14 julho 2007

receitas e truques

Meninas, parece mentira, mas muqueca ou moqueca é um dos pratos mais fáceis da culinária baiana.

O camarão deste tamanho tem no Aldi (Riesengarnelen natur) e em supermercados asiáticos. O do Aldi é mais caro, porém vem limpo. O do asiático tem que tirar o intestino!

Sônia disse que agora receita ela não dá. Ela só dará se ela puder falar pessoalmente, pois ela agora é camareira-mor da princesa Clara e não tem tempo de anotar receitas!

Minha versão é assim:

Descongele os camarões (ca. 400 g). Seque-os com papel toalha. Polvilhe-os com sal marinho!

Corte em rodelas: 2 tomates, meio pimentão verde, meio pimentão vermelho, uma cebola grande.

Pique 1 dente de alho. Pique uma cebola bem miudinha.

Numa frigideira alta (eu não tenho panela de barro!) refogue a cebola e o alho picado em um tiquinho de azeite doce. Acrescente metade dos temperos, refogue. Adicione o camarão e refogue por no máximo 9 minutos. Coloque uma xícara de leite de coco, umas duas colheres de sopa de azeite de dendê. Misture. Adicione o restante dos temperos, abafe por mais 2 minutos. Polvilhe com coentro picado. Sirva com arroz branco, molho de pimenta e farofa ou pirão - como preferir!

Teste o sal, se quiser acrescente um pouco de suco de limão.

Bom apetite.
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@Mile: O dendê eu compro em lojas africanas. É de ótima qualidade. Outra opção seria comprar em lojas de produtos brasileiros que vendem online. Aqui na Alemanha existem várias. Mas eu prefiro o dendê africano, a qualidade é melhor!

ÈPA BÀBÁ

 


Porque ontem foi sexta-feira, treze!

Saravá! Que Oxalá nos proteja. Que Omolu seja um grande pai protetor!

Minha sogra lambeu os dedos. Verdade! Se Jorge Amado a tivesse visto escreveria algo como:

"E a alemã suspirava, lambia os dedos como se estivesse na cama com um macho, se deliciando com os quitutes de D. Sônia."

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Ontem eu liguei para agradecer à tia de meu marido, por um presente que ela nos deu (uma colcha para Clarita engatinhar - agora ela tem duas, eita menininha consumista!). Conversa vai, conversa vem ela me diz:
"Você sabe que hoje foi o enterro de tia XY? Na nossa família sempre que um vai, outro vem! Já estava na hora dela, com 98 anos completos ela queria ir para onde o marido está. E já estava na hora de vocês. Foram 6 anos de espera."
E eu fiquei realmente boquiaberta, sem saber o que dizer.


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12 julho 2007

o parto - vou avisando: é longo

Magda, minha irmã, me disse uma vez: quando você tiver um filho, você descobrirá o verdadeiro significado do amor incondicional. Se durante a gravidez, meu amor já era infinito, ele hoje transcende as barreiras da Via Láctea e Clara é um buraco negro, onde meu amor se transforma em energia.

Parir é quase sempre doloroso. No meu caso, a cesariana eletiva não me deixaria sentir dor na hora do ato em si, mas o pós operatório não é nada a ser desejado - pensava eu! Chegamos ao hospital às 5:25. Encontramos com Roya e Julia, as duas enfermeiras obstetrizes, que estariam de plantão, no estacionamento do hospital. Todas duas são maravilhosas. Roya é a enfermeira obstetriz chefe do hospital e disse-me que iria estar presente durante o parto. Para a tristeza de Julia, que também queria estar presente!

Entramos e nos instalamos na chamada "sala-de-estar". Uma sala de parto com sofá, corda, bolas, pias, tapete de borracha e outras parafernálias inúteis no meu caso. Roya colocou uma cama no quarto, me deu uma daquelas camisolas de hospital, exatamente, daquelas que nos deixam de bunda de fora!, e me disse: Minha querida, daqui a pouco eu volto para lhe preparar para a operação. E para meu marido: Quer um café ou um cappuccino? Poxa, eu ali, morrendo de fome e ela oferece cappuccino pra ele na minha cara? Poderia tê-lo chamado fora do quarto!

Daí foi: me colocar sob monitoração ou seja cardiotocografia anteparto de repouso, raspar o lugar do corte, colocar-me no soro e um cateter na uretra, para que eu fosse me acostumando - disse ela! Mais ou menos uns cinco minutos depois ela voltou e nos informou, que a sala de cirurgia estaria ocupada por um tempo a mais e que minha operação seria mais ou menos às 10:30. Bem, pelo menos o soro não me deixaria com sede. A fome é mais psicológica!

Uns 15 minutos depois ela entrou e verificou se a cardiotocografia estava indo bem. E para nossa surpresa eu comecei a ter contrações fortes. Mais ou menos uma hora depois eu disse que precisaria ir ao banheiro. Lá fomos nós duas com soro e bolsa coletora de urina. Sentei e senti um líquido saindo do meu corpo. Ela mal se continha de alegria: Querida, acho que sua bolsa rasgou. Você estará entrando em breve em trabalho de parto, vamos voltar pra cama e testar. Eu tenho que avisar ao centro cirúrgico, penso que deveremos mudar de sala. Ai, ai, ai, isso é um bom sinal. É o dia certo, pensei eu, ainda tranquilona!

Roya falou com o centro cirúrgico e a sala 24 estava ficando livre. A operação em curso - uma senhora com câncer - já estava saindo. Minha médica predileta - Dra. Monica Wölfler, já tinha chegado para fazer a cirurgia, apesar de não ser plantão dela. Mas o médico chefe, Dr. Bartz, chegou e me disse que Dra. Wölfler não iria fazer minha cesária e sim o Dr. Ritgens - que eu também conhecia como especialista em ultrasonografia. Mas que tanto ele - o Dr. Bartz, quanto Dr. Wölfler estariam presentes.
Peter a esta altura já estava com o traje verde, típico de quem entra em ala cirúrgica, sapatos esterilizáveis e nervosissímo, mas emanava uma alegria ímpar.

Lá fomos nós para a ala cirúrgica. Passaram-me da cama de hospital para uma maca estreita, cobriram-me com cobertores pré-aquecidos e me levaram para a sala de cirurgia No. 24. Lá a equipe da anestesista já me esperava, colocando fios para ECG, monitoramento de respiração, oxigenação e cardiotocografia. Era como se eu estivesse participando de um balé, muito bem ensaiado. Tudo e todos em movimentos coordenados, sem pressa e com alegria. A anestesista disse-me que iria me dar um anestésico local e só então estaria dando a anestesia em si - a raquianestesia. E aí deu-se início à tortura. Ela tentou umas quatro vezes e não conseguiu me dar anestesia. Daí veio um outro médico e tentou mais quatro vezes e nada. Eu olhava para meu marido e ele estava muito quieto, o que quase não é normal quando ele me vê sofrer. Quando eu ouvi: se não der certo, será com anestesia geral, eu gelei. Mas Roya mostrou presença de espírito e disse: Chamem o Dr. XYZ, ele é especialista em anestesiar grávidas. Ela tem que ver este neném nascer. E o Dr. XYZ, de quem eu nem vi a cara direito, chegou, apalpou minha coluna, pediu uma agulha No. não sei o que e pimba, lá estava eu anestesiada. As pernas começaram a adormecer. Daí foi só mobilizar as últimas forças para me posicionar direito na maca estreita. Uma enfermeira esterilizou minha barriga - o que eu a via fazendo, mas já nem sentia e outra colocou uma espécie de lençol tapando a visão. Peter sentou-se ao meu lado e do outro a anestesista. E eu ouvi o Dr. Ritgens falar para Dra. Wölfler e Roya: Vamos começar. Eu quase gritei, esperem, vocês ainda nem testaram se a anestesia está fazendo efeito, quando Roya me informou: Você nem sentiu o Dr. Ritgens te pinicando com um alicate! Daí eu falei: Seu malvado, mas vamos começar! E em menos de cinco minutos eu ouvi um grito. Um choro de vida, que imediatamente tatuou em meu coração a palavra mãe. Lágrimas afloraram em nossos olhos e a felicidade tomou conta de nossos seres. Peter me abraçou chorando, me perguntando se eu havia ouvido o choro de nosso baby. Ouvi alguém falar é menina, ele sussurrou é menina e dissemos: é Clara!

Roya pegou-a em toalhas quentes, gritou para a anestesista soltar meu braço, deixou-me pegá-la, enquanto os neonatologistas gritavam da porta, que ela deveria levar Clara até eles. Foram segundos, eternos segundos de alegria, que persistirão até o fim da minha vida.

Sugaram o nariz e estômago de Clara e chamaram Peter, que cortou o cordão e ajudou Roya a secá-la. Fizeram o teste de APGAR (9-10-10) e enquanto isto a Dra. Wölfler me informava o que eles estavam fazendo comigo: sugando líquido aminiótico, tirando a placenta, injetando oxitocina para contrair o útero, costurando isso, costurando aquilo, injetando mais oxitocina, cortando a cicatriz antiga, costurando os músculos com laser (ih, que trocinho mal-cheiroso é carne queimada rsrs), etc. Peter voltou com ela rapidinho, tive a chance de tocá-la outra vez e lá foi ele com Roya para a "sala-de-estar", onde eu ficaria em observação.

O clima era de festa. Todos os médicos e enfermeiras me dando parabéns. O anestesista, cujo nome eu não sei, voltou e me deu parabéns. E logo eu estava prontinha para ir de encontro à minha filha. Nossa, meu coração vibra quando eu digo estas palavras. Meus olhos enchem-se de lágrimas e um sorriso aflora em minha face. Minha filha, tão amada, tão querida e esperada, que veio ao mundo para ser feliz, para fazer o bem, para ser alegre e acima de tudo amada.

Limparam-me e a Dra. Wölfler foi comigo até a saída da ala cirúrgica. Na porta ela falou: existe um comitê lhe esperando: Roya, Peter e Clara. Peter a colocou em meu colo e ela foi fuçando como um cachorro à procura do meu peito. Durante o transporte até a "sala-de-estar" ela mamou. Eu, ainda dopada da anestesia e da grande alegria, não sentia dor. Era como se uma névoa protetora nos envolvesse. Tinhámos olhos somente para o serzinho cor-de-rosa, que nos encantou com seu grito.
Entramos no paraíso. Nossos corações se elevaram em júbilo e gratidão. Temos uma estrela brilhando no céu, que estará sempre conosco. E uma agora na terra.

Clara é um anjo que veio para ajudar a alegria a ser hóspede permanente outra vez em nossa casa.

Agora eu sei o que é um amor incondicional! E agradeço a Deus por ter a oportunidade de conhecer este sentimento. Rezo para que nossa alegria seja repartida e se multiplique.
Obrigada a todos que se alegram conosco.
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Depois eu conto como foi o pós!

11 julho 2007

chegamos

Eu vou colocar aqui algumas fotos. Mais tarde voltarei para escrever, contar como foi - se é que é possível descrever o que senti e sinto. Estou muito feliz.

Minto!

Estou tão feliz, que nem encontro palavras para descrever tamanha felicidade.
Muito obrigada a todos pelos pensamentos positivos, orações, preces, despachos (rsrsrs)... e por todos os comentários aqui no blog.

Clara é uma estrela, que caiu do céu para reiluminar nossas vidas! - disse a vovó dela!