Serviço de Caridade


Calemo-nos diante da ofensa.


Auxiliemos aos companheiros de experiência, quanto se nos faça possível.


Abstenhamo-nos de maldizer, onde não possamos auxiliar.


Evitemos ressentimento ou azedume, quando o mal nos alveje.


Busquemos a conciliação fraterna, amparando, ainda mesmo de longe, aqueles que nos firam.


Desculpemos quantas vezes se fizerem necessárias, cada dia, exercitando-nos na prática do verdadeiro perdão.


Olvidemos os caprichos do “eu” que tantas vezes nos escravizam a escuras ilusões.


Aprendamos com a vida, para sermos mais úteis.


Multipliquemos as bênçãos do serviço, no campo das horas, conscientes de que o tempo é um empréstimo inestimável da Providência Divina.


Assim procedendo, estejamos certos de que cultivaremos a caridade para com o próximo e para conosco, de vez que, corrigindo em nós aquilo que nos aborrece nos outros, seguiremos, dia a dia, nos passos de Jesus, em nosso esforço de ascensão.


Emmanuel

In: ‘Recados da vida’ - Francisco Cândido Xavier

O perispírito e suas modelações



Como será o tecido sutil da espiritual roupagem que o homem envergará, sem o corpo de carne, além da morte?


Tão arrojada é a tentativa de transmitir informes sobre a questão aos companheiros encarnados, quão difícil se faria esclarecer à lagarta com respeito ao que será ela depois de vencer a inércia da crisálida.


Colado ao chão ou à folhagem, arrastando-se, pesadamente, o inseto não desconfia que transporta consigo os germes das próprias asas.


O perispírito é, ainda, corpo organizado que, representando o molde fundamental da existência para o homem, subsiste, além do sepulcro, demorando-se na região que lhe é própria, de conformidade com o seu peso específico.


Formado por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrena, é aparelhagem de matéria rarefeita, alterando-se, de acordo com o padrão vibratório do campo interno.


Organismo delicado, com extremo poder plástico, modifica-se sob o comando do pensamento.


É necessário, porém, acentuar que o poder apenas existe onde prevaleçam a agilidade e a habilitação que só a experiência consegue conferir.


Nas mentes primitivas, ignorantes e ociosas, semelhante vestimenta se caracteriza pela feição pastosa, verdadeira continuação do corpo físico, ainda animalizado ou enfermiço.


O progresso mental é o grande doador de renovação ao equipamento do espírito em qualquer plano de evolução.


Note-se, contudo, que não nos reportamos aqui ao aperfeiçoamento interior.


O crescimento intelectual, com intensa capacidade de ação, pode pertencer a inteligências perversas.


Daí a razão de encontrarmos, em grande número, compactas falanges de entidades libertas dos laços fisiológicos, operando nos círculos da perturbação e da crueldade, com admiráveis recursos de modificação nos aspectos em que se exprimem.


Não possuem meios para a ascese imediata, mas dispõem de elementos para dominar no ambiente em que se equilibram.


Não adquiriram, ainda, a verticalidade do Amor que se eleva aos santuários divinos, na conquista da própria sublimação, mas já se iniciaram na horizontalidade da Ciência com que influenciam aqueles que, de algum modo, ainda lhes partilham a posição espiritual.


Os “anjos caídos” não passam de grandes gênios intelectualizados com estreita capacidade de sentir.


Apaixonados, guardam a faculdade de alterar a expressão que lhes é própria, fascinando e vampirizando nos reinos inferiores da natureza.


Entretanto, nada foge à transformação e tudo se ajusta, dentro do Universo, para o geral aproveitamento da vida.


A ignorância dormente é acordada e aguilhoada pela ignorância desperta.


A bondade incipiente é estimulada pela bondade maior.


O perispírito, quanto à forma somática, obedece a leis de gravidade, no plano a que se afina.


Nossos impulsos, emoções, paixões e virtudes nele se expressam fielmente.


Por isso mesmo, durante séculos e séculos nos demoraremos nas esferas da luta carnal ou nas regiões que lhes são fronteiriças, purificando a nossa indumentária e embelezando-a, a fim de preparar, segundo o ensinamento de Jesus, a nossa veste nupcial para o banquete do serviço divino.


Emmanuel

In “Roteiro” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier


Grandeza



Quanto mais avança o Tempo nas trilhas da História, apartando-se-lhe da figura sublime, mais amplo esplendor lhe assinala a presença.


Ele não era legislador e a sua palavra colocou os princípios da Misericórdia nos braços da Justiça.


Não era administrador e instituiu na Caridade o campo da assistência fraternal em que os mais favorecidos podem amparar os irmãos em penúria.


Não era escritor e inspirou e ainda inspira as mais belas páginas da Humanidade.


Não era advogado e ainda hoje, é o defensor de todos os infelizes.


Não era engenheiro e continua edificando as mais sólidas pontes, destinadas à aproximação e ao relacionamento entre as criaturas.


Não era médico e prossegue sanando os males do espírito, além de suscitar o levantamento constante de mais hospitais e mais extensas obras de benemerência, capazes de estender alívio e socorro aos doentes.


Ensinou a prática do amor, renunciando à felicidade de ser amado.


Pregou a extinção do ódio, desculpando sem condições a todos aqueles que lhe ultrajaram a existência.


Não dispunha dessa ou daquela posse, na ordem material dos homens, e enriqueceu a Terra de esperança e de alegria.


Não viajou pelos continentes do Planeta, mas conversando com alguns necessitados e desvalidos, na limitada região em que morava, elevando constantemente os destinos da vida comunitária.


Embora crucificado e tido por malfeitor, há quase vinte séculos, quando os povos tentam apagar-lhe os ensinamentos, a Civilização treme nas bases.


Esse homem que conservava consigo a sabedoria e a beleza dos anjos, tem o nome de Jesus Cristo.


O seu imenso amor é a presença de Deus na Terra e a sua vida é e será sempre a luz das nações.



Emmanuel

In: ‘Esperança e Luz’ - Francisco Cândido Xavier


Lesões Afetivas


..



Um tipo de conselho raramente lembrado: o respeito que devemos uns aos outros na vida particular.


Caro é o preço que pagamos pelas lesões afetivas que provocamos nos outros.


Nas ocorrências da Terra de hoje, quando se escreve e se fala tanto, em torno de amor livre e de sexo liberado, muitos poucos são os companheiros encarnados que meditam nas consequências amargas dos votos não cumpridos.


Se habitas um corpo masculino, conforme as tarefas que te foram assinaladas, se encontraste essa ou aquela irmã que se te afinou com o modo de ser, não lhe desarticules os sentimentos, a pretexto de amá-la, se não estás em condição de cumprir a própria palavra, no que tange a promessas de amor. E se moras presentemente num corpo feminino, para o desempenho de atividades determinadas, se surpreendeste esse ou aquele irmão que se harmonizou com as tuas preferências, não lhe perturbes a sensibilidade sob a desculpa de desejar-lhe a proteção, caso não estejas na posição de quem desfruta a possibilidade de honorificar os próprios compromissos.


Não comeces um romance de carinho a dois, quando não possas e nem queiras manter-lhe a continuidade.


O amor, sem dúvida, é lei da vida, mas não nos será lícito esquecer os suicídios e homocídios, os abortos e crimes na sombra, as retaliações e as injúrias que dilapidam ou arrasam a existência das vítimas, espoliadas do afeto que Ihes nutria as forças, cujas lágrimas e aflições clamam, perante a Divina Justiça, porque ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro e nem sabe a qualidade das reações que virão daqueles que enlouquecem, na dor da afeição incompreendida, quando isso acontece por nossa causa.


Certamente que muitos desses delitos não estão catalogados nos estatutos da sociedade humana; entretanto, não passam despercebidos nas Leis de Deus que nos exigem, quando na condição de responsáveis, o resgate justo.


Tangendo este assunto, lembramo-nos automaticamente de Jesus, perante a multidão e a mulher sofredora, quanto afirmou, peremptório: "aquele que estiver isento de culpa, atire a primeira pedra".


Todos nós, os espíritos vinculados à evolução da Terra, estamos altamente compromissados em matéria de amor e sexo, e, em matéria de amor e sexo irresponsáveis, não podemos estranhar os estudos respeitáveis nesse sentido, porque, um dia, todos seremos chamados a examinar semelhantes realidades, especialmente as que se relacionem conosco, que podem efetivamente ser muito amargas, mas que devem ser ditas.


(Emmanuel / Francisco Cândido Xavier. In: Momentos de Ouro)



Depressões


Se trazes o Espírito agoniado por sensações de pessimismo e tristeza, concede ligeira pausa a ti mesmo, no capítulo das próprias aflições, a fim de raciocinar. Se alguém te ofendeu, desculpa. Se feriste alguém, reconsidera a própria atitude. Contratempos do mundo estarão constantemente no mundo, onde estiveres. Parentes difíceis repontam de todo núcleo familiar.

Trabalho é Lei do Universo. Disciplina é alicerce da educação.

Circunstâncias constrangedoras, assemelham-se a nuvens que aparecem no firmamento de qualquer clima.

Incompreensões com relação a caminhos e decisões que se adote são empeços e desafios, na experiência de quantos desejem equilíbrio e trabalho.

Agradar a todos, ao mesmo tempo, é realização impossível.

Separações e renovações representam imperativos inevitáveis do progresso espiritual.

Mudanças equivalem a tratamento da alma, para os ajustes e reajustes necessários à vida.

Conflitos íntimos atingem toda criatura que aspire a elevar-se.

Fracassos de hoje são lições para os acertos de amanhã.

Problemas enxameiam a existência de todos aqueles que não se acomodam com estagnação.

Compreendendo a realidade de toda pessoa que anseie por felicidade e paz, aperfeiçoamento e renovação, toda vez que sugestões de desânimo nos visitem a alma, retifiquemos em nós o que deva ser corrigido e abraçando o trabalho que a vida nos deu a realizar, prossigamos à frente.


(Do livro "Coragem", por Emmanuel, psicografia por Francisco Cândido Xavier)


Diante do Amanhã



Compreendemos, sim, todos os teus cuidados no mundo, assegurando a tua tranquilidade.


Organizas com esmero a casa em que vives.


Proteges as vantagens imediatas da parentela.


Preservas, apaixonadamente, a segurança dos filhos.


Atendes, com extremado carinho, ao teu grupo social.


Valorizas o que possuis.


Arranjas habilmente o leito calmo.


Selecionas, com fino gosto, os pratos do dia.


Defendes como podes a melhoria das tuas rendas.


Aspiras a conquistar salário mais amplo.


Garantes o teu direito, à frente dos tribunais.


Vasculhas avidamente o noticiário do que vai pelo mundo.


Sabem procurar, com pontualidade e respeito, os serviços do médico e os préstimos do dentista.


Marcas horários para o cabeleireiro.


Escolhes com devoção o filme que mais te agrada.


Examinas a moda, ainda mesmo com simplicidade e moderação, como quem obedece a força de um ritual.


Questionas sucessos políticos.


Discutem veementes, os serviços públicos.


Tentas, de maneira instintiva, influenciar opiniões e pessoas.


Desvelas-te em atrair a simpatia dos companheiros.


Observas, a cada instante, as condições do tempo, como se trouxesses, obrigatoriamente, um barômetro na cabeça.


Tudo, isso meu irmão da Terra, é compreensível, tudo isso é preocupação natural da existência.


No entanto, não conseguimos explicar o teu desvairado apego às ilusões de superfície, nem entendemos porque não dedicas alguns minutos de cada dia, de cada semana ou de cada mês, a refletir na transitoriedade dos recursos humanos, reconhecendo que nada levarás, materialmente, do plano físico, tanto quanto, afora os bens do espírito, nada trouxeste ao pousar nele.


Ainda assim, não te convidamos à ideia obcecaste da morte, porquanto a morte é sempre a vida noutra face.


Desejamos tão-somente destacar que, nessa ou naquela convicção, ninguém fugirá do porvir.


Disse o Cristo: “andai enquanto tendes luz”.


Isso quer dizer que é preciso aproveitar a luz do mundo, para fazer luz em nós.


Por: Emmanuel

Do Livro: “Justiça Divina”

Médium: Francisco Cândido Xavier



Pelos Frutos



Por seus frutos os conhecereis.” Jesus. (Mateus, cap. 7, vs. 16.)


Nem pelo tamanho...


Nem pela configuração...


Nem pelas ramagens...


Nem pela imponência da copa...


Nem pelos rebentos verdes...


Nem pelas pontas ressequidas...


Nem pelo aspecto brilhante...


Nem pela apresentação desagradável...


Nem pela vetustez do tronco...


Nem pela fragilidade das folhas...


Nem pela casca rústica ou delicada...


Nem pelas flores perfumadas ou inodoras...


Nem pelo aroma atraente...


Nem pelas emanações repulsivas...


Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, pela utilidade, pela produção.


Assim também nosso espírito em plena jornada...


Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.


Pelos frutos os conhecereis” - disse o Mestre.


Pelas nossas ações seremos conhecidos” - repetiremos nós



Emmanuel
“Pelos Frutos”
(Do livro 'Fonte Viva', 7, FCXavier, FEB)

Perante a Dor



“A dor é uma bênção que Deus nos envia” — diz-nos o verbo iluminado da Codificação Kardequiana, e ousaríamos acrescentar que é também o remédio que solicitamos no limiar da existência terrestre.


Espíritos enfermos e endividados, rogamos, antes do berço, os problemas e as provações suscetíveis de propiciar-nos a alegria da cura e a bênção do resgate.


Entre votos de esperança e lágrimas de angústia, pedimos em prece o reencontro com antigos desafetos de nossa estrada, pedimos as deformidades orgânicas, as moléstias ocultas, as mutilações dolorosas, o pauperismo inquietante, os golpes de calúnia, as desilusões afetivas, a incompreensão dos mais amados e os enigmas do sofrimento junto daqueles que se erigem à posição de nossos credores na Contabilidade Divina; entretanto, em plenitude das energias físicas, quase sempre recuamos ante os cálices de amargura, exigindo conforto imediatista e vantagens materiais, à feição de doentes enceguecidos recusando o medicamento que lhes prodigalizará a recuperação, ou à maneira de alunos preguiçosos e imprudentes fugindo sistematicamente à lição...


Lembremo-nos, pois, de que a luta é concessão celeste e de que a dificuldade é benfeitora do coração.


Aceitamo-las no caminho, não apenas com a noção da justiça que, por vezes, exageramos até a flagelação da secura, nem somente com o bordão da coragem que, em muitas ocasiões, transformamos em perigosa temeridade, mas, acima de tudo, com a humildade da paciência que tudo compreende para tudo ajudar e purificar, na jornada de nossa cruz redentora, pela qual, entre a serenidade e o amor, encontraremos por fim a imortalidade vitoriosa.




Emmanuel

In: ‘Através do Tempo’ - Francisco Cândido Xavier

Na hora da crise




Na hora da crise, emudece os lábios e ouve as vozes que falam, inarticuladas, no imo de ti mesmo.

Perceberás, distintamente, o conflito.
É o passado que teima em ficar e o presente que anseia pelo futuro.

É o cárcere e a libertação.
A sombra e a luz.
A dívida e a esperança.
É o que foi e o que deve ser.

Na essência, é o mundo e o Cristo no coração.

Grita o mundo pelo verbo dos amigos e dos adversários, na Terra e além da Terra.

Adverte o Cristo, através da responsabilidade que nos vibra na consciência.


Diz o mundo: “acomoda-te como puderes”.

Pede o Cristo: “levanta-te e anda”.


Diz o mundo: “faze o que desejas”.

Pede o Cristo: “não peques mais”.


Diz o mundo: “destrói os opositores”.
Pede o Cristo: “ama os teus inimigos”.


Diz o mundo: “renega os que te incomodem”.
Pede o Cristo: “ao que te exija mil passos, caminha com ele dois mil”.


Diz o mundo: “apega-te à posse”.
Pede o Cristo: “ao que te rogue a túnica cede também a capa”.


Diz o mundo: “fere a quem te fere”.
Pede o Cristo: “perdoa sempre”.


Diz o mundo: “descansa e goza”.
Pede o Cristo: “avança enquanto tens luz”.


Diz o mundo: “censura como quiseres”.
Pede o Cristo: “não condenes”.


Diz o mundo: “não repares os meios para alcançar os fins”.

Diz o Cristo: “serás medido pela medida que aplicares aos outros”.


Diz o mundo: “aborrece os que te aborreçam”.
Pede o Cristo: “ora pelos que te perseguem e caluniam”.


Diz o mundo: “acumula ouro e poder para que te faças temido”.
Diz o Cristo: “provavelmente nesta noite pedirão tua alma e o que amontoaste para quem será?”


Obsessão é também problema de sintonia.
O ouvido que escuta reflete a boca que fala.
O olho que algo vê assemelha-se, de algum modo, à coisa vista.


Não precisas, assim, sofrer longas hesitações nas horas de tempestade.
Se realmente procuras caminho justo, ouçamos o Cristo, e a palavra dele, por bússola infalível, traçar-nos-á rumo certo.


Emmanuel

(In: Religião dos Espíritos - Francisco Cândido Xavier)



Sempre Vivos



Ora, Deus não é de mortos, mas, sim, de vivos. Por isso, vós errais muito.”

(Jesus - Marcos 12:27)


Considerando as convenções estabelecidas em nosso trato com os amigos encarnados, de quando em quando nos referimos à vida espiritual utilizando a palavra “morte” nessa ou naquela sentença de conversação usual. No entanto, é imprescindível entendê-la, não por cessação e sim por atividade transformadora da vida.


Espiritualmente falando, apenas conhecemos um gênero temível de morte - a da consciência denegrida no mal, torturada de remorso ou paralítica nos despenhadeiros que marginam a estrada da insensatez e do crime.


É chegada a época de reconhecermos que todos somos vivos na Criação Eterna. Em virtude de tardar semelhante conhecimento nos homens, é que se verificam grandes erros.


Em razão disso, a Igreja Católica Romana criou, em sua teologia, um céu e um inferno artificiais; diversas coletividades das organizações evangélicas protestantes apegam-se à letra, crentes de que o corpo, vestimenta material do Espírito, ressurgirá um dia dos sepulcros, violando os princípios da Natureza, e inúmeros espiritistas nos têm como fantasmas de laboratório ou formas esvoaçantes, vagas e aéreas, errando indefinidamente.


Quem passa pela sepultura prossegue trabalhando e, aqui, quanto aí, só existe desordem para o desordeiro.


Na Crosta da Terra ou além de seus círculos, permanecemos vivos invariavelmente.


Não te esqueças, pois, de que os desencarnados não são magos, nem adivinhos.


São irmãos que continuam na luta de aprimoramento.


Encontramos a morte tão-somente nos caminhos do mal, onde as sombras impedem a visão gloriosa da vida.


Guardemos a lição do Evangelho e jamais esqueçamos que Nosso Pai é Deus dos vivos imortais.


Por: Emmanuel - Livro: “Pão Nosso” - Psicografia: Chico Xavier




Viajantes...


De muitos deles tiveste notícia da glória que ostentavam na Terra.

Pompeavam adornos de alto preço e chamavam-se príncipes.

Brandiam armas sanguinolentas e faziam-se chefes.

Mostravam brasões e manejavam a autoridade.

Eram mulheres primorosamente vestidas e atuavam no pensamento dos ditadores, alterando a sorte das multidões.

Entretanto, apenas viajavam no caminho dos homens...

Outros muitos conheceste de perto.

Urdiam golpes de inteligência e dirigiam enormes comunidades.

Sobraçavam livros famosos e tornavam-se mestres.

Amontoavam dinheiro e erguiam-se poderosos.

Exibiam louros da mocidade e articulavam aventuras e sonhos.

Contudo, viajavam também...

Se eram bons ou maus, justos ou injustos, realmente não sabes, porque as verdadeiras contas de cada um são examinadas além...

No entanto, não ignoras que nem o poder e nem o encargo, nem a juventude e nem o ouro, nem a fama e nem a Ciência lhes conferiram qualquer privilégio de fixação.

Todos passaram, uns após outros...

Pensa nisso e recorda que te encontras no mundo igualmente em viagem.

No último dia da grande romagem, nada carregarás contigo do que temporariamente desfrutas, a não ser aquilo que fizeste e colocaste em ti mesmo.

Ninguém te aconselha a fazer da existência o culto inveterado da morte, mas é imperioso caminhes na convicção de que a vida prossegue...

Vive, pois, de tal modo que todos aqueles que convivem contigo, possam, mais tarde, lembrar-te o nome, como quem abençoa a presença da fonte ou agradece a passagem da luz.



Por: Emmanuel

Mensagem “Viajantes” - Reunião pública, 28-04-61

Do livro “Justiça Divina” - Chico Xavier




Além do Corpo Físico




Depois da morte do corpo:


A frase amiga que houvermos proferido no estímulo ao bem será um trecho harmonioso do cântico de nossa felicidade.

A opinião caridosa que formulamos acerca dos outros converter-se-à em recurso de benignidade da Justiça Divina, no exame de nossos erros.

O pensamento de fraternidade e compreensão com que nos recordamos do próximo transformar-se-á em fator de nosso equilíbrio.

O gesto de auxílio aos irmãos de nosso caminho oferecer-nos-à farta colheita de alegria.


Mas, igualmente, além do túmulo:


A maledicência que partiu de nossa boca será espinheiro a provocar-nos dilacerações de ordem mental.

A nossa indiferença para com as amarguras do próximo nos aparecerá por geada desoladora.

A nossa preguiça surgirá por gerador de inércia.

A nossa possível crueldade exibirá, na tela de nossas consciências, a constante repetição dos quadros deploráveis de nossos delitos e de nossas vítimas, compelindo-nos à demora em escuras paisagens purgatoriais.


* * *


A morte é o retrato da vida.

A verdade revelará na chapa do teu próprio destino as imagens que estiveres criando, sustentando e movimentando no campo da existência.

Se desejas alegria e tranquilidade, além das fronteiras de cinza do sepulcro, semeia, enquanto é tempo, a luz e a sabedoria que pretendes recolher, nas sendas da ascensão espiritual.

Hoje - plantação, segundo a nossa vontade.
Amanhã - seara, conforme a Lei.

Se agora cultivamos a treva, decerto encontraremos, depois, a resposta respectiva.

Se, porém, semearmos o amor e a simpatia onde nos encontrarmos, indiscutivelmente, mais tarde, penetraremos a luz e a beleza da imortalidade vitoriosa.


Emmanuel
(Do livro “Plantão de Paz” - Chico Xavier)


Quitação



Todas as contas a resgatar pedem relação direta entre credores e devedores.


É por isso que te vês, frequentemente, na Terra, diante daqueles a quem deves algo.


No lar ou nas linhas que o margeiam, é fácil reconhecê-los, quando entregas desinteresse e dedicação, recolhendo aspereza e indiferença.


Muitas vezes, trazem nomes queridos no recinto doméstico, e assemelham-se a impassíveis verdugos, apresando-te o coração nas grades do sofrimento.


Em muitos lances da estrada, são amigos a quem te dás, sem reserva, e que te arrastam a dificuldades de longo curso.


Em várias ocasiões, são pessoas das quais enxugaste as lágrimas, situando-as na intimidade da própria vida, e que, de inesperado, te agridem a confiança com as pedras do desapreço.


Noutras circunstâncias, são companheiros de experiência que, de súbito, se transformaram em adversários gratuitos de teu caminho, hostilizando-te, em toda parte.


Entretanto, se defrontado por semelhantes problemas, é indispensável te municies de amor e paciência, tolerância e serenidade, para desfazeres a trama da incompreensão.


Guarda a consciência no dever lealmente cumprido e, haja o que houver, releva os golpes com que te firam, ofertando-lhes o melhor sentimento, a melhor ideia, a melhor palavra e a melhor atitude.


Água cristalina, pingando, gota a gota, converte o vaso de vinagre em vaso de água pura.


E, se depois de todos os teus gestos de fraternidade e benevolência, ainda de perseguem ou te injuriam, abençoa-os em prece e continua, adiante, fiel a ti mesmo, na certeza de que humildade, na hora de crise, é nota de quitação.


(Emmanuel / Do livro "Justiça Divina" / Francisco Cândido Xavier)

Amor Onipotente


Na hora atribulada de crise, em que as circunstâncias te prostraram a alma na provação, muitos acreditaram que não mais te levantarias, no entanto quando as trevas se adensavam, em torno, descobriste ignoto clarão que te impeliu à trilha da esperança, laureada de sol.


Na cela da enfermidade, muitos admitiram que nada mais te faltava senão aceitar o lance da morte, contudo, nos instantes extremos, mãos intangíveis te afagaram as células fatigadas, renovando-lhes o calor, para que não deixasses em meio o serviço que te assinala a presença na Terra.


No clima da tentação, muitos concordaram em que apenas te restava a decadência definitiva, todavia, nos derradeiros centímetros da margem barrenta que te inclinava ao despenhadeiro, manifestou-se em braço oculto que te deteve.


Na vala da queda a que te arrojaste, irrefletidamente, muitos te julgaram para sempre em desprezo público, entretanto, ao respirares, no cairel da loucura, recolheste íntimo apoio, que te guardou o coração, refazendo-te a vida.


Na tapera da solidão a que te relegaram os entes mais queridos, muitos te supuseram em supremo abandono, mas no último sorvo do pranto que te parecia inestancável, experimentaste inexplicável arrimo, induzindo-te a buscar outros afetos que passaram a enobrecer-te.


* * *

No turbilhão das dificuldades que te envolvam o dia, pensa em Deus, o Amor Onipresente, que não nos desampara.


Por mais aflitiva seja a dor, trará Ele bálsamo que consola; por mais obscuro o problema, dará caminho certo à justa solução.


Ainda assim, não te afoites em personalizá-lo ou defini-lo. Baste-nos a palavra de Jesus que nô-lo revelou como sendo Nosso Pai.


Sobretudo, não te importe se alguém lhe nega a existência enquanto se lhe abrilhantam as palavras nas aparências do mundo, quando pudeste encontrá-lo, dentro do coração, nos momentos de angústia.


É natural seja assim. Quando a noite aparece, é que os olhos dos homens conseguem divisar o esplendor das estrelas.



Emmanuel
Mensagem “AMOR ONIPOTENTE”
(Do livro “Opinião Espírita” - Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)



Evolução e Livre-Arbítiro

..



Porque há dores necessárias no erguimento da vida, há quem se acolha à faixa da negação.


Ainda agora, muitos cientistas e religiosos, encastelados em absurdos afirmativos, parecem interessados em se anteporem ao próprio Deus.


Gigantes do raciocínio constroem máquinas com que investem o espaço cósmico, em arrojados desafios, para dizerem que a vida é a matéria suposta onipotente, enquanto que milhares de pregoeiros da fé levantam cadeias teológicas, tentando aprisionar a mente humana ao poste do fanatismo.


Na área de semelhantes conflitos, padece o homem o impacto de crises morais incessantes.


Não te emaranhes, porém, no labirinto.

O mundo está criado, mas não terminado.


De ponta a ponta da Terra, vibra, candente, a forja da evolução. Problemas solucionados abrem campo a novos problemas. Horizontes abertos descerram horizontes mais amplos. E, na arena da imensa luta, o espírito é a obra-prima do Universo, em árduo burilamento.


O Criador não vive fora da Criação.


A criatura humana, contudo, ainda infinitamente distante da Luz Total, pode ser comparada ao aprendiz limitado aos exercícios da escola.


Cada civilização é precioso curso de experiências e cada individualidade, segundo a justiça, deve estruturar a sua própria grandeza.


Examinando o livre-arbítrio que a Divina Lei nos faculta, consideremos que nós mesmos, imperfeitos quais somos, não furtamos, impunemente, uns dos outros, a liberdade de conhecer e realizar.


Pais responsáveis, não trancafiamos os filhos em urnas de afeto exclusivo, com a desculpa de amor.


Professores honestos, não tornamos o lugar do discípulo, ofertando-lhe privilégios, a título de ternura.


Médicos idôneos, não exoneramos o enfermo dos arriscados processos da cirurgia, a pretexto de compaixão.


Recebe, pois, o quadro das provações aflitivas em que te encontras, como sendo o maior ensejo de crescimento e de elevação que a Bondade Infinita, por agora, te pode dar.


Não te importe o materialismo a dementar-se no próprio caos. Sabes que o homem não é planta sem raiz, nem barco à matroca.


Os que negam a Causa das Causas, reajustam, para lá do sepulcro, visão e entendimento, emotividade e conceito.


Enquanto observas, no caminho, perturbação e sofrimento, à guisa de poeira e sucata em prodigiosa oficina, tranquiliza-te e espera, porquanto, aprendendo e servindo, sentirás em ti mesmo a presença do Pai.



Do livro "Justiça Divina", pelo Espírito Emmanuel, Francisco Cândido Xavier
(Reunião Publica de 11-18-61. 1ª Parte, cap. I, item 5)