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Monday, November 11, 2024

uma selecção nacional, por Ana Moreira

daqui

 

Discutível, como o são todas: falta ali muita gente, e alguns duvido que lá devessem estar.

Agustina Bessa Luís, Ana Luísa Amaral, Dulce Maria Cardoso, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Ferreira de Castro, Florbela Espanca, Hélia Correia, Herberto Helder, Joana Bértholo, José Cardoso Pires, José Saramago, Lídia Jorge, Luís de Camões, Luísa Costa Gomes, Maria Judite de Carvalho, Mário Cláudio, Natália Correia.

Saturday, November 28, 2015

Sobre o medo - um parágrafo de Miguel Real

«[...] Rui Zink tematiza o medo fazendo-nos sorrir. Desde Gil Vicente, faz parte dos atributos da farsa vestir-se de comédia. Nos seus romances, Lobo Antunes trabalha o medo recorrendo à compaixão trágica, despertando o nosso sentimento de piedade, sentimos pena de algumas das suas personagens. Agustina, realista no quadro geral, limita-se a descrever psicologicamente o medo. Saramago conta a história social do medo, evidenciando como ele é indissociável do conflito humano. Al Berto traz à luz, nos seus poemas, um medo original, a presença aterradora do excesso de ser que consome a existência humana, o que Golgona Anghel designa por "medo metafísico", o mesmo medo que atravessa a obra de Vergílio Ferreira, sintetizado na morte. Ferreira de Castro exprime com realismo o sentimento de medo, mesmo pânico, de Alberto perante a fúria decapitadora dos índios amazónicos. Outros escritores abordam este sentimento, cada um a sua modo, mas nenhum transformou um sentimento de temor, de pavor, até de horror, em quadros ficcionais desencadeadores do riso.[...]» [sobre Osso, de Rui Zink (2015)]
Miguel Real, «O medo desmascarado», JL, 25 de Novembro de 2015. 


Wednesday, October 17, 2012

A NARRATIVA NO MOVIMENTO NEO-REALISTA -- AS VOZES SOCIAIS E OS UNIVERSOS DA FICÇÃO, de Vítor Viçoso (28)

E se Finisterra é um livro à parte no Neo-Realismo, outro livro inusitado termina esta longa digressão: Levantado do Chão, de José Saramago (1980), classificado pelo futuro Nobel como «o último romance do Neo-Realismo, fora já do tempo neo-realista» (p. 334). Vítor Viçoso sinaliza nesta obra o distanciamento irónico (p. 333) e crítico do escritor, o «prolífero ludismo verbal» (p. 334), o cepticismo em relação «à epicidade datada e algo ingénua do protagonista colectivo» (p. 334), que encerra um capítulo ou uma fase do Neo-Realismo – «o epílogo glosado de toda uma literatura que se orientou, desde o expressionismo visionário de Raul Brandão, passando pelo realismo social de Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro, até à representação dialéctica classista dos neo-realistas» (p. 334-335) e abrem, segundo o autor, uma nova maneira de organizar e questionar ficcionalmente o mundo.» (p. 335) Como leitor, gostaria de ver estudada a persistência dos tópicos neo-realistas na obra de José Saramago, pós-Levantado do Chão. Talvez ficássemos surpreendidos.

(texto lido na apresentação do livro no Café Saudade, Sintra, em 21 de Outubro de 2011)