A emoção é como um pássaro,
quando se prende já não canta
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Serena

Richard Johnson
Essa ternura grave
que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavi-
dade do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.

E só assim, na levi-
tação da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.

Henriqueta Lisboa

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Noturno


Noturno


Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.


Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,


dançam livres como libélulas
em redor do fogo.

Henriqueta Lisboa

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A menina selvagem




A menina selvagem veio da aurora
acompanhada de pássaros,
estrelas-marinhas
e seixos.
Traz uma tinta de magnólia escorrida
nas faces.
Seus cabelos, molhados de orvalho e
tocados de musgo,
cascateiam brincando
com o vento.
A menina selvagem carrega punhados
de renda,
sacode soltas espumas.
Alimenta peixes ariscos e renitentes papagaios.
E há de relance, no seu riso,
gume de aço e polpa de amora.



Reis Magos, é tempo!
Oferecei bosques, várzeas e campos
à menina selvagem:
ela veio atrás das libélulas.

Henriqueta Lisboa