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domingo, 16 de setembro de 2012

Lick it up!


Já levaram uma lambida de boi? Pois é, nem eu. Mas, agora, posso dizer que já comi uma! Quer dizer, pedaços dela. Eu e o João fomos ao restaurante Planeta's (grande apoiador de várias peças teatrais em cartaz em São Paulo), nos cafundós da Rua Augusta (aliás, altamente recomendado!). Eu estava apreensiva, não posso negar. Mas, dado o fato de que eu gosto de fígado e outras coisas duvidosas, resolvi que tinha que experimentar.

O prato iinclui língua ao molho madeira com ervilhas, arroz e purê de batatas. O prato chegou na mesa. E se parecia muito com lagarto fatiado. Sabe aquele da "carne louca" dos lanchinhos de aniversário da década de 90? (Se você não sabe do que eu estou falando, ou está ficando velho ou é fã do Justin Bieber... ) Até aí eram só aparências. O garçom colocou a comida no prato. Dei a primeira garfada. A carne se desmancha. À parte uns "nervinhos" no canto, do mesmo tipo que encontramos em alguns cortes de carne, o prato era bem saboroso. Indico para os que não tem medo. Se bem que não tem nada de assustador.

Não sei se será um prato que entrará para o meu "hall alimentar da fama", mas não será banido. Na próxima vez acho que vou pedir o fígado acebolado, mas se você tem vontade de experimentar, lá é um ótimo lugar!





O que: Linguão
Local: Restaurante Planeta´s - Rua Martinho Prado, 212
Preço: prato para duas pessoas famintas em torno de R$27,00
Atendimento: Simpático, com garçons gente fina. Mas, com o restaurante cheio eles ficam muito ocupados e o atendimento acaba demorando um pouco.
Efeitos Colaterais: Curiosidade matada.
Avaliação: 


domingo, 21 de agosto de 2011

"Leave the gun. Take the canolli."

Finalmente tivemos um tempinho pra visitar a festa da Achiropita, aqui no Bixiga. Depois da última apresentação da peça "Obsessão" no Espaço do Ator Gelson Tsonis fomos com alguns amigos corajosos enfrentar o frio desse domingo ao som de tarantela. (Apesar de estar tocando uma músiquinha que eu tenho certeza que era a da abertura de "Cadê a Zazá", lembra?)

Várias opções nas barraquinhas. Espaguete e outras massas, polenta, antepastos e outros pratos nem tão italianos como calabresa, churrasquinho etc. Até tentei me arriscar na fila dos antepastos mas desisti, simplesmente não andava. Acabamos optando pela tão famosa fogazza. A fila também enorme, mas deu pra esperar.

E a bichinha é mesmo grande. De deixar a nonna orgulhosa, sabe? (Imagine nesse momento uma senhorinha de cabelos brancos e bochechas vermelhas dizendo "Mangia che te fa bene!") Massa na medida certa pra sentir o gostinho sem ganhar do recheio. O recheio também estava bem servido, apesar de pingar a gordurinha do queijo pra fora toda vez que eu dava uma mordida na dita cuja.

Depois da fogazza fui atrás do que qualquer italiano ou fã de "O Poderoso Chefão" sabe o que é. Canolli!!! Quem não lembra de Clemenza dizendo "Leave the gun. Take the canolli."? As primeiras barracas de doces que vi eram dos tradicionais espetinhos de frutas cobertas de chocolate que se acha em qualquer festa de rua. Depois achei uma com doces diversos e, dentre eles, canolli!!! Mas... Para minha infelicidade, tinha acabado. =/ Tive que me contentar com um tal rolinho Paris. Algo como um canodinho de biscoito coberto com chocolate e recheio de chocolate. Não estava ruim, mas também nada extraordinário. E também trouxe pra casa um saquinho de crustoli, que é uma masinha frita com açucar. Delícia! Ia guardar pra amanhã... Mas acabei de detonar o saquinho todo.

A festa ainda acontece nos dois próximos fins de semana, dias 27 e 28 de agosto e 3 e 4 de setembro. Espero que eu consiga voltar pra experimentar os antepastos e finalmente o canolli!

O que: Fogazza
Onde: Festa da Achiropita (Rua 13 Maio - Bixiga)
Preço: R$5,00
Atendimento: Filas enormes! É preciso um pouco de paciência...
Efeitos Colaterais: Talvez meu colesterol tenha aumentado um pouco, mas depois eu recupero.
Avaliação:

segunda-feira, 4 de julho de 2011

McTrash

Imagine-se na seguinte situação: Você está num país desconhecido. Você está com fome. Você não tem um puto no bolso. Complicado ahn? Pois é... Sempre me lembro da uma propaganda de curso de inglês em que o cara pedia "hamburger" na lanchonete mas não conseguia entender o que a atendente dizia e só repetia "hamburger". Acho que a sensação deve ser parecida... Ou pior se você está sem grana.

Um amigo do trabalho (que será tratado aqui como "teachero") contando sobre um intercâmbio que fez em Israel contou a forma interessante de como se virava nesses momentos de fome+falta de grana num país estrangeiro. Pedi por muito tempo que ele escrevesse essa história para ser publicada aqui no Fast Food de Pobre, e finalmente temos seu relato sobre o que ele apelidou de "McTrash".

"Eu trabalhava com a Dri até hoje, e contando sobre meu intercâmbio ela pediu para eu escrever sobre uma história que ela achou legal aqui para o blog.

Intercâmbio pode não parecer uma experiência de pobre. Mas considerando que eu fui para esse intercâmbio em 2003, com o dólar a R$2,30 e pagando o programa com subsídio, da pra ter idéia de que não foi barato. Por isso, para passar 11 meses em Israel, mesmo tendo todas as refeições, casa e roupa lavada, ainda precisaria de algum dinheiro para coisas importantes (como vodka e narguila) e tudo que tinha eram U$500,00, ou seja, menos de 50 dólares por mês. (Não dá pra nada!)

Fato é que não dava para pensar em comer fora, nem mesmo num McDonalds. Então, para matar a vontade de um hamburguer com batata frita, nós fazíamos o tal "McTrash" que, segundo o dicionário, é a técnica de comer o lanche que outras pessoas não terminaram de comer e vão jogar fora.

Várias vezes nós pedíamos para quem estava levantando da mesa o que sobrou e comíamos sem problema, e outras vezes a gente simplesmente pegava sem pedir.

Mas a melhor história aconteceu em Tel Aviv, quando fomos passar um fim de semana livre lá. Sem dinheiro nenhum e com mais 6 amigos. Quando a fome bateu fomos para um shopping e fizemos McTrash, até que uma senhora percebeu e veio falar com a gente. Nessa época a Argentina estava em grande crise econômica e muitos argentinos estavam indo morar em Israel. Então, para deixar a senhora comovida, a gente falou que era argentino e ela, com dó, acabou pagando um lanche para todos.

Essa é uma experiência inesquecíve e quem tiver possibilidade faça, porque é engraçadíssimo!"

Teachero, 27 anos