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Wednesday, April 15, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (16): posição relativa no Dicionário Biográfico Universal de Autroes

1. Ferreira de Castro -- 96,9 cm. (autor: João Palma-Ferreira)
2. Aquilino Ribeiro -- 89 cm. (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
(Júlio Dinis -- 70,3 cm. äutor: Jacinto do Prado Coelho]¨)
3. Alves Redol -- 57,7 cm. (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
4. Fernando Namora -- 51,5 cm (autora: Maria Idalina Resina Rodrigues)
5. José Rodrigues Miguéis -- 38,2 cm. (autor: L. R. [?])

Manuel Ribeiro, Assis Esperança, Maria Archer e Joaquim Paço d'Arcos não têm entradas)

Tuesday, April 14, 2015

Ferreira de Castro nos dicionários (15) - o Dicionário Biográfico Universal de Autores

João Palma-Ferreira
O Dicionário Biográfico Universal de Autores é um projecto da Artis, a partir da matriz italiana da Bompiani. Dicionário em cinco volumes, a parte luso-brasileira esteve a cargo de Luís de Albuquerque, Luís de Freitas Branco, Jacinto do Prado Coelho e Armando Vieira Santos. A publicação, inusitadamente longa, prolongou-se por 16 anos, entre 1966 e 1982.

O autor da entrada sobre Ferreira de Castro (vol. II, 1970) foi João Palma-Ferreira. A sua redação será anterior a 1963, uma vez que nem As maravilhas Artísticas o Mundo  nem O Instinto Supremo são referidos. Dela, importa-me destacar o seguinte: 

1) o relevo que dá à importância do escritor no âmbito da literatura de viagens -- nomeadamente A Volta ao Mundo --, género de tradição secular na cultura portuguesa; 

2) o enfoque no carácter dilemático, psicológico, na obra romanesca de Ferreira de Castro, neste passo que já citei por várias vezes noutras ocasiões, mas que -- até pela sua argúcia e pertinência -- volto a citar: «[...] é Ferreira de Castro o primeiro escritor ficcionista moderno que, em Portugal, se preocupa em colocar o leitor no centro de um problema de que foi obrigado a fazer prévia participação e de onde extraiu, pelo menos, um complexo de situações profundamente dramáticas e pessoais.» Curiosamente, as reservas expostas quanto ao estilo e à concretização narrativa não são da sua pena, mas referência ou citação de Óscar Lopes, que foi sempre ambivalente quanto a Ferreira de Castro. E se escrevo 'curiosamente' é por me parecer que Palma-Ferreira tinha bagagem teórica e conceptual, além  de estatuto, suficientes, já em 1970, para dispensar-se de tutelas.

3) uma originalidade, no âmbito destes verbetes para dicionários e enciclopédias, que é a sinalização de datas fundamentais no seu percurso literário, bem demarcadas quanto ao significado que encerram -- 1924, 1928 e 1944 -- com as quais, porém parcialmente discordo: 

Estou em desacordo quanto à primeira pois para o ensaísta, 1924 assinala na ainda incipiente obra castriana uma «produção de implicação simultaneamente social e psicológica». Quanto a mim, nada há distinga a ficção publicada anteriormente (mesmo sem irmos às primícias no Brasil). Creio, aliás, que só indirectamente Palma-Ferreira terá tido conhecimento desses títulos iniciais; 1928, claramente, é o ano de Emigrantes, e portanto uma data decisiva (embora, para mim, mais decisivo tenha sido 1927); já 1944, ano da conclusão da edição de a Volta ao Mundo, compreendendo-se na intenção de salientar do lugar de Ferreira de Castro na literatura de viagens, seria preferível, do meu ponto de vista, a sua antecipação para 1939, ano em que realizou o périplo, na companhia de Elena Muriel, servindo também como charneira entre Pequenos Mundos e Velhas Civilizações e A Volta ao Mundo.

Wednesday, March 27, 2013

incidentais #18 - O radical padre Mounier só levanta problemas

Por iniciativa própria, Mounier é recebido pelo Superior, para informá-lo que havia mandado o «Bagatelle» suspender a pintura da palavra MISSÃO no telhado: Breve encontro entre dois homens de fé e da Igreja, de 50 e 65 anos, respectivamente, em que a autoridade do segundo é posta em causa por um imperativo de consciência..
Ferreira de Castro dá-nos então, neste segundo andamento de A Missão, a timidez e mal-estar de Georges Mounier: " a sua voz parecia escorregar por um precipício"; "queria que aquela inexplicável dificuldade lhe desaparecesse da garganta"; "não encontrava o tom desejado"; ao mesmo tempo que o Superior, homem ponderado e experimentado, depara com a surpresa, tanto da atitude como do argumento ético que motivou a atitude do frade: assinalar o edifício pelo ar, para que fosse visto pelos bombadeiros alemães, salvaguardando-o assim, graças às convenções internacionais, equivaleria a denunciar o edifício semelhante (primitivamente um convento de freiras adaptado a fábrica que contribuía para o esforço de guerra francês), pondo em risco a vida dos operários e das famílias que viviam nas habitações em torno: «As mesmas letras que nos protegerem podem representar uma sentença de morte para os homens que ali trabalham.» Após o que (se) pergunta, retòricamente, se as vidas de pouco mais duma dezena de religiosos valerá mais do que as daqueles.
O instinto de conservação inato apanha o Superior em contrapé: : «A luz toldara-se e no bosque onde ele se extraviava não havia apenas uma sombra, mas diversas sombras, não havia uma só vereda, mas muitas veredas cruzadas.»; acrescendo o incómodo e a contrariedade de um radicalismo que lhe era antipático, detectado em Mounier.
Como escreveu João Palma-Ferreira (e cito de cor), Castro era exímio e destacava-se no panorama literário português de então em pôr-nos diante de situações dilemáticas, fazendo-nos, através das personagens, sopesar pró e contras.  E isto -- acrescento eu agora --, apesar de uma clara orientação ideológica,   é-nos dado sem maniqueísmo nem primário preto-e-branco -- antes com a a consistência de quem sabe que cada homem é vários, como eloquentemente já escrevera e mostrara no anterior A Curva da Estrada.
O Superior a decisão até ouvir a irmandade, reunida em capítulo.