Bem, pai é pai. Talvez eu não tenha conseguido passar adiante o que eu sinto. Eu simplesmente quis dizer que, mesmo ele não tendo sido paizão que eu desejava ter quando criança, eu agradeço a ele por ele ser meu pai e ter me dado tanto, mesmo sem saber ou perceber.
Aline, perdoar é um gesto de amor. Diz meu marido, que eu evito conflitos e por isso perdôo tudo. Não é verdade. A verdade é que eu tenho um coração mole e não consigo guardar resquícios de algo que já foi resolvido. No que diz respeito ao seu pai, só você pode decidir por você. Eu me senti bem melhor no dia em que vi meu pai orgulhoso de ser chamado de vovô Guiga pela filha do meu irmão. Só neste dia eu percebi, que ele não podia me amar e dar carinho do jeito que eu gostaria, pois não tinha aprendido antes. Agora depois de velho ele está descobrindo os sentimentos.
Imagine você crescer em meio aos seus irmãos numa fazenda de coco no litoral baiano, e de repente, por falta de comunicação e falsa interpretação, ser levado para viver numa outra cidade por um casal já de idade, que, apesar de inteligentes, eram dois ignorantes em matéria de carinho e amor? Imagine as dúvidas destacriança e a dureza exigida pela vida? Assim foi com meu pai. Eu não conheci meus avôs paternos. E nem os pais "adotivos" dele, mas a primeira mulher do meu pai me contou estórias mirabolantes sobre o desembargador Nicolau e Dona Esmeralda. É assim que todo mundo se refere aos "pais adotivos" de meu pai. Eu vejo no velho Guiga um exemplo de alguém que perdoa. Ele briga com as irmãs/ãos e sobrinhas/os diz que nunca mais vai falar com elas/es, mas basta acontecer algo para ele procurar ajudar. Eu vivia perguntando a ele o porque daquelas cenas de novela mexicana, se ele nunca cumpria suas palavras. Ele ria e dizia: Marcia Regina, nós somos uma família só.
Bem, ele está estável. Vamos ver se melhora e tem tempo de conhecer a/o neta/o que está para chegar.
Outra coisa que penso ter herdado de meu pai foi o gosto por peixes e frutos do mar. Ontem à noite fui com Claudia, minha amiga e madrinha de casamento, jantar num italiano perto da casa dos meus sogros. É um dos locais prediletos deles, bem simples porém aconchegante. Ontem à noite fui apresentada a um pernambucano, que está trabalhando com eles há duas semanas. Depois de rir muito com o brasileiro e o garçon, o chefe resolveu que não é mais italiano e disse para mim: "Io sono di Belén", querendo falar português. Foi cômico demais.
Pedimos uma porção de antipasti vegetariano e depois dois tipos de pasta: à amatriciana e al nero di sepia con salmone. Meu marido faz um à la amatriciana melhor do que o deles.
Mas eu simplesmente adoro espaguete al nero di sepia. Acho que combina perfeitamente com frutos do mar. A cor preta e as carnes claras de peixes e frutos do mar fazem um belo contraste. O molho de salmão foi feito com tomates, alho, cebola, creme de leite fresco e ervas frescas. Estava perfeito!

Claudia nunca tinha comido e adorou! Colocamos a conversa em dia, bebemos muita água, já que ela iria dirigir e rimos bastante. Foi ótimo sair um pouco de casa, ver outras pessoas, comer algo diferente e conversar bastante com uma amiga do peito.