Deus é Justo?



Normalmente, quando tudo dá certo conosco, achamos que é merecimento e que Deus nos faz justiça. Quando nos são negados nossos anseios de preenchimento mental e satisfação física, ou seja, quando não está acontecendo o que queremos, sentimo-nos injustiçados, principalmente ao nos compararmos com outras pessoas. Por que ele tem e eu não? Achamos que Deus não está fazendo justiça conosco e que estamos sendo punidos.


É que trazemos cargas negativas do passado, que ocasionam frustrações no momento, existindo também atos desta encarnação que podem ser o motivo de muitas decepções.


Normalmente, não enxergamos a realidade da vida e sim a projeção das nossas ilusões, por considerarmos a vida física como fim e não como meio.


Muitas vezes, o justo ou o injusto baseia-se, de acordo com nossa compreensão, no que damos e no que achamos que devemos receber em troca. Sentimo-nos injustiçados, porque quase sempre temos como meta nossa distração e o preenchimento da vida com prazer.


Transformamos as funções e necessidades do corpo físico e a capacidade de pensar como fim da nossa existência. Não chegamos a olhar a vida como um todo e a desempenhar eficientemente nossa parte neste conjunto.


Já imaginaram se o coração se sentisse injustiçado por não ter folga e nem descanso físico? Que seria do homem? Diante desse exemplo, aprendemos que cada um deve fazer o que lhe compete, sem esperar recompensas, e sempre consciente de que deve utilizar o potencial nobre que a vida lhe concedeu.


Apesar de insignificantes diante do cosmo, fazemos parte dele. Portanto, precisamos desempenhar nossa função como parte da vida e não viver para os nossos prazeres e conquistas, materiais ou espirituais.


Deus não cria os seres para puni-los ou premiá-los. Cada qual tem sua função e utilidade, assim como o grão de areia tem sua função no deserto ou na praia. Punir uma manifestação, seria reconhecer Sua própria falha.


Ao comprarmos uma máquina nova, o fabricante nos dá garantia da mesma, e qualquer falha no seu funcionamento não significa a intenção do fabricante em nos punir, pois a garantia dela fará com que ele lhe restaure as funções. E, no caso, ele é o maior prejudicado, porque, além dos gastos de reposição, teria seu nome comercial prejudicado e posta em dúvida sua idoneidade.


Não somos uma máquina, é certo, e a falha nunca está em Deus, e sim em nossa maneira de nos relacionarmos com suas Leis, com a vida. Na maioria das vezes, nossos ânimos e desejos não encontram ressonância nos planos traçados pela vida, por causa de nossas existências anteriores.


Às vezes o que desejamos não é o que podemos ter. Quase sempre nossos desejos são saturados de egoísmo. Os da vida são saturados de grandeza, de amor e de realização plena do homem.


Na Terra, cada variedade de raça recebe, com maior ou menor intensidade, o que necessita para desempenhar e enobrecer a espécie a que pertence. O grupo humano não foge à regra geral e natural, somente foi acrescentada em nós a faculdade da liberdade de escolha, para cumprirmos a tarefa para a qual fomos chamados.


Se nos harmonizamos com as Leis Divinas, nos sentiremos felizes a caminho do progresso, enquanto que, se as desprezamos, criamos um ambiente vibratório individual de desarmonia, que poderá atingir aqueles que nos cercam, e terá ressonância de vibrações inferiores.


Será que Deus criou a Terra, com todo seu aparato animal e vegetal, somente para o desfrute do homem? O ser humano foi criado para usufruir de tudo à custa dos que caminham com ele? Não! Pelos seus atos de abuso, cuja consequência não compreende, presume que Deus lhe está sendo injusto.


Temos quase sempre, em nossas existências, buscado o significado da vida, tentando adivinhar por que razão Deus criou o homem. Talvez façamos isso, por darmos importância demais em pensar o que somos, ou pelos sentimentos que nos transmitiram, de tão importante questão.


Deus é profundamente simples. Para que possamos ouvi-Lo e senti-Lo, é preciso antes de tudo ser simples como Ele. Um exemplo da simplicidade de Deus é sua onipresença, tanto em nosso Cristo, quanto num verme desprezado por todos.


Devemos nos despojar do cultivo da autovalorização, vaidade, orgulho e presunção, para nos tornarmos melhores. Se não assumirmos nossa participação no conjunto do orbe terráqueo, nos sentiremos excluídos de obrigações e responsabilidades.


E aí, o que acontece com os habitantes da Terra? A consequência é esta que estamos vendo: destruição e devastação do que a natureza levou milhões de anos para realizar.


Não nos sentindo parte do Universo, parece que estamos no mundo somente para usar e desfrutar as coisas, não tendo nada a responder, sem responsabilidades com o que acontece com tudo e com todos, alheios aos que sofrem dores e misérias.


Não podemos compreender Aquele do qual estamos separados e, enquanto assim estivermos, não faremos parte do todo. Ao contrário, se participarmos do todo, seremos um só. Não haverá nem o maior, nem o menor, porque nosso pequenino eu se perderá, diante da grandeza e importância do Universo.


Que restará, então, para nós e para nossa espécie? Viver e neste viver, conhecer e compreender nossas funções e as dos que nos cercam, compondo assim um todo harmônico.


Aquilo que os irracionais fazem instintivamente, o homem deverá fazer consciente e espontaneamente. Os irracionais não têm escolha, o homem pode escolher. Pode recusar ou participar do Banquete Divino, que é a própria vida, refletindo assim a simplicidade e o equilíbrio do macro, refletido no micro.


Não teremos, então, nenhuma pretensão, por situações anteriores posteriores, ou do momento presente, pois elas são produtos do egoísmo oriundo da mente temporal. E Deus é atemporal.


Deus é profundamente justo. Não há desvios nem preferências em suas leis. Recebemos de acordo com o que fazemos, sendo que nossas vibrações são resultados de nosso estado interior, e que nos proporcionarão ligações com vibrações harmoniosas ou perturbadas, a causar dor e angústia, ou a felicidade.


Conhecendo a Lei da Reencarnação, entenderemos melhor a Justiça Divina. Compreendendo Deus, veremos que tudo que Ele faz é justo, pois nada deve a ninguém. Tudo o que recebemos é graça e de graça, nada temos feito para ter crédito com Deus. E, por mais que façamos, procede d'Ele o potencial da vida, a capacidade e a oportunidade de agir. Se vivermos esta verdade, nunca se abrigará em nossa mente a questão de Deus ser justo ou injusto.


Edição de texto retirado do livro “O Vôo da Gaivota” – Autoria Espiritual de Patrícia – Psicografia de Vera Lúcia M. de Carvalho – Ed. Petit


Amor Onipotente


Na hora atribulada de crise, em que as circunstâncias te prostraram a alma na provação, muitos acreditaram que não mais te levantarias, no entanto quando as trevas se adensavam, em torno, descobriste ignoto clarão que te impeliu à trilha da esperança, laureada de sol.


Na cela da enfermidade, muitos admitiram que nada mais te faltava senão aceitar o lance da morte, contudo, nos instantes extremos, mãos intangíveis te afagaram as células fatigadas, renovando-lhes o calor, para que não deixasses em meio o serviço que te assinala a presença na Terra.


No clima da tentação, muitos concordaram em que apenas te restava a decadência definitiva, todavia, nos derradeiros centímetros da margem barrenta que te inclinava ao despenhadeiro, manifestou-se em braço oculto que te deteve.


Na vala da queda a que te arrojaste, irrefletidamente, muitos te julgaram para sempre em desprezo público, entretanto, ao respirares, no cairel da loucura, recolheste íntimo apoio, que te guardou o coração, refazendo-te a vida.


Na tapera da solidão a que te relegaram os entes mais queridos, muitos te supuseram em supremo abandono, mas no último sorvo do pranto que te parecia inestancável, experimentaste inexplicável arrimo, induzindo-te a buscar outros afetos que passaram a enobrecer-te.


* * *

No turbilhão das dificuldades que te envolvam o dia, pensa em Deus, o Amor Onipresente, que não nos desampara.


Por mais aflitiva seja a dor, trará Ele bálsamo que consola; por mais obscuro o problema, dará caminho certo à justa solução.


Ainda assim, não te afoites em personalizá-lo ou defini-lo. Baste-nos a palavra de Jesus que nô-lo revelou como sendo Nosso Pai.


Sobretudo, não te importe se alguém lhe nega a existência enquanto se lhe abrilhantam as palavras nas aparências do mundo, quando pudeste encontrá-lo, dentro do coração, nos momentos de angústia.


É natural seja assim. Quando a noite aparece, é que os olhos dos homens conseguem divisar o esplendor das estrelas.



Emmanuel
Mensagem “AMOR ONIPOTENTE”
(Do livro “Opinião Espírita” - Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)



A Resposta de Deus




É como mergulhar em um mar de águas geladas.


Por toda parte o frio, o abandono.


Ninguém à vista, nada de sorrisos calorosos, mãos amigas, solidariedade.


É assim quando o mundo nos vira as costas, os amigos fogem, e nada parece dar certo.


Nesses momentos temos vontade de perguntar:
Onde estão as pessoas gentis, os bons sentimentos? Onde se escondeu o amor, que todos louvamos?


Nos escaninhos da alma então cresce um sentimento infeliz: O de que não somos dignos de ser amados. E queremos tanto ser amados!


Queremos alegrias, carícias, gentilezas e sorrisos. Se isso nos falta, resta uma sombra cinzenta, um coração partido.


E é assim que da garganta parte um pedido de socorro, um grito que corta os céus e chega a Deus. E que diz, entre soluços:
Meu Pai, será que podes me ouvir? Estás aí? Deixa-me sentir Tua mão por um só instante.


E se a alma está atenta, o coração aberto, a luz abre caminho entre as sombras.


É como o sol surgindo após a chuva, seus raios dissipando nuvens pesadas, seu calor se espalhando pela Terra.


É a resposta de Deus.


Sua voz soa nos nossos ouvidos, sussurrando: Sim, Meu filho, estou aqui. Confia, espera, supera, aguarda. Estou aqui.


Somente essa voz divina tem o poder de restaurar nossa alma, de tornar cálida a água gelada que nos cerca.


Deus é alegria.


Estar unido a Ele é alcançar o permanente contentamento, Sua voz ecoando no coração, consolando, explicando. É como música feliz que leva para longe as mágoas, restaura a paz e devolve o sorriso.


Por isso, nas horas árduas, quando a solidão se instalar e as lágrimas chegarem, apenas silencie a voz na garganta.


Deixe apenas a alma falar.


E em vez de queixas, permita que a voz secreta busque Aquele que criou todas as coisas.


Dirija ao Pai Divino uma oração de reconhecimento e amor. Algo mais ou menos assim:

Na caminhada dos dias, nos caminhos do Mundo, na humildade de minha alma, eis-me aqui, meu Amigo, meu Amado.

Faz da minha vida o que for melhor para mim. Mesmo que meus pés sangrem, mesmo que meus lábios só emitam gemidos, confio em Ti.

Ouvir Tua voz na natureza é como recordar uma canção de infância. Violões em notas claras traduzindo brisas e risadas de criança. À Tua sombra existe serenidade e paz. A paz que sempre busquei.

És minha água, meu sol, o ar mais puro. Por isso meu único pedido é que me deixes apenas Te amar.


* * *


Deus está em toda parte, e, obviamente, em ti e contigo também.


Procura encontrá-Lo, não somente nas ocorrências ditosas, senão em todos os fatos e lugares.


Reserva-te a satisfação de ser cada dia melhor do que no anterior, de forma que Ele em ti habite e, sentindo-O, conscientemente, facultes que outros também O encontrem.


Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 33 do livro 'Episódios diários', do Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.



A ideia de Deus




Viviam, num edifício de sete andares, moradores cujos olhos jamais tinham contemplado a luz do sol, a não ser através das vidraças diversamente coloridas de cada pavimento. Encerrados nos limites de seu pequeno mundo, cada qual fazia uma ideia diferente quanto à cor da luz solar. Os moradores do primeiro pavimento diziam que era vermelha, porque vermelhos eram os vidros, através dos quais se habituaram a vê-la.


Os do segundo pavimento diziam, por sua vez, que era alaranjada, porque alaranjados eram os vidros pelos quais ela diariamente se filtrava.


Os do quarto, diziam que era verde. Os do quinto, azul. Os do sexto, anil e os do sétimo diziam que era violeta.


Certo dia, porém, um morador mais inteligente e indagador resolveu sair do edifício e, surpreendido com a luz do sol, que lá no alto se decompunha na policromia do arco-íris, compreendeu logo que cada morador havia apreendido somente uma parcela da verdade.


Tudo se passava exatamente como se cada um deles, em seu próprio pavimento, tivesse a visão limitada a uma faixa apenas, dentre as sete faixas luminosas do espectro solar.


A luz do sol era realmente da cor sob que cada qual a tinha visto, mas era também muito mais do que isso: era a síntese das sete cores.


Assim como cada morador via o Sol, assim também cada criatura humana vê Deus.


Situado em diferentes faixas da evolução, cada um O verá sob um aspecto diferente, segundo a diversa coloração de seu entendimento.


Chegará, no entanto, um dia em que a criatura transcenderá os augustos limites de seu mundo e compreenderá Deus, em sua essência, na síntese de seus atributos.



De “O Primado do Espírito” - Rubens Costa Romanelli

Retirado do blog Irmãos Fraternos


O reflexo de Deus




Se o homem soubesse recolher-se e estudar a si próprio, se sua alma desviasse toda a sombra que as paixões acumulam, se, rasgando o espesso véu em que o envolvem os preconceitos, a ignorância, os sofismas, descesse ao fundo da sua consciência e da sua razão, acharia aí o princípio de uma vida interior oposta inteiramente à vida externa.


Poderia, então, entrar em relação com a Natureza inteira, com o Universo e Deus, e essa vida lhe daria um antegozo daquela que lhe reservam o futuro de além-túmulo e os mundos superiores. Aí também está o registro misterioso em que todos os seus atos, bons ou maus, ficam inscritos, em que todos os fatos de sua vida se gravam em caracteres indeléveis, para reaparecerem à hora da morte, como brilhante clarão.


Sim, há em cada um de nós fontes ocultas de onde podem brotar ondas de vida e de amor, virtudes, potências inumeráveis. É aí, é nesse santuário íntimo que cumpre procurar Deus.


Deus está em nós, ou, pelo menos, há em nós um reflexo d’Ele. Ora, o que não existe não poderia ser refletido. As almas refletem Deus como as gotas do orvalho da manhã refletem os fogos do Sol, cada qual segundo o seu brilho e grau de pureza.


Texto retirado do livro “Depois da Morte” - Léon Denis


Mais Deus



Se alguém nos perguntasse pelo material de que mais necessitamos para cooperar com os homens, nossos irmãos no Plano Físico na construção da Era da Paz e Amor que todos aguardamos, não hesitaríamos em responder que precisamos, em qualquer parte da Terra:


De mais amor para reaquecimento da vida.


De mais trabalho que de idéias novas.


De mais entendimento que de observação.


De mais cooperação que de críticas.


De mais coragem para servir que de inclinação para censurar.


De mais esforço no bem que de promessas.


De mais perdão que de conselhos.


De mais simplicidade que de apelações.


De mais vozes que abençoem e fortaleçam as criaturas na prática do bem que de exortações ao aperfeiçoamento espiritual imediato, baseadas na aspereza de trato.


De mais atividade que de advertências.


De mais dedicação ao próximo que de reprovações.


De mais desprendimento da posse que de suposta segurança, acobertando a sovinice.


De mais caridade que de ciência.


É indispensável salientar, sobretudo, que todos nós, os espíritos em evolução, ainda vinculados à Terra, precisamos de menos mundo e mais Deus.


(Por Emmanuel - In: Recados da Vida - Francisco Cândido Xavier)


Provas da Existência de Deus


Allan Kardec colocou logo no início de O Livro dos Espíritos um capítulo que trata exclusivamente de Deus. Com isso pretendeu significar que o Espiritismo se baseia em primeiro lugar na idéia de um ser Supremo.


Os Espíritos definiram Deus como “(...) a inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas”. Ora, nesse conjunto imenso de mundos e coisas que constituem o Universo, tal é a grandeza, a magnitude, e são tais a ordem e a harmonia, que, tudo isso, pairando infinitamente acima da capacidade do homem, só pode atribuir-se à Onipotência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio, Criador necessário de tudo que existe.


Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Mesmo depois de desencarnado, dispondo de faculdades perceptivas menos materiais, não pode ainda o Espírito imperfeito perceber totalmente a natureza Divina.


Pode, entretanto, o homem, ainda no estágio de relativa inferioridade em que se encontra, ter convincentes provas de que Deus existe, mas advindas por dois outros caminhos, que transcendem aos sentidos: o da razão e o do sentimento.


Racionalmente, não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando o Universo imenso, a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia a que obedece a marcha dos mundos inumeráveis; olhando ainda os seres da Natureza, os minerais com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal em sua exuberância, numa variedade de plantas quase infinita, os animais com seus portes altivos ou a fragrância de certas aves e as miríades de insetos; sondando também o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares; toda essa imensidão, profusão e beleza nos obriga a crer em Deus, como causa necessária. Mas, se preferirmos contemplar apenas o que é o nosso próprio corpo, quanta harmonia também divisaremos na nossa roupagem física, nas funções que se exercem à revelia de nossa vontade num ritmo perfeito. Nas maravilhas que são os nossos sentidos; os olhos admiravelmente dispostos para receber a luz refletida nos corpos, condicionando no plano físico a percepção dos objetos e das cores; o ouvido, adredemente estruturado à percepção de sons, melodias e grandiosas sinfonias; o olfato, o gosto, o tato, outros tantos sentidos que nos permitem intuir-nos sobre a objetividade das coisas. Toda essa perfeição, a harmonia da natureza humana e no mundo exterior ao homem, só pode ser criação de um Ser Supremamente Inteligente e Sábio, o qual chamamos de Deus.


É pelo sentimento, mais do que pelo raciocínio, que o homem pode compreender a existência de Deus. Porém, há no homem, desde o mais primitivo até o mais civilizado, a idéia inata da existência de Deus. Acima, pois, do raciocínio lógico prova-nos a existência de Deus a intuição que dele temos. E, Jesus, ensinando-nos a orar no-lo revelou como o Pai: Pai Nosso, que estás no Céu, Santificado seja o teu nome. (...)


O Espiritismo, portanto, tem na existência de Deus o princípio maior, que está na base mesma desta Doutrina. Sem pretender dar ao homem o conhecimento da Natureza íntima de Deus, permite-se argumentar que prova a sua existência a realidade palpitante e viva do Universo. Se este existe, há de ter um divino Autor.


A história da idéia de Deus mostra-nos que ela sempre foi relativa ao grau de intelectualidade dos povos e de seus legisladores, correspondendo aos movimentos civilizadores, à poesia dos climas, às raças, à florescência de diferentes povos: enfim, aos progressos espirituais da Humanidade. Descendo pelo curso dos tempos, assistimos sucessivamente aos desfalecimentos e tergiversações dessa idéia imperecível que, às vezes, fulgurante, e outras vezes eclipsada, pode, todavia, ser identificada sempre, nos fatos da Humanidade.


Nos movimentos revolucionários que aos poucos foram transformando a mentalidade da sociedade humana; às custas das idéias, opiniões e conceitos emitidos pelos sábios, filósofos, cientistas ou religiosos, podemos dizer que, se de um lado a ignorância havia humanizado Deus, a ciência diviniza-o por outro.


Outrora, Deus foi homem; hoje Deus é Deus. O Ser Supremo, criado à imagem do homem, hoje vê apagar-se pouco a pouco essa imagem, substituída por uma realidade sem forma. Outrora, Júpiter empunhava o raio, Apolo conduzia o Sol, Netuno senhoreava os mares... Na idolatria dos budistas, Deus ressuscitava um morto sobre o túmulo de um santo, fazia falar um mudo, ouvir um surdo, crescer um carvalho numa noite, emergir d’água um afogado... Desvendava a um estático as zonas do terceiro céu, imunizava do fogo, são e salvo, um santo mártir, transportava um pregador, num abrir e fechar de olhos, a cem léguas de distância, e derrogava, cada momento, as suas próprias, eternas leis...


A maioria dos crentes em Deus o conceituam como um super-homem, alhures assentado acima das nossas cabeças, presidindo os nossos atos.


Na realidade, pouco sabemos sobre a Natureza divina. Ele não é o Varouna dos árias, o Elim dos egípcios, o Tien dos chineses, o Ahoura-Mazda dos persas, o Brama ou Buda dos indianos, o Jeová dos hebreus, o Zêos dos gregos, o Júpiter dos latinos, nem o que os pintores da Idade Média entronizavam na cúspide dos céus.


Nosso Deus é um Deus ainda desconhecido, qual o era para os Vedas e para os sábios do Areópago de Atenas. No entanto, no estado evolutivo em que nos encontramos podemos sentir que Deus não é abstração metafísica, ideal que não existe. Não, Deus é um ser vivo, sensível, consciente. Deus é uma realidade ativa. Deus é nosso pai, nosso guia, nosso condutor, nosso melhor amigo; por pouco que lhe dirijamos apelos e que lhe abramos o nosso coração, Ele nos esclarecerá com a sua luz, nos aquecerá no seu amor, expandirá sobre nós sua Alma imensa, sua Alma rica de todas as perfeições; por Ele e Nele somente nos sentiremos felizes e verdadeiramente irmãos, fora dele só encontraremos obscuridade, incerteza, decepção, dor e miséria moral.


Tal é o conceito que nossa inteligência, na fase evolutiva em que se encontra, pode fazer de Deus.



Fonte: Site Lar de Frei Luiz (Estudos Espíritas)



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Sugestões de Leitura (Livros):


O Livro dos Espíritos – Allan Kardec


O Grande Enigma – Léon Denis


Deus na Natureza – Camille Flammarion


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Achar que o mundo não tem Criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia.”

Benjamin Franklin


DEUS



Que é Deus?


- É o Espírito puro, incriado, eterno, causa inicial e ordenadora do universo.


Pode-se definir Deus?


- Deus é indefinível. Definir é limitar; ora, Deus é infinito; ele é o círculo eterno cujo centro está por toda parte e a circunferência em parte alguma.


Não se pode, pois, penetrar nunca a natureza íntima de Deus?


- Nunca. Deus é como o sol; se o olharmos em seus raios, ele nos ilumina.



Onde está Deus?


- Em toda parte, porque seu Ser infinito não pode estar circunscrito em nenhum lugar.


Pode-se provar a existência de Deus?


- De uma forma direta e sensível, não; porque ele não está sob nossos sentidos.


O universo, entretanto, não prova a existência de Deus?


- Sim. Mas não o mostra. Deus se oculta sob o véu transparente das coisas, como para nos forçar a procurá-lo e nos proporcionar o gozo de descobri-lo.


O homem não traz consigo a ideia de Deus?


- Sim. A ideia de Deus está no fundo da consciência humana, como as estrelas no fundo da noite. De todas as provas de sua existência esta é a mais segura e a melhor, porque é inata na alma, como um reflexo da verdade eterna.


Deus é único no infinito?


- Sim. Deus é único, porque não há senão um único Deus; porém ele não está solitário, porque a vida universal evolui nele, por ele e em torno dele.


Os Espíritos estão, portanto, em torno de Deus?


- Sim. Deus é o lugar dos Espíritos, isto é, o foco eterno de luz e de amor, no qual vêm se iluminar todas as inteligências.




Retirado do livro 'Síntese Doutrinária' – Léon Denis



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Para entender melhor sobre o conceito de Deus segundo a Doutrina Espírita e a sua relação com outros conceitos, leia os seguintes textos:


- O Espiritismo não advém do Panteísmo


- Diferenças entre Panteísmo e Espiritismo



Como é Deus?



Deus não possui forma, no sentido estrito da palavra, que significa “os limites exteriores da matéria de que é constituído um corpo, e que conferem a este um feitio, uma configuração, um aspecto particular” (Dicionário Aurélio do Século XXI).


Neste sentido, Allan Kardec, em excelente dissertação sobre a Natureza Divina, ressalta que Deus é imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que conhecemos por matéria, pois de outro modo estaria sujeito às suas transformações. E acrescenta: “dizemos: a mão de Deus, o olho de Deus, a boca de Deus, porque o homem, nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de comparação para tudo o que não compreende. São ridículas essas imagens em que Deus é representado pela figura de um ancião de longas barbas e envolto num manto. Têm o inconveniente de rebaixar o Ente supremo até as mesquinhas proporções da Humanidade” (item 12 - Capítulo II de 'A Gênese' - grifo nosso).


Tal entendimento está consoante com os princípios expressos pelos Espíritos Superiores da Codificação, que, de forma clara e racional, no corpo doutrinário do Espiritismo, revelam-nos o Mundo Espiritual e a magnitude das Leis Divinas. Nesta fonte sublime de conhecimentos, informam que o Universo é composto por dois elementos - matéria e espírito - e que, acima deles, o Criador – Deus. Dos dois elementos constitutivos do Universo criado, compete à Ciência lançar luzes sobre o princípio material. Ao Espiritismo, cabe esclarecer sobre a natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. Quanto ao Criador, “não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito” (item 8 - Capítulo II de 'A Gênese').


E Kardec, ciente das limitações que possuímos para compreender o Criador em sua essência e atento às orientações dos Benfeitores Espirituais, explora filosoficamente a idéia de Deus. O faz sem definir Deus, mas conduzindo-nos a uma compreensão de seus atributos, utilizando-se do raciocínio e da lógica e considerando nosso atual estágio de conhecimento. Isso porque há coisas que “estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir” (questão 13 de 'O Livro dos Espíritos').


Deste exercício, com base na proposta de que Deus deve se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber”, Allan Kardec nos brinda com uma das mais inspiradas excursões nos atributos divinos, que ora reproduzimos conforme consta nos comentário da questão 13 de 'O Livro dos Espíritos':


“Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.


É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.


É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.


É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.


É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obras de outro Deus.


É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.”


A compreensão dos atributos de Deus nos permite fazer uma idéia melhor da Divindade, uma vez que não O vemos mais como algo circunscrito e limitado. Infelizmente, para a maioria das pessoas, Deus ainda é visto como um “soberano poderoso, sentado num trono inacessível e perdido na imensidade dos céus” (item 21 - Capítulo II de 'A Gênese').


Deus está em toda parte. Se não o percebemos, é porque estamos ainda envoltos em nossas imperfeições, obscurecidos pela matéria. “Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. (...) O que há é que as imperfeições daqueles Espíritos são vapores que os impedem de vê-lo. Quando o nevoeiro se dissipar, vê-lo-ão resplandecer” (item 34 - Capítulo II de 'A Gênese').


Portanto, se desejamos sentir a presença do Criador, compete a cada um de nós empreender os esforços necessários para nossa depuração espiritual, despojando-nos das imperfeições e ampliando nossa percepção de Deus. Deste modo, estaremos prontos para receber os eflúvios de Seu pensamento e, a exemplo do Mestre Jesus, conhecer Sua Vontade Soberana. Antes disso, “somos quais cegos de nascença a quem procurassem inutilmente fazer compreendessem o brilho do Sol” (item 37 - Capítulo II de 'A Gênese').



Fonte: Site OSGEFIC