Espiritualizando



Fé Racional

"Em lugar da fé cega que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inquebrantável senão aquela que pode olhar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade. À fé é necessária uma base, e essa base é a inteligência perfeita daquilo que se deve crer; para crer não basta ver, é necessário, sobretudo, compreender. A fé cega não é mais deste século; ora, é precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque ela quer se impor e exige a adição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre arbítrio." (O Evangelho Segundo o Espiritismo.)

Espiritualize-se...

Sábio é aquele que a tudo compreende e nada ignora. Deus não impôs aos ignorantes a obrigação de aprender, sem antes ter tomado dos que sabem o juramento de ensinar.

Nenhum mistério resiste à fragilidade da Luz. Conhecer a Umbanda é conhecer a simplicidade do Universo.



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sexta-feira, 29 de março de 2013

Judas Iscariotes - Por Humberto de Campos




Silêncio augusto cai sobre a Cidade Santa. A antiga capital da Judéia parece dormir o seu sono de muitos séculos. Além descansa Getsêmani, onde o Divino Mestre chorou numa longa noite de agonia, acolá está o Gólgota sagrado e em cada coisa silenciosa há um traço da Paixão que as épocas guardarão para sempre. E, em meio de todo o cenário, como um veio cristalino de lágrimas, passa o Jordão silencioso, como se as suas águas mudas, buscando o Mar Morto, quisessem esconder das coisas tumultuosas dos homens os segredos insondáveis do Nazareno.

Foi assim, numa destas noites que vi Jerusalém, vivendo a sua eternidade de maldições.

Os espíritos podem vibrar em contato direto com a história. Buscando uma relação íntima com a cidade dos profetas, procurava observar o passado vivo dos Lugares Santos. Parece que as mãos iconoclastas de Tito por ali passaram como executoras de um decreto irrevogável. Por toda a parte ainda persiste um sopro de destruição e desgraça. Legiões de duendes, embuçados nas suas vestimentas antigas, percorrem as ruínas sagradas e no meio das fatalidades que pesam sobre o empório morto dos judeus, não ouvem os homens os gemidos da humanidade invisível.

Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.

- Sabe quem é este? – murmurou alguém aos meus ouvidos. – Este é Judas.

- Judas?!...

- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram, volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir à Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...

Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, porém, e a santa humildade de seu coração, ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.

-O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariot?

– Sim, sou Judas – respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica. Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...

- É uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?

- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e às tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder já que, no seu manto de pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que aliás apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.

- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?

- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte trágica submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentido na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...

- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.

- Sim... Estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na Cruz entregando a Deus o seu destino... Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.

Quanto ao Divino Mestre – continuou Judas com os seus prantos – infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços em todos os padrões do ouro amoedado...

- É verdade – concluí – e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-LO.

Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.

Recebida em Pedro Leopoldo a 19 de abril de 1935
Do livro Crônico de Além Túmulo. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

domingo, 9 de setembro de 2012

Autodesobsessão



Se você já pode dominar a intemperança mental...

Se esquece os próprios constrangimentos, a fim de cultivar o prazer de servir...
Se sabe cultivar o comentário infeliz, sem passá-lo adiante...
Se vence a indisposição contra o estudo e continua, tanto quanto possível, em contato com a leitura construtiva...

Se olvida mágoas sinceramente, mantendo um espírito compreensivo e cordial, à frente dos ofensores...

Se você se aceita como é, com as dificuldades e conflitos que tem, trabalhando com tudo aquilo que não pode modificar...

Se persevera na execução dos seus propósitos enobrecedores, apesar de tudo que se faça ou fale contra você...

Se compreende que os outros têm o direito de experimentar o tipo de felicidade a que se inclinem, como nos acontece...

Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados...

Se é capaz de sofrer e lutar na seara do bem, sem trazer o coração amargoso e intolerante...

Então, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da autodesobsessão.


Autor: André Luiz - Psicografia de Chico Xavier. Livro: Passos da Vida

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Não estamos a Sós



Para se compreender bem o título deste artigo, devemos começar dizendo que a morte nada retira nem acrescenta do espírito desencarnado.

Quando alguém deixa esta vida leva para o outro lado todo o patrimônio (espiritual) que acumulou em vidas passadas, acrescidas das conquistas feitas na sua última existência na carne.

Assim, se a morte deixa intacto o patrimônio moral e intelectual de um espírito, também preserva os seus gostos e as particularidades de seu caráter.

Desta maneira, o intelectual desencarnado continua a frequentar as bibliotecas, os salões de palestras e conferências, as universidades e outros locais afinados com ele; o espírito que gostava de arte pode prosseguir frequentando teatros, salas de pintura e até mesmo cinema. O sexófilo, por seu lado, busca secar as suas antigas paixões carnais nos "inferninhos", nos prostíbulos; nos lugares onde se fazem trocas de casais, nos motéis e assim por diante. Os antigos alcoólatras vagueiam nos bares em busca de afins, bêbados inveterados, que serão dominados por eles e se transformarão em canecos vivos desses espíritos infelizes.

Poder-se-ia perguntar:

Qual a utilidade de uma informação como essa? A resposta não é difícil: estamos vivendo em um universo repleto de vida espiritual invisível. É como disse o apóstolo Paulo de Tarso: "somos vigiados por uma nuvem de testemunhas, testemunhas do bem e testemunhas do mal."

Esses espíritos desencarnados que continuam a agir como se vivos estivessem, representam o papel de colaboradores, verdadeiros Anjos-da-Guarda caso sejam bons, mas temíveis "demônios"- obsessores (quando maus) que nos espreitam para tirar de nós seu proveito.

Esses seres do mundo invisível são atraídos para ambientes e situações com que se encontram afinizados e essas atrações acontecem através de uma espécie de cumplicidade entre as ondas mentais que lançamos no espaço.

Essas ondas podem entrar em sintonia com bons ou maus espíritos. Somos motivados ou mesmo intuídos a agir corretamente e a produzir boas obras. Em caso contrário, as nossas ondas mentais pesadas, densas, negativas, entram em contato com espíritos da mesma faixa vibratória. Com esta sintonia tendemos a praticar o mal sugerido pelos desencarnados com quem mantemos cumplicidade.

Esse fato explica com bastante clareza a violência que vemos com tristeza todos os dias em nossa sociedade contemporânea; vítimas desta espécie de espíritos, as pessoas (muitas delas médiuns indisciplinados e ignorantes na espiritualidade) tornam-se joguetes dos obsessores e praticam todas as espécies de crimes. São esses espíritos que a tradição mais antiga denominou demônios, trasgos, duendes e que se encontram entre os mais diversos povos e nas mais diversas épocas. Embora eu tenha usado o termo vítima para classificar aquele que permite ter a sua mente invadida por um espírito imperfeito, a bem da verdade essa "vítima" nada tem de inocente, pois foi ela que, com seus maus pensamentos, sua invigilância, chamou para perto de si este tipo de espírito.

Essas perturbações, em alguns casos, são tão graves que o obsediado é classificado como mentalmente insano e internado em um nosocômio com o diagnóstico de esquizofrenia ou outro rótulo usado pela  Psiquiatria. As pessoas que são detentoras deste tipo de conhecimento correm menor risco de sofrerem um processo objetivo uma vez que aprenderam a importância de cuidar para que seus pensamentos se mantenham em um nível mais alto, impedindo que espíritos impuros dele se aproximem e o tomem para si. Falando sobre a mútua influência entre encarnados e desencarnados, anota André Luiz:

"-Aqui, André, observa você o trabalho simples da transmissão mental e não pode esquecer que o intercâmbio do pensamento é movimento livre do Universo. Desencarnados e encarnados, em todos os setores de atividade terrestre, vivem na mais ampla permuta de idéias. Cada mente é um verdadeiro mundo de emissão e recepção e cada qual atrai os que lhe assemelham. Os tristes agradam os tristes, os ignorantes se reúnem, os criminosos comungam na mesma esfera, os bons estabelecem laços recíprocos de trabalho e realização"
Este texto confirma todas as coisas que dissemos até aqui, ou seja, que somos constantemente assediados por um grande número de espíritos desencarnados bons e maus. Mais à frente, neste mesmo livro, encontramos um exemplo de uma pessoa que por sua conduta espiritualizada não permite ser assediada por espíritos infelizes. Vamos conhecer este texto:

"Ela conserva ainda o seu vaso orgânico na mesma pureza com que o recebeu dos benfeitores que lhe prepararam a presente encarnação. Ainda não foi conduzida ao plano das emoções mais fortes e as suas possibilidades de recepção, no domínio intuitivo, conservando-se claras e maleáveis. Suas células ainda se encontram absolutamente livres de influências tóxicas; seus órgãos vocais, por enquanto, não foram viciados pela maledicência, pela revolta, pela hipocrisia; seus centros de sensibilidade ainda não sofreram desvios até agora; seu sistema nervoso goza de invejável harmonia e o seu coração envolvido em bons sentimentos, comunga com a beleza das verdades eternas através da crença sincera e consoladora."

Esta descrição denota a antítese entre a pureza e a impureza, entre a luz e as trevas. O personagem em questão não pode sofrer o assédio e muito menos a posse de espíritos impuros porque está inteiramente limpa e os espíritos impuros detestam a pureza na mesma proporção com que amam o vício e a podridão. Assim, quando um espírito ignorante se aproxima de um espírito que se encontra escudado no bem, ele se afasta.
Trabalhemos, pois, meus irmãos, para fazer uma faxina em nosso interior e, tornando-o limpo, não teremos porque temer os espíritos obsessores.

Livro "Missionários da luz", pags 56 e 58 - psicografia de Chico Xavier, pelo espírito Andre Luiz


        Por José Carlos Leal

Ouça os Pontos da Linha de Esquerda da Umbanda

A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho. Caboclo Índio Tupinambá.

Caboclo Índio Tupinambá

Caboclo Índio Tupinambá
"...Onde quer que Você esteja... meu Menino... Estarei Sempre com Você... Anauê!"

Luz Crística

Pense Nisso...

"Estudo, requer meditação. A meditação leva a conclusões. E as conclusões fazem com que as pessoas modifiquem os seus hábitos e suas atitudes" – Dr. Hermann (Espírito) por Altivo Pamphiro (Médium)

Obras Básicas da Doutrina Espírita - Pentateuco Espírita

O Livro dos Espíritos - Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec. O Livro dos Médiuns - Contendo os ensinamentos dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Em continuação de "O Livro dos Espíritos" por Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo - Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida por Allan Kardec. Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade. Fé raciocinada é o caminho para se entender e vivenciar o Cristo. O Céu e o Inferno - Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte por Allan Kardec. "Por mim mesmo juro - disse o Senhor Deus - que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva". (EZEQUIEL, 33:11). A Gênese - Os milagres e a predições segundo o Espiritismo por Allan Kardec. Na Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
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