Eu tenho cabelos compridos, de fios grossos, lisos, que embaraçam com facilidade. Clara é loira, mas tem os cabelos parecidos com os meus, sendo que os fios ainda são finos e dão nós.
Pentear o cabelo de Clara foi sempre uma tortura, para mim e para ela. Todos os dias era um chororô horrível. Ela chorava porque doía e eu por fazê-la sofrer.
Creme de pentear, condicionador tipo leave-in, máscaras para os cabelos - tudo o que pudesse trazer um pouco de conforto na hora de pentear os cabelos nós já usamos. Comprei uma escova cor-de-rosa com pedrinhas no cabo - doía. Comprei uma nova escova da Denman, de fabricação inglesa, especial para cabelos compridos - doía. Pente grosso - doía. Pente fino - nem pensar. A única que dava para usar era uma escova de cerdas naturais, mas esta não desfaz os nós.
Como coração de mãe sofre, os olhos prestam atenção e signalisam ao sub-consciente, que nos alerta:
Aha, propaganda de escova que promete não doer, especial para cabelos compridos.
Pimba, o preço é uma facada.
E fiquei na dúvida se era propaganda enganosa.
E nada é mais precioso do que ouvir uma vozinha feliz dizer: Mamãe, essa escova não dói!
A marca é TANGLE TEEZER e não parece com as escovas que costumamos ter em casa.
Adendo: É inglesa, made in England, custa horrores, mas vale cada centavo. E é melhor usar no cabelo molhado, se for no seco, tem que ir devagar, mas doí menos do que todas as outras coisas.
13 abril 2012
das falas...
Clara: _ Mamãe, eu preciso fazer cocô!
Eu: _ Pode ir filha, quando você terminar, me chame, que eu lhe ajudo.
Clara: _ Mamãe, eu me errei.
Eu: _ O que Clara?
Clara: _ Mamãe, eu me errei, pensei que fosse cocô, mas foi só xixi.
Não é uma questão da língua, pois ela comete erros e trocas em alemão também.
Todos os dias ao buscá-la na escolinha, eu pergunto a ela o que ela fez, como foi o dia, o que ela comeu. E um dia ela disse: Hoje teve bife de frango com molho de cenoura e Essketten.
Esskette é aquele colar de açúcar que a gente roí, tinha isso na minha infância. Meu cérebro registrou o erro, eu queria rir, mas séria eu perguntei:
_ Frango com doce?
Ela parou, pensou e disse: _ Não, é parecido com bolinho de peixe, laranja.
_ Ah, tá, talvez você queira dizer croquete? - eu perguntei. E ajudei: Em português é croquete, em alemão é Kroketten.
Sim, sou chata, fico no pé.
E ela riu muito de si mesma.
Sou conseqüente e de vez em quando ela fica "P da vida" e diz: você entende e fala alemão também.
E nestes momento eu respiro fundo e retruco:
Sim, eu sei, mas como é que você vai falar com sua prima querida no Brasil?
Se você falar misturado, ela não vai entender.
E assim retornamos ao português, que ela fala, canta e já lê um pouco, mais do que em alemão.
Eu: _ Pode ir filha, quando você terminar, me chame, que eu lhe ajudo.
Clara: _ Mamãe, eu me errei.
Eu: _ O que Clara?
Clara: _ Mamãe, eu me errei, pensei que fosse cocô, mas foi só xixi.
Não é uma questão da língua, pois ela comete erros e trocas em alemão também.
Todos os dias ao buscá-la na escolinha, eu pergunto a ela o que ela fez, como foi o dia, o que ela comeu. E um dia ela disse: Hoje teve bife de frango com molho de cenoura e Essketten.
Esskette é aquele colar de açúcar que a gente roí, tinha isso na minha infância. Meu cérebro registrou o erro, eu queria rir, mas séria eu perguntei:
_ Frango com doce?
Ela parou, pensou e disse: _ Não, é parecido com bolinho de peixe, laranja.
_ Ah, tá, talvez você queira dizer croquete? - eu perguntei. E ajudei: Em português é croquete, em alemão é Kroketten.
Sim, sou chata, fico no pé.
E ela riu muito de si mesma.
Sou conseqüente e de vez em quando ela fica "P da vida" e diz: você entende e fala alemão também.
E nestes momento eu respiro fundo e retruco:
Sim, eu sei, mas como é que você vai falar com sua prima querida no Brasil?
Se você falar misturado, ela não vai entender.
E assim retornamos ao português, que ela fala, canta e já lê um pouco, mais do que em alemão.
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