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segunda-feira, maio 19, 2025

As opiniões sobre o Papa

Vai ser um Papa social. Vai ser um continuador de Francisco. Vai estabelecer pontes. Vai fazer união dentro da Igreja. Vai estar atento aos pobres. Vai ser e fazer isto e aquilo e aqueloutro e mais não sei o quê. Quase toda a gente sabe que o Papa vai ser qualquer coisa. Assim temos as opiniões e os comentadores a ver qual delas ou qual deles é mais original ou acrescenta algo mais. E é quase sempre mais do mesmo. O que é preciso é preencher o espaço público com opiniões, porque hoje vive-se mais de opiniões do que de factos, isto é, as pessoas gastam mais tempo a ouvir o que os outros pensam sobre os factos do que em lidar com eles. Por isso alimentamos uma sociedade de opinion makers e influencers. Por isso a objectividade perde espaço para a subjectividade, e a verdade para o relativismo. Claro que também eu vou formulando uma opinião sobre o Papa Leão XIV e procurando intuir nas linhas e entrelinhas qual o rumo que a Igreja vai seguir. Acho natural que o Papa esteja sob o escrutínio de crentes e não crentes. Acho natural que as pessoas se expressem e se possam expressar. Mas, às vezes, também se torna cansativo estar rodeado de tantas opiniões cheias de razões e juízos de valor que parecem querer ser mais do que aquilo que são: meras opiniões. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "A sociedade irritada IV"

sexta-feira, fevereiro 21, 2025

Viver o hoje de Deus

Muito se tem especulado estes dias sobre a saúde do Papa, sobre a sua proximidade com a morte, sobre uma eventual renúncia e sobre a sua sucessão. Desde a sexta-feira passada, 14 de fevereiro, data em que o Papa Francisco foi internado com dificuldades respiratórias, que a comunicação social espera e desespera por novidades do hospital Gemelli. Sabe-se que entrou no hospital com uma bronquite causada por uma infecção polimicrobiana que resultou numa pneumonia bilateral. Pouco mais se sabe e quem sabe pouco acrescenta. No entanto, toda a praça pública sabe muita coisa. Os médicos falam, os políticos falam, os padres, os bispos e os cardeais falam. Falam sobretudo os jogadores de bancada que são sempre a maioria dos jogadores. Dizem que nos bastidores não param as movimentações. Dizem tudo e não dizem nada. Certo é que o Papa vai resistindo. Afinal, sempre foi um resistente! Também já pensei no assunto. Já o rezei. E tenho rezado pelas suas melhorias porque me parece que ainda há passos pendentes que ele está a dar e não gostaria que ficassem eternamente pendentes. Mas também confio que o mais importante é viver o hoje de Deus. Seja ele qual for, o hoje de Deus é que é o verdadeiro hoje.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "A Igreja que não é de um Papa"

terça-feira, janeiro 09, 2024

As homilias

Estava a fazer a homilia numa eucaristia de dia de semana e eu, que concelebrava, escutava. Falou ligeiramente da primeira leitura, depois do evangelho e ainda falou da solenidade do dia. Coisas vagas. Coisas. Faltou-lhe alguma lógica, mas não falou mal. Durante cerca de quinze minutos, no meio do voo das suas palavras, voaram também os meus pensamentos. 
É muito comum que nós, padres, falemos coisas nas homilias. Coisas. Não actualizamos a Palavra de Deus, que é o objectivo da homilia. Não falamos para as pessoas que nos escutam, isto é, não comunicamos. E costumamos complicar as palavras. Poucos as entendem. Menor número ainda são os que as levam para a vida. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Falar de Deus e com Deus"

quarta-feira, novembro 29, 2023

Ter que fazer diferente

Vivemos no tempo das palavras que toda a gente tem que dizer e das opiniões que se têm de dar. Proliferam notícias, reportagens, entrevistas, artigos de opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Aliás, parece-me que nunca como hoje os artigos de opinião ocuparam tanto espaço na comunicação social, assim como o direito de contraditório, isto é, artigos a falar de alguém que contrasta o que outro afirmou ou que defende uma ideia que outro contrastou. Ora, como a Igreja existe num aqui e agora, ou seja, nesta sociedade e nesta história, sofre dos mesmos males. 
Esta introdução vem a propósito dos chavões que cansam, das mesmas frases que se ouvem anos seguidos de gente que supostamente descobriu que na pastoral se tem de fazer diferente, embora quase nunca se diga que diferença é essa a que se refere essa opinião. Toda a gente parece vir a público com a consciência de que as coisas estão mal e que há que fazer diferente. Mas até nesse ‘dizer’ se mantém tudo na mesma. É o mesmo 'dizer' de sempre. Faltam rasgos. Faltam verdadeiros pensadores práticos, objectivos, assertivos, que ousem arriscar horizontes, mas que, sobretudo, ponham mãos à obra, sujem as mãos nessa obra, se gastem, ao menos, a tentar, sem certezas, mas com a consciência de que o caminho só se faz caminhando e que as palavras podem ser apenas isso, palavras. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Às vezes sinto que não escolhi o meu destino"

domingo, novembro 05, 2023

As mulheres no sínodo

A XVI Assembleia do Sínodo dos Bispos, ocorrida entre 4 e 29 de outubro deste ano de 2023, teve substanciais novidades em relação às anteriores assembleias. A inclusão de mulheres, ainda por cima com direito a voto, foi uma das mais notáveis. Dos 365 participantes, 54 eram mulheres, todas elas com direito a voto. No entanto, quando, durante a assembleia, se falou do papel das mulheres na Igreja, a discussão foi renhida e, na hora das votações, foi a temática que obteve mais votos negativos, embora com os votos positivos necessários para ser aprovada. Dos 344 participantes presentes na congregação geral conclusiva, 69 foram desfavoráveis. Foi sobretudo o potencial acesso das mulheres ao ministério diaconal que causou dificuldades. Uns foram contrários, porque consideram estar em descontinuidade com a Tradição, e outros favoráveis, porque consideram ser um regresso a uma prática da Igreja das origens. 
Já manifestei publicamente que não me parece essencial a ordenação de mulheres, seja diaconal ou sacerdotal, assim como também não sou contra que se dê esse passo, pois uma das coisas que mais valorizo na Igreja que defendo é a comunhão de diferentes em pé de igualdade. O que me parece é que, às vezes, se reduz o assunto a uma questão de emancipação da mulher e isso, a meu ver, seria reduzir o assunto a questões secundárias. Assim como desejo que esta aspiração das mulheres ao sacerdócio ministerial não seja mais uma forma dissimulada de clericalismo, isto é, uma forma de as mulheres também terem acesso ao poder eclesiástico. Seria atacar o clericalismo com outro clericalismo.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "A Igreja das mulheres"

domingo, outubro 29, 2023

Aprendemos a sinodalidade fazendo sinodalidade

Aos participantes da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos deste mês de outubro foi pedida discrição e que não relatassem para fora o que se passava dentro. Fiquei agradado com esta tentativa de evitar mexericos, embora se tenha de reconhecer que não seria possível evitá-los totalmente. Leio por aí artigos, comentários, notas de bastidores. Um destes textos chamou-me particular atenção porque falava de algumas tensões nas mesas dos participantes. Contava, por exemplo, que um bispo não aceitara ser fotografado ao lado de um padre com quem tivera acesas discussões. Outro bispo, que fazia de secretário numa das mesas, ao dar conta da observação atenta de um padre por cima do seu ombro, ameaçara com expulsá-lo da sala. Atitudes que demonstram que o mais importante deste sínodo não são os resultados mas a experiência. Na Igreja não estamos treinados para nos escutarmos em pé de igualdade, a igualdade fundamental do baptismo. Como era expectável, o mesmo texto informava que os participantes da assembleia reconheciam que os leigos presentes eram os mais versáteis na prática da sinodalidade. Não me admira que tenha sido difícil sobretudo aos que mais estão habituados a mandar e a não sentirem o exercício do contraditório. O sínodo ainda não terminou, mas esta assembleia deu um passo sinodal porque, na verdade, nós aprendemos a sinodalidade, fazendo sinodalidade.

A PROPÓSITO OU A DESPORPÓSITO: "Clericalidade da Igreja"

quinta-feira, outubro 26, 2023

‘chão mi de mani’

O castiço ocorreu novamente numa das minhas missas, por sinal num dos momentos de maior silêncio. Era também uma sexta-feira, dia da semana em que a Rádio Comercial faz um programa que habilita um dos participantes inscritos a receber uma quantia avultada de dinheiro se, ao receber o desconhecido telefonema da rádio, responder ‘show me the money’, na tradução evidente ao português de ‘chão mi de mani’. Pois no fatídico momento de silêncio não é que toca um telefone e se ouve uma senhora a dizer ‘Quem fala?’ E ao alucinado do padre só veio à ideia que um dia destes ainda alguém no meio da missa há-de atender o telefone e dizer, alto e bom som, ‘chão mi de mani’. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "Quem canta, seu mal espanta"

terça-feira, outubro 17, 2023

Um sínodo ‘redondo’

Nunca antes um Sínodo dos Bispos no Vaticano viu cardeais, bispos, padres, leigos, incluídas mulheres, reunidos em mesas redondas para discutir, ouvir, reflectir em conjunto e discernir o futuro da Igreja. As sessões plenárias dos anteriores sínodos decorriam num anfiteatro, com a mesa da presidência, num palco, voltada para o público que estava disposto em filas, de acordo com a respectiva posição na hierarquia. Na Assembleia Sinodal que está a decorrer em Roma, os participantes, sem distinções hierárquicas, encontram-se, olhos nos olhos, em pequenos grupos, sentados em mesas redondas. Todos podem falar dentro destes pequenos grupos e são livres de fazer apresentações escritas ao secretariado. Foi muito interessante ver nesta assembleia sinodal o Papa Francisco sentado à volta de uma destas mesas redondas. O ‘redondo’ explica melhor a comunhão que devia viver a nossa Igreja que é de todos. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "O Papa que faz hoje anos"

terça-feira, outubro 10, 2023

A minha expectativa do sínodo

Quando em 10 de outubro de 2021 o Papa Francisco abriu o sínodo sobre a sinodalidade, ninguém tinha a certeza do seu alcance. Sabia-se que seria algo importante na Igreja, ao menos, pela sua duração e pelas etapas estrategicamente propostas: local, continental e universal. As expectativas atingiram de imediato os chamados progressistas e conservadores dentro da Igreja. Os primeiros, entusiasmados, a pensar que se iriam mudar muitas regras e leis, e os segundos, preocupados, a pensar exactamente no mesmo. Que o sínodo é importante, atesta-o o facto de, entretanto, o Papa ter decidido prolongar em mais um ano a sua duração e em promover duas assembleias sinodais. Os temas que a comunicação gosta de badalar são capa. Os jornalistas não perdem a oportunidade para insistir na ordenação de mulheres, a bênção de casais LGBTQIA+, a alteração do celibato, entre outros assuntos sensíveis similares. Muita atenção se tem centrado nestes assuntos, na expectativa do que poderá vir a suceder. 
Desde outubro de 2021 que tenho acompanhado com atenção este processo. Foi-me dada a oportunidade de liderar algumas reflexões e pronunciamentos. Vou lendo o que o Papa vai dizendo, assim como alguns teólogos que aprecio. Acompanho as notícias. Rezo a Deus pelos bons frutos de tudo o que está a ser feito. Rezo bastante. Mas rezo sobretudo a pedir ao Senhor Deus que ajude os cristãos, todos eles, sem exclusão, a perceber, de uma vez por todas, que a Igreja somos todos nós. Se este sínodo apenas tivesse servido para isto, eu já ficava muito satisfeito. Todos na Igreja temos igual dignidade e missão. O que difere é o modo como o fazemos.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Clericalidade da Igreja"

quinta-feira, junho 15, 2023

uma confissão do arco da velha

Uma senhora foi-se confessar e levou consigo, para desabafar, um problema que a afligia muito. Pediu ao senhor padre que não contasse a ninguém. Claro que não era necessário o pedido, porque a confissão é absolutamente sigilosa. O segredo da confissão é inviolável. No entanto, a senhora fez questão de o salientar. Aliás, repetiu várias vezes a recomendação. E o senhor padre cumpriu, como é seu dever natural. Contudo, passados uns tempos – não muitos, por sinal – o mesmo padre ouve uma outra pessoa falar do problema da tal senhora, faz-se de desentendido, e ainda tem de ouvir um ‘O senhor padre sabe, claro que sabe, não se faça de desapercebido, pois ela conta a toda a gente que o senhor padre sabe porque lhe contou’. Ele há cada uma! 
 
A PROPOSITO OU A DESPROPÓSITO: "Um café com sabor a Deus"

quarta-feira, dezembro 07, 2022

Deus não me ouve!

Uma familiar, um pouco aflita com algumas situações difíceis da sua vida, contactou-me por telefone, e o desabafo, que foi prolongado, terminou assim. Reza lá por mim, que a mim Deus não me ouve. E repetiu num tom de voz mais apagado, a deixar de se ouvir. Reza lá por mim, que a mim Deus não me ouve. Lembrei-me de perguntar-lhe se tem rezado, e ela respondeu-me que não. Que não tem rezado praticamente nada. Ora, pois então como é que Deus a há-de ouvir, pensei eu para os meus botões! E em tom de galhofa, que originou umas boas gargalhadas e aliviou a tensão, lá lhe disse. Então como queres que Ele te ouça se tu não falas com Ele!

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "De rabo para o ar"

quarta-feira, fevereiro 16, 2022

A pandemia está a retirar-nos alguns bairrismos escusados

Uns dizem que a pandemia está a acabar e outros que está para durar. Uns dizem que a vida tem de continuar e outros ficam a vê-la passar. E algo similar se passa dentro da Igreja, onde se dá conta de uma série de mudanças que a pandemia tem desvelado e de uma série de mudanças que se têm tornado ainda mais urgentes. Diz-se que o mundo não mais será o mesmo depois desta pandemia. Eu digo que a Igreja ou a sua acção não voltará a ser igual. Tenho pensado muito nisto. Tenho reflectido e amadurecido algumas posturas e pastorais. E reconheço que, quase naturalmente, alguns pequenos processos vão-se tornando parte de uma grande conversão. Pelo menos nas comunidades que, pastoralmente falando, coordeno. Dou alguns exemplos. 
Nalgumas das minhas comunidades mais pequenas, a missa destes últimos tempos tem sido quando é possível, ou seja, quase sempre fora do fim-de-semana. Não têm reclamado não terem missa no Domingo e aceitam a possibilidade que lhes é oferecida. Talvez tenham aprendido que o Domingo é o dia do Senhor, mas que em qualquer dia podemos celebrar a Páscoa do Senhor. 
Nalgumas das comunidades maiores, as pessoas vão-se sentando, à medida que entram na igreja, nos lugares que lhes são indicados pelos ministros do acolhimento, e não no lugar a que se habituaram e que preferiram ou a que se acomodaram durante anos como um direito adquirido. 
Há paroquianos que, cada vez mais, começam a ir à Eucaristia da paróquia maior, porque sabem que ali há sempre eucaristia. A mobilidade que usam para o comércio, usam agora para a celebração da fé. 
A comunicação saiu da Igreja, para além do púlpito, e começou a ser mais usual e visível em outros âmbitos, sobretudo as plataformas virtuais e digitais. Dizem-me que a comunicação está muito melhor e menos fechada. 
Dá-me a sensação de que os ritmos e hábitos dos fiéis estão a ser reconfigurados com uma certa naturalidade. A pandemia está a retirar-nos alguns bairrismos escusados. E está a alargar os nossos horizontes.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "A pandemia descristianizante"

terça-feira, setembro 21, 2021

uma instituição vazía, ainda que cheia de actividades

Pode-se afirmar que a Igreja sempre foi prolífera em iniciativas pastorais. Nos últimos anos,  desde o Concílio Vaticano II, esta forma de se viver em Igreja cresceu exponencialmente. A denominada Nova Evangelização, ideia bastante interessante na sua génese mas parca na sua prática, incrementou a criatividade pastoral. E estes tempos pós-modernos, voláteis, líquidos e plurais, são tempos que privilegiam, mesmo social e culturalmente, o excesso de actividade e de comunicação. A Igreja apenas vai na onda e por isso - desde as Igrejas particulares à Igreja universal representada pelo Vaticano - vive envolta de livros, notas pastorais, congressos, palestras, eventos religiosos e afins. 
No meio de tanta iniciativa pastoral, sobra pouco espaço para se viver aquilo que se prega. Sobra pouco espaço para o testemunho, essa acção discreta, diária e simples de mostrar que Cristo é a razão de viver por excelência. Dizia Paulo VI que “O ser humano moderno precisa de ver como se vive, mais que ouvir dizer como se deve viver”. 
A Igreja do futuro ou será uma “Igreja Testemunho” ou será cada vez mais uma instituição vazía, ainda que cheia de actividades. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "Quer ser padrinho"

quarta-feira, agosto 11, 2021

A geração digital e a fé sem interesse

Durante largos anos, a Igreja, como “sociedade perfeita”, colocava o acento na firmeza e rigor doutrinal para dar credibilidade a si mesma. Nos últimos anos, porém, surgiu uma visão no sentido oposto, uma visão mais atenta aos sinais dos tempos. Por isso tem havido um esforço, e bem, para melhorar e modernizar a comunicação. No entanto, estamos a dirigir-nos para uma comunicação sem real comunicação. 
As novas gerações vivem na internet. Vivem nas redes sociais, visualizam influencer’s e gastam o tempo a receber comunicação que seleccionam nos seus interesses. E se nunca houve uma comunicação tão global como agora, também nunca houve tanta dificuldade em nos fazermos escutar. Tudo parece ruido. E no meio do ruído, até o que não o é, parece somente um ruído. 
É certo que hoje não se conseguiria chegar às novas gerações se a nossa comunicação fosse apenas como era antigamente. O problema, porém, persiste, porque o digital não cria interesse se este não existe. E para existir interesse, este tem de se suscitar no meio de milhares de interesses que se confundem. É bastante difícil transmitir a fé em tempos de uma confusão global de comunicações maioritariamente virtuais. A fé é sobretudo relacional, e no mundo virtual o relacional é mais fictício que verdadeiro lugar de afectos. 
Parece-me que a Igreja, neste sentido e como um todo, tem-se vindo a deparar com grandes dificuldades em fazer passar uma mensagem que não seja light, porque quer agradar, ou enfadonha, porque demasiado agreste. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "Amizades especiais"