Esclarecimentos sobre o Espiritismo (Parte 3/3)

.



O que é a prática espírita, então?


  • Palestras de Esclarecimento Doutrinário (público em geral)

  • Atendimento Fraterno (público em geral)

  • Reuniões de Estudos Doutrinários

- Reuniões restritas aos trabalhadores da casa (estudos);

- Grupos de estudos voltados ao público em geral (evangelização infantil, grupos de jovens, estudo sistemático da doutrina espírita etc.)

  • Tratamentos Espirituais

- Água Fluidificada;

- Passes;

- Reunião Mediúnica Simples;

- Reunião Mediúnica de Desobsessão;

  • Preces (grupo de preces/livro de preces)

  • Assistência Social (caridade material/social, cursos para a comunidade etc.)

  • Divulgação Doutrinária (livraria/biblioteca, distribuição de folders/livretos etc.)


A prática espírita deverá ser simples, norteada exclusivamente pela caridade e não pela curiosidade.


Toda prática espírita deverá ser gratuita, seguindo o princípio do Evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”.


A sua proposta é principalmente de estudo, sobretudo da matéria que trata da reforma íntima das pessoas, dando ciência do papel de cada um de nós na Terra, da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo, esclarecimento da nossa condição espiritual no presente e no futuro e, principalmente, a nossa conduta moral. Recomenda a prática da caridade, mas de forma ampla, no sentido de orientar e informar aos outros sobre os meios de libertações dos conflitos, das amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si, incluindo o entendimento de que caridade envolve o serviço de amor ao próximo devendo ser exercitada dentro de uma postura fraterna e responsável e visando o soerguimento de nossos semelhantes em condições de carência.


* * *


Compreender o verdadeiro objetivo da Doutrina Espírita, empregando-a para fazer o bem a desencarnados e encarnados, é pouco recreativo para certas pessoas, temos que convir. Mas é mais meritório para os que a isso se devotam.” Allan Kardec (Revista Espírita / Junho de 1865)


* * *


Entretanto, se somos representantes do Espiritismo, não podemos esquecer de valorizarmos a pureza doutrinária, colocando-nos à disposição para estudarmos e irradiarmos as verdades codificadas por Allan Kardec.” (Do Livro: “Aconteceu na Casa Espírita” Cap. 9)


* * *


Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo.” (Espírito da Verdade - Paris, 1861 - Cap. VI de 'O Evangelho Segundo o Espiritismo')


* * *


Para saber mais sobre a prática espírita – CLIQUE AQUI.

Para saber mais sobre o trabalho em um centro espírita – CLIQUE AQUI.



Edição do blog Espírita na Net.

Este conteúdo pode ser copiado e divulgado sem solicitar autorização do blog Espírita na Net, pois sua finalidade é a divulgação do Espiritismo.


Esclarecimentos sobre o Espiritismo (Parte 2/3)

.



Para clarear o campo de conhecimento dos que ainda possuem dúvidas, bem como para apreciação daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a fim de um discernimento mais coerente e responsável, listaremos a seguir alguns itens.



NOMENCLATURA

Consideremos algumas afirmações a respeito do Espiritismo, para que não hajam confusões e, consequentemente, mal uso do termo:



ESPIRITUALISMO – Termo genérico, abrangente. Aqui estão doutrinas filosóficas que admitem a existência de Deus, de forças universais e da Alma. O contrário de materialismo. Todos os religiosos que aceitem Deus e a existência da alma poderão ser considerados espiritualistas: católicos, protestantes, umbandistas, candomblecistas, judeus, islâmicos, espíritas etc.



ESPIRITISMO – Termo criado por Allan Kardec. Relativo à Doutrina Espírita. Possui sua base fundamentada nas obras básicas codificadas por Kardec: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese.



Portanto → Todo Espírita é Espiritualista, mas nem todo Espiritualista é Espírita.



A Doutrina Espírita não comporta nenhuma ramificação, subdivisão. Só há um Espiritismo - termo criado pelo próprio Allan Kardec (Livro dos Espíritos). OBS.: Kardec criou o termo, mas não a doutrina.



Termo “Kardecista” - Equívoco generalizado.



Não existe “Kardecismo”, existe “Espiritismo”. Pessoas equivocadas costumam utilizar-se da expressão kardecismo, para identificar algo que imaginam ser uma “ramificação” do Espiritismo, achando que Espiritismo é “um montão de coisas”, quando na realidade não é.



Portanto: Mesa branca, Alto ou baixo Espiritismo, Espiritismo elevado, Kardecismo, Espiritismo Kardecista, Doutrina Kardecista: NÃO são sinônimos de Espiritismo!



Termos corretos: Espiritismo = Doutrina Espírita = Doutrina dos Espíritos.



PRÁTICA ESPÍRITA


O Espiritismo não adota quaisquer práticas de culto exterior. Não possui “corpo sacerdotal”. Não promete curas e/ou benefícios de ordem financeira.


As práticas a seguir não possuem fundamentação doutrinária e não encontram respaldo nas obras codificadas por Allan Kardec, portanto, não são consideradas práticas espíritas:


  • horóscopo

  • yoga

  • meditação

  • cartomancia

  • quiromancia

  • astrologia

  • magia

  • ufologia

  • apometria

  • cristalterapia

  • cromoterapia

  • fitoterapia

  • homeopatia

  • acupuntura

  • massoterapia / reflexologia / shiatsu

  • florais

  • ayurveda (medicina indiana)

  • reiki

  • toque terapêutico

  • terapia regressiva a vidas passadas


Certamente os espíritas não são “proibidos” de realizar qualquer uma das atividades citadas acima, como meditação e acupuntura, por exemplo, mas não devem considerá-las como espíritas, prezando sempre pelo bom-senso em sua prática.


Se alguém utiliza alguma dessas práticas no espaço físico de uma casa espírita, é por pura deliberação da direção da casa, que se considera livre para fazer o que quiser, até mesmo dar aulas de arte, culinária, corte e costura, curso de inglês, informática etc; que são atividades úteis, sem dúvida, mas não tem a ver diretamente com o Espiritismo.


O Espiritismo não adota em suas reuniões:



  • pêndulos

  • paramentos (vestes especiais)

  • vinho, cachaça, ou qualquer outra bebida alcoólica

  • incenso, fumo ou quaisquer outras substâncias que produzam fumaça

  • altares

  • imagens

  • andores

  • velas

  • talismãs

  • amuletos

  • pirâmides

  • cristais

  • búzios

  • bola de cristal

  • cantos, hinos, mantras, batuques

  • sacrifícios de animais ou seres humanos

  • macumba”, “despacho”, “trabalho de amarração”

  • procissões

  • cerimônias matrimoniais

  • cerimônias de batismo

  • exorcismo

  • confissão

  • promessa

  • administração de sacramentos

  • concessões de indulgência (perdão)

  • hinos, mantras ou cantos em línguas mortas ou exóticas

  • rituais, danças, ou quaisquer outras formas de culto exterior

  • cerimônias de cura e “cirurgias espirituais” com objetos cortantes


Compreende-se, portanto, que qualquer culto que contenha tais práticas mencionadas anteriormente, não pode e não deve receber a designação de espírita. Qualquer Centro Espírita que se utilize de tais práticas estará se desviando da sua verdadeira e nobre doutrina.


Baseado em texto retirado do blog Doutrina Espírita.

Com edição do blog Espírita na Net.



Saiba mais – Leia:


- Resumo da Doutrina Espírita

- Desmistificando o Espiritismo

- Preconceito contra o Espiritismo



A crença no Espiritismo só é proveitosa para aquele de quem se pode dizer: hoje ele está melhor do que ontem.” Allan Kardec


Esclarecimentos sobre o Espiritismo (Parte 1/3)

.

Muitos irmãos de ideal espírita sentem certo constrangimento em se declararem espíritas. Este constrangimento acontece pelas dúvidas e necessidade de estudar esta maravilhosa doutrina, pois a conhecendo melhor, o espírita compreenderá a separar o joio do trigo, tornando-se um esclarecedor para muitos que se encontram imantados de preconceitos e ignorância.


Este desconhecimento do público gera a confusão que muitas pessoas fazem entre a Doutrina Espírita e outras religiões onde também existem manifestações espirituais. Por isso, muitas comparações errôneas acontecem comumente em telejornais, novelas, revistas etc. Os termos espiritualismo, espiritismo, macumba, candomblé, umbanda são usados comumente como sendo a mesma coisa.


Para que diferenciemos o Espiritismo de outras correntes, é necessário inicialmente entender o conceito básico de espiritualismo. Para dirimir dúvidas dos termos que seriam utilizados nas obras espiritistas, o codificador do Espiritismo esclarece na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, item I, constante de “O Livro dos Espíritos”:


Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. As palavras espirituais, espiritualista, espiritualismo tem uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia (ambiguidade). Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue daí que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.

Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e Espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo tem a vantagem de serem perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.

Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual representa uma das fases. Essa a razão porque traz sob o título as palavras: Filosofia Espiritualista.”


Ora, se o Espiritualismo acredita em algo que não seja matéria, o Espiritismo vai além, demonstrando que existem relações do mundo material com o espiritual. O Catolicismo, as religiões protestantes, o Islamismo, o Judaísmo, o Espiritismo, a Umbanda, o Candomblé, por exemplo, são todas crenças espiritualistas.


Assim, não é correto afirmar que crenças como o candomblé, a macumba, a umbanda, sejam “ramificações” do Espiritismo. A Doutrina Espírita não possui ramificações ou subdivisões. Seu corpo doutrinário está contido nas Obras Básicas organizadas (codificadas) por Allan Kardec. Estas outras crenças possuem origens bastante distintas do Espiritismo, embora compartilhem alguns conceitos que são comuns às várias correntes espiritualistas. Não podemos, no entanto, confundir umas com as outras.


A Doutrina Espírita é uma corrente de pensamento — nascida em meados do século XIX — que se estruturou a partir de diálogos estabelecidos entre o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) e os que ele e muitos pesquisadores da época defendiam tratar-se de espíritos de pessoas falecidas, a manifestar-se através de diversos médiuns.


Caracteriza-se pelo ideal de compreensão da realidade mediante a integração entre as três formas consideradas clássicas de conhecimento, que seriam a científica, a filosófica e a religiosa. Segundo Allan Kardec, cada uma delas, se tomada isoladamente, tenderia a conduzir a excessos de ceticismo, negação ou fanatismo. A Doutrina Espírita se propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre elas, visando à obtenção de uma forma original, que a um só tempo fosse mais abrangente e profunda, de compreender a realidade”. (Fonte: Wikipédia)


Espiritismo não é igreja. Espiritismo não é religião. Ele não veio ao mundo com objetivo de ser simplesmente uma religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão, apenas com consequências religiosas, haja vista que os seus adeptos ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma e nem serem proibidos de nada. Mas adota Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos para seguir, concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir.


O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações. Pode-se defini-lo assim: 'O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal'.



Fonte: Site OSGEFIC, com edição do Blog Espírita na Net.



Saiba mais – Leia:


O Espiritismo, por Allan Kardec

O Espiritismo, por Herculano Pires

O Espiritismo, por Léon Denis


"A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário compreender." Allan Kardec


Na Doutrina Espírita



Toda crença é respeitável.


No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade.


Toda religião é sublime.


No entanto, só a Doutrina Espírita consegue explicar-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia.


Toda religião é santa nas intenções.


No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor.


Toda religião auxilia.


No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exonerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas subsiste na consciência culpada.


Toda religião é conforto na morte.


No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.


Toda religião apregoa o bem como preço do paraíso aos seus profitentes.


No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever.


Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.


No entanto, só a Doutrina Espírita s dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em outras faixas de evolução.


Toda religião educa sempre.


No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face.


Toda religião fala de penas e recompensas.


No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.


Toda religião erguida em princípios nobres, mesmo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã.


No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.


Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula.


Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.


“Espírita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.


“Espírita” deve ser tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.


“Espírita” deve ser nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.


“Espírita” deve ser o claro objetivo de tua instituição, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.


Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.


E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.


Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.


Emmanuel ('Religião dos Espíritos' – Chico Xavier)



Sobre as reuniões espíritas



Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.


Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não pode se dar sem concentração.


A concentração e a comunhão de pensamentos sendo as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas a atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições.


Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível.


Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 29 – Reuniões e Sociedades)


* * *


Mensagens dos Espíritos:


O silêncio e a concentração são as condições essenciais para todas as comunicações sérias. Jamais obtereis essas comunicações quando a atração para as vossas reuniões for apenas a curiosidade. Fazei, pois, que os curiosos vão se divertir em outro lugar, porque a sua distração seria a causa de perturbações.” (São Luís)


Sabeis realmente o que é uma reunião espírita? Não, porque no vosso zelo pensais que o melhor a fazer é reunir o maior número de pessoas, a fim de as convencer. Desenganai-vos disso. Quanto menos pessoas, mais obtereis. É sobretudo pela ascendência moral que encaminhareis os incrédulos, muito mais que pelos fenômenos. Se apenas os atrairdes por meio de fenômenos, eles irão vê-los por curiosidade e encontrareis curiosos que não acreditarão e rirão dos vossos esforços; se entre vós só existirem pessoas dignas, talvez não creiam imediatamente, mas vos respeitarão e o respeito inspira sempre confiança. Estais convencidos de que o Espiritismo deve produzir uma reforma moral.” (Fénelon)


Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 31 – Dissertações Espíritas)



Preconceito contra o Espiritismo



Ainda existe, em maior escala do que se pensa, o medo do Espiritismo. Há pouco, fomos procurados por uma pessoa que, sentindo evidentes perturbações de origem mediúnica, e tendo percorrido os consultórios de psiquiatria, vira-se obrigada a recorrer aos “recursos espirituais”, segundo dizia. Quando soube que não estava tratando com um “espiritualista”, mas com um espírita, assustou-se de tal maneira, que viu-se forçada a confessar o seu medo. “Se eu soubesse que o senhor era espírita - declarou - não o teria procurado.”


A verdade é que, apesar disso, acabou se convencendo de que o Espiritismo poderia ajudá-la, e mais tarde tornou-se espírita. Mas não foi muito fácil arrancar-lhe da mente o pavor doentio que lhe haviam infundido. Sacerdotes, pessoas da família, amigos e médicos, todos haviam contribuído para que o medo se enraizasse em sua alma. Terrível medo, que a desviava da única solução possível para o seu problema.


E o que é mais curioso, a maior contribuição para esse estado de temor foi dado por certas publicações espiritualistas, que apesar de admitirem a reencarnação e a lei de causa e efeito, condenam a mediunidade, pintando-a com as mais negras pinceladas.


O preconceito anti-espírita assemelha-se muito à prevenção contra o Cristianismo, no mundo antigo. As pessoas que temem o Espiritismo não conhecem a doutrina, dão ao termo aplicações indevidas, perdem-se num cipoal de lendas e suposições a respeito das sessões espíritas. Em geral nos acusam de endemoniados, necromantes, feiticeiros e coisas do mesmo teor, como faziam gregos e romanos com os cristãos primitivos. E essas deturpações do Espiritismo não são apenas orais, correndo entre pessoas simples. Figuram também em publicações eruditas, revistas, jornais, livros de ensaios e estudos, com signatários cultos.


Pitágoras já dizia que a Terra é a morada da opinião. E como a opinião é a coisa mais frívola que existe, a mais incerta e a mais irresponsável, não é de admirar que tanta gente opine sobre o que não conhece. Mesmo entre os letrados, a opinião é um hábito enraizado. Mas é evidente que, quando se trata de uma doutrina espiritual, esposada por tantos homens de projeção no mundo das ciências e do pensamento, em todo o mundo, as pessoas de cultura, ou mesmo de mediana cultura, deviam ter mais cautela ao se manifestarem a respeito. Porque se é livre o direito de opinar, não é menos livre o direito de se julgar o senso de responsabilidade de quem opina.


O maior motivo de temer do Espiritismo é o próprio temor. Ou seja: é a covardia humana, essa terrível covardia que faz os homens estremecerem de horror diante do perigo de mudarem de posição diante da vida e do mundo. O Espiritismo, entretanto, não exige outra mudança, senão a da concepção estreita de uma vida utilitarista e falsa, para a ampla concepção de uma vida espiritual, profunda e verdadeira.


Quanto ao problema das relações com o mundo invisível, o Espiritismo não estabelece essas ligações, que existem na vida de todas as criaturas, mas apenas as explica e orienta, dando-lhes o verdadeiro sentido no processo da existência.


Temer o Espiritismo é temer a verdade, que os seus princípios nos revelam, apesar de todos os que lutam para deturpá-los.


Do livro “O Homem Novo” - Herculano Pires


* * *

De todas as forças que oprimem o Espiritismo, a que mais o tem prejudicado é a “força do preconceito”. (...) A força do preconceito, para muitos, tem mais poder que a verdade. É este um dos motivos que impede a marcha ascensional do Espiritismo entre nós. (Cairbar Schutel, no livro “Os Fatos Espíritas e as Forças X” - 1926)


Ecologia e Espiritismo


É urgente que o movimento espírita absorva e contextualize, à luz da doutrina, os sucessivos relatórios científicos que denunciam a destruição sem precedentes dos recursos naturais não renováveis, no maior desastre ecológico de origem antrópica da história do planeta.

Os atuais meios de produção e de consumo precipitaram a humanidade na direção de um impasse civilizatório, onde a maximização dos lucros tem justificado o uso insustentável dos mananciais de água doce, a desertificação do solo, o aquecimento global, a monumental produção de lixo, entre outros efeitos colaterais de um modelo de desenvolvimento “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”.

Na pergunta 705 do Livro dos Espíritos, no capítulo que versa sobre a Lei de Conservação, Allan Kardec pergunta: “Porque nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, ao que a espiritualidade responde: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (...).

É evidente que em uma sociedade de consumo, nenhum de nós se contenta apenas com o necessário. A publicidade se encarrega de despertar apetites vorazes de consumo do não necessário, daquilo que é supérfluo, descartável, inessencial – renovando a cada nova campanha a promessa de felicidade que advém da posse de mais um objeto, seja um novo modelo de celular, um carro ou uma roupa. Para nós espíritas, é fundamental que o alerta contra o consumismo seja entendido como uma dupla proteção: ao meio ambiente – que não suporta as crescentes demandas de matéria-prima e energia da sociedade de consumo, onde a natureza é vista como um grande e inesgotável supermercado – e ao nosso espírito imortal, já que, segundo a doutrina espírita, uma das características predominantes dos mundos inferiores da Criação é justamente a atração pela matéria. Nesse sentido, não há distinção entre consumismo e materialismo, e nossa invigilância poderá custar caro ao projeto evolutivo que desejamos encetar. Essa questão é tão crucial para o Espiritismo, que na pergunta 799 do Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta “de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”, a resposta é taxativa: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.(...)”

Uma das mais prestigiadas organizações não governamentais do mundo, o Worldwatch Institute, com sede em Washington, divulga anualmente o relatório “Estado do Mundo”, uma grande compilação de dados e estudos científicos que revelam os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento. Na última versão do relatório, referente ao ano de 2004, afirma-se que “o consumismo desenfreado é a maior ameaça à humanidade”.

Os pesquisadores do Worldwatch denunciam que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.

Aos espíritas que mantêm uma atitude comodista diante do cenário descrito nessas breves linhas, escorados talvez na premissa determinista de que tudo se resolverá quando se completar a transição da Terra (de mundo de expiações e de provas para mundo de regeneração) é bom lembrar do que disse Santo Agostinho no capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao descrever o mundo de regeneração, Santo Agostinho diz que mesmo livre das paixões desordenadas, num clima de calma e repouso, a humanidade ainda estará sujeita “às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados; há ainda provas a suportar (...) e que “nesses mundos, o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu, ali, completamente o seu império. Não avançar é recuar, e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e terríveis provas”. Ou seja, não há mágica no processo evolutivo: nós já somos os construtores do mundo de regeneração, e, se não corrigirmos o rumo na direção do desenvolvimento sustentável, prorrogaremos situações de desconforto já amplamente diagnosticadas.

Não é possível, portanto, esperar a chegada do mundo de regeneração de braços cruzados. Até porque, sem os devidos méritos evolutivos, boa parte de nós deverá retornar à esse mundo pelas portas da reencarnação. Se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água doce, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável – sem os flagelos previstos pela queima crescente de petróleo, gás e carvão que agravam o efeito estufa – deveremos agir agora, sem perda de tempo.

Depois que a ONU decretou que 2003 seria o ano internacional da água doce, os católicos não hesitaram em, pela primeira vez em 40 anos de Campanha da Fraternidade, eleger um tema ecológico: “Água: fonte de vida”. Mais de 10 mil paróquias em todo o Brasil foram estimuladas a refletir sobre o desperdício, a poluição e o aspecto sagrado desse recurso fundamental à vida.

E nós espíritas? O que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O grande Mahatma Gandhi – que afirmou certa vez que toda bela mensagem do cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo, quando diz: “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo”.


André Trigueiro (Jornalista)

Para baixar o texto em PDF – CLIQUE AQUI

Conheça o livro “Espiritismo e Ecologia


O Homem Novo


Para construir um mundo novo precisamos de um homem novo. O mundo está cheio de erros e injustiças porque é a soma dos erros e injustiças dos homens.


Todos sabemos que temos de morrer, mas só nos preocupamos com o viver passageiro da Terra. Por isso, a humanidade desencarnada que nos rodeia é ainda mais sofredora e miserável que a encarnada a que pertencemos. “As filas de doentes que eu atendia na vida terrena — diz a mensagem de um espírito — continuam neste lado.”


Muita gente estranha que nas sessões espíritas se manifestem tantos espíritos sofredores. Seria de estranhar se apenas se manifestassem espíritos felizes. Basta olharmos ao nosso redor — e também para dentro de nós mesmos — para vermos de que barro é feita a criatura humana em nosso planeta. Fala-se muito em fraude e mistificação no Espiritismo, como se ambas não estivessem em toda parte, onde quer que exista uma criatura humana. Espíritos e médiuns que fraudam são nossos companheiros de plano evolutivo, nossos colegas de fraudes cotidianas.


O Espiritismo está na Terra, em cumprimento à promessa evangélica do Consolador, para consolar os aflitos e oferecer a verdade aos que anseiam por ela. Sua missão é transformar o homem para que o mundo se transforme. Há muita gente querendo fazer o contrário: mudar o mundo para mudar o homem.


O Espiritismo ensina que a transformação é conjunta e recíproca, mas tem de começar pelo homem.


Enquanto o homem não melhora, o mundo não se transforma. Inútil, pois, apelar para modificações superficiais. Temos de insistir na mudança essencial de nós mesmos.


O homem novo que nos dará um mundo novo é tão velho quanto os ensinos espirituais do mais remoto passado, renovados pelo Evangelho e revividos pelo Espiritismo.


Sem amor não há justiça e sem verdade não escaparemos à fraude, à mistificação, à mentira, à traição.


O trabalho espírita é a continuação natural e histórica do trabalho cristão que modificou o mundo antigo. Nossa luta é o bom combate do apóstolo Paulo: despertar as consciências e libertar o homem do egoísmo, da vaidade e da ganância.


Do livro “O Homem Novo” - Herculano Pires


Resumo da Doutrina Espírita




- Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. É eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

- A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a ideia da existência do Criador.

- Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

- Deus criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.

- Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

- Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.

- Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.

- O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.

- No Universo, além da Terra, há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: mais evoluídos e menos evoluídos.

- Entre as diferentes espécies de seres corpóreo, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.

- O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas consequências de suas ações. A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.

- O homem é um Espírito encarnado em um corpo material. Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade. O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.

- A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.

- Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3°, o perispírito, laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

- Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.

- O laço ou perispírito, que prende o corpo ao Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.

- O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.

- Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou Espíritos puros. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito maus, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e a inconsequência parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.

- Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.

- Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante.

- Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação. A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo. Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.

- Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu próprio aprimoramento. Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos.

- Os Espíritos evoluem sempre. As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; podem estacionar, mas nunca regridem. Mas, a rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.

- As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.

- O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.

- Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo. Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.

- Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.

- As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e assemelhar-nos a eles. As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.

- Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação. Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos. Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.

- Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.

- A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra. Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.

- Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus. A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

- Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores.


Da obra: 'O Livro dos Espíritos' - Allan Kardec


* * *


Para conhecer as principais obras da codificação espírita – CLIQUE AQUI


* * *

"Todos falam de Espiritismo, bem ou mal. Mas ninguém o conhece. Geralmente o consideram como uma seita religiosa comum carregada de superstições. Pensam quase todos que se aprende a doutrina ouvindo os espíritos. Não obstante, o Espiritismo é uma doutrina moderna, perfeitamente estruturada por um grande pensador, escritor e pedagogo francês, homem de letras e ciências, famoso por sua cultura e seus trabalhos científicos e que assinou suas obras espíritas com o pseudônimo de Allan Kardec. Saber isso já é saber alguma coisa a respeito, mas está muito longe de ser tudo."

(Herculano Pires - Filósofo Espírita)


* * *

"Estudar o Espiritismo na sua limpidez cristalina e sabedoria incontestável é dever que não nos é lícito postergar, seja qual for a justificativa em que nos apoiemos."

(Espírito Joanna de Ângelis. Do Livro 'Estudos Espíritas' - Divaldo Franco)


* * *

"Digerir primeiramente as obras fundamentais do Espiritismo, para entrar em seguida nos setores práticos, em particular no que diga respeito à mediunidade. Teoria meditada, ação segura."

(Espírito André Luiz. Do Livro 'Conduta Espírita' - Waldo Vieira)

* * *

"Quem quiser conhecer bem a Doutrina Espírita deve estudar Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne e Ernesto Bozzano."

(Yvonne Pereira. Médium e escritora espírita. Autora da obra-prima espírita 'Memórias de um Suicida'. Extraído da Revista Reformador, abril de 2001)