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sábado, dezembro 12, 2020

Esta coisa dos dogmas da Igreja

Não é muito costume os leigos fazerem este tipo de perguntas. Embora tenhamos vindo a assistir nos leigos um progressivo afastamento da passividade eclesial, a verdade é que, até pela falta de formação religiosa que muitos têm, não costumam surpreender-nos com este tipo de perguntas. Mas a Deolinda é uma mulher culta, que lê muito e gosta que lhe expliquem as coisas de Deus e da Igreja que desconhece. E esta coisa dos dogmas, como ela disse, não as entendo muito bem. Afinal, o que são os dogmas, padre? 
Os dogmas são verdades de fé que a Igreja ensina como reveladas por Deus. Se quiser pode conferir isto no catecismo da Igreja Católica, ora deixe-me cá confirmar, entre os números setenta e quatro e noventa e cinco. São pontos firmes da nossa crença, deixe passar a expressão. Quase todos eles foram reconhecidos, como tal, em concílios, embora como resposta a heresias. E comecei a desfilar dogmas mais ou menos da seguinte forma. Os principais dogmas são: Deus é Uno e Trino; o Pai é o criador de todas as coisas; Jesus, seu Filho, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado, morto e ressuscitado pela nossa salvação; o Espírito Santo é Deus; a Igreja é una, como o Batismo é uno. E ainda: o perdão dos pecados; a ressurreição dos mortos; a existência do Paraíso, do Inferno e do Purgatório; a transubstanciação; a maternidade divina de Maria, a sua virgindade, concepção imaculada e Assunção. 
As caras que a Deolinda fazia a escutar-me denotavam o seu estado de espirito, o que acabou de revelar quando acabei. Fiquei quase na mesma, padre. Entendo que assim tenha de ser, mas não sei porque é assim. Sabe, padre, a mim os dogmas não me fazem ter nem mais nem menos fé. Nem sei bem para que é que eles servem, afinal. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "As desavenças entre a Senhora de Fátima e a Imaculada"