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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fome, sede e vontade de ler



O corpo necessita de combustiveis. Se precisamos de água, temos sede. De comida, temos fome. Nunca paramos de respirar. Por que nos falta uma necessidade de ler? Aliás, não há sequer um nome pra isso. Simplesmente “a necessidade de ler”. Algo como a manutenção da intelectualidade, ou da saúde do cérebro. Ler. Ler como quem mata a sede. Como quem avança sobre um prato de comida. Um copo de água bem gelada e uma Clarice. Uma lasanha e um Machado. Para todos os dias, arroz, feijão e Allan Poe. (...)
Os jovens - ah, sempre os jovens – não conseguem, ou não querem, enxergar o beneficio da leitura. Qualquer leitura. E os jovens crescem, ou ja cresceram, subletrados. Dai a pergunta: E se houvesse uma necessidade física? Penso que ainda há o que mudar na estrutura humana. Que tal essa dica? Hein? Na falta de uma terminologia melhor, fica a “fome de leitura”, ou a FOMURA.
O menino grita: “Manheee, to com uma fomura danada”. E ela vem correndo com a Ruth
Rocha que e pro menino parar de reclamar. O pai, no meio da noite, acorda com o choro do bebê.
Da a mamadeira, troca a fralda e le o Ziraldo enquanto o nenêm não consegue sozinho. O casal de namorados vai sair a noite. Jantar, choppinho ou leitura? O rapaz mais afoito sugeriria um João Ubaldo. O divorciado um Nabokov. O mais esperto um Vinicius (sim, elas ainda adoram).
E a combinacão vinho, massa e Drummond? Irresistível.
O sonho enfim se concretizaria com o obeso-literato. Aquele que, de madrugada, assalta a estante. Acha que nao faz mal um Parnasianismozinho durante as refeicões. Vai ao médico, o letricionista, que lhe passa uma dieta a base de romance. Nada muito pesado. Depois das 20 horas, so Sidney Sheldon. Mas cai em tentacão e e flagrado com “Crime e Castigo” nas mãos. A família se preocupa. Tornou-se um livrolatra. So o L.A. podera salva-lo. Nas reuniões com o grupo de viciados em literatura, ele conta sua saga: “Bem, comecei aos 10 anos. Como todo
mundo. Fadas, chapéus, narizes que cresciam. Depois eu parti pros livros menores. Mas quando você menos espera, já esta devorando um Jorge Amado numa sentada so”. Um “ooh” ecoa na sala. Senhoras comentam entre si. “Tão novinho e tao letrado, ne!”
Bibliotecas lotadas. Um silêncio ensurdecedor. Filas enormes para entrar. E muita gente morrendo de fomura. Consegue uma mesa, pede o menu.
- Por favor, me ve duas Cecilias. E pro menino pode ser um Lobato, que ele adora!!
- Senhor! Nossas Cecilias acabaram.
- O que? E o que você sugere?
- Nosso Eca e legitimo, senhor! E temos Camões.
- E que os portugueses sao caros, ne? E meu médico me proibiu Camões durante a semana.
- Algum Andrade?
- Nao sei. Nao sei. To indeciso ainda.
Depois de alguns minutos pensando e testando a paciência do rapaz que lhe servia...
- Ah, vou de Paulo Coelho mesmo que é só pra matar a fomura.

Fonte: CAMBOTA, Fabiano. Fome, sede e vontade de ler.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CUIDADO COM A LÍNGUA!!!



A LÍNGUA-PROBLEMA
Duas moças conversavam no ônibus:
- Tou com um “poblema”.
- Peraí, um “poblema” ou um “pobrema”?
- Não é a mesma coisa?
- Poblema é de matemática, ensinam na escola. Pobrema é em casa.
O marido bebe, bate na gente ...
Contaram-me isso como fato verídico, mas tem jeito de piada. Pouco
importa. No diálogo, nada inverossímil, alguém verá o retrato tragicômico de uma população iletrada.
Pode ser. Mas não é tudo. Ha algo de genial na cena. Perspicácia e sutileza se juntam, na contramão da gramática, para expressar fino discernimento. A segunda moça nos diz, a seu modo, que questões abstratas do mundo culto (poblemas) nada tem a ver com dramas cotidianos (pobremas). Exigem, portanto, palavras diferentes. Seria generalização grosseira colocar esses conceitos sob o mesmo guarda-chuva, a palavra oficial, “problema”.
A intimidade com a vida real revela nuances e, claro, estimula a diversidade semântica.
Povos berberes, com sua imemorial convivência com o camelo, dão nomes distintos a cada pata do animal. É assim que funciona. Pouco importa se essa diversidade semântica, de início,se expresse por infrações a gramática. Deturpações e corruptelas com o tempo são assimiladas, se fizerem sentido.
Perai, “poblema” ou “pobrema”?
Eis a questão. Se aprendêssemos a perceber a diferença, talvez fôssemos mais felizes.
Muito do que nos atormenta existe só no plano imaginário, como era, para os homens da
Idade Média, a iminência do fim do mundo. Um mero poblema. Sem lastro no cotidiano.
A diferenca entre “poblema” e “pobrema” talvez seja um dia definida no Houaiss ou no
Aurélio. Se e quando o vocabulário-raiz, “problema”, cair em desuso. Será lembrado em
afetados textos jurídicos e na bula de pomada Minancora. Pode acontecer. Menos provável será que os burocratas da língua desistam de unificar o português de gente de diferentes climas e fusos horários, nas mais diferentes situações. Reforma boa, mesmo, não é a ortográfica, mas a que começa no bairro. Pena que não prestem atenção no que as moças dizem. Esse e o “pobrema”.

Fonte: MODERNELL, R. Revista Língua Portuguesa – Ano 4, No 49, Novembro de 2009, p. 53. Texto adaptado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A linguagem como forma de interação entre as pessoas.


Ao trabalhar as variedades linguísticas, o educador precisa destacar alguns pontos relevantes no que se refere às questões concernentes à língua, tais como: marcas de oralidade, níveis de registro, dialeto, neologismos, entre outros.
E agora com o advento da tecnologia, esta questão precisa ainda mais ser discutida em sala de aula, pois a chamada linguagem virtual está interferindo nas produções textuais feitas pelos alunos. É uma questão de costume, algo que acontece automático, sem que eles percebam já estão adotando a linguagem reduzida, as abreviações usadas em um diálogo pelo MSN, onde tudo é rápido para que haja a plena interação entre interlocutores.
Daí surge a necessidade de enfatizar a importância do domínio da linguagem formal, pois quando se trata da escrita, esta requer total domínio por parte do falante.
Por ser um assunto muito vasto, há também uma gama variada de formas diferenciadas para trabalhar o referido conteúdo, tais como:

 Nas produções textuais, o professor poderá sugerir diversas modalidades para o texto, trabalhando a questão da linguagem informal. Ele deverá ser construído utilizando-se de um linguajar caipira, ou ainda produzir um diálogo baseado na linguagem utilizada nas salas de bate-papo, e outros.

 Promover uma dramatização explorando de um lado a linguagem formal e de outro, a informal. Para isso os atores encenarão adequando o vestuário e a linguagem a ser utilizada de acordo com a situação condizente para o momento. Neste caso, há a predominância de gírias (sem exageros e com muito bom senso) e de uma linguagem em nível mais formal.

 Quanto à questão dos dialetos regionais, é sempre bom promover uma mostra focalizando os costumes, tradições e cultura de uma forma geral, pois é uma forma de interação entre os participantes e também de transmitir conhecimentos a todos que visitarão.

Nesta mostra poderá haver exposição de comidas típicas, artesanato, danças, sarau de poesias, como é o caso da literatura de Cordel, oriunda da região nordestina.

Quando os conteúdos permitem esta diversidade, no que se refere à maneira de como explorá-los, sem dúvida os mesmos farão mais diferença no aprendizado dos alunos.

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

sábado, 19 de setembro de 2009

Nordestinês


Nordestino cabra da peste...

Nordestino não fica solteiro, ele fica solto na bagaceira!
Nordestino não vai com sede ao pote, ele vai com a bexiga taboca!
Nordestino não vai embora, ele vai pegar o beco!
Nordestino não diz concordo com você, Ele diz Né isso, homi!!!!
Nordestino não conserta, ele imenda!
Nordestino não se empolga, fica com a mulesta!
Nordestino não bate, ele senta-le a mãozada!
Nordestino não sai pra farra... ele sai pro muído, pra bagaça!
Nordestino não bebe um drink, ele toma uma!
Nordestino não é sortudo, ele é cagado!
Nordestino não corre, ele dá uma carreira!
Nordestino não malha dos outros, ele manga!
Nordestino não conversa, ele resenha!
Nordestino não toma água com açúcar, ele toma garapa!
Nordestino não engana, ele dá um migué!
Nordestino não percebe, ele dá fé!
Nordestino não sai apressado, ele sai desembestado!
Nordestino não aperta, ele arroxa!
Nordestino não dá volta, ele arrudeia!
Nordestino não espera um minuto, ele espera um pedacinho!
Nordestino não é distraído, ele é avoado, apombaiado!
Nordestino não fica com vergonha, ele fica encabulado, todo errado!
Nordestino não passa a roupa, ele engoma a roupa!
Nordestino não houve barulho, ele ouve zuada!
Nordestino não acompanha casal de namorados, ele segura vela!
Nordestino não rega as plantas, ele agoa as plantas
Nordestino não quebra algo, ele tora!
Nordestino não é esperto, ele é desenrolado!
Nordestino não é rico, ele é estribado!
Nordestino não é homem, ele é macho!
Nordestino não chama seu desalmado;, ele grita infeliz das costa ôca!
Nordestino não pede almoço, ele pede o cumê
Nordestino não come carne, ele come mistura
Nordestino não lancha, merenda!
Nordestino não fica satisfeito quando come, ele enche o bucho!
Nordestino não dá bronca, dá carão!
Nordestino não fica com raiva, ele pega ar!
Nordestino não casa, ele se amanceba!
Nordestino não tem diarréia, tem caganeira!
Nordestino não tem mau cheiro nas axilas, ele tem suvaqueira!
Nordestino não tem perna fina, ele tem dois cambitos!
Nordestino não é mulherengo, ele é raparigueiro!
Nordestino não se diverte, ele "bota pa decê"!
Nordestino não joga fora, ele rebola no mato!
Nordestino não exagera, ele alopra!
Nordestino não vigia as coisas, ele pastora!
Nordestino não se dá mal, ele se réia, se lasca todinho!
Nordestino quando se espanta não diz: - Xiiii! Ele diz: Vixi Maria! Aff maria!
Nordestino não compara dizendo: - Como é que pode? Ele diz: - Soxtô!
Nordestino não vê coisas de outro mundo, ele vê uns malassombros!
Nordestino não é escroto, é o creca! (Adoooooooooooooro!)
Nordestino não é xato, é caningado!
Nordestino não é cheio de frescura, é pantinzeiro!
Nordestino não pula, dá pinote!
Nordestino não arranja briga, arranja intriga!
Nordestina não fica grávida, fica buxuda!
Nordestino não fica bravo, fica com a gota serena!
Nordestino não é malandro, é cabra de pêia!
Nordestino não fica apaixonado, ele arrêia os pneus!!
Nordestino não diz O que é isso?!, ele diz Vareite!
Nordestino não fica nervoso, ele pega ar!

FONTE:WWW.BLOGGER.COM

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dicas de Português | Pegadinha Gramatical



"Convidam a família e os amigos a participarem da cerimônia..."


Joseleide e Anacleto convidam a família e os amigos a participarem da cerimônia de casamento de sua filha.É assim mesmo que se escreve em um convite de casamento?

O verbo convidar, no sentido de solicitar a presença de alguém, chamar, convocar exige a preposição para, e não a prep. a.

A preposição a será exigida pelo verbo convidar nos seguintes significados:

Pedir, requerer, demandar, ordenar cortesmente. Por exemplo:

Convidou-o a se retirar.

Despertar a vontade, atrair, induzir, predispor. Por exemplo:

O silêncio convidava-o à meditação.

Incitar, impelir, provocar. Por exemplo:

A injustiça convida à revolta.

Quanto ao verbo participar, o mais adequado é deixá-lo no plural, como está na frase apresentada.

A frase apresentada, então, deve ser assim estruturada:

Joseleide e Anacleto convidam a família e os amigos para participarem da cerimônia de casamento de sua filha.

POR DILSON CATARINO
E-mail: dilsoncatarino@uol.com.br

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

TEMOS QUE RE/APRENDER A LÍNGUA

O que vai acontecer:
Milhares de livros didáticos deverão ser revisados para se adaptar às novas regras. Milhões de professores terão que reaprender a língua.
Os milhões de livros revisados terão que ser reimpressos e redistribuídos. Os livros já impressos com as regras antigas irão pro lixo.
Programadores de software terão que correr para adaptar todos os corretores ortográficos da lingua portuguesa.
O que vai mudar:
Fim do trema O acento é totalmente eliminado. Assim, a palavra freqüente passa a ser escrita frequente. Eliminação de acentos em ditongos. Acaba-se o acento nos ditongos “ei” paroxítonas. Assim, idéia vira ideia.O acento circunflexo quando dois “os” ficam juntos também some. Assim, vôo vira voo.
Cai o acento diferencial Aquele acento que diferenciava palavras homônimas de significados diferentes acaba. Assim, pára do verbo parar vai ficar apenas para. ( Que confusão heim?)
Mudanças nos hifens. Sai a maioria dos hifens em palavras compostas. Assim pára-quedas vira paraquedas.Quanto houver necessidade, será dobrada a consoante. Assim contra-regra vira contrarregra. Será mantido o hífen em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h como pré-história.Em substantivos compostos cuja última letra da primeira palavra e a primeira letra da palavra são a mesma, será feita a introdução do hífen. Assim microondas vira micro-ondas.
Inclusão de letras. As letras antes suprimidas do alfabeto português (k, y e w) voltam, mas só valem para manter as grafias de palavras estrangeiras;
Fim das letras mudasEm Portugal, é comum a grafia de letras que não são pronunciadas como facto para falar fato. Essas letras somem com a reforma.
Dupla acentuaçãoHá algumas diferenças de acentuação entre o Brasil e Portugal principalmente quando se fala do acento circunflexo e agudo. Assim, os brasileiros escrevem econômico e os portugueses, económico. Essa diferença foi mantida.