Quando a Catarina, no meio da conversa sem pretensões, afirmou que a Igreja estava contra a ciência e que havia um conflito de poder entre ambas, o meu estado de admiração quase me emudeceu. Pensava eu que, nesta sociedade pós-moderna, o ensino escolar já ultrapassara a ideia descabida desta tolice. O conflito foi alimentado pela famosa “ilustração” que pretendia convencer que a ciência foi uma conquista perante o cristianismo que enganava as pessoas, as reprimia e as levava à ignorância e estagnação. Contudo, o diálogo entre a Igreja e a ciência tem evoluindo imenso e hoje parece-me que ainda pensar deste maneira é completamente descabido.
Para alunos que se contentam com aprendizagens acríticas, convém recordar algumas coisas que a sociedade deve à Igreja. Por isso lembrei à Catarina que a civilização ocidental deve à Igreja o sistema universitário, as ciências, os hospitais, o direito internacional, bastantes princípios do sistema jurídico e os valores da constituição, entre muitas outras coisas que proporcionaram ao homem o seu progresso. A própria revolução científica fez-se com grandes contributos da Igreja, muitos deles padres, como por exemplo Copérnico, Nicolau Steno, Grimaldi, Lemaitre, Riccioli.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Hoje em dia"