O Maior...



Ainda e sempre, a vaidade humana prossegue na caça incessante aos títulos máximos na Terra.


Cartazes da imprensa e programas teleradiofônicos na atualidade cogitam de campeões variados que brilham, passageiros, na ribalta do mundo.


O maior pensador...

O maior cientista...

O maior industrial...

O artista maior...


E o campo de realizações terrestres, copiando-lhes o impulso, apresenta com garbo os seus expoentes mais altos...


O maior arranha-céu...

O maior transatlântico...

O maior espetáculo...

A fortuna maior...


Todavia, semelhantes pruridos de evidência terrestre não são novos.


Há quase vinte séculos, surgiam eles igualmente no colégio dos seguidores humildes do Senhor.


Nem mesmo os aprendizes do Evangelho, despretensiosos e simples conseguiram fugir à tentação do destaque pessoal.


Eles próprios, na antevisão do paraíso, indagaram do Mestre, com desassombro inconsciente:

- Quem seria o maior no Reino dos Céus?


E a resposta do Cristo, ainda hoje, é um desafio à nossa fé.


O maior no Reino do Amor será sempre aquele que se fizer o servo infatigável de todos, aquele que, em se esquecendo, oferece aos outros a própria alegria que não possui, e que, em se ajustando à máquina do bem, possa apagar-se, contente e anônimo, atendendo, no lugar que lhe é próprio, a tarefa que o Senhor lhe determina...


Se procuras a comunhão com Jesus, onde estiverdes, olvida a ti mesmo pela glória de ser útil.


Ajuda, aprende, ampara, compreende, crê e espera cada dia...


E, servindo sempre, encontrarás com o Mestre Divino a felicidade perfeita, penetrando com Ele o segredo sublime da cruz, pelo qual, em se rendendo à suprema renúncia, fez-se a luz das nações e a esperança da Humanidade inteira.



Por: Emmanuel

Livro: Taça de Luz

Psicografia: Chico Xavier



Bem-aventurados os pobres de espírito




Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”

(São Mateus, V:3)


O que se deve entender por pobres de espírito


A incredulidade se diverte com esta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como com muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos, mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos.


Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus. Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos seus mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável.


Se não admitem o mundo invisível e um poder extra humano, não é porque isso esteja fora do seu alcance, mas porque o seu orgulho se revolta à ideia de alguma coisa a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer do seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível. Atribuem-se demasiada inteligência e muito conhecimento para acreditarem em coisas que, segundo pensam, são boas para os simples, considerando como pobres de espírito os que as levam a sério.


Entretanto, digam o que quiserem, terão de entrar, como os outros, nesse mundo invisível que tanto ironizam. Então seus olhos se abrirão, e reconhecerão o erro. Mas Deus, que é justo, não pode receber da mesma maneira aquele que desconheceu o seu poder e aquele que humildemente se submeteu às suas leis, nem aquinhoá-los por igual.


Ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples. Jesus ensina que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que acreditar mais em si mesmo do que em Deus. Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus, e o orgulho entre os vícios que Dele nos afastam. E isso por uma razão muito natural, pois a humildade é uma atitude de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele. Mais vale, portanto, para a felicidade do homem, ser pobre de espírito, no sentido mundano, e rico de qualidades morais.


Do 'Evangelho Segundo o Espiritismo' – Allan Kardec (Capítulo 7)


O que importa



Não importa:


que a ventania da incompreensão nos zurza o caminho;


que a ignorância nos apedreje;


que a injúria nos aponte ao descrédito;


que a maledicência nos receba a jarros de lama;


que a intriga nos envolva em sombra;


que a perseguição nos golpeie;


que a crítica arme inquisições para condenar-nos;


que os obstáculos se multipliquem, complicando-nos a jornada;


que a mudança de outrem nos relegue ao abandono;


ou que as trevas conspirem incessantemente, no objetivo de perder-nos.


Importa nos agasalhemos na paciência;


que nos apliquemos à desculpa incondicional;


que nos resguardemos na humildade, observando que só temos e conseguimos aquilo que a Divina Providência nos empreste ou nos permita realizar;


que nos cabe responder ao mal com o bem, sejam como sejam as circunstâncias;


e que devemos aceitar a verdade de que cada coração permanece no lugar em que se coloca e que, por isso mesmo, devemos, acima de tudo, conservar a consciência tranquila, trabalhar sempre e abençoar a todos, procurando reconhecer que todos somos de Deus e todos estamos em Deus, cujas leis nos julgarão a todos, amanhã e sempre, segundo as nossas próprias obras.


Emmanuel

In: 'Coragem' - Francisco Cândido Xavier


A Família e a Lei da Reencarnação



ONTEM, atraiçoamos a confiança de um companheiro, induzindo-o à derrocada moral.


HOJE, guardamo-lo na condição do parente difícil, que nos pede sacrifício incessante.


ONTEM, abandonamos a jovem que nos amava, inclinando-a ao mergulho na lagoa do vício.


HOJE, têmo-la de volta por filha incompreensiva, necessitada do nosso amor.


ONTEM, colocamos o orgulho e a vaidade no peito de um irmão que nos seguia os exemplos menos felizes.


HOJE, partilhamos com ele, à feição de esposo despótico ou de filho-problema, o cálice amargo da redenção.


ONTEM, esquecemos compromissos veneráveis, arrastando alguém ao suicídio.


HOJE, reencontramos esse mesmo alguém na pessoa de um filhinho, portador de moléstia irreversível, tutelando-lhe, à custa de lágrimas, o trabalho de reajuste.


ONTEM, abandonamos a companheira inexperiente, à míngua de todo auxílio, situando-a nas garras da delinqüência.


HOJE, achâmo-la ao nosso lado, na presença da esposa conturbada e doente, a exigir-nos a permanência no curso infatigável da tolerância.


ONTEM, dilaceramos a alma sensível de pais afetuosos e devotados, sangrando-lhes o espírito, a punhaladas de ingratidão.


HOJE, moramos no espinheiro, em forma de lar, carregando fardos de angústia, a fim de aprender a plantar carinho e fidelidade.


À frente de toda dificuldade e de toda prova, abençoa sempre e faze o melhor que possas.


Ajuda aos que te partilham a experiência, ora pelos que te perseguem, sorri para os que te ferem e desculpa todos aqueles que te injuriam...


A humildade é a chave de nossa libertação.


E, sejam quais sejam os teus obstáculos na família, é preciso reconhecer que toda construção moral do Reino de Deus, perante o mundo, começa nos alicerces invisíveis da luta em casa.


Emmanuel

Amor e Vida em Família” - Chico Xavier


Convite à Humildade



Os que são incapazes de consegui-la identificam-na como fraqueza.


Os pessimistas que chafurdam no poço do orgulho ferido e não se dispôem à luta, detestam-na, porque se sentem incapazes de possuí-la.


Os derrotistas utilizam-se da subestima para denegri-la.


Os fracos, falsamente investidos de força, falselam-lhe o significado, deturpando-lhe a soberana realidade.


Porque muitos não lograram vivê-la e derraparam em plenos exercícios, desconsideram-na.


Ela, no entanto, fulgura e prossegue.


Sustenta no cansaço, acalenta nas dores, robustece na luta, encoraja no insucesso, levanta na queda... Louva a dor que corrige, abençoa a dificuldade que ensina, agradece a soledade que exercita a reflexão, ampara o trabalho que disciplina e é reconhecida a todos, inclusive aos que passam por maus, por ensinarem, embora inconscientemente, o valor dos bons e a excelência do bem.


Chega e dulcifica a amargura, balsamizando qualquer ferida exposta, mesmo em chaga repelente.


Identifica-se pela meiguice, e, sutil, agrada, oferecendo plenitude, quando tudo conspira contra a paz de que se faz instrumento.


Escudo dos verdadeiros heróis, tem sido a coroa dos mártires, o sinal dos santos e a característica dos sábios.


Com ela o homem adquire grandeza interior, e considerando a majestade da Criação, como membro atuante da vida, que é, eleva-se e, assim, eleva a humanidade inteira.


Conquistá-la, ao fim das pelejas exaustivas, é lograr paz.


No diálogo entre Jesus e Pilatos, esteve presente no silêncio do Amigo Divino e ausente no enganado fâmub de César...


Seu nome é humildade.




Joanna de Ângelis

Livro: ‘Convites da Vida’ – Divaldo Franco


Oração por Humildade



Deus da Misericórdia!...



Auxilia-me a conservar o anseio de encontrar-te.



Quando haja tumulto, ao redor de mim, guarda-me o silêncio interior em que procure ouvir-te a voz.



Se algum êxito me busca, deixa-me perceber a tua bondade sobre a fraqueza que ainda sou.



Diante dos outros, consente, oh! Pai, que te assinale o infinito amor, valorizando-me a insignificância, através daqueles que me concedam afeto.



Se aparecerem adversários em meu caminho, faze-me vê-los como sendo instrumentos de trabalho, dentre aqueles com que me aperfeiçoas.



Na alegria, induz-me a descobrir-te a proteção paternal, estimulando-me a seguir para frente.



Na dor, fortalece-me os ouvidos para que te escutem os chamamentos de paz.



E, quanto mais possa conhecer, em minha desvalia, os recursos iluminados do oceano de mundos e de seres que construíste no Universo, concede-me, oh! Deus de Misericórdia, que eu tenha a simplicidade da gota d'água, se sente tranqüila e feliz porque se vê capaz de refletir-te a luz no brilho eterno da Criação.



(Meimei. Psicografia de Francisco Cândido Xavier, In: Amizade)



A Figura que ilustra o post foi retirada do site Túlio Dias Artes.