Quando a temperatura sobe e a luz do sol aumenta, a natureza inicia sua árdua tarefa de criar folhas, flores e frutos. Os poucos meses da primavera até o próximo inverno precisam ser usados por completo. E é no início da primavera que ao passear por florestas e bosques sentimos um cheiro estranho de alho no ar.
Alho? Mas eu estou só, não devo estar com um hálito tão forte assim? E o cheiro persiste. E de repente você pisa em uma folha e o cheiro aumenta.
Não é alucinação, é o famoso "Bärlauch", Allium ursinum, alho dos ursos, muito usado na antiga Europa, que está passando por uma renascença na cozinha.
A primeira vez que eu comi Bärlauch foi em 1992 num restaurante vegetariano em Ratingen, perto de Düsseldorf. Adorei o gosto, que lembra o alho, porém é mais sutil, levemente adocicado e picante ao mesmo tempo.
Relativamente perto
daqui de casa há um castelo na beira de um riacho. E na beira deste riacho tem Bärlauch. Eu já fui lá colher Bärlauch, na verdade fui lá várias vezes, pois a área é linda, meio mágica. Mas este eu comprei no supermercado, orgânico, barato e bem fresco. O preço me pegou, pois eu iria gastar muito mais de gasolina para ir até o castelo e com Clara seria difícil colher Bärlauch à beira de um riacho.

Juntei um pouquinho de suco de limão, sal grosso, pimenta do reino moída na hora, parmesão, pinhões e azeite. Cometi o pecado de passar na minha "walitta master" e acomodei em frascos previamente esterelizados.

Pecado porque pesto que se preza é feito à mão, no moedor (o socador em italiano é pesto, o verbo é pestare, por isso o nome "pesto"), com muita paciência e tempo. Tempo esse, que no caso da mãe de uma princesinha de 21 meses, que está adorando descobrir o mundo, é coisa rara.
Se for colher, cuidado para não confundir com Maiglöckchen, Herbstzeitlosen e/ou Aronstab - vide
Wikipedia e o sítio da
Uni Graz.
Vamos almoçar torta de arroz com cenoura e pesto de bärlauch. Estou só esperando a pimentinha, ups, digo a princesinha, acordar da soneca.
