar perplexos os leitores que desconheçam os precedentes do assunto. A eles se destina esta nota esclarecedora, na qual é respeitada a ordem cronológica dos acontecimentos. A confusão estabelecida pelos «entendidos» em camilografia, em geral simples camilómanos, acerca da obra de Camilo Castelo Branco «A Infanta Capelista» é de tal ordem que os não iniciados nos mistérios da vida desse escritor dificilmente encontram o fio à meada, propositadamente enredada pelos camilófagos e «camelianistas». Pertence ao número destes o pavão desasado, cuja plumagem é arrancada no artigo adiante reproduzido.
Jaime Brasil, O Caso de "A Infanta Capelista" de Camilo Castelo Branco ou Como se Arrancam as Penas a um Empavonado "Camelianista", Porto, Livraria Galaica, 1956, p. 5.