27 março 2009

crianca_diz_cada_uma

 

Minha magnólia esta cheia de botões. Espero que a temperatura continue acima de 0°C, para que eu possa desfrutar desse prenúncio de primavera. O perfume desta flor é inebriante.

Para rir:

O tempo aqui está instável, chove, neva, faz sol, tudo em menos de 30 minutos.

Hoje pela manhã o sol subitamente apareceu no céu e iluminou a janela, refletindo nos vidros e formando mini arco-íris na parede.

Clara olhou para aquilo semi-ofuscada e me pediu:

Mamãe, apaga a luz.

Eu olhei e expliquei: É o sol, Clara que está iluminando tudo.

E prontamente ouvi:

Mamãe, apaga o sol, por favor.
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26 março 2009

papilas

 

Você é daqueles que precisam ver para crer? Eu às vezes sim, outras nem tanto.

Quando comecei a ler sobre introdução de sólidos, eu falei com várias pessoas, entrei em sites diversos na internet e tentei conciliar tudo o que li com a minha realidade, já que vivo dividida entre duas culturas. Aqui na Alemanha a batata é alimento primordial e deve fazer parte da alimentacao infantil, no Brasil esse papel é exercido pelo feijão.

As informaçoes mais importantes e válidas para mim vieram do Ministério da Saúde e da WHO (OMS), onde encontrei apostilas sobre alimentos complementares, comportamento, problemas e cardápios.

Mas havia algo em comum em tudo o que li: é preciso expor a criança várias vezes ao mesmo alimento. Muitas vezes a criança irá recusar um alimento por desconhecer o gosto. Outras por dificuldade de mastigação e ingestão. Mas excluir completamente um alimento do cardápio alimentar pode gerar desnutrição.

Uma amiga minha passou um ano dando batata frita e macarrão com ketchup para o filho, pois ele recusava tudo que ela dava. Mas ela nunca tentou dar algo duas vezes. O menino foi prematuro e eu creio que com 6 meses completos ele ainda não tinha desenvolvimento suficiente para mastigar, formar um bolo e engolir. Bem ele tinha quase 18 meses quando eu fiquei com ele sozinha na minha casa e na hora do almoço eu dei o que ela tinha trazido para ele: panqueca de batata com purê de maçã. Servi-me de quiche de espinafre com salada. Ele pediu e eu dei. O menino comeu tudo. Dei banana, ele comeu. Dei maçã, ele comeu. Mas até hoje ele a manipula com comida!

Eu sempre ofereci tudo para a Clara. Muitas vezes ela mastigava algo e cuspia. Outras ela fechava a boca e só um pé de cabra para abrir. Mas eu dizia a mim mesma: um dia ela come. Eu também não comia nada e hoje como de quase tudo.

Eu ocultava coisas que ela recusava em outros alimentos. Fazia purê de lentilhas, peneirava para tirar a pele e misturava com cenoura e abobrinha. Ela comia sem dizer nada. Nestas horas toda a criatividade entrava em cena e tornava meu dia-a-dia mais fácil.

Um dos exemplos de exposição e aceitação de alimentos eu vi em Clara com vagens.

Sempre ofereci vagens para Clara. Antes de falar, ela simplesmente recusava. Quando aprendeu a falar ela olhava, dizia feijãozinho mamãe, colocava na boca e cuspia. Acho que ela não conseguia mastigar e engolir a vagem. Ontem eu estava fazendo uma sopa e ela brincava na cozinha. Ao me ver cortando as vagens ela pediu uma. Eu sabia que ela não estava com fome, pois tinha comido uma maçã e dois cookies ao sair da piscina e logo depois almoçou arroz com omelete de legumes e queijo.

Dei, pensando em recolher milhares de pedacinhos de vagem espalhados pela casa. E me surpreendi quando pouco depois ouvi: A Tala té mais feijãozinho mamãe.

Ela comeu umas quatro vagens, cozidas, puras, sem tempero, sem azeite, sem nada.

Como disse Angie: Ela deve ter desenvolvido papilas degustativas para vagem.

E agora eu preciso dizer algo à pessoa mais importante em minha vida:

Mãe, desculpe-me por ter demorado tanto a desenvolver papilas degustativas para todo tipo de comida. Eu sei que você sofreu comigo. Sei também que você foi paciente demais. Eu te amo.

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25 março 2009

cookies

Tem dias que eu funciono mal. Acordo jururu, com muita saudade, e saudade mata a gente, mas viver é preciso, então a gente levanta, toma café e vai para a cozinha fazer algo para levantar o astral.

A Carol, que é amiga da Angie, postou uns cookies maravilhosos. Eu resolvi fazer uns, mas eu não seria eu, se não mudasse a receita.


 

Cookies de Banana, aveia, côco e passas (Carol fez com macadâmia)

- xícara medidora de 240ml

1 ¾ xícara (200g) de aveia em flocos finos
1 ½ xícaras (210g) de farinha de trigo (usei farinha integral)
2 colheres (chá) de fermento em pó
¼ colher (chá) de bicarbonato de sódio
¾ colher (chá) de sal
½ colher (chá) de canela em pó
½ xícara (113g) de manteiga sem sal, amolecida
1 xícara (175g) de açúcar mascavo claro – pressione-o na xícara na hora de medir

½ xícara (100g) de açúcar granulado - Eu não usei, pois achei que com 175 g de acúcar já ficaria bom. Mas inclui 1 colher de sopa de glicose (Karo ou similar) e, para o meu paladar, ficou ótimo

1 ovo grande
2 colheres (chá) de extrato de baunilha - usei açúcar de baunilha

1 banana média, madura (mas ainda firme), em pedacinhos de menos de 2cm, cortei bem menor

1 xícara de amêndoas inteiras, grosseiramente picadas que Carol substituiu por macadâmia - eu troquei por 1/2 xícara de côco ralado seco e 1/2 de passas picadas

Pré-aqueça o forno a 190ºC – você vai usar a parte central do forno para assar os cookies. Forre duas assadeiras grandes, de beiradas baixas, com papel manteiga. Eu uso as que vieram com o forno.

Numa tigela média, junte a aveia, a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal e a canela. Reserve.

Coloque a manteiga, o açúcar mascavo e a glicose na tigela grande da batedeira e, usando o batedor em formato de pá, bata para misturar, cerca de 1 minuto. Eu, assim como a Carol, bati à mão mesmo, com um pão duro.

Junte o ovo e a baunilha e bata novamente.

Acrescente os ingredientes secos reservados, 1/3 da mistura por vez, e bata só até incorporar. Misture as gotas de chocolate (eu não usei), a banana e as amêndoas (não tem problema se os pedacinhos de banana amassarem um pouquinho). Aqui eu juntei o côco e as passas.

Carol disse: A minha massa não ficou totalmente "ligada", mas deu super certo.
A minha massa ficou ligada, provavelmente por causa da glicose.

Coloque porções de 1 colher (sopa) cheia de massa nas assadeiras preparadas, deixando espaço entre uma e outra. Umedeça a palma da mãe e achate levemente cada bolinha de massa.

Levei ao forno para assar por 15 minutos, uma forma por vez.

Retirei do forno a primeira fornada e deixei esfriando. Coloquei a segunda forma para assar por 15 minutos também e em seguida fiz o mesmo com a terceira forma.

Carol diz: O rendimento foi de 30 cookies bem grandes (pelo menos para um cookie ele era bem grande, haha), do tamanho da palma da minha mão.

Eu fiz uns menores, para dar para Clara. Rendeu 37 cookies.

Caso seu forno tenha ventilador, você pode assar a 170°C por 15 minutos. Fique de olho, pois eles assam dentro desse tempo!

 

O segundo café com leite e alguns cookies e já estou de bem com a vida outra vez. A glicose eu comprei aqui mesmo no supermercado.

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23 março 2009

pedalando

Ela passeava com sua bicicleta e as pessoas achavam estranho ver um bebê andando de capacete. Chegaram a me perguntar se era realmente necessário. Sempre expliquei que ela, por ser muito pequena, não tem noção de perigo e nem de velocidade. E também que era preciso deixá-la usar para que se acostumasse, pois seria necessário para passear na cadeirinha.

Sexta meu marido chegou mais cedo e foi com a filha comprar uma cadeirinha para a bicicleta.

Pausa
Meus sogros deram a Clara um livro onde um coelhinho vai fazer compras com o pai sentado na cadeirinha da bicicleta. O coelhinho usa um capacete parecido com o dela.
Despausa

Ela voltou toda orgulhosa falando que andaria igual a Karlchen (N.T.: Karlchen é o coelhinho do livro acima)

Colocamos um casaco mais quente por causa do vento, o capacete e lá fomos nós. Claro que eu estava armada com a câmera, pronta para registrar este momento histórico na vida de Clara.

Para nossa surpresa, ela fez um escândalo, não quis sentar na cadeira. Foi preciso persuasão e rapidez, leiam: colocá-la na cadeirinha, mesmo chorando, e sair pedalando. Mal a bicicleta entrou em movimento ela riu, falou, cantou, apesar de ficar com as mãos grudadas no suéter do pai.

Consegui fazer umas fotos. Cissa, que me perdoe, tudo no automático, pois fiquei com medo dela chorar outra vez.

 


(clique na foto para ampliar)

Ontem nós fizemos outro passeio, desta vez eu acompanhei também de bicicleta. Depois de pedalarmos muito, ela soltou o suéter do pai. Fizemos uma parada para tomar café no centro da cidade e re-colocá-la na cadeirinha já foi sem choro. No retorno, já perto de casa ela balançava os braços, ria e cantava, o que é um sinal de muita alegria.

Hoje ao acordar ela falou: Clara passeou de bicicleta com o papai. Mamãe foi de bicicleta sozinha, de capacete.

Acho que ela gostou.

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