Showing posts with label San-Payo. Show all posts
Showing posts with label San-Payo. Show all posts

Monday, February 02, 2009

Os retratos de Castro por Nobre (1)

Publicado em Vária Escrita, n.º 8, Sintra, Câmara Municipal, 2001
A Elena Muriel Ferreira de Castro,
com profunda admiração e amizade
«Vêmo-lo muito jovem e bonito, uma cabeça
quase de adolescente, com o rosto a exprimir
plena confiança em si mesmo.»
Ferreira de Castro
Ao longo de mais de meio século de vida literária, Castro foi alvo da atenção de muitos artistas que lhe fixaram o rosto no retrato, na pintura, na gravura, na escultura, na fotografia [e na caricatura]: Eduardo Malta, Stuart Carvalhais, San-Payo, Baltasar, Elena Muriel, Santana, Manual Cabanas, Luís Jardim, António Duarte, Anjos Teixeira, Artur Bual, Júlio Pomar e João Abel Manta, entre outros -- só para falarmos de autores portugueses que, na sua maioria com felicidade, fixaram a «máscara e a alma» de uns alegados «traços duma ancestralidade eslava» (1). Mas ninguém o retratou tantas vezes como Roberto Nobre. (2)
(1) Jaime BRASIL, «notas biográficas e bibliográficas», VV. AA., Ferreira de Castro e a Sua Obra, Porto, Livraria Civilização, 1931, p. 7.
(2) Sobre o relacionamento de ambos, ver a nossa introdução a Ferreira de CASTRO / Roberto NOBRE, Correspondência (1922-1969), Lisboa, Editorial Notícias e Câmara Municipal de Sintra, pp. 7-13.
(continua)

Sunday, July 09, 2006

Outras palavras #1 - A arte moderna ante a sociedade actual (1)

[fotografia de San-Payo]

O nosso colaborador e distinto escritor Ferreira de Castro realizou no passado Domingo, na Associação dos Empregados de Escritório, uma conferência subordinada ao tema «A arte moderna ante a sociedade actual».
É dessa conferência o excerto que se segue:
A Arte em todos os tempos teve a sua parte frívola e a sua parte profunda. Uma para a Eternidade, outra para o minuto que se esgota.
E a Arte Moderna possui também essa dupla face. Mas a frivolidade, o humorismo, a blague, constituindo uma corrente da Arte Moderna, não constituem a Arte Moderna em si. Se o riso é muitas vezes a mentira com que se dizem as grandes verdades, é também certo que não é de riso mas sim de profunda expectativa essa atitude de quem ausculta o coração do homem, o coração duma época, o coração do mundo.
E seria grotesco que para sondar a nossa época, tivéssemos de gargalhar ou de recorrer aos processos artísticos do Passado.
Só um espírito superficial pode confundir uma das muitas correntes da Arte Moderna com a orientação do conjunto.
Mas na realidade essa confusão dá-se no espírito da maioria.
Os amantes dos processos arcaicos -- chamemos-lhes misericordiosamente amantes -- nada definem do que seja moderno: englobam personalidades, correntes diversas, técnicas individuais, sob esta terrível legenda: Arte moderna, arte de Fantoches, arte execrável...
E já que não a podem compreender, procuram olvidá-la ou empenham-se em detractá-la.
Isto aconteceu com todas as renovações artísticas e sociológicas.
-- Loucos! Loucos! -- exclamam os velhos bonzos, desde a quietude de suas peanhas.
Mas o mundo segue a sua rota incognoscível e os loucos de ontem são os génios de hoje -- os precursores de sempre.
(continua)
A Batalha -- Suplemento Semanal Ilustrado, n.º 18,
Lisboa, 1 de Março de 1926, p. 6.