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Saturday, September 16, 2006

Uma entrevista



Fernando Dacosta entrevista Ferreira de Castro na esplanada da pastelaria «Veneza», na Avenida da Liberdade (1967)

Fonte: Fernando Dacosta, «Viver com gentileza -- Autobiografia», JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias , Lisboa, 17 de Agosto de 2005, p. 36

Memória #2 - Fernando Dacosta com Castro e Assis na «Veneza»

Encontrava-me com Ferreira de Castro depois de almoço, na Veneza, pastelaria da Avenida da Liberdade. Assis Esperança era-lhe uma companhia diária, quase um «duplo» nas palavras, nas ilusões, nas ironias, nas fantasias. «Este café é um pouco a minha casa. Há anos, sempre que estou em Lisboa, que aqui venho.» Sereno, imperturbável, o autor de A Selva conversava por igual com quem se lhe sentasse à mesa, se lhe dirigisse na rua, o questionasse em conferências, o abordasse em livrarias. Ouvia, e fazia ouvir-se, sem esforço, sem enfado, fato e gravata cinzentos, chapéu na cabeça, imaginação na distância, bondade no coração.
[...] A meio da tarde, Ferreira de Castro levantava-se, subia a rua, chalaceava (quando a via, à passagem pelo Tivoli) com Beatriz Costa e, sempre a pé, sempre devagar, sempre afectuoso, rodava a Praça do Marquês de Pombal sumindo-se num pequeno hotel (onde se resguardava com a mulher, a pintora Elena Muriel) trocado frequentemente por Sintra. Em Sintra estão, aliás, o seu museu e as suas cinzas.

Fernando Dacosta, Nascido no Estado Novo, Lisboa, Editorial Notícias, 2001, pp. 186-187

Sunday, May 21, 2006

Entrevista a A. Lopes de Oliveira (1)

Na «Pastelaria Veneza», à Avenida da Liberdade, costumam reunir-se alguns homens de letras e jornalistas. Entre eles avulta Ferreira de Castro -- o escritor português cujos romances estão dando a volta ao Mundo.
Quem veja a figura desafectada de Ferreira de Castro, não adivinhará, por certo, que ela oculta na sua modéstia, simpática e afectuosa, um prosador de garra e um novelista de renome, já hoje, universal.
Pois foi ali, na «Veneza», que nós, naquela tarde, encontrámos o escritor. Nesse dia, estava sozinho, tirando longas fumaças do seu cigarro, com o olhar perdido -- quem sabe? -- nas recordações da floresta amazónica.
Sentámo-nos, junto dele, e conseguimos distraí-lo e trazê-lo às realidades da vida europeia.
Ferreira de Castro evocou-nos alguns episódios da sua aventurosa vida, através do mundo, e, foi depois disto, que a entrevista surgiu naturalmente, como a propósito da conversa que ele mesmo trouxera à baila.
Perguntámos-lhe então:
(continua)
Como Trabalham os Nossos Escritores, Lisboa, Editorial Proença, 1950

Na esplanada da «Veneza»

Ferreira de Castro e Roberto Nobre
Avenida da Liberdade, Lisboa
(foto s. d., anos 30)